RSS

Arquivo da tag: Israel Antigo

Diário de bordo! Quarto dia em Israel

clique na imagem para ampliar

8:30 – Encontramos com o guia e pegamos o taxi rumo ao Monte das Oliveiras, no caminho muito trânsito devido a uma multidão de turistas.

Já no Alto do Monte, vimos à vista panorâmica da cúpula dourada, e toda a cidade velha, uma imagem muito conhecida, mas que impressiona. Passamos por uma residência onde encontra-se sepultado o corpo do profeta Malaquias, não podemos entrar para ver a abertura da caverna, justamente por se tratar de uma moradia particular e ainda era muito cedo.

Tumba do profeta

Tumba do profeta

Passamos por uma necrópole cheia de ossuários, datados do século I em diante.

Necrópole

Necrópole

 

Depois descemos para o Getsêmani, onde segundo os livros de Mateus e Marcos, Jesus orou. Um estudo recente revelou que as árvores que estão hoje no jardim do Getsêmani, são posteriores ao período de Jesus e que a árvore mais velha teria novecentos anos.

Getsêmani

Getsêmani

Ao lado do jardim encontra-se a igreja dos aflitos. Passamos pelo cemitério judeu, vimos o cemitério árabe, e seguimos para o vale de Josafá que fica entre o Monte das Oliveiras e o Monte onde no século I ficava o Templo, aonde vimos à tumba de Zacarias, e continuando o vale do rei, vimos também à magnífica tumba, que “seria” de Absalão (filho de Davi).

Tumba de Absalão

Tumba de Absalão

Passando para locais cristãos, fomos à casa de Caifas, onde Pedro teria negado a Jesus, e nos sítios arqueológicos, que dão indícios que ali seria o local onde Cristo ficou preso.

11:00 – Chegamos a Tumba de Davi, onde nos surpreendeu saber que lá funciona também uma Sinagoga, depois fomos visitar o Cenáculo, uma construção belíssima do período bizantino.

12:20 Chegamos no Museu Terras da Bíblia, e como diz um amigo, é de pirar o cabeção, um museu enorme, com espaços amplos para cada Império Antigo, um acervo surpreendente, um dos lugares mais interessantes de Jerusalém, alias o melhor museu que já fui.

Museu Terras da Bíblia

Museu Terras da Bíblia

Com muita pena de deixar aquele lugar incrível, saímos para um rápido lanche e seguimos para o Santuário do Livro, onde se encontra os manuscritos do Mar Morto, mais um museu super original, seguimos para a maquete de Jerusalém no período do Segundo Templo, um lugar especial, já que trabalho com uma réplica na cidade de Jerusalém no Rio de Janeiro.

14:40 – Visitamos o museu de Israel, que na verdade é um complexo de museus que teríamos que ter no mínimo uma semana só para percorrer tudo, saindo de lá, no final da tarde e já exaustos, caminhamos para o hotel, paramos para saborear um Kebab, no bairro árabe e nos prepararmos para  outro dia.

Parada para um Kebab

Parada para um Kebab

Anúncios
 
 

Tags: , , ,

Diário de bordo!

Dia 15 de novembro de 2012

8h Depois de encontrar na mesa do café da manhã: pimentão, cebola, tomate, pepino, creme de grão de bico, salsichas, e ovos, reforçamos a alimentação e saímos para explorar o local. Encontramos com o guia no portão de Jaffa, para visitar alguns lugares fora de Jerusalém, à primeira coisa a fazer era alugar um carro. Ao conversar com nosso guia percebemos como o conflito se intensificará, ele nos relatou que morava a quinze Km da Faixa de Gaza e que durante a noite muitas vezes tinha que se proteger com sua família, num cômodo a prova de mísseis, quando tocava a sirene. Relatou-nos também que três pessoas morreram por não obedecerem às regras de segurança. Ele ainda nos descreveu a dificuldade em manter as crianças longe da tensão, já que elas queriam ver a interceptação dos mísseis, algo que é extremamente perigoso. Mas voltemos à viagem.

9h Já a Caminho de Masada, ao sair de Jerusalém o que me chamou atenção foram alguns acampamentos rudimentares ao longo do Deserto da Judéia, eram beduínos, que vivem da agricultura ou da criação de cabras, que também podem ser vistas da rodovia. 

Beduínos

A cada momento surgiam cenários muito diferentes daqueles aos quais estamos acostumados, Camelos, deserto. Da rodovia vimos à cidade de Jerico, e depois de pouco mais de 250 km percorridos chegamos a Masada.

10:45h Essa construção de Herodes o grande, sempre me despertou muita curiosidade, um lugar cheio de História,  arqueologia ali encontrou campo fértil, lá vimos a demarcação de acampamentos romanos, toda a representação da estrutura da fortaleza que Herodes construiu para se proteger de possíveis ataques. E que acabou servindo de refúgio para os Zelotes.

Foi muito interessante ver o rabino escrevendo a mão o texto sagrado no alto da montanha da fortaleza em Masada.

O certo seria passar o dia todo em Masada, mas como nosso tempo era pouco, depois de muitas fotos, e da visita guiada, seguimos para o mar morto.

Mar Morto

12:30h Nunca imaginei que o Mar Morto fosse dividido em praias particulares, claro que tem uma pública também. Fomos orientados a ir em uma particular por conta da qualidade, foi nos apresentado duas alternativas: comprar cremes do mar morto e ganhar bilhetes para a praia, ou pagar as entradas na praia. Claro que preferi comprar cremes, que são famosos pela qualidade e garantia de que realmente funcionam.

Enfim chegamos à praia, tudo muito interessante, já de início vi muitas pessoas passando a lama preta no corpo, entramos nessa e não é que a lama faz efeito. Depois dessa experiência, entramos na água que ninguém é de ferro, e seriam alguns poucos minutos de relaxamento.

Já dentro da água caiu à ficha que estava em Israel, boiando naquela água super salgada, olhei para o lado é vi o deserto de Moab, virei para o outro lado e vi o deserto da Judeia, as lágrimas vieram pois me dei conta que meu sonho era realidade.

13:40 Com muita pena de sair daquela maravilha de praia, e constatar que realmente vale escolher uma praia particular dado toda a estrutura, tomamos banho e fomos almoçar, na fila sem muita fluência no inglês, pedimos um sanduíche, e depois continuamos a viagem.

14:30 Estavamos a caminho de Quram, um lugar incrível, onde se pode conhecer mais profundamente a História do povo que vivia ali, possivelmente os essênios.

Ver as cavernas, e saber que de uma delas saiu os famosos manuscritos do Mar Morto. Além de sítios arqueológicos, documentários. Fez a tarde repleta de conhecimento.

Contando como cenário o Deserto da Judeia e o Mar Morto, um lugar incrível que jamais esquecerei.

Deserto de Moab, Mar Morto e Deserto da Judeia

Além de tudo isso ainda encontramos muitas lojas recheadas de livros e documentários que vale a pena conferir.

15:50 Horário definido para o retorno, pois teríamos que entregar o carro 17:30 em Jerusalém.

Na estrada passavam vários comboios do exército israelense, e em alguns pontos o trânsito era interrompido para fiscalização.

17:50 Depois de entregar o carro, caminhamos pelo pedaço de terra mais caro em Jerusalém, a Street King Davi, uma rua lindíssima, com antiquários, e lojas com objetos caríssimos.

18:20 Pegamos um taxi, já sem o guia, para visitar o Museu do Holocausto, no caminho vimos uma manifestação, com faixas escritas em hebraicos e gritos de ordem? Perguntamos ao taxista, mas ele com o inglês meio árabe e nós com um inglês, meia boca, acabamos por não entender.

Pensei neste momento que todas as aulas em nossa vida escolar merecem atenção e empenho, olha lá eu precisando das aulas de inglês que tanto odiava.

18:50 Chegamos ao museu e de cara a arquitetura saltou aos olhos,  o museu pareceu me um lugar de preservação da memória e homenagem as vítimas. Imagens chocantes, e pelo áudio-guia ouvíamos a descrição de todo horror vivido pelos judeus neste período.

Os jardins são belíssimos, e o museu enorme, extremamente organizado, só muito triste.

21:00 Chegamos ao hotel, deixamos as mochilas e saímos para comer, por conta de estarmos em um bairro árabe e ser dia do descanso deles? Quase tudo estava fechado, por sorte achamos um lugar onde podemos saborear, frango frito com batata, claro que a moda árabe, mas muito gostoso, mesmo porque a fome era muita.

Em quarenta minutos estávamos no hotel de volta, pois o local estava bem deserto, achamos melhor não demorar, já que o conflito só aumentava.

No hotel, começamos a ouvir o estouro de bombas de gás lacrimogêneo, várias buzinas, e sirenes, uma sensação muito estranha, nosso guia já havia comentado e nos alertado para proteger-nos.

Diário de Bordo continua amanhã!

 
 

Tags: , ,

Assentamento egípcio na antiga cidade de Jaffa

Arqueólogos da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz (JGU) e da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) descobriram em recentes escavações em Jope, (Tel Aviv) evidências que apontam para a presença de uma população egípcia na cidade milenar.

No antigo sítio arqueológico de Jaffa, em Israel, foram encontrados os restos de um portal que possivelmente fazia parte de uma fortificação egípcia do período da dinastia de Ramsés II (1279-1213 AC), outras descobertas sem divulgação, já haviam sido realizadas durante escavações lideradas pelo ex-arqueólogo municipal Y. Kaplan em 1950.

Porém agora com parceria das Universidades de Mainz e Los Angeles, da Autoridade de Antiguidades de Israel e da Companhia de Desenvolvimento da Antiga Jaffa, o Projeto do Patrimônio Cultural de Jaffa pode dar prosseguimento a novas escavações, como também, a publicação dos resultados das escavações mais antigas, e das futuras.

Buscando compreender a história da colonização do segundo milênio AC, as camadas destruídas da antiga cidade e o propósito da presença egípcia. Segundo o diretor Dr. Martin Peilstöcker de JGU o portal foi destruído e reconstruído pelo menos quatro vezes.  E além da tradição egípcia da arquitetura da lama e barro, foi encontrado também um amuleto com a inscrição do faraó egípcio Amenhotep III (1390-1353 AC), que comprova a presença egípcia na cidade antiga de Jaffa.

Existe ainda a intenção dos achados arqueológicos serem expostos ao público no próximo ano (2013) na Alemanha.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 05/11/2012 em ARQUEOLOGIA, HISTÓRIA ANTIGA

 

Tags: , , ,

Perseguições aos Cristãos no Império Romano – Parte 3

Curso ministrado pelo Prof. Diogo Pereira da Silva, doutorando em História Comparada/UFRJ, no Centro Cultural Jerusalém.

As perseguições no século I

O surgimento do movimento  Cristão

O contexto judaico do século I

Morte de Alexandre Magno (336-323 a.C.)

  • Palestina dominada pelos Reinos Helenísticos, sendo o mais notável o Reino dos Selêucidas;
  1. 175-164 a.C.: Antíoco IV, Epifânio
    1. Helenização
    2. Proibição de práticas judaicas: observância do shabbat, interdições alimentares, e circuncisão;
    3. Tentativa de instalação de uma estátua de Zeus no templo de Jerusalém.

Datação: 170-164 a.C. Tetradracma – Anverso: Antíoco IV laureado à direita
– Reverso: Júpiter à esquerda, segurando na mão direita a Vitória alada sobre um g|lobo, e na esquerda o cetro.
Legenda: ΒΑΣΙΛΕΩΣ ΑΝΤΙΟΧΟΥ ΘΕΟΥ ΕΠΙΦΑΝΟΥ ΝΙΚΗΦΟΡΟΥ

  • 2 Macabeus 6, 1-5
    • “1Depois de não muito tempo, o rei enviou um ancião, ateniense, com a missão de forçar os judeus a abandonarem as leis de seus pais, e a não se governarem mais segundo as leis de Deus. 2Mandou-o, além disso, profanar o Santuário de Jerusalém, dedicando-o a Júpiter Olímpico, e o monte Garizim, como o pediam os habitantes do lugar, a Júpiter Hospitaleiro. (…) 4O Templo ficou repleto da dissolução e das orgias cometidas pelos gentios que aí se divertiam com as meretrizes e que nos átrios sagrados se aproximavam das mulheres, introduzindo ainda no seu interior coisas que não eram lícitas. 5O próprio altar estava repleto de oferendas proibidas, reprovadas pelas leis”.
    • Dinastia dos Hasmoneus (140-37 a.C.)
      • Expansão romana no Oriente, colocou a República em contato com o Reino de Israel, cuja hegemonia passou a ser disputada com o Império Parta;
      • Disputa entre Hircano II e Aristóbulo II (67-63 a.C.), acaba com a tomada da Palestina por Pompeu;
      • 37-4 a.C.: Herodes Magno funda a Dinastia dos Herodianos.

 

  • Galileia
    • Região fértil, e celeiro de movimentos insurrecionais anti-romanos. Entretanto, possuia relativa autonomia durante os reinados de Herodes Magno e Herodes Antipas
    • Região menos urbanizada, e que possuia certa autonomia frente ao domínio romano, que governava diretamente as regiões da Judeia e da Samaria.
  • Palestina
    • A dominação romana e a submissão dos Herodianos favoreceram o desenvolvimento de insurreições, estimuladas pelas condições sociais e econômicas, além das expectativas e aspirações religiosas dos judeus.
  • Movimentos e grupos do judaismo palestino:
    • Saduceus: membros da aristocracia sacerdotal e leiga de Jerusalém; possuiam uma adesão à lei escrita da Torah e a rejeição ao messianismo; no plano político permaneciam abertos à colaboração com a dinastia herodiana e com os romanos, que permitiam-lhes conservar o controle sobre o Templo de Israel.
    • Essênios: sacerdotes e leigos “dissidentes”,  que contrastavam com a linha dos saduceus de Jerusalém. Viviam em organizações comunitárias às margens do mar Morto, empenhandos na observância da lei e à espera da libertação final.
    • Fariseus: buscavam a interpretação e observação da lei, baseadas em uma tradição oral que tendia a aplicar a Torah escrita às novas situações; organizados em grupos, reuniam-se para refeições  comuns de ‘puros’ e para estudar a lei, promovendo a interpretação e atualização das Escrituras.
    • Zelotas: grupo inspirado pelo zelo dos fariseus pela lei de Moisés, e que se empenhava numa ação militante pela independência de Israel. Baseavam-se em uma ideologia teocrática e nacionalista.
  • Judeus da Diáspora:
    • Século VIII a.C.: Primeira Diáspora Judaica pela Ásia Menor e Mediterrâneo Oriental;
      • Havia mais judeus fora da Palestina (Antioquia, Alexandria, Roma);
      • Vida cultual centrada na sinagoga;
      • Os judeus possuiam um estatuto jurídico especial no Direito Romano, recebendo uma série de privilégios e exceções.

O Cristianismo e o Helenismo

  • O movimento cristão
    • Surgido na Galileia, na década de 30.
      • Missão de Jesus: relacionada à salvação própria do Reino de Deus, que se realiza através dele.
      • Jesus inseriu sua mensagem nas promessas escatológicas dos profetas, em relação ao reino do Messias, e na vinda do Reino de Deus;
      • Ademais, o Reino de Deus está próximo e é iminente, é ativo e observável.
    • A proposta de Jesus não era de uma piedade pessoal, mas a unificação de todos como irmãos de uma família religiosa;
    • Não pregava a luta armada, nem a formação de uma “nova religião”
  • A comunidade primitiva
    • Os dois primeiros grupos nos quais a mensagem cristã se difundiu foram:
      • Judeus da Palestina, de cultura hebraica;
      • Judeus da Diáspora, de cultura helenizada.
    • A comunidade de Jerusalém caracterizava pela continuidade com práticas judaicas, reuniões comuns, divisão do pão e partilha de bens.
  • Perseguição aos Judeus Helenistas
    • Dispersão pela Judeia e Samaria, além do Medieterrâneo Oriental, onde pregaram para judeus da diáspora e ‘gentios’ (Atos 11,20)
    • Paulo de Tarso: perseguidor, e convertido.
    • Sinagoga: espaço privilegiado para o discurso evangelizador cristão, em especial do discurso paulino.
  • Paulo e a sua pregação
    • A dinâmica religiosa da sinagoga envolvia um momento de leitura da Torah que era seguida de uma discussão e meditação. Neste momento, é que observamos as colocações de Paulo perante os grupos das sinagogas, e sua anunciação do Messias.
    • Em Atos, observamos uma grande hostilidade dos judeus à pregação de Paulo, e a abertura do cristianismo aos gentios.
    • Durante cerca de um século, as autoridades romanas não distinguiram um grupo de outro.
    • A Expansão do Cristianismo.
    • Martírio de Estêvão – At. 7, 1-60.
    • Controvérsia de Antioquia e Concílio de Jerusalém– At. 15, 1-21
    • Missão de Paulo – At. 15, 36 – 28,31.

A Pax Romana

  • A paz relativa estabelecida por Otávio Augusto permitiu ao cristianismo um ambiente favorável à sua difusão pelo território imperial, uma vez que os evangelizadores circulavam livremente pelo território imperial – por terra e mar.
  • Grego koiné e latim eram as linguas oficiais para a cultura, a filosofia e as trocas comerciais.

Nero, “o primeiro perseguidor”

  • Primeiros relatos latinos sobre os cristãosPrimeiros relatos latinos sobre os cristãos
    • Suetônio
    • Suetônio. Vida de Claudio. 25,4: “(…) como os judeus se sublevassem continuamente por instigação de um certo Cresto, expulsou-os de Roma”.
    • Suetônio. Vida de Nero. 16,2: “(…) lançaram-se às feras os cristãos, gente dada a uma superstição nova e perigosa”.
    • Tácito – Anais. XV, 44
    • “(…) Assim Nero, para desviar as suspeitas, procurou achar culpados, e castigou com as penas mais horrorosas a certos homens que, já dantes odiados por seus crimes, o vulgo chamava cristãos. O autor deste nome foi cristo, que no governo de Tibério foi condenado ao último suplício pelo procurador Pôncio Pilatos. A sua perniciosa superstição, que até ali tinha estado reprimida, já tornava de novo a grassar não só por toda a Judeia, origem deste mal, mas até dentro de Roma, aonde todas as atrocidades do universo, e tudo quanto há de mais vergonhoso vem enfim acumular-se, e sempre acham acolhimento”.
    • Tácito – Anais. XV, 44
    • “Em primeiro lugar, se prenderam os que confessavam ser cristãos, e depois pelas denúncias destes uma multidão inumerável, os quais todos não tanto foram convencidos de haverem tido parte no incêndio como de serem inimigos do gênero humano. O suplício destes miseráveis foi ainda acompanhado de insultos, porque ou os cobriram com peles de animais ferozes para serem devorados pelos cães, ou foram crucificados, ou os queimaram de noite para servirem de archotes e tochas ao público. Nero ofereceu os seus jardins para este espetáculo, e ao mesmo tempo oferecia os jogos do Circo, confundido com o povo em trajes de cocheiro, ou guiando carros. Desta forma, ainda que culpados, e dignos dos últimos suplícios, mereceram a compaixão universal por se ver que não são imolados à utilidade pública, mas aos passatempos atrozes de um”.

Henryk Siemiradzki. As tochas de Nero – 1876
Museu Nacional. Cracóvia, Polônia

Henryk Siemiradzki. Dirce cristã – 1897. Museu Nacional. Cracóvia, Polônia.

 
1 comentário

Publicado por em 08/10/2012 em HISTÓRIA ANTIGA

 

Tags: , , ,

Descoberta em Jerusalém uma cisterna do período de Davi

Foi descoberto perto do Muro das Lamentações, um tanque de água bem grande, acredita-se que do período de Davi e Salomão.

De acordo com Eli Shukron, diretor da escavação, Autoridade das Antiguidades de Israel: “agora é absolutamente claro, como o consumo de água em Jerusalém durante o Primeiro Templo, não se baseou exclusivamente na saida da fonte de Giom , mas também em reservas de águas públicas

A descoberta foi anunciada, no “Centro de Pesquisa da Cidade de David”, em uma conferência realizada em Jerusalém.

Em escavações arqueológicas no Parque Arqueológico de Jerusalém, ao pé do Arco de Robinson, encontrou-se um grande reservatório de água, escavado na rocha, que datam do período do Primeiro Templo. O local da escavação é de responsabilidade da Autoridade das Antiguidades e é financiado pela Sociedade Elad, em cooperação com a Autoridade de Parques e Natureza.

A impressionante cisterna foi descoberta no dia 10 de setembro de 2012, e foi exibida juntamente com outros achados do ano passado, na conferência “Investigação da Cidade de David”, no dia 13, em Jerusalém.

A escavação revelou que o depósito é parte de uma escavação onde é totalmente exposto o canal de drenagem do Segundo Templo em Jerusalém, a rota continua para o norte ao longo da cidade, a partir da piscina de Siloé para o topo da cidade David, que vem sob o arco do Robinson. O percurso do canal está no centro do vale principal, que corre ao longo da antiga cidade de norte a sul, paralela ao Monte do Templo.

Descrevendo o Segundo Templo, em Jerusalém, Josefo refere-se ao Tiropeon chamado em grego “Vale”, e que foi chamado de “o vale dos queijeiros”. Outra interpretação identifica o vale Hhrotz Valley, mencionado no livro de Joel. Durante a escavação do canal, que exigiu uma grande empresa de engenharia, seus construtores tiveram que remover os antigos edifícios que foram localizados ao longo da rota do canal, e instalações de passagem que foram escavados na rocha localizada ao longo do caminho. Isso resultou na descoberta nas últimas semanas de um grande reservatório de água, que foi aplicado em várias camadas de gesso, provavelmente datando do período do Primeiro Templo.

O volume do reservatório é de 250 metros cúbicos, por isso este é um dos maiores reservatórios na época do Primeiro Templo, em Jerusalém, descoberto até agora, e parece que o reservatório de água foi usada publicamente.

De acordo com Eli Shukron, diretor da escavação: “Durante a escavação sob o dreno no chão, havia uma lacuna exposta à rocha original, o que nos levou para a enorme reserva, até onde sabemos esta é a primeira vez que um tanque de água foi exposto em uma escavação arqueológica, assim como pequenos tanques neste vale que indicam claramente que o consumo de água em Jerusalém durante o Primeiro Templo não foi baseada apenas ao lado da fonte Giom, mas ambém em fontes de água disponíveis, como já foi agora revelado. “

Segundo o Dr. Zvika Tzur, arqueólogo-chefe da Autoridade de Parques e Natureza de Israel e pesquisador de sistemas de água antigas, “o grande reservatório exposto, junto com dois tanques, é semelhante  e informa o tipo geral de gesso colorido, gesso amarelo que caracterizou o período do Primeiro Templo. Além disso, as marcas das mãos no acabamento de gesso são semelhantes aos aquíferos de Tel Beer Sheva, Arad Tel e Tel Beit Shemesh, também datado do período do Primeiro Templo. “Cliff disse:” Talvez o maior reservatório de água, muito perto do Monte do Templo foi usado para as atividades diárias e tenha servido aos peregrinos do templo, sendo utilizado para tomar banho e beber na região. “

O impressionante tanque de água abaixo do Arco de Robinson se junta a uma série de descobertas recentes nas escavações nesta área da cidade, indicando a existência de uma construção densa que cobre a área a oeste de Monte do Templo e a expansão que precedeu o Monte do Templo. Parece que com a expansão do complexo para o oeste e para a construção de edifícios públicos, e as ruas ao redor do Monte do Templo, no final do período do Segundo Templo, quando ele desmantelou as estruturas do período do Primeiro Templo, e tudo o que resta dele foi um número de instalações escavadas em rochas, incluindo o reservatório de água esculpida.

Segundo o Dr. Baruch Yuval, arqueólogo Distrital da Autoridade das Antiguidades de Israel: “Com a conclusão das escavações junto ao canal, as possibilidades de combinar o reservatório de água ao roteiro dos visitantes de Jerusalém, trará um sentido impressionante a História”.

Reportagem: Marcos Chile

Tradução: Leandra Ferreira

Fonte: http://www.cafetorah.com/node/440

 

Tags: , , ,

Curso de Extensão – Jerusalém

 
Deixe um comentário

Publicado por em 17/08/2012 em CURSOS & EVENTOS

 

Tags: , , , , , , , ,

A batalha por Jerusalém

Por Amarildo Silva

 

Diante do cerco iniciado a partir do dia 25 de maio de 70 d.C. a população de Jerusalém tinha nas facções a esperança da vitória contra as tropas do general Tito, desde a iniciativa em 66 d.C quando os revoltosos derrotaram a XIIª legião, João de Giscala, Eleazar e Simão bar Gioras preparavam o povo para o cerco ao mesmo tempo batalhavam entre si para assumir o poder total tanto na cidade de Jerusalém como na província rebelada.

A guerra da Judéia iniciada em 66 d.C tem como elemento de estopim a atitude de Floro de oprimir os judeus de Cesaréia e exigir-lhes tributos e de tomar do Templo uma quantia de dezessete talentos, a fim de empregá-los como dizia, para o serviço do imperador. Flávio Josefo relata a indignação do povo.

O povo revoltou-se imediatamente, correu ao Templo gritando e implorando, em nome de César, que o libertassem da tirania de Floro. Não houve imprecações que os mais exaltados não fizessem, nem palavras ofensivas de que não usassem contra o governador, alguns com uma caixa na mão pediam, por zombaria, uma esmola em seu nome, como o teriam feito para o mais pobre e o mais miserável de todos os homens. (JOSEFO: 1154)

A repressão de Floro foi seguida de massacres de anciãos, mulheres e crianças e a comunicação ao governador da Síria, Céstio, sobre a revolta do povo judeu. O temperamento do povo saturado pelo domínio estrangeiro conduziu a província a uma guerra aberta contra o império romano.

  

Conduzidos por João Giscala, Eleazar e Simão Bar Gioras o povo judeu armou-se derrotando assim a legião comandada pelo governador Céstio I e que era responsável pelos primeiros ataques a província da Judéia rebelada.

Como relata o historiador Flávio Josefo à morte do próprio governador, não foi pelas mãos dos rebelados, mas pela vergonha que provocou ao império.

  

A posição favorável da cidade dificultou os trabalhos de cerco do exército romano, ainda assim Josefo destacou a ferocidade do exército romano que após o inicio do cerco levou 15 dias para tomar o cinturão mais externo, ou seja, a 3ª Muralha terminada no inicio da revolta. Segundo o historiador francês Mireille Hadas-Lebel[1]: “Desde a primeira fase do cerco, que durou cerca de quinze dias e terminou com a tomada da muralha externa, Josefo tivera a confirmação daquilo que já sabia: um surto de loucura acometera os seus”.

 A conquista da cidade foi total, com o aprisionamento do único líder da revolta sobrevivente, Simão Bar Giora e o massacre dos civis, entregues a fúria dos soldados. O General Tito ainda conservou as torres construídas por Herodes para demonstrar o poderio militar romano e ordenou que a 10ª Legião acampasse na região para impedir o retorno dos judeus para cidade.

[1] Mireille Hadas-Lebel. Flavio Josefo – o Judeu de Roma p. 175 e 177.

 

Referências Bibliográficas:

 Josefo, Flávio. História dos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

Mireille Hadas-Lebel. Flavio Josefo – o Judeu de Roma. Rio de Janeiro: Imago, 1991.

 

 

Tags: ,

 
%d blogueiros gostam disto: