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Jesus Cristo: Um fato histórico no Principado de Roma

Por pesquisador convidado Juraci Junior da Silva[1]

Durante o Principado de Roma – 30 a.C.–192 E.C, podemos ver uma época onde um império crescia em poder, e muito, tanto quanto a crença e culto de seu povo aos seus diversos deuses, trazidos por gregos, egípcios, sírios, dentre outros povos, devido à grande movimentação causada por comerciantes, escravos e imigrantes.

Os jogos foram transformados em celebração religiosa cujo imperador era o sumo sacerdote da religião do Estado. Suas Vestais, meninas que tinham entre 6 e 10 anos de idades, eram entregues ao templo de Vesta, para servirem-na, durante aproximadamente 30 anos, a fim de beneficiarem o império com sua benção caso permanecessem virgens. Cada qual com seu deus, seu rito, sua magia, feitiçaria, encantamento, ideologia ou filosofia; assim era permitido viver, contanto que sua fidelidade ao imperador e a Roma fosse constante. Até mesmo entre os filósofos, praticantes de astrologia, e ateístas confessos da época, como Nero e Calígula, era possível ver claramente práticas como essas, os quais, apesar de proibirem, eram os primeiros a praticarem. Imperadores, alguns, tinham cada um a sua própria moral e isso era visto também entre o povo, os quais praticavam atos sexuais juntos a altares em templos romanos.

Mas eis que em meio a tanta libertinagem, e em meio a tantos deuses que faziam parte do panteão grego e romano e que se misturavam em um sincretismo ‘sem fim’, em meio também a alguns deuses do sol, como Mitras, surge da Judéia, dos adoradores de YHWH, uns poucos judeus romanos, que veem uma verdadeira Luz, o verdadeiro Verbo [¹], segundo o evangelho de João, não somente para suas almas, como para seus espíritos, Jesus, autodenominado não somente Filho de YWHW, mas também Filho do homem e Messias, dando-lhes, por meio de atos e palavras, um sentido significativo para suas vidas e sua fé, não como imagens adornadas pelas mãos dos artífices, tal e qual os que os cercavam e era motivo de riso por poetas gregos, mas encarnado e ressurreto.

Encarnado e ressurreto por alguns motivos, tais como o fato deles não poderem tirar seu corpo do túmulo, pois sofreriam com isso uma cruel punição por parte do governo romano; pela sua aparição a dezenas de pessoas, que segundo o apóstolo Paulo, ainda estariam vivas quando a epístola aos Coríntios foi escrita; também pelo fato da igreja primitiva não ter sido refutada pelo clero judaico da época e nem por historiadores contemporâneos quanto não somente à sua morte e ressurreição, mas também por não demonstrar que o corpo foi roubado ou que ele não teria morrido, mas sim ter sofrido um desmaio, sendo cuidado em secreto pelos seus seguidores, e quando recuperado seu estado físico, se ausentado a fim de continuar em segredo a propagação de sua mensagem, ou que seria apenas um mito, como D. F. Strauss procurou alegar. Mas ele mesmo via um problema nisso, já que não se tinha mais essa ideia de mito no século I. Essas são na verdade, interpretações desde o ‘iluministas’.

É muito difícil imaginar que, apesar de que em alguns momentos os israelitas se desviaram dos ensinos de YHWH, eles se autoiludirem, com um Cristo imaginário, ressuscitado de entre os mortos, pois sempre existiram os remanescentes, ou seja, aqueles cujo espírito se mantinha firme nas palavras e promessas do seu Deus. Vejamos o que Carlos Augusto diz em seu livro “História da Ciência: da Antiguidade ao Renascimento Científico” a cerca desse povo:

“Os hebreus se diferenciavam dos demais povos por serem monoteísta (YHWH) e arredio a qualquer contato com seus vizinhos, ciosos da preservação de sua identidade. Conquistado pela Grécia e Roma, resistiria o povo hebreu a influências externas e se manteria fiel a suas tradições e costumes e contrários a especulações filosóficas contrárias a sua crença.” [²]

Além dos exemplos citados acima, ainda tem uma explicação crucial, que não tem sido dada de maneira satisfatória pelos críticos da ressurreição de Jesus, que é o surgimento da fé cristã, e que tem, durante esses mais de dois mil anos, permanecido intrinsecamente, ligada a milhões de homens e mulheres de diversas raças, culturas e nível social, podendo nós, não somente com o que foi apresentado, mas com uma busca sincera e honesta, ter boas razões, para crer na vida, morte e ressurreição de Jesus.


[1] Esta publicação é referente ao dia do leitor.

 

Referências bibliográficas:

 

[¹] Rosa, Carlos Augusto de Proença. História da Ciência: da Antiguidade ao Renascimento Científico, Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2010. Volume I, pág. 97.

[²] Evangelho de João, Capítulo 1, versos 1-18.

Durant, Will. História da Civilização, – 3º parte, Tomo II – São Paulo: Cia Editora Nacional. Págs. 33-36.

Craig, William Lane. Apologética Contemporânea: a veracidade da fé cristã, 2 ed. – São Paulo: Vida Nova, 2012.

Bíblia Apologética. Almeida, Corrigida, Fiel – ACF, 2ed. – São Paulo: Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, 2005


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Agenda Cultural!

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Fique por dentro! Bento XVI: 4º Papa a renunciar na história

Por pesquisador Rodrigo Rocha[1]

 

O  anúncio foi feito pelo próprio Sumo Pontífice da Igreja Católica, no dia 11 de fevereiro de 2013, falando em latim durante um encontro de cardeais, em Roma. Em seu discurso, publicado na Radio Vaticana e no site oficial do Vaticano, Bento XVI declarou:

Caríssimos Irmãos,

Convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

BENEDICTUS PP XVI

O anúncio de Bento no final do Consistório público para a promulgação da causa de três novos santos, foi como “um trovão em céu sereno”, afirmou o decano do Colégio Cardinalício, o Cardeal Angelo Sodano, em declarações reunidas pela Rádio Vaticano.

A Igreja Católica deverá eleger um novo Papa até a festa da Páscoa, no próximo dia 31 de março. Foi o que anunciou o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, nesta segunda-feira (11/02/2013) após o anúncio de renúncia do Papa. Segundo o porta-voz, será realizado um conclave (reunião de cardeais para escolher o novo Papa) em 15 a 20 dias após a renúncia. 

O porta-voz do Vaticano também disse que a decisão do Papa surpreendeu a todos do seu círculo mais próximo. Ele afirmou que, após a renúncia, Bento XVI vai à residência papal de verão, em Castel Gandolfo, próximo a Roma, e depois irá morar em um mosteiro dentro do Vaticano. Lombardi também disse que Bento XVI não vai participar do conclave, a reunião a portas fechadas que vai escolher seu sucessor.

O porta-voz declarou ainda que Bento XVI mostrou “grande coragem” no seu gesto, e descartou que uma depressão tenha sido o motivo da renúncia.

Informações: G1.com.br

Histórico de renúncias papais:

O gesto de renúncia de um Papa, apesar de bastante incomum, tem outros registros históricos. Somados à Bento XVI, apenas outros três sumo-pontífices abriram mão do papado na Antiguidade e na Idade Média. São eles:

  1. Papa Ponciano: O 18º Papa liderou a Igreja de Roma por cinco anos e três meses, de 21 de julho de 230 a 29 de setembro de 235. No século III, a Igreja ainda não era completamente aceita pelo Império Romano. Alguns imperadores a toleravam, porém outros a perseguiam ferozmente. Não foi diferente nos tempos de Ponciano. Além disso, ele enfrentou o Cismo de Roma. Hipólito, um dos mais importantes teólogos daqueles tempos, entrou em conflito com os papas de sua época, e parece ter sido o líder de um grupo cismático, como um bispo rival de Roma. Por isto, ele é considerado como o primeiro Antipapa da história. Ele se opôs aos bispos de Roma que afrouxaram as regras de penitência para acomodarem um grande número de novos convertidos da religião pagã.

Hipólito e Ponciano foram perseguidos e exilados , na ilha de Sardenha. Para não deixar vago o cargo de Papa, Ponciano renunciou em setembro de 235. É desconhecido quanto tempo ele viveu exilado, mas sabe-se que ele morreu de esgotamento, graças ao tratamento desumano nas minas da Sardenha, onde trabalhava. De acordo com a tradição, morreu na ilha de Tavolara.

OBS: o Antipapa é uma pessoa que reclama o título de Papa, em oposição a um Papa legitimamente eleito, ou durante algum período no qual o título estava vago. Antipapa não é necessariamente sinal de doutrina contrária à fé ensinada pela Igreja. No passado, antipapas eram geralmente apoiados por uma facção significativa de cardeais e reinos.

  1. Papa Celestino V: O 192º Papa esteve à frente da Igreja de Roma por apenas cinco meses, de 5 de julho de 1294 a 13 de dezembro de 1294. Somente dois anos após a morte de seu antecessor, Nicolau IV, Celestino V foi nomeado pelo conclave. Enfrentou uma forte disputa por privilégios, entre duas famílias nobres italianas, os Orsini e os Colonna. Nascido de uma família de modestos camponeses, viveu por muito tempo como eremita sobre o monte Morrone, fundando uma congregação de monges que receberam o nome de celestinos.  Divergências entre historiadores, apontam duas versões para a renúncia de Celestino V:
    1. Por pressões do cardeal Benedicto Gaetani, ele teria sido forçado a abdicar em 13 de Dezembro. No mesmo ano, em 24 de Dezembro, foi eleito o seu sucessor, o próprio Benedicto Caetani, que tomaria o nome de Bonifácio VIII (193º papa).
    2. Celestino V teria renunciado por escolha própria. Benedetto teria declarado a legalidade da resignação papal, diante da lei da Igreja. Dez dias depois os cardeais iniciaram um conclave no Castel Nuovo em Nápoles, e em 24 de dezembro de1294, por um maioria de votos, Benedetto Gaetani é eleito papa, escolhendo o nome de Bonifácio VIII.
  1. Papa Gregório XII: O 205º Papa dirigiu a Igreja Romana de 30 de novembro de 1406 até 04 de julho de 1415, ao todo 8 anos e 7 meses. O pontífice também enfrentou divergência com outro Antipapa e reis europeus, durante seu papado, o Cisma do Ocidente da Igreja. Mesmo após as tentativas do Concílio de Pisa (1409), as tensões internas pioraram, com a eleição de um novo papa, Alexandre V. Havia portanto três papas no comando a Igreja: Gregório XII (que representava a Itália, Alemanha e o norte da Europa), Bento XIII (que representava a Escócia, Espanha, Sardenha, Córsega e parte da França) e Alexandre V (com a maior parte das Ordens Religiosas decididas a fazer uma inteira reforma na Igreja). Gregório XII não ficou todo esse tempo assistindo os fatos. Como prometido, iniciou os trabalhos no seu Concilio na cidade de Cividale del Friuli (perto de Aquileia) e declarou como legítimos apenas os pontífices sediados a Roma. A partir de Urbano VI até ele próprio. Todos os demais eram declarados antipapas – de Clemente VII até Bento XIII e, é claro, Alexandre V. Deixou claro que estava ainda disposto a abdicar ao trono de São Pedro, desde que os outros dois fizessem o mesmo e todas as correntes do pensamento da Igreja se reunissem em um único colégio, e fosse eleito um novo Papa, com aprovação de ao menos dois terços dos cardeais das três correntes de pensamento. Apenas em 1413, em um novo concílio ecumênico em Constança (sul da Alemanha), chegou-se a conclusão que os três papas deveriam renunciar por livre vontade ou seriam forçados a isso. O novo papa a assumir, com o consenso de toda a Igreja, pondo fim ao Grande Cisma foi Martinho V.

Outros casos próximos foram registrados, como o do Papa Bento IX. De acordo com a Enciclopédia Católica e outras fontes, Bento IX tinha entre 18 e 20 anos quando se tornou pontífice, apesar de algumas fontes sugerirem 11 ou 12. Teve de acordo com os registros uma vida extremamente dissoluta, não tendo alegadamente qualificações suficientes para o papado que não fossem as ligações com uma família socialmente poderosa, apesar de em termos de teologia e atividades comuns na Igreja ser inteiramente ortodoxo. Bento IX foi eleito pontífice em 1032, deposto em 1044, retornou em 1045, mesmo ano em que abdicou, e tornou atrás da abdicação. Foi novamente deposto. Retornou à força em 1047, e foi mais uma vez deposto em 1048 e excomungado em 1049.

Não foram encontrados registros que comprovassem a resignação de outros papas, sobretudo mortos ou perseguidos durante a Antiguidade.

Origens do nome:

O Cardeal Joseph Ratzinger, foi ordenado Papa Bento XVI, em 19 de abril de 2005, pelo colegiado de cardeais de Roma, como sucessor do Papa João Paulo II. A escolha do nome Bento é uma provável homenagem ao último papa que adoptou o nome Bento, que foi o italiano Giacomo della Chiesa, entre 1914e 1922.

Conhecido como o “Papa da paz”, Bento XV tentou, sem sucesso, negociar a paz durante a Primeira Guerra Mundial. O seu pontificado foi marcado por uma reforma administrativa da igreja, possuindo um caráter de abertura e de diálogo. Além disso, Bento XVI sempre foi muito ligado espiritualmente ao mosteiro beneditino de Schotten, perto de Ratisbona, na Baviera.

Alguns analistas, como dom Antônio Celso de Queirós, vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), relacionaram a adoção do nome Bento com a atuação de São Bento de Núrsia (480-547), fundador da Ordem Beneditina e padroeiro da Europa, o que o próprio papa confirmou após a publicação das explicações sobre seu brasão. Após as invasões bárbaras, os mosteiros de São Bento foram responsáveis pela manutenção da cultura latina e grega e pela evangelização da Europa.

Biografia:

Joseph Ratzinger nasceu em Marktl am Inn, diocese de Passau (Alemanha), no dia 16 de Abril de 1927. O seu pai, comissário da polícia, provinha duma antiga família de agricultores da Baixa Baviera, de modestas condições econômicas. A sua mãe era filha de artesãos de Rimsting, no lago de Chiem, e antes de casar trabalhara como cozinheira em vários hotéis.

Passou a sua infância e adolescência em Traunstein, uma pequena localidade perto da fronteira com a Áustria, a trinta quilômetros de Salisburgo. O período da sua juventude não foi fácil. A fé e a educação da sua família prepararam-no para enfrentar a dura experiência daqueles tempos, em que o regime nazista mantinha um clima de grande hostilidade contra a Igreja Católica. O jovem Joseph viu os nazistas açoitarem o pároco antes da celebração da Santa Missa.

Nos últimos meses da II Guerra Mundial, foi arrolado nos serviços auxiliares anti-aéreos. Recebeu a Ordenação Sacerdotal em 29 de Junho de 1951. Um ano depois, começou a sua atividade de professor na Escola Superior de Freising. No ano de 1953, doutorou-se em teologia com a tese «Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho». Passados quatro anos, sob a direcção do conhecido professor de teologia fundamental Gottlieb Söhngen, conseguiu a habilitação para a docência com uma dissertação sobre «A teologia da história em São Boaventura».

Depois de desempenhar o cargo de professor de teologia dogmática e fundamental na Escola Superior de Filosofia e Teologia de Freising, continuou a docência em Bonn, de 1959 a 1963; em Münster, de 1963 a 1966; e em Tubinga, de 1966 a 1969. A partir deste ano de 1969, passou a ser catedrático de dogmática e história do dogma na Universidade de Ratisbona, onde ocupou também o cargo de Vice-Reitor da Universidade.

De 1962 a 1965, prestou um notável contributo ao Concílio Vaticano II como «perito»; viera como consultor teológico do Cardeal Joseph Frings, Arcebispo de Colónia. A sua intensa actividade científica levou-o a desempenhar importantes cargos ao serviço da Conferência Episcopal Alemã e na Comissão Teológica Internacional.

Em 25 de Março de 1977, o Papa Paulo VI nomeou-o Arcebispo de München e Freising. Em 1978, participou no Conclave, celebrado de 25 a 26 de Agosto, que elegeu João Paulo I. No mês de Outubro desse mesmo ano, participou também no Conclave que elegeu João Paulo II.

João Paulo II nomeou-o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional, em 25 de Novembro de 1981.Foi Presidente da Comissão encarregada da preparação do Catecismo da Igreja Católica, a qual, após seis anos de trabalho (1986-1992), apresentou ao Santo Padre o novo Catecismo.

A 6 de Novembro de 1998, o Papa aprovou a eleição do Cardeal Ratzinger para Vice-Decano do Colégio Cardinalício, realizada pelos Cardeais da Ordem dos Bispos. E, no dia 30 de Novembro de 2002, aprovou a sua eleição para Decano; com este cargo, foi-lhe atribuída também a sede suburbicária de Óstia. Desde 13 de Novembro de 2000, era Membro honorário da Academia Pontifícia das Ciências.

Entre as suas numerosas publicações, ocupam lugar de destaque o livro «Introdução ao Cristianismo», uma compilação de lições universitárias publicadas em 1968 sobre a profissão de fé apostólica, e o livro «Dogma e Revelação» (1973), uma antologia de ensaios, homilias e meditações, dedicadas à pastoral.

Grande ressonância teve a conferência que pronunciou perante a Academia Católica Bávara sobre o tema «Por que continuo ainda na Igreja?»; com a sua habitual clareza, afirmou então: «Só na Igreja é possível ser cristão, não ao lado da Igreja».

No decurso dos anos, continuou abundante a série das suas publicações, constituindo um ponto de referência para muitas pessoas, especialmente para os que queriam entrar em profundidade no estudo da teologia. Em 1985 publicou o livro-entrevista «Informe sobre a Fé» e, em 1996, «O sal da terra». E, por ocasião do seu septuagésimo aniversário, publicou o livro «Na escola da verdade», onde aparecem ilustrados vários aspectos da sua personalidade e da sua obra por diversos autores.

Recebeu numerosos doutoramentos «honoris causa»: pelo College of St. Thomas em St. Paul (Minnesota, Estados Unidos), em 1984; pela Universidade Católica de Eichstätt, em 1987; pela Universidade Católica de Lima, em 1986; pela Universidade Católica de Lublin, em 1988; pela Universidade de Navarra (Pamplona, Espanha), em 1998; pela Livre Universidade Maria Santíssima Assunta (LUMSA, Roma), em 1999; pela Faculdade de Teologia da Universidade de Wroclaw (Polónia) no ano 2000.

Fontes:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/02/papa-bento-xvi-vai-renunciar-diz-agencia-italiana.html

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/biography/documents/hf_ben-xvi_bio_20050419_short-biography_po.html

Cross, F.L.. The Oxford Dictionary of the Christian Church (em inglês). [S.I.]: Oxford University Press, 2005.

Calendarium Romanum (Libreria Editrice Vaticana 1969), p. 146

H. Schulz, Peter von Murrhone–Papst Celestin V–in Zeitschrift für Kirchengeschichte, xvii (1897), 481 sqq.; also Finke, op. cit., 39 sqq

Rendina, Claudio – I Papi Storia e Segreti , Volume 2 Newton & Compton Editori s.r.l. – Roma 2005

[1] Rodrigo Rocha é graduando em Comunicação Social na UFF.

 

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Você Sabia? Casamento romano

Por pesquisadora Elaine Herrera

Paquius Proculus e a sua esposa. Fresco de Pompeia, século I, atualmente exposto no Museo di Capodimonte

Que o casamento na Roma Antiga era para a procriação, o casal não se unia porque se gostavam, nem para ter prazer amoroso e sim para produzir um herdeiro legítimo. O casamento romano também servia para a manutenção do culto familiar, porque a partir do momento que a moça deixava a casa de seus pais para unir-se ao seu marido, estabelecia-se a garantia de que mais uma pessoa estaria cumprindo o ritual diário ao deus reverenciado pela aquela família.

Outra motivação para o casamento era o aspecto econômico, porque toda noiva levava um dote para a nova família. Que resultaria numa transferência de patrimônio, daí a importância de se produzir um herdeiro legítimo rápido, pois se o chefe da família morresse, teria que ter um sucessor, ou seja, esse herdeiro ainda deveria ser homem, não adiantava ter filhas, porque elas não poderiam administrar a família e muito menos o patrimônio.

A esposa podia ser repudiada caso ela não produzisse herdeiros homens. Por outro lado se num relacionamento fora do casamento o homem engravidasse outra mulher, este filho não seria legítimo porque legítimos seriam somente aqueles concebidos pela mulher que passou pelo ritual do casamento.

Mesmo que no casamento legal, o amor ou o erotismo, praticamente não existisse isso não significava que as pessoas que se casavam se odiavam, apenas, seus objetivos eram outros.

Amor, práticas eróticas e sedução, tudo isto estava fora do casamento. Como dizia Galeno[1] um médico importante na antiguidade: “Para uma mulher engravidar no casamento ela deveria se mexer o mínimo possível, a posição dela dentro do casamento na hora de uma prática amorosa era a mais passiva possível, porque se ela se mexesse muito, ela não engravidaria”.

Emoções e prazer o homem procurava com outras mulheres, isso legitimava ao homem ter quantas mulheres lhe fosse necessário. Já que o casamento servia para outros propósitos.

[1] Galeno (129 – 210 d.C)  era médico e filósofo  em Roma, nascido em Pérgamo.

Referências Bibliográficas:

DUBY, Georges (orgs.) História da Vida Privada. Tradução Maria Lúcia Machado Vol I. São Paulo: Companhia das Letras, 2009

 FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo: Editora Contexto, 2003.

LE ROUX, Patrick. Império Romano. Porto Alegre: L&PM, 2009.

REBOLLO, Regina Andrés. O legado hipocrático e sua fortuna no período greco-romano: de Cós a Galeno.Scientiæ zudia, São Paulo, v. 4,n. 1, p. 45-82, 2006. Disponível em: <http://www.scientiaestudia.org.br/

SUETÔNIO. A vida dos doze Césares. 4ª Ed. São Paulo: Ediouro, 2002. 

 

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As divindades e a concepção de religião no paganismo greco-romano (Parte I)

 

Segue a 2ª aula (parte I) do Curso de Extensão: As Perseguições aos Cristãos no Império Romano (Séc. I-IV) ministrada pelo Professor Diogo Pereira da Silva, em junho no Centro Cultural Jerusalém. Semana que vem postaremos a segunda parte  desta aula.

  1. Questões conceituais
  • Religião
  • Divindade
  1. Formas de abordagem do divino
  2. A Religião e o Império

Questões conceituais:

  • O conceito de religião
    • James B. Rives (2007)
      • “uma idéia de, uma reverência a, e um desejo de satisfazer e viver em harmonia com uma força super-humana, que pode ser expressada através de crenças específicas, princípios e ações” (RIVES, 2007: 4).
      • implica um sistema distinto e largamente coerente de crenças e princípios.
      •  textos sagrados;
      •  um grupo de autoridades religiosas (sacerdotes profissionais);
      •  lugares e épocas de culto;
      •  um código moral;
      •  um conjunto associado de práticas e costumes.
    • O conceito de religião
      • Caso greco-romano:
        • A diversidade religiosa do mundo romano se remetia a existência e coexistência de múltiplas religiões, cada qual com seus núcleos de crenças e princípios, textos sagrados, corpo de sacerdotes, templos, rituais e costumes.
          • Não havia sistemas religiosos coerentes e unificados;
          • Havia grandes variações regionais.
    • Documentação para o estudo do paganismo:
      • Hinos de louvor aos deuses (qualidades e poderes, atos e benefícios);
      •  Textos recitados em rituais;
      •  Oráculos e profecias;
      •  Poesia;
      •  Textos filosóficos;
      •  Textos cristãos;
      •  Papiros e tabletes mágicos;
      •  Inscrições;
      •  Ex-votos;
      • Vestígios arqueológicos.

 A tradição religiosa  greco-romana

 Formas de abordagem do divino

  • Marco Terêncio Varrão (116-27 a.C.):
    •  Existência de três theologiai:
      •  Mito
      •  Filosofia (física: phýsis, natureza)
      •  Cívica ou cultual
      •  “a primeira teologia é especialmente apropriada para o teatro, a segunda para o mundo, a terceira para a cidade” (Agostinho. Cidade de Deus. VI,5)
    • Culto:
      • pedido de benefícios aos deuses, preces;
      • sacrifícios e oferendas aos deuses;
      • adivinhação ou interpretação das mensagens divinas;
      • rituais de purificação e iniciação.
    • Oferendas:
      •  flores, bolos, incenso, estátuas, relevos, altares;
      •  libações: vinho (mais comum), leite, azeite, mel, e água;
      •  sacrifícios: animais (ovinos, suínos, bovinos).

  •   As representações de um sacrifício animal frequentemente serviam como símbolo de pietas.
  • “Ao sagrado Silvano; um votum conforme uma visão, por causa de sua liberdade [da escravidão]; Sexto Átio Dionísio erigiu uma estátua com sua base como um presente” (ILS 3526, Roma).
  •  “De acordo com uma ordem; consagrado a Ceres; Marco Lartídio Ambugeo, filho de Aulo, primeiro sacerdote, dedicou um altar com escadas às suas expensas” (ILS 4461, África).
  • Atividades Cultuais:
    • Não eram restritas a certas épocas, dias de serviço religioso, ou lugares definidos (como igrejas, mesquitas).
      • Os templos eram edifícios públicos de louvor aos deuses, não locais que congregavam fiéis.
    • O culto se baseava num conceito de divino que enaltecia um conjunto de práticas, não um corpo de crenças codificadas.
    • Mito:
      • Não era o centro da religião Greco-Romana;
      • Não eram textos sagrados, nem inspirados pela sabedoria dos deuses;
      • Possuía um papel marginal em relação ao culto;
      • Eram baseados na tradição oral, não possuíam um caráter de autoridade religiosa;
      • Sofreram múltiplas reapropriações e reconstruções por escritores, artistas e líderes políticos.
      • MITO e CULTO eram, em essência, duas abordagens distintas em relação ao divino
      • Mito na época imperial
        •  O mito foi progressivamente se tornando um elemento da cultura da elite cultural do Império Romano;
          •  criação de manuais “mitográficos”
    •  Sofria profunda crítica por membros da elite imperial:
      •  “teologia dos poetas”
      •   hermenêutica evemerística
    •  Amplamente utilizado nas representações artísticas – baixo relevos, adornos; e no teatro.

Diogo Pereira da Silva  é Doutorando em História Comparada na UFRJ.

 

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Curso de Extensão – Jerusalém

 
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Publicado por em 17/08/2012 em CURSOS & EVENTOS

 

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II Simpósio Antigos: “Afastados ou Próximos?”

No último sábado de julho, dia 28, terminou no Centro Cultural Jerusalém o II Simpósio de História Antiga do Centro de Pesquisas da Antiguidade (CPA/RJ). Antigos: “Afastados ou Próximos”.

O Simpósio tinha como objetivo, refletir sobre a História Antiga na mídia, e os três sábados que sucederam o evento foram um sucesso. Os palestrantes Professores: Elaine Herrera, Leandro Silvio, Maurício Santos, Márcio Sant’Anna, Márcio Felipe e Diogo Silva estão de parabéns, todas as comunicações foram muito claras, e bastante elogiadas pelos ouvintes.

O Centro de Pesquisas da Antiguidade agradece a todos os participantes, e em especial aos palestrantes convidados Professores Márcio Felipe e Diogo Silva pela disposição em aceitar o convite para fechar o último dia do Simpósio, que corou com êxito nossa atividade.

Após o II Simpósio ainda todos puderam participar da degustação de alimentos da antiguidade. Um cardápio utilizado pelos gregos, romanos, celtas, persas e israelitas. Onde além de saborear uma culinária diferente, todos também tiveram a oportunidade de se conhecerem melhor, e de trocarem conhecimento de forma descontraída.

Ao final, a pergunta freqüente era: já tem previsão para outro simpósio?

Imagens de todos os dias do II Simpósio você encontra em: http://www.facebook.com/?ref=tn_tnmn#!/cpantiguidade.rio

 
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Publicado por em 31/07/2012 em HISTÓRIA ANTIGA

 

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