RSS

Arquivo da tag: Judaismo

Pesquisadora Elaine Bordalo, do CPA/RJ, lança livro

Acaba de ser publicado, pelo Grupo Editorial Scortecci, um livro que trata de um assunto ainda pouco pesquisado, mas muito instigante e que envolve História Antiga e Direito.

Delitos Contra A Divindade No Mundo Antigo é um livro que propõe uma viagem ao período Pré-Clássico na Babilônia de Hammurabi e ao período bíblico do Antigo Testamento com o profeta Moisés. Uma análise comparativa dos códigos de Hammurabi e de Moisés com intuito de trazer à discussão questões que envolviam o roubo ao “Sagrado”.

A autora Elaine Bordalo, historiadora, especialista em História Antiga e Medieval pela Faculdade São Bento/RJ e Pós-Graduanda em Arqueologia, História e Sociedade pela Universidade de Santo Amaro, pesquisadora da História do Antigo Israel e membro do Centro de Pesquisas da Antiguidade (CPA/RJ) tratou o tema com seriedade buscando na historiografia e em fontes históricas a argumentação necessária para fundamentar a pesquisa. Esta poderá abrir novos questionamentos sobre a política e a religião no Antigo Oriente Próximo.

Com prefácio do Professor Doutor em Filosofia Victor Sales Pinheiro, Delitos Contra A Divindade No Mundo Antigo é um livro que vale a pena conferir!

O livro já se encontra disponível no site da Livraria Virtual Asabeça:

http://www.asabeca.com.br/detalhes.php?prod=6654&friurl=_-DELITOS-CONTRA-A-DIVINDADE-NO-MUNDO-ANTIGO–Elaine-Bordalo-_&kb=884#.UrI5HOl3vIU

Livro Elaine

 

Tags: , , , , , ,

A páscoa no Século I d.C e seus simbolismos

Por pesquisadora Thassia Izabel

Templo de Jerusalém, século I ( Maquete CCJ)

Templo de Jerusalém, século I ( Maquete CCJ)

 

A páscoa ou pessach em hebraico é uma das mais importantes festas judaicas, que estava fortemente presente na vida do povo de Israel na antiguidade e se propagou até os nossos dias. Repleta de significado, era e é celebrada por judeus e cristãos, e cada uma das duas religiões realizava essa comemoração por motivos distintos e de forma diferenciada.

Assim como as outras festas que aconteciam na Judéia, a Páscoa era uma celebração agrária que estava ligada as fases da natureza, e com o passar do tempo foi associada a um acontecimento histórico, como descreve Christiane Saulnier e Bernard Rolland :

“Essas festas parecem ser, no início, celebrações ligadas ao rit­mo da natureza: na primavera, os nômades oferecem à divindade os primogênitos do seu rebanho (páscoa) e os camponeses sedentários, as primícias da colheita da cevada (festa dos ázimos); a festa das se­manas situa-se no verão, no fim da colheita do trigo e a das Tendas, no outono, no fim da colheita das frutas.”

Para o judaísmo a Páscoa representava  a libertação do cativeiro egípcio durante o êxodo, quando os hebreus foram orientados a passar nos umbrais das entradas de suas casas o sangue de um cordeiro ou um bode e dessa forma o “anjo da morte”iria poupar aquela família da última praga que assolou o Egito, a morte dos primogênitos. A partir desse período essa prática de sacrifício passou a ser relembrada, e no seculo I d.C  Jerusalém chegava  a ter cerca de 180 mil pessoas para a comemoração da Páscoa.

O ritual  no período do segundo templo era realizado da seguinte forma: o chefe da família escolhia no dia 10 de Nisan¹ um cordeiro  que seria sacrificado no dia 14 de Nisan. O animal era levado para o templo aonde os sacerdotes recolhiam os vasilhames de sangue que eram colocado no altar. Após isso o homem levava o animal para casa para ser consumido no banquete no dia 15 de Nisan, junto com pães não-fermentados, um molho de frutas vermelhas ( haroset) e ervas amargas, contavam a história do êxodo, cantavam salmos e bebiam vinho, essa cerimônia era chamada de seder.

Jesus realizou a ceia de Páscoa no dia 14  de Nisan, antes do dia habitual de se realizar o baquente, porém isso não era tão incomum pois havia grupos religiosos, como os fariseus e os essênios que tinham um calendário difente. Contudo, é interessante percebe que ele foi crucificado também no dia 14 de Nisan, se estivesse esperado para realizar a cêrimonia de Páscoa no dia 15 de Nisan não daria tempo.

Na ceia de Páscoa realizada por Jesus se constituiu o ritual mais praticado pelo cristianismo,  a santa ceia, e esta vai conter alguns dos rituais pascais, como o “pão da aflição” e o “vinho da rendenção”. Porém Jesus antes de ingerir o pão e o vinho recita palavras diferentes das que eram tradicionais ditas nesse momento da celebração, ele então mostra um novo significado para a Páscoa, ao atribuir  o vinho ao seu sangue e o pão a sua carne, e ainda se colocou como o cordeiro pascal. Assim a Páscoa cristã simboliza a redenção dos pecados e  a ressureição de Cristo.

Com isso a Páscoa  se perpetuou pois seu valor simbólico ultrapassou  os limites do tempo e do espaço. No judaismos através da Páscoa é relembrado a libertaçao do povo hebreu, já para o cristianismo representa a base da religião, a salvação em Cristo.

Símbolo do Cristianismo, a cruz vazia.

Símbolo do Cristianismo, a cruz vazia.

Referências Bibliográficas:

SAULNIER, Christiane; ROLLAND, Bernard. A Palestina no Tempo de Jesus. São Paulo: Paulinas, 1983.

Bricker, Charles. Jesus e sua época. Rio de Janeiro: Seleções do Reader1s Digest, 2007.

 

Tags: , , , , , ,

Você sabia … Mikveh e a Purificação

Por pesquisadora Thassia Izabel

clique na imagem para ampliar

 

Que a água para o povo de Israel não servia somente para limpar as impurezas materiais, mas também para purificar as impurezas espirituais.  Havia uma grande necessidade de não ficar impuro, e com isso à limpeza era vista como algo essencial no modo de vida judaico, como afirma Allan Millard:

“A limpeza era uma das coisas mais importantes para os religiosos judeus dos tempos do Novo Testamento. Era importante não só para a saúde, mas também porque ninguém que estivesse ritualmente impuro poderia aproximar-se de Deus.”

Por exemplo, se uma pessoa comia o alimento com as mãos sujas, esse alimento se tornava impuro, e era preciso mergulhá-lo em uma banheira para que se tornasse limpo. Por isso existia o costume de se lavar as mãos muitas vezes, que era praticado principalmente pelo grupo dos fariseus. Da mesma forma os utensílios domésticos deveriam ser bem lavados com água pura para que o seu conteúdo não se tornasse impuro.

Existia ainda o mikveh (piscina de purificação ou casa de banho de purificação) no qual era necessária a imersão para manter a pureza ritual. No século I d.C. por causa o aumento de peregrinos nos períodos de festas foi necessário a construções de mais locais para o banho ritual, e ainda havia um mikveh, próximo as escadas de entrada do Segundo Templo, mostrando como a busca pela pureza era importante.

Além disso, o mikveh era utilizado na purificação das mulheres que estavam no período menstrual, pois nesse período era proibido as práticas sexuais e a mulher deveria mergulhar na piscina de purificação.

Com isso percebemos que a limpeza na antiguidade judaica esta mais ligada à santidade do que a higiene e a saúde.

 

Referências Bibliográficas

OUAKNIN, Marc-Alain. Symbols of Judaism. Assouline Publishing, Paris, 2000.

MILLARD, Alan. Descobertas dos Tempos Bíblicos. São Paulo: Editora Vida, 1999.

USUBEL, Nathan. Conhecimento Judaico II. Rio de Janeiro: A. Koogan, 1964.

 

Tags: , , ,

Presença Feminina – Priscila

Por pesquisadora Elaine Herrera

 

Decifrar o cotidiano feminino na antiguidade tem sido uma constante busca, por historiadores de todo o mundo. Traçar um perfil histórico de determinadas mulheres então, tem se tornado uma ingrata tarefa. Por isso, não temos aqui a pretensão de descrever um retrato de Priscila, que era mais uma presença feminina, no cenário do início do cristianismo. Mas percorremos por alguns caminhos que nós leve ao interesse por uma melhor investigação, dessa mulher da antiguidade.

Fórum Romano (Roma)

Fórum Romano (Roma)

O nome Priscila significa anciã ou primitiva, e é o diminutivo de Prisca. Ele é mencionado sete vezes no Novo Testamento, e aparece sempre acompanhado pelo nome de seu marido. Trata-se de um casal de origem judaica e que segundo o Novo Testamento estavam residindo a princípio em Roma:

“E, achando um certo judeu por nome Áqüila, natural do Ponto, que havia pouco tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma)[1]…” (Atos 18:2)

Por conta da ordem do imperador romano, Claudio; Priscila e seu marido acabaram se fixando em Corinto e estabeleceram-se como fabricantes de tendas. E foi em Corinto que aconteceu o primeiro encontro entre eles e Paulo, o propagador do cristianismo.

Cidade Grega de Corinto

Cidade Grega de Corinto

Algumas informações podem ser elencadas sobre esta mulher. Priscila viveu nó século I, era casada, judia, e trabalhava junto ao seu marido, confeccionando tendas, e fez de sua casa, um espaço para a igreja do cristianismo primitivo. As menções respeitosas, referentes à Priscila, verificadas nas escrituras dos cristãos revelam gratidão e consideração para com ela, demonstrando sua intensa participação junto às novas comunidades cristãs.

Cidade que Priscila esteve com Áquila e Paulo, Éfeso

Cidade que Priscila esteve com Áquila e Paulo, Éfeso

Stegemann, um teólogo alemão, diz que os êxitos missionários em meio ao judaísmo da diáspora (judias e tementes a Deus) e conversão de economias domésticas eram facilmente verificados no caso de Priscila, e Lídia.

Fazendo um parâmetro com as mulheres de hoje, podemos dizer que Priscila conseguia manter com sucesso: casamento, trabalho e sua vocação religiosa.

Segundo Vamosh: “The fate of Priscilla is unknow; one legend says she was martyred in Rome and buried there, where a church and a tomb stand to this day in her memory[2].”

[1] Bíblia de Jerusalém.

[2] Tradução proposta: O destino de Priscila é incerto; uma lenda diz que ela foi martirizada em Roma e enterrada lá, onde uma igreja e um túmulo ficaram até este dia, em memória dela.

Referências Bibliográficas:

BALDOCK, John. Mulheres na Bíblia. São Paulo: M. Books do Brasil, 2009.

Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.

STEGEMANN, Ekkhard W. História social do protocristianismo. São Leopoldo: Sinodal, 2004.

VAMOSH, Miriam Feinberg. Woman at the time of the Bible. Israel: Palphot, 2007.

 

Tags: , , , ,

Você Sabia? Relações conjugais.

Para os judeus as relações conjugais são uma mitsvá, ou seja, são obrigações religiosas, e por isso existem regras da lei judaica que o casal tem que cumprir, uma delas é sobre a fidelidade, e outra é a respeito da constância das relações sexuais.

O Rabino Benjamin Blech diz que o Talmud faz algumas recomendações sobre a freqüência das relações sexuais do casal pautadas na profissão.  Segundo Blech:

“para os homens autônomos, todos os dias. Para os empregados, duas vezes por semana. Para os condutores de caravanas de burros de carga, uma vez por semana. Para os condutores de caravanas de camelos, uma vez por mês. Para os Marinheiros uma vez a cada seis meses.” (Talmud Mishná Ketubot 5:6)

Existia também outra lei judaica referente as relações do casal, aonde se um homem trabalhasse próximo a sua casa e resolvesse trocar para um outro emprego que tivesse que viajar para longe, sua esposa tinha o direito segundo a lei de  impedir essa transferência, para não diminuir a freqüência de suas relações sexuais.

Com isso percebemos que a vida conjugal judaica esta intensamente ligada a área profissional, a ponto de se ter a preocupação em formular normas relacionadas a quantidade de vezes na semana ou no mês  que o  casal deveria ter suas relações. E com essas recomendações é bem provável que as esposas dos marinheiros fizessem qualquer coisa para que seus maridos trocassem de emprego.

Referências Bibliográficas:

BLECH, Rabino Benjamin.  O mais completo guia sobre Judaísmo. São Paulo: Editora Sêfer, 2004.

 
 

Tags: , , ,

Descoberta em Jerusalém uma cisterna do período de Davi

Foi descoberto perto do Muro das Lamentações, um tanque de água bem grande, acredita-se que do período de Davi e Salomão.

De acordo com Eli Shukron, diretor da escavação, Autoridade das Antiguidades de Israel: “agora é absolutamente claro, como o consumo de água em Jerusalém durante o Primeiro Templo, não se baseou exclusivamente na saida da fonte de Giom , mas também em reservas de águas públicas

A descoberta foi anunciada, no “Centro de Pesquisa da Cidade de David”, em uma conferência realizada em Jerusalém.

Em escavações arqueológicas no Parque Arqueológico de Jerusalém, ao pé do Arco de Robinson, encontrou-se um grande reservatório de água, escavado na rocha, que datam do período do Primeiro Templo. O local da escavação é de responsabilidade da Autoridade das Antiguidades e é financiado pela Sociedade Elad, em cooperação com a Autoridade de Parques e Natureza.

A impressionante cisterna foi descoberta no dia 10 de setembro de 2012, e foi exibida juntamente com outros achados do ano passado, na conferência “Investigação da Cidade de David”, no dia 13, em Jerusalém.

A escavação revelou que o depósito é parte de uma escavação onde é totalmente exposto o canal de drenagem do Segundo Templo em Jerusalém, a rota continua para o norte ao longo da cidade, a partir da piscina de Siloé para o topo da cidade David, que vem sob o arco do Robinson. O percurso do canal está no centro do vale principal, que corre ao longo da antiga cidade de norte a sul, paralela ao Monte do Templo.

Descrevendo o Segundo Templo, em Jerusalém, Josefo refere-se ao Tiropeon chamado em grego “Vale”, e que foi chamado de “o vale dos queijeiros”. Outra interpretação identifica o vale Hhrotz Valley, mencionado no livro de Joel. Durante a escavação do canal, que exigiu uma grande empresa de engenharia, seus construtores tiveram que remover os antigos edifícios que foram localizados ao longo da rota do canal, e instalações de passagem que foram escavados na rocha localizada ao longo do caminho. Isso resultou na descoberta nas últimas semanas de um grande reservatório de água, que foi aplicado em várias camadas de gesso, provavelmente datando do período do Primeiro Templo.

O volume do reservatório é de 250 metros cúbicos, por isso este é um dos maiores reservatórios na época do Primeiro Templo, em Jerusalém, descoberto até agora, e parece que o reservatório de água foi usada publicamente.

De acordo com Eli Shukron, diretor da escavação: “Durante a escavação sob o dreno no chão, havia uma lacuna exposta à rocha original, o que nos levou para a enorme reserva, até onde sabemos esta é a primeira vez que um tanque de água foi exposto em uma escavação arqueológica, assim como pequenos tanques neste vale que indicam claramente que o consumo de água em Jerusalém durante o Primeiro Templo não foi baseada apenas ao lado da fonte Giom, mas ambém em fontes de água disponíveis, como já foi agora revelado. “

Segundo o Dr. Zvika Tzur, arqueólogo-chefe da Autoridade de Parques e Natureza de Israel e pesquisador de sistemas de água antigas, “o grande reservatório exposto, junto com dois tanques, é semelhante  e informa o tipo geral de gesso colorido, gesso amarelo que caracterizou o período do Primeiro Templo. Além disso, as marcas das mãos no acabamento de gesso são semelhantes aos aquíferos de Tel Beer Sheva, Arad Tel e Tel Beit Shemesh, também datado do período do Primeiro Templo. “Cliff disse:” Talvez o maior reservatório de água, muito perto do Monte do Templo foi usado para as atividades diárias e tenha servido aos peregrinos do templo, sendo utilizado para tomar banho e beber na região. “

O impressionante tanque de água abaixo do Arco de Robinson se junta a uma série de descobertas recentes nas escavações nesta área da cidade, indicando a existência de uma construção densa que cobre a área a oeste de Monte do Templo e a expansão que precedeu o Monte do Templo. Parece que com a expansão do complexo para o oeste e para a construção de edifícios públicos, e as ruas ao redor do Monte do Templo, no final do período do Segundo Templo, quando ele desmantelou as estruturas do período do Primeiro Templo, e tudo o que resta dele foi um número de instalações escavadas em rochas, incluindo o reservatório de água esculpida.

Segundo o Dr. Baruch Yuval, arqueólogo Distrital da Autoridade das Antiguidades de Israel: “Com a conclusão das escavações junto ao canal, as possibilidades de combinar o reservatório de água ao roteiro dos visitantes de Jerusalém, trará um sentido impressionante a História”.

Reportagem: Marcos Chile

Tradução: Leandra Ferreira

Fonte: http://www.cafetorah.com/node/440

 

Tags: , , ,

Pessach – Páscoa

Por pesquisador Wallace Anderson

A festa do pessach, também conhecida como a “Festa da primavera” foi a primeira a ser ordenada a sua celebração, ela comemora a libertação dos hebreus da escravidão egípcia. Comemora-se no dia 15 do mês de Nissan (março e abril), e se prolonga por oito dias no calendário judaico. Este acontecimento se constituiu como um dos principais fundamentos da tradição judaica, da criação espiritual e da civilização do povo hebreu.

Com um rápido exame dos Dez Mandamentos podemos perceber um indício de como o pessach era importante para o povo hebreu. Quando Deus quis dar uma definição de Si próprio ao seu povo, Ele não disse: Eu sou o Senhor que criou o mundo, ou Eu sou o Senhor que perdoa pecados. O que Ele disse foi: “Eu sou o Senhor teu Deus que te tirei da terra do Egito, da casa da escravidão.” (Ex 20,2).  Essas palavras revelam a relevância da celebração da páscoa.

 Celebra-se o nascimento e a formação da nação hebréia e na noite de “seider”, quando as famílias , amigos e convidados estão reunidos, é comemorada com muita pompa e rigor. O anseio pela liberdade nunca deixou de palpitar nos corações do povo de Israel, anseio este que passou de geração em geração e que atuou como uma motivação espiritual tão forte, que nenhuma opressão ou conquista conseguiu vencê-la.

 O nome mais usado desta festa é Chag há-pessach, e o mais popular de todos os outros que também são usados como: Festa dos pães asmos, Festa da liberdade, Festa da primavera. Desta festa é derivada a décima praga, a morte dos primogênitos, quando o Anjo da Morte saltou por cima das casas dos filhos de Israel. (Pessach = salto, passar por cima, passagem).

 Páscoa também é o nome do sacrifício, que era ofertado na véspera da Festa, naquela “noite de vigília”, pouco antes de saírem do Egito, os Filhos de Israel assinalaram suas casas, pintando os umbrais com o sangue do sacrifício. O nome Pessach, páscoa expressa também à eternidade do povo de Israel. O sábado que antecede a festa é chamado de “O Grande Shabat, os sábios judeus ensinam, que Deus libertou o seu povo justamente no shabat, ou seja, num dia de sábado.

 Os preparativos iniciam muito antes da festa, limpando toda a casa e em busca de “chametz” (alimento fermentado proibido no pessach), conforme está escrito: “ não seja visto nenhum chametz (fermento) no meio de vós”. Alimentos como: trigo, aveia, cevada, centeio, ou espelta não podem ser consumidos a não ser se passarem por um rigoroso exame para comprovar que não houve nenhum tipo de fermentação em sua preparação. O fermento simboliza defeitos pessoais, altivez e orgulho. Até mesmo os talheres na noite da páscoa devem passar por um ritual de purificação para serem usados na noite festiva.

 Outro ponto forte da festa é o relato ou a Hagadá que fornece respostas, que os filhos fazem a seus pais, sobre o conteúdo da festa. Cada relato ou “hagadá” acrescentava aos filhos dos hebreus, a fé no que Deus realizou por amor a um povo que foi escravo, prisioneiro, mas amado e liberto por esse Deus.

A Páscoa nos dias do Novo testamento

 A passagem do tempo e as mudanças sociais tiveram sensíveis efeitos sobre o povo de Israel, e a páscoa passou por modificações. Nos tempos de Cristo, as alterações que ela sofreu já estavam solidificadas. Nessa época o povo tinha de se deslocar para Jerusalém que recebia um grande número de cidadãos.

A cidade tinha de fornecer uma enorme quantidade de animais para o “abate”, cerca de 25.000 animais. Era uma quantidade bem expressiva e real de animais. Essa foi uma das mudanças que a páscoa sofrera. Já em 600 anos antes de Cristo, era costume imolar o cordeiro pascal em Jerusalém, mas no período de Jesus a festa deixou de ter um caráter familiar, transformando-se numa romaria.

Foi neste ambiente que caminhava para uma “imolação universal”, que Cristo nasceu e foi chamado de o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” Jo 1:36. A páscoa cristã comemora o papel de Cristo na Salvação do mundo quando Ele foi crucificado.

 Paulo ensinou que ele foi imolado como nosso Cordeiro pascal (1 Co 5.7). Em alguns pontos seu sacrifício é análogo ao cordeiro da páscoa no Antigo Testamento, como o fato de não terem quebrado seus ossos (Êx 12.46; Nm 09. 12; Sl 34. 20; Jo 19.36) Porque isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: “Nenhum dos seus ossos será quebrado.”

Contudo, tanto no Judaísmo quanto no Cristianismo, a Páscoa ou Pessach, nos remete a pensar que devemos ser unidos e consolidados por um único ato que tornou toda  uma sociedade livre e através desta, todos nós tornamos espiritualmente livre para viver e repensar os valores que Deus e a vida tem a nos ensinar.

 

Referências Bibliográficas:

 Asheri, Michel. O Judaísmo vivo. Rio de Janeiro: Editora Imago:1995

Coleman, William L. Manual dos Tempos e Costumes Bíblicos. Belo Horizonte: Editora Betânia – 1991

Fridlin, Jairo Fridlin. Sidur Completo. São Paulo: Editora Sefer, 1997.

 

 

Tags: , ,

 
%d blogueiros gostam disto: