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Arquivo da tag: Judaismo

Você Sabia? Relações conjugais.

Para os judeus as relações conjugais são uma mitsvá, ou seja, são obrigações religiosas, e por isso existem regras da lei judaica que o casal tem que cumprir, uma delas é sobre a fidelidade, e outra é a respeito da constância das relações sexuais.

O Rabino Benjamin Blech diz que o Talmud faz algumas recomendações sobre a freqüência das relações sexuais do casal pautadas na profissão.  Segundo Blech:

“para os homens autônomos, todos os dias. Para os empregados, duas vezes por semana. Para os condutores de caravanas de burros de carga, uma vez por semana. Para os condutores de caravanas de camelos, uma vez por mês. Para os Marinheiros uma vez a cada seis meses.” (Talmud Mishná Ketubot 5:6)

Existia também outra lei judaica referente as relações do casal, aonde se um homem trabalhasse próximo a sua casa e resolvesse trocar para um outro emprego que tivesse que viajar para longe, sua esposa tinha o direito segundo a lei de  impedir essa transferência, para não diminuir a freqüência de suas relações sexuais.

Com isso percebemos que a vida conjugal judaica esta intensamente ligada a área profissional, a ponto de se ter a preocupação em formular normas relacionadas a quantidade de vezes na semana ou no mês  que o  casal deveria ter suas relações. E com essas recomendações é bem provável que as esposas dos marinheiros fizessem qualquer coisa para que seus maridos trocassem de emprego.

Referências Bibliográficas:

BLECH, Rabino Benjamin.  O mais completo guia sobre Judaísmo. São Paulo: Editora Sêfer, 2004.

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Descoberta em Jerusalém uma cisterna do período de Davi

Foi descoberto perto do Muro das Lamentações, um tanque de água bem grande, acredita-se que do período de Davi e Salomão.

De acordo com Eli Shukron, diretor da escavação, Autoridade das Antiguidades de Israel: “agora é absolutamente claro, como o consumo de água em Jerusalém durante o Primeiro Templo, não se baseou exclusivamente na saida da fonte de Giom , mas também em reservas de águas públicas

A descoberta foi anunciada, no “Centro de Pesquisa da Cidade de David”, em uma conferência realizada em Jerusalém.

Em escavações arqueológicas no Parque Arqueológico de Jerusalém, ao pé do Arco de Robinson, encontrou-se um grande reservatório de água, escavado na rocha, que datam do período do Primeiro Templo. O local da escavação é de responsabilidade da Autoridade das Antiguidades e é financiado pela Sociedade Elad, em cooperação com a Autoridade de Parques e Natureza.

A impressionante cisterna foi descoberta no dia 10 de setembro de 2012, e foi exibida juntamente com outros achados do ano passado, na conferência “Investigação da Cidade de David”, no dia 13, em Jerusalém.

A escavação revelou que o depósito é parte de uma escavação onde é totalmente exposto o canal de drenagem do Segundo Templo em Jerusalém, a rota continua para o norte ao longo da cidade, a partir da piscina de Siloé para o topo da cidade David, que vem sob o arco do Robinson. O percurso do canal está no centro do vale principal, que corre ao longo da antiga cidade de norte a sul, paralela ao Monte do Templo.

Descrevendo o Segundo Templo, em Jerusalém, Josefo refere-se ao Tiropeon chamado em grego “Vale”, e que foi chamado de “o vale dos queijeiros”. Outra interpretação identifica o vale Hhrotz Valley, mencionado no livro de Joel. Durante a escavação do canal, que exigiu uma grande empresa de engenharia, seus construtores tiveram que remover os antigos edifícios que foram localizados ao longo da rota do canal, e instalações de passagem que foram escavados na rocha localizada ao longo do caminho. Isso resultou na descoberta nas últimas semanas de um grande reservatório de água, que foi aplicado em várias camadas de gesso, provavelmente datando do período do Primeiro Templo.

O volume do reservatório é de 250 metros cúbicos, por isso este é um dos maiores reservatórios na época do Primeiro Templo, em Jerusalém, descoberto até agora, e parece que o reservatório de água foi usada publicamente.

De acordo com Eli Shukron, diretor da escavação: “Durante a escavação sob o dreno no chão, havia uma lacuna exposta à rocha original, o que nos levou para a enorme reserva, até onde sabemos esta é a primeira vez que um tanque de água foi exposto em uma escavação arqueológica, assim como pequenos tanques neste vale que indicam claramente que o consumo de água em Jerusalém durante o Primeiro Templo não foi baseada apenas ao lado da fonte Giom, mas ambém em fontes de água disponíveis, como já foi agora revelado. “

Segundo o Dr. Zvika Tzur, arqueólogo-chefe da Autoridade de Parques e Natureza de Israel e pesquisador de sistemas de água antigas, “o grande reservatório exposto, junto com dois tanques, é semelhante  e informa o tipo geral de gesso colorido, gesso amarelo que caracterizou o período do Primeiro Templo. Além disso, as marcas das mãos no acabamento de gesso são semelhantes aos aquíferos de Tel Beer Sheva, Arad Tel e Tel Beit Shemesh, também datado do período do Primeiro Templo. “Cliff disse:” Talvez o maior reservatório de água, muito perto do Monte do Templo foi usado para as atividades diárias e tenha servido aos peregrinos do templo, sendo utilizado para tomar banho e beber na região. “

O impressionante tanque de água abaixo do Arco de Robinson se junta a uma série de descobertas recentes nas escavações nesta área da cidade, indicando a existência de uma construção densa que cobre a área a oeste de Monte do Templo e a expansão que precedeu o Monte do Templo. Parece que com a expansão do complexo para o oeste e para a construção de edifícios públicos, e as ruas ao redor do Monte do Templo, no final do período do Segundo Templo, quando ele desmantelou as estruturas do período do Primeiro Templo, e tudo o que resta dele foi um número de instalações escavadas em rochas, incluindo o reservatório de água esculpida.

Segundo o Dr. Baruch Yuval, arqueólogo Distrital da Autoridade das Antiguidades de Israel: “Com a conclusão das escavações junto ao canal, as possibilidades de combinar o reservatório de água ao roteiro dos visitantes de Jerusalém, trará um sentido impressionante a História”.

Reportagem: Marcos Chile

Tradução: Leandra Ferreira

Fonte: http://www.cafetorah.com/node/440

 

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Pessach – Páscoa

Por pesquisador Wallace Anderson

A festa do pessach, também conhecida como a “Festa da primavera” foi a primeira a ser ordenada a sua celebração, ela comemora a libertação dos hebreus da escravidão egípcia. Comemora-se no dia 15 do mês de Nissan (março e abril), e se prolonga por oito dias no calendário judaico. Este acontecimento se constituiu como um dos principais fundamentos da tradição judaica, da criação espiritual e da civilização do povo hebreu.

Com um rápido exame dos Dez Mandamentos podemos perceber um indício de como o pessach era importante para o povo hebreu. Quando Deus quis dar uma definição de Si próprio ao seu povo, Ele não disse: Eu sou o Senhor que criou o mundo, ou Eu sou o Senhor que perdoa pecados. O que Ele disse foi: “Eu sou o Senhor teu Deus que te tirei da terra do Egito, da casa da escravidão.” (Ex 20,2).  Essas palavras revelam a relevância da celebração da páscoa.

 Celebra-se o nascimento e a formação da nação hebréia e na noite de “seider”, quando as famílias , amigos e convidados estão reunidos, é comemorada com muita pompa e rigor. O anseio pela liberdade nunca deixou de palpitar nos corações do povo de Israel, anseio este que passou de geração em geração e que atuou como uma motivação espiritual tão forte, que nenhuma opressão ou conquista conseguiu vencê-la.

 O nome mais usado desta festa é Chag há-pessach, e o mais popular de todos os outros que também são usados como: Festa dos pães asmos, Festa da liberdade, Festa da primavera. Desta festa é derivada a décima praga, a morte dos primogênitos, quando o Anjo da Morte saltou por cima das casas dos filhos de Israel. (Pessach = salto, passar por cima, passagem).

 Páscoa também é o nome do sacrifício, que era ofertado na véspera da Festa, naquela “noite de vigília”, pouco antes de saírem do Egito, os Filhos de Israel assinalaram suas casas, pintando os umbrais com o sangue do sacrifício. O nome Pessach, páscoa expressa também à eternidade do povo de Israel. O sábado que antecede a festa é chamado de “O Grande Shabat, os sábios judeus ensinam, que Deus libertou o seu povo justamente no shabat, ou seja, num dia de sábado.

 Os preparativos iniciam muito antes da festa, limpando toda a casa e em busca de “chametz” (alimento fermentado proibido no pessach), conforme está escrito: “ não seja visto nenhum chametz (fermento) no meio de vós”. Alimentos como: trigo, aveia, cevada, centeio, ou espelta não podem ser consumidos a não ser se passarem por um rigoroso exame para comprovar que não houve nenhum tipo de fermentação em sua preparação. O fermento simboliza defeitos pessoais, altivez e orgulho. Até mesmo os talheres na noite da páscoa devem passar por um ritual de purificação para serem usados na noite festiva.

 Outro ponto forte da festa é o relato ou a Hagadá que fornece respostas, que os filhos fazem a seus pais, sobre o conteúdo da festa. Cada relato ou “hagadá” acrescentava aos filhos dos hebreus, a fé no que Deus realizou por amor a um povo que foi escravo, prisioneiro, mas amado e liberto por esse Deus.

A Páscoa nos dias do Novo testamento

 A passagem do tempo e as mudanças sociais tiveram sensíveis efeitos sobre o povo de Israel, e a páscoa passou por modificações. Nos tempos de Cristo, as alterações que ela sofreu já estavam solidificadas. Nessa época o povo tinha de se deslocar para Jerusalém que recebia um grande número de cidadãos.

A cidade tinha de fornecer uma enorme quantidade de animais para o “abate”, cerca de 25.000 animais. Era uma quantidade bem expressiva e real de animais. Essa foi uma das mudanças que a páscoa sofrera. Já em 600 anos antes de Cristo, era costume imolar o cordeiro pascal em Jerusalém, mas no período de Jesus a festa deixou de ter um caráter familiar, transformando-se numa romaria.

Foi neste ambiente que caminhava para uma “imolação universal”, que Cristo nasceu e foi chamado de o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” Jo 1:36. A páscoa cristã comemora o papel de Cristo na Salvação do mundo quando Ele foi crucificado.

 Paulo ensinou que ele foi imolado como nosso Cordeiro pascal (1 Co 5.7). Em alguns pontos seu sacrifício é análogo ao cordeiro da páscoa no Antigo Testamento, como o fato de não terem quebrado seus ossos (Êx 12.46; Nm 09. 12; Sl 34. 20; Jo 19.36) Porque isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: “Nenhum dos seus ossos será quebrado.”

Contudo, tanto no Judaísmo quanto no Cristianismo, a Páscoa ou Pessach, nos remete a pensar que devemos ser unidos e consolidados por um único ato que tornou toda  uma sociedade livre e através desta, todos nós tornamos espiritualmente livre para viver e repensar os valores que Deus e a vida tem a nos ensinar.

 

Referências Bibliográficas:

 Asheri, Michel. O Judaísmo vivo. Rio de Janeiro: Editora Imago:1995

Coleman, William L. Manual dos Tempos e Costumes Bíblicos. Belo Horizonte: Editora Betânia – 1991

Fridlin, Jairo Fridlin. Sidur Completo. São Paulo: Editora Sefer, 1997.

 

 

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Feliz Ano Novo!


Por pesquisadora Valéria Albuquerque

            Rosh Hashaná (em hebraico ראש השנה, literalmente “cabeça do ano”) é o nome dado ao ano-novo no judaísmo. Dentro da tradição rabínica, o Rosh Hashaná ocorre no primeiro dia do mês de Tishrei, primeiro mês do ano no calendário judaico rabínico (ano Judaico é o  5772) e sétimo mês no calendário bíblico. E neste ano será comemorado nos dias 29 e 30 de setembro.

         A Torárefere-se a este dia como o Dia da Aclamação ( Yom Teruá Levítico23:24), pelo que os judeus caraítas seguem esta data mas não o consideram como princípio do ano.

            Já a literatura rabínica diz que foi neste dia que Adão e Evaforam criados e neste mesmo dia incorreram em erro ao tomar da árvore da ciência do bem e do mal. Também teria sido neste dia que Caim teria matado seu irmão Abel. Por isto considera-se este dia como Dia de Julgamento (Yom ha-Din) e Dia de Lembrança (Yom ha-Zikkaron), o início de um período de instrospecção e meditação de dez dias (Yamim Noraim) que culminará no Yom Kipur, um período no qual se crê que o Criador julga os homens.

Significado de Rosh Hashaná

            O Dia do Ano Novo judaico não é apenas uma ocasião de alegria, mas, um dia dedicado à oração. É chamado Yom Hazicaron (Dia da Memória) – quando todas as criaturas são julgadas pelo Criador de acordo com seus méritos.

            O primeiro dia do Ano Novo é chamado de o aniversário do Mundo, a Coroação da criação Divina, na qual o A-do-nai E-lo-hei-nu, nos terá dado o calendário lunar.

 

            Os judeus comemoram este dia com uma challá redonda, pão trançado, mas que neste dia é feita especialmente em forma redonda, devido ao fato de simbolizar o circulo anual do calendário, bem como à continuidade e eternidade.

            Maçã com mel, tâmaras doces prenunciarão um ano bom para todos, o vinho usado na refeição desta data também é o doce, acompanhando feijão, cabeça de peixe ou peixe inteiro, bem como se come romã, à sobremesa. Nesta data festiva as pessoas desejam um feliz ano novo dizendo em hebraico “Shaná Tová” que literalmente quer dizer “Bom Ano”!

 

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O PODER POLÍTICO DO SUMO SACERDOTE

Por Sarai Basílio

 

 Em Israel, como em outras nações que têm uma histórica religião sacerdotal, existia um sistema hierarquico de graduação de poderes e responsabilidades com um líder, ou sumo sacerdote, à frente da organização. Segundo estudiosos, mais de mil anos antes de Moisés, cada um dos maiores templos e centros religiosos do Egito tinha o seu próprio sumo sacerdote.

 Conforme o Pentateuco, Moisés recebeu instrução de Deus para ordenar seu irmão Arão e seus filhos como sacerdotes. No livro de Levítico Arão é mencionado como o sacerdote ungido (Lv 4.3,5,16) bem como o sumo sacerdote. A posição de responsabilidade e as vestes dessa função, distinguiam Arão como o sacerdote maior ou superior. O salmista falou que o “Óleo da unção sobre a cabeça de Arão, ao escorrer até a barra de suas vestes, tornou-se um símbolo de união. (Sl 133.2).

Sumo Sacerdote Hebreu

 

O sumo sacerdote tinha responsabilidades específicas, pois só ele podia entrar no Santo dos Santos ou no Lugar Santíssimo, e somente durante a cerimônia do Dia da Expiação, que acontecia uma vez por ano para oferecer sacrifício por ele e pelo povo a Deus; bem como determinava a aplicação da lei em relação aos casos de homicídios não intencionais. O ofício de sacerdote era vitalício e hereditário.

As estimativas aproximadas sobre a instituição do sumo sacerdócio é de 1300 anos. Segundo Flávio Josefo, o historiador judeu, existiram 83 sumos sacerdotes desde Arão até Fanias, que foi ordenado sacerdote durante a guerra que culminou com a destruição de Jerusalém no ano de 70 d.C. No retorno do cativeiro babilônico, Josué (Jesua) filho de Jozadabe que havia sido levado cativo, deu sequência à sucessão dos sumos sacerdotes (Ed 3.2).

 Durante o período intertestamentário, o sumo sacerdócio cresceu em poder e diminuiu em comportamento ético, espiritual e moral. Sob os Macabeus, os reis e o sumo sacerdote associaram-se durante algum tempo. Ocupando a mais elevada posição de governo entre os judeus, o sumo sacerdote era objeto de compra e intrigas. A partir do ano37 a.C, Herodes e depois os procuradores ou governantes romanos tinham o direito de nomear e depor os sumos sacerdotes, com isso o cargo deixou de ser hereditário e vitalicio, também consagravam ao sumo sacerdote mediante a entrega dos ornamentos sacerdotais (oito peças consideradas como sagradas). Esses ornamentos sagrados eram guardados na Torre Antonia, e usados somente nos dias de festa. O Novo Testamento menciona três sumos sacerdotes Anás, seu genro Caifás e Ananias.[1].

 Concluindo, a história mostra as transformações ocorridas na função do sumo sacerdote a partir do período intertestamentário, quando passou a exercer um poder temporal, mas, esse sacerdócio terminou no ano de70 a.C com a destruição do estado hebraico e do Templo em Jerusalém.

 [1] Anás, sumo sacerdote na época do ministério de João Batista (Lc 3.2), ele foi deposto pelos romanos sendo substituído pelo seu genro Caifás, que oficiava na época do julgamento e crucificação de Jesus, e deu carta para Paulo perseguir os cristãos em Damasco (Mt 26.57, At 9.1,2). Entretanto, Anás permaneceu como uma figura influente, pois o povo continuava a chamá-lo de sumo sacerdote, pois consideravam a vitalidade do cargo.(At 4.6) E Ananias, perante o qual Paulo foi posteriormente julgado (At 23.11-10).

 Referências Bibliográficas:

PFEIFFER, Charles .F. Dicionário Bíblico Wycliff. RJ. CPAD. 2007.

 STERN, David H. Comentário Judaico do Novo Testamento. SP. Ed Atos. 2008.

pt.encypedia.com/palestina_em_tempos_de_Jesus.

 

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O rei e o templo

Por Sarai Basílio

Herodes, o Grande

Herodes, o Grande descendente dos idumeus [1] começou sua vida política aos 15 anos, como governador da Galiléia numa manobra política de seu pai Antípater procurador geral da Judéia. Posteriormente, Herodes foi nomeado pelo Império Romano rei da Judeia (37 a 4 a.C). Rei ímpio cometeu muitas crueldades, como também desafiou e burlou as leis dos judeus.

Administrador perspicaz, impenhou-se em notáveis construções em Jerusalém durante o seu reinado. A mais polêmica foi a reconstrução do Templo, posteriormente conhecido como o Templo de Herodes, entretanto, na mente dos judeus a obra se referia a reconstrução do Segundo Templo [2], que fora danificado devido a guerras e invasões da cidade de Jerusalém.

Em 19 a.C Herodes iniciou a reconstrução do Templo com forte oposição dos judeus, buscando resolver a situação “ele fez com que 1000 sacerdotes fossem treinados como talhadores de pedra, carpinteiros e decoradores, certificando-se de que nenhuma mão profana tocaria o local sagrado (Dicionário Wycliff, 2007, p.1898). Em 18 meses, o trabalho do santuário foi terminado, porém, o edifício ainda estava inacabado na época de Jesus, sendo concluído em 64d.C.

Cabe destacar a suntuosidade do Templo, maior do que o erguido por Zorobabel, em estilo greco-romano todo de mármore branco. O santuário era coberto com placas de ouro, ricamente decorado. O pátio dos gentios teve atenção especial do rei, ele foi pavimentado em mármore de muitas cores elefantes.

Esse Templo suntuoso tinha várias edificações monumentais e sólidas, mas em 70d.C os romanos liderados pelo general Tito, destruíram essas edificações, a área do santuário foi queimada, as paredes foram demolidas restando apenas o muro das Lamentações. Em 691 d.C os muçulmanos construíram nessa área a Cúpula da Rocha, que atualmente ocupa o local do Templo e santuário judeu. Contudo, dias virão em que “a glória da última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos, e neste lugar darei a paz…” (Ageu 2. 9)

 [1] Os idumeus ou edomitas, eram descendentes de Edom (Esaú). Habitavam na região sudeste da Palestina ou extremo sul do Vale do Sal. Eles foram obrigados a circuncidar-se para terem livre acesso em Jerusalém, bem como desfrutarem de privilégios especiais entre o povo de Israel.

[2] O Segundo Templo foi concluído por Zorobabel e Josua, o sacerdote, no mês de Adar(março) de 516 a.C

Referências Bibliográficas:

TOGNINI, Enéas. Período Interbíblico. SP. Ed Hagnos. 2009

Dicionário Bíblico Wycliff. RJ. Ed CPAD. 2007.

 

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Polêmica – Tanque de Betesda

Tanque de Betesda - descoberta arqueológica

A Jerusalém do século I a.C. reunia vários elementos das culturas anteriores, como babilônicos, persas e helênicos, que as tinha conquistado. O helenismo[1] profundamente difundido pela alta sociedade encontrava forças nas suas bases culturais principalmente quando estava relacionado à cura de doenças, estas eram entendidas pelos povos semíticos[2] como provenientes de demônios crença essa difundida desde períodos remotos.

O culto desenvolvido no Tanque de Betesda possuiu uma referência no texto bíblico atribuído a João em um período posterior a destruição de Jerusalém mais precisamente na década de 90 d.C. fato esse discutido por historiadores atuais que buscam a comprovação de um Jesus Histórico e que utilizam de textos joaninos para buscar tal referência.  Segundo o professor doutor André Chevitarese[3]:

“Há uma passagem em João 5:1-9 bastante conhecida porque ela diz respeito a um individuo com problemas de saúde, de movimento, que está há anos com esse problema, tentando entrar na piscina de Betesda. Jesus se aproximar dele e o cura, sem que ele precise entrar nessa piscina. Isso é a leitura (teológica) do texto. Mas, essa piscina, descoberta quando da ampliação de uma casa no contexto de Jerusalém no final do século XIX, foi escavada em meados do século XX. Para surpresa dos arqueólogos, alguns dados vieram à tona: o primeiro deles é que essa piscina faz parte de um complexo ligado ao santuário de Serápis (Asclépio) que era o deus associado à cura. Ela tem muito pouco (pelo menos o que foi escavado) haver com o ambiente estritamente judaico. Talvez, por isso, Jesus não mandou o homem mergulhar na piscina; ele o curou ali mesmo na borda. Este era um santuário do deus da cura, Asclépio, e parece ter muito mais relação com as guarnições multiétnicas romanas estacionadas em Jerusalém, o que não quer dizer que ele também não possa ter atendido a judeus helenizados[4]”.

O helenismo provocou uma intensa troca cultural, que veio a provocar grandes modificações na estrutura religiosa do povo judeu, entre esses elementos podemos assim observar a presença de cultos de deuses estrangeiros, enraizados no imaginário do povo que, como exemplo pode observar o aglomerado de pessoas que utilizavam o Tanque de Betesda fato esse comprovado pelos achados arqueológicos, o sitio arqueológico encontrado possuía mais de 5.000 m2 a importância das construções indica que se tratava de lugar público.

O local foi encontrado durante as reparações e escavações da Basílica Santa Ana em 1888 pelo professor arqueólogo, Dr. Conrad Shick, localizado atualmente no bairro Mulçumano em Jerusalém, no século I, segundo o historiador Flávio Josefo[5] esse bairro era chamado de Beseta[6] o Tanque ficava próximo da Porta das Ovelhas e da Fortaleza Antônia englobado pela terceira muralha construída inicialmente pelas ordens do rei Agripa I[7] (41-44 d.C.), muralha essa que teve sua construção embargada pelo Imperador Claudio no ano de 44 d.C. e finalmente completada no ano de 66 d.C. pelos judeus revoltosos.

Tanque de Betesda - Centro Cultural Jerusalém

Foram encontradas no local colunatas do estilo romano e uma pintura de um anjo agitando as águas que segundo os especialistas responsáveis pelo achado comprovam que essa pintura é do período dos imperadores romanos cristãos, fato esse comprovado pelos profissionais químicos atuais, responsáveis por estudos mais profundos utilizando a técnica do carbono 14.

Os romanos reutilizaram a estrutura e a aumentaram consideravelmente. Acrescentaram cisternas, bancos nas salas cobertas e, possivelmente, um altar para sacrifícios. O lugar era claramente um santuário onde se tomavam banhos de cura, sob a proteção de Serápis, como mostra as peças arqueológicas descobertas. Afrescos murais representando a cura; ex-voto comemorando as duas funções de Serápis (curas e salvamentos no mar); moedas reproduzindo a efígie de Serápis e da deusa Hígia, filha de Esculápio; uma representação mostrando Serápis como serpente com a cabeça de homem barbado. (CHRISTINE, p.18)

 O Tanque de Betesda ficava localizado próximo a uma fonte que segundo registros,  já tinha a função de abastecimento desde o período de Salomão como os mapas utilizados pela autora Karen Armstrong[8]. A primeira menção de ocupação da atual área de Jerusalém, remonta do século X a.C. pelo povo Jebuseu nesse período não tinha referências de águas subterrâneas a parte ocupada pelos Jebuseu se resumia a um elevado bem protegido e com a fonte de Gion.

No tempo de Davi e posteriormente no período de Salomão, a área foi estendida para a Eira de Araruna[9] mais ao norte o local onde seria erguido o 1º Templo e as fontes trazem a informação da construção da piscina de Siloé, um tanque que teria a sua história contada através dos milênios tendo nesse lugar também relatos de curas milagrosas.

O período do Asmoneus[10] sucedeu a um longo periodo de  intervenção estrangeira a exemplo do cativeiro na Babilônia em 587 a.C. e depois com a dominação dos persas. Esse periodo foi marcado por um sincretismo da religião judaica, com os deuses da fertilidade e da cura que eram  cultuados em fontes de águas que eram na realidade centros de cura, que reuniam assim enfermos que buscavam a libertação física e espiritual das enfermidades. O tanque nesse período (147 a.C. a 63 a.C.) recebeu o nome de um guerreiro asmoneu que lutou contra o domínio selêucida “Simão o Justo” filho de Judas Matatias[11] que prosseguiu contra os batalhões dos selêucidas que continuamente avançavando sobre a Judéia e que por diversas vezes foram derrotados pelos exércitos mercenários dos reis judeus.

Há dois períodos distintos na vida do sitio: o período judaico e o período romano. O período judaico começou quando o sumo sacerdote Simão, filho de Onias (220-195 a.C.), construiu dois grandes reservatórios para o fornecimento de água ao Templo (cf. Eclo 50,3 e Carta de Aristéias). “Tais reservatórios não podiam, é claro, ser utilizados por doentes”. (PRIETO, p.18)

Herodes o grande (37 a.C.-4 d.C.) foi o grande construtor da Judéia assumiu o reinado sobre a região com o apoio do Senado romano em 37 a.C. e após a tomada da cidade de Jerusalém empreendeu seu mega projeto de transformar Jerusalém de uma simples área de dominação romana em uma das jóias do Oriente dando a cidade contornos de uma polis greco-romana. Nesse período segundo  Pietro, Herodes o Grande mandou construir um terceiro reservatório separando assim a ala dos doentes. No período de Herodes o Tanque de Betesda também era chamado de Tanque das Ovelhas devido à proximidade com a Porta das Ovelhas utilizadas nos sacrifícios.

Após a destruição do ano de 70 d.C. a cidade de Jerusalém foi ocupada pela X Legião romana a parte ocupada correspondia ao bairro da elite de Jerusalém o bairro da Cidade Alta que tinha como proteção o conjunto de torres (Fazael, Mariane e Hipicus) construídas também por Herodes o Grande. A X Legião ficou responsável pela ocupação da cidade destruída para impedir a sua ocupação o culto a Asclépio fora mantido por esses soldados que utilizavam as águas do Tanque para os banhos ritualísticos dedicados ao deus da medicina.

Transformada em uma cidade de porte reduzido Jerusalém passou a ser conhecida como Aelia Capitolina projeto de reconstrução empreendido pelo imperador Adriano e dedicada a Júpiter em 135 d.C. após a terceira revolta Judaica liderada por Simão Bar Kokhba[12] Jerusalém tem seu tamanho reduzido e assim o Tanque de Betesda que outrora fora consagrado a deuses semíticos como Eshmun, Sadrafa agora mais uma vez dava lugar ao deus sincretizado greco-romano Serapís-Asclépio.

Jerusalém destruída

Os semitas acreditavam na habitação de deuses ou de espíritos na águas e fontes. A fonte é manifestação da vida divina e, na literatura hebraica, vamos encontrar “anjos das águas” e “anjos dos rios”. A helenização da Palestina, apesar da resistência nacionalista e religiosa ortodoxa, abriu as mentalidades para o exterior e permitiu a implantação de tradições terapêuticas estrangeiras como, por exemplo, aquelas praticadas na Síria cuja influência foi muito forte. Os romanos retomaram e desenvolveram as atividades medicinais religiosas ao redor dos pontos de água. Temos sinais disso: banhos de Bethzatha foram aumentados; banhos de Tiberíades tinham grande reputação; em Gadara, na Decápole cerimônias religiosas, com grande concorrência de público, eram realizadas até o século VI d.C. (PRIETO, p. 20)

A narrativa bíblica em relação a cura de um homem coxo fora das águas da piscina, demonstra que Jesus interrompe uma crença pagã, crença essa que cultuava o semideus Asclépio filho de Apolo, cultuado pelas legiões romanas devido ao estado bélico desse império, os soldados moribundos apelavam para a clemência desse deus-médico para sobreviver às ferocidades das batalhas fato esse comprovado posteriormente pela sobrevivência do culto mesmo após a destruição da cidade após 70 d.C.onde a população de Jerusalém teve cinqüenta por cento da população assassinada pelas legiões e a parte restante entregue aos jogos de gladiatura e a escravidão.

Podemos assim concluir através dos séculos que a construção envolvendo o abastecimento de água com fontes também estava relacionados aos cultos pagãos ligados à cura. O sincretismo religioso iniciado nos primórdios da civilização hebréia em contato com as civilizações da Mesopotâmia foi ganhando força com a dominação dos babilônicos, dos persas e posteriormente dos helênicos assim no século I d.C. a naturalidade dos cultos pagãos de cura milagrosa coexistia com as atividades ligadas ao templo tendo uma forte oposição liderada pelos saduceus[13] que formavam a elite do Templo.

[1] Helenismo expansão da cultura grega pelo oriente difundida no período das conquistas de Alexandre o Grande

[2] Semítico eram povos que vivam no Oriente Médio formado por judeus, caldeus babilônicos etc.

[3] André Leonardo Chevitarese atualmente é Professor Associado I da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Professor do Programa de Pós-Graduação em Arqueologia do Museu Nacional do Rio de Janeiro, Professor Visitante do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual de Campinas. Tem experiência na área de História, com ênfase em História Antiga Grega, Romana, Judaísmo Helenístico e Paleocristianismo.

 [4] Trecho da entrevista concedida aos pesquisadores do Centro de Pesquisas da Antiguidade Maurício Santos e Elaine Herrera pelo Professor André Chevitarese postada no Blog CPA em 05 de março de 2010.

[5]Flávio Josefo historiador judeu que viveu no período de 37 d.C. até 100 d.C. general rebelde judeu que se entrega ao general Vespasiano futuro imperador Romano (69 d.C. a 79 d.C.)

[6] Beseta bairro mais setentrional de Jerusalém relação ao monte Beseta.

[7] Agripa I rei da Judéia no período de 41 a 44 d.C. reino de Herodes o Grande reconstituído ao seu neto denominado Herodes  Agripa I por ordem do imperador Calígula e posteriormente por Cláudio.
 
[8] Karen Armstrong historiadora especialista na história do povo judeu Bacharel em Literatura pela faculdade de Oxford na Inglaterra atualmente é comentarista de assuntos religiosos envolvendo as três maiores religiões monoteístas do mundo.
 
[9] Eira de Araruna localizado no Monte Moriá propriedade adquirida através de compra pelo rei Davi pelo jebuseu Araruna.
 
[10] Asmoneus dinastia que governou a Judéia do periodo de 167 a.C. a 63 a.C..

[11] Judas Matatias sacerdote judeu que não inclinou ao intervencionismo selêucida refugiado no deserto e iniciando uma guerrilha contra os batalhões selêucidas que investiam contra os opositores judeus contrários ao helenismo.

[12] Simão Bar Kokhba “filho da estrela” líder rebelde judeu que liderou o povo judeu contra o sincretismo do Imperador Adriano que buscou centralizar o seu domínio tendo como base cultural religioso o helenismo.

[13] Saduceu parcela da população que formava a elite de Jerusalém os membros dessa classe social formava a elite sacerdotal que detinha o poder econômico da Judéia.

Referências Bibliográficas:

ARMSTRONG, Karen. Jerusalém: uma cidade, três religiões. São Paulo: Ed. Companhia das Letras,2000.

 BORGER, Hans. Uma história do povo judeu. 4ª Ed. São Paulo: Sêfer, 1999. 

 JOSEFO, Flávio A História dos Hebreus, 8ªEd. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

GOODMAN, Martin. A classe dirigente da Judéia. Rio de Janeiro: Imago, 1994.

OTZEN, Benedikt. O judaísmo na antiguidade. São Paulo: Paulinas, 2003.

PRIETO, Christine. Cristianismo e Paganismo. São Paulo: Paulus, 2007.

 

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