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Pesquisadora Elaine Bordalo, do CPA/RJ, lança livro

Acaba de ser publicado, pelo Grupo Editorial Scortecci, um livro que trata de um assunto ainda pouco pesquisado, mas muito instigante e que envolve História Antiga e Direito.

Delitos Contra A Divindade No Mundo Antigo é um livro que propõe uma viagem ao período Pré-Clássico na Babilônia de Hammurabi e ao período bíblico do Antigo Testamento com o profeta Moisés. Uma análise comparativa dos códigos de Hammurabi e de Moisés com intuito de trazer à discussão questões que envolviam o roubo ao “Sagrado”.

A autora Elaine Bordalo, historiadora, especialista em História Antiga e Medieval pela Faculdade São Bento/RJ e Pós-Graduanda em Arqueologia, História e Sociedade pela Universidade de Santo Amaro, pesquisadora da História do Antigo Israel e membro do Centro de Pesquisas da Antiguidade (CPA/RJ) tratou o tema com seriedade buscando na historiografia e em fontes históricas a argumentação necessária para fundamentar a pesquisa. Esta poderá abrir novos questionamentos sobre a política e a religião no Antigo Oriente Próximo.

Com prefácio do Professor Doutor em Filosofia Victor Sales Pinheiro, Delitos Contra A Divindade No Mundo Antigo é um livro que vale a pena conferir!

O livro já se encontra disponível no site da Livraria Virtual Asabeça:

http://www.asabeca.com.br/detalhes.php?prod=6654&friurl=_-DELITOS-CONTRA-A-DIVINDADE-NO-MUNDO-ANTIGO–Elaine-Bordalo-_&kb=884#.UrI5HOl3vIU

Livro Elaine

 

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COSMOLOGIA E COSMOGONIA: A CONSTRUÇÃO DA RELIGIÃO PELOS SUMÉRIOS

 

Por pesquisador convidado Jonathas Ribeiro

 Ao refletirmos sobre a religião, suas concepções e particularidades, suas relações com o entremeio social, entre outros, notamos sua fundamental importância para a própria estruturação da sociedade, seja analisando períodos atuais ou antigas civilizações. Porém passa muitas vezes despercebido à nossa análise a seguinte questão: como teria surgido a religião? Com quais objetivos ela iniciou-se? A partir de qual momento? Sem dúvidas são questões um tanto quanto complexas para respondermos de imediato, sem a devida cautela, imprescindível para questão.

É partindo desses questionamentos que faremos uma breve viagem aos primórdios das civilizações antigas para analisarmos como determinada sociedade (os Sumérios), fonte de nossa análise, construíram sua religião. Que fatores foram fundamentais para a própria constituição religiosa.

Ao escolhermos os Sumérios é natural surgir um questionamento em relação à própria escolha. O fato é: a religiosidade originada pela civilização Suméria é entendida, por grande parte dos historiadores das civilizações antigas, paralela até mesmo à própria civilização egípcia, como sendo a matriarca de todos, ou quase todos os segmentos religiosos que vieram posteriormente. Pelo menos no que tange ao Antigo Oriente; o que dele se desenvolveu e, ao que com ele se relacionou direta ou indiretamente no período ou posteriormente.  

 

  1. PINTURAS RUPESTRES: O MÁGICO E O RELIGIOSO DO PALEOLÍTICO AO NEOLÍTICO

 

Para entendermos efetivamente o processo de construção da religiosidade dos Sumérios é de fundamental importância que analisemos, de forma breve, o processo de desenvolvimento de uma religiosidade inicial, verificadas desde as primeiras ideias teoricamente aparentes no período Paleolítico, até como se segmentaram, ganhando algum delineamento no Neolítico e, forma efetiva na Antiguidade.

 Ao analisarmos, num primeiro momento, o próprio Paleolítico – período compreendido entre c.3,6 milhões de anos a. C. até c. 10 mil anos a. C.[1]-, notamos que os grupos a ele pertencentes foram desenvolvendo, ao longo do tempo, principalmente a partir de c. 2 milhões de anos a. C.[2], um tipo de representações simbólicas nas paredes internas das cavernas, trazendoa expressividade de algum tipo de ritual. Tais símbolos representativos são as formas mais antigas de vestígios da habilidade humana (GOMBRICH p.17)[3]. Alguns dos símbolos traziam representações de animais, machados de mão, fogo, entre outros.

Pintura Rupestre, Lascaux, França

Segundo estudos arqueológicos, eles acreditavam que tais representações, ao serem transfiguradas nas paredes de cavernas e em rochedos, exerceriam uma influência direta no momento em que fossem realizar a caça; permitiria numa facilitação do êxito, efetivamente em virtude do que fora transfigurado. Seria o efeito mágico.

Pintura Rupestre,Lascaux, França

 

Pintura Rupestre, Vila Nova de Foz Côa – Portugal

 

Eles acreditavam poder agir sobre a natureza, utilizando as representações do que desejavam que acontecesse. “… seria o meio pelo qual o homem primitivo entrou em relações com o universo – relações de simpatia e de acção [sic] direta, em que, correntemente, ele participava com o seu próprio corpo”[4].

Algumas outras cavernas trazem representações simbólicas um tanto quanto enigmáticas. “… tornam aceitáveis a ideia de que os últimos Paleolíticos (Magdalenianos)[5] teriam já uma mitologia propriamente dita…”[6]. Transfiguraram um desenho com uma espécie de simbolismo muito expressivo, trazendo uma possível representação religiosa, ou algo próxima a ela. Uma caverna encontrada em TróisFrères, no sul da França, traziauma imagem de um ser com partes de animais, misturados com formas humanas[7]. “Uma figura masculina com barba, orelhas de touro, chifres e rabo de cavalo…”[8] Tais representações poderiam dar um possível indicativo de uma divindade ou uma representatividade mágica.

Pintura Rupestre,TróisFrères – França

Outra imagem, gravada numa pedra, traz de forma, teoricamente, distinta uma representação de seres humanos utilizando máscaras, trazendo um discurso mais próximo do que se interpreta com o mágico.

Homens disfarçados de animais – Abrigo
de Meg., Feyjat – Dordonha

O fato de haver seres humanos disfarçados, de certa forma, pode dar um indicativo de uma possível crença em divindades (LAMAS, 2000, p.18).

“Era os disfarces que se atribuía o poder dos mágicos…”[9] buscando fazer uma ligação com o que se pretendia agir.

Segundo O’CONNEL e AIREY, “Para os humanos primitivos, as cavernas eram lugares sagrados. As pessoas geralmente moravam em volta ou somente na entrada delas. Aventurar-se a penetrar na parte interna era apenas para propósitos religiosos ou mágicos”[10]. Ou seja, fica claro que a caverna, ou pelo menos o interior dela, tem uma espécie de representatividade expressiva, muito próxima do que entendemos por religião, para os grupos ali residentes.

O próprio fato destes grupos praticarem o sepultamento dos mortos, “…com algumas sepulturas com objetos sagrados”[11], segundo alguns achados, evidenciam a possibilidade de pensarmos numa crença constituída e comum do grupo.

Os objetos encontrados, normalmente junto dos esqueletos, acredita-se terem pertencido a esses defuntos em vida. São objetos “… depostos na ocasião do funeral ou não chegaram a ser-lhes retirados quando morreram”[12].

 

Caverna onde provavelmente
eram efetuados sepultamentos,Galileia.

 

Acredita-se que todo esse rito verificado traz a tona uma possível crença numa continuação da vida num outro plano. Os fatores que corroboram tal fato estão explícitos no ato de cobrirem o corpo dos mortos com ocre, além de cercarem ao redor dos mortos com alimentos. Eles executavam tais ritos “… acreditando que [os mortos] iam empreender uma longa viagem…”[13].Todo o conjunto de artefatos encontrados junto aos corpos, os ornamentos, aparelhagem de caça e pesca, entre outros, seriam considerados fundamentais para esse novo caminho a ser seguido.

É claro que todo o apresentado fica no campo da teoria. Mesmo que os diversos indícios possam sinalizar uma forma clara, até certo ponto, de análise, a concretude dos fatos não passará do campo especulativo. De certo, os simbolismos presentes nos rochedos ou no interior das cavernas não eram simples representações artísticas, ou uma espécie qualquer de rabiscos, assim como o próprio rito funerário, mas sim, traziam um significado forte. Algo efetivamente explicitador de uma prática comum do grupo.

Com a revolução Neolítica (c.10 mil a. C.), ou seja, a partir do momento em que esses grupos de caçadores e coletores começaram a desenvolver métodos para trabalhar a terra e criar animais, práticas não existentes até o momento, esses povos deixaram assim o nomadismo efetivo, passando para uma condição de seminômades, até atingirem um gradativo sedentarismo.

Por cerca de 5000 a.C., período entendido como início da Antiguidade, a sedentarização relativa permitiu que os membros dos grupos pudessem ocupar seu tempo, que anteriormente eram destinados à caça e coleta fundamentalmente, a outras atividades. Alguns deles começaram a observar os fenômenos que identificavam em seu cotidiano. Desenvolveram um censo especulativo e questionador em relação ao que observavam. Iniciaram uma contemplação efetiva dos fenômenos naturais, trazendo seu foco de análise para tudo o que não encontravam uma explicação efetiva.

Tendo como referencial os ritos, herança dos antepassados desses grupos, as explicações aos fenômenos que contemplavam e questionavam começaram a tomar uma feição mais particularizada, encontrando sua melhor resposta naquilo que tinha relação direta com o plano divino. A partir daí, as explicações foram se tornando mais complexas e estruturadas, ganhando com isso, contornos mais definidos e próximos ao que identificamos como uma religiosidade oriunda do que se visualiza posteriormente.


[1] O’CONNEL, Mark; AIREY, Raje. Almanaque Ilustrado: Símbolos. São Paulo; Escala, 2010. p.10

[2] Ibidem O’CONNEL; AIREY 2010 p.10

[3] GOMBRICH, Ernest H. História da Arte.Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1978.

[4]LAMAS, Maria. Mitologia Geral. Lisboa: Estampa, 2000. pp.18-19.

[5] A cultura Magdaleniana foi uma das representações mais tardias do período Paleolítico Superior na Europa Ocidental (c.15000 a.C. – c.9000 a.C.). Teria sido o momento de larga utilização de materiais em osso, e da representação da arte em mural. 

[6] Ibidem LAMAS, 2000.p.16

[7] Ibidem O’CONNEL e AIREY 2010 p.11

[8] Idem O’CONNEL e AIREY 2010 p.11

 [9]Ibidem LAMAS, 2000.p.18

[10] Idem O’CONNEL e AIREY 2010 p.10

[11] Ibidem O’CONNEL e AIREY 2010 p.11

[12] Ibidem LAMAS, 2000, p.22.

[13]Idem LAMAS, 2000, p.23.

Referências Bibliográficas:

GOMBRICH, Ernest H. História da Arte. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1978.

LAMAS, Maria. Mitologia Geral. Lisboa: Estampa, 2000.

O’CONNEL, Mark; AIREY, Raje. Almanaque Ilustrado: Símbolos. São Paulo; Escala, 2010.

 

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II Simpósio Antigos: “Afastados ou Próximos?”

No último sábado de julho, dia 28, terminou no Centro Cultural Jerusalém o II Simpósio de História Antiga do Centro de Pesquisas da Antiguidade (CPA/RJ). Antigos: “Afastados ou Próximos”.

O Simpósio tinha como objetivo, refletir sobre a História Antiga na mídia, e os três sábados que sucederam o evento foram um sucesso. Os palestrantes Professores: Elaine Herrera, Leandro Silvio, Maurício Santos, Márcio Sant’Anna, Márcio Felipe e Diogo Silva estão de parabéns, todas as comunicações foram muito claras, e bastante elogiadas pelos ouvintes.

O Centro de Pesquisas da Antiguidade agradece a todos os participantes, e em especial aos palestrantes convidados Professores Márcio Felipe e Diogo Silva pela disposição em aceitar o convite para fechar o último dia do Simpósio, que corou com êxito nossa atividade.

Após o II Simpósio ainda todos puderam participar da degustação de alimentos da antiguidade. Um cardápio utilizado pelos gregos, romanos, celtas, persas e israelitas. Onde além de saborear uma culinária diferente, todos também tiveram a oportunidade de se conhecerem melhor, e de trocarem conhecimento de forma descontraída.

Ao final, a pergunta freqüente era: já tem previsão para outro simpósio?

Imagens de todos os dias do II Simpósio você encontra em: http://www.facebook.com/?ref=tn_tnmn#!/cpantiguidade.rio

 
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Publicado por em 31/07/2012 em HISTÓRIA ANTIGA

 

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