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Ptolomeu Keraunos, o príncipe deserdado

Ptolomeu, cognominado Keraunos (“o raio”, em grego), era filho mais velho de Ptolomeu I Sóter, fundador da dinastia macedônica que governou o Egito de 305 a.C. até a morte de Cleópatra VII em 30 a.C., com sua terceira esposa, Eurídice. A ele, em principio, estava destinada a sucessão do trono do Egito. Porém o caráter violento do jovem príncipe e a predileção do pai pelos filhos que teve com a esposa seguinte, Berenice I, levaram a uma mudança nos rumos da história.

Busto de Ptolomeu I, pai de Ptolomeu Keraunos, paramentado como faraó egípcio. Museu Britânico, Londres.

Busto de Ptolomeu I Sóter, pai de Ptolomeu Keraunos, paramentado como faraó egípcio. Museu Britânico, Londres.

Ptolomeu Keraunos foi deserdado e preterido em favor de Ptolomeu Filadelfo, seu irmão mais novo. Ao deixar Alexandria, o antigo herdeiro egípcio rumou para a Trácia [1], governada por Lisímaco, com quem sua irmã Arsínoe estava casada. Naquela corte Ptolomeu Keraunos participou com Arsínoe de uma intriga em 284 a.C. contra Agatocles, o primogênito de Lisímaco. O objetivo era conquistar a sucessão para seus sobrinhos.

Agatocles foi acusado de estar conspirando contra o pai para tomar o trono com o apoio do rei sírio Seleuco [2] e posteriormente condenado à morte.  Seleuco aproveitou o momento de confusão política e invadiu o país em 281 a.C. com a ajuda de Ptolomeu Keraunos. Lisímaco foi derrotado e morto e Seleuco proclamou-se rei da Trácia e também da Macedônia, que havia sido anexada alguns anos antes, em 285 a.C.

Porém o ambicioso Ptolomeu Keraunos não estava satisfeito: queria governar onde quer que fosse. Em 280 a.C. ele assassinou Seleuco e conseguiu tornar-se soberano da Macedônia. Tomou sua irmã Arsínoe como esposa e no dia do casamento mandou assassinar todos os filhos que ela tivera com Lisímaco com o intuito de formar uma nova dinastia.

Após um breve governo e uma vida cheia de intrigas e batalhas, Ptolomeu Keraunos encontrou seu fim de forma violenta quando foi executado em 279 a.C. pelos gauleses que destroçaram o exército da Macedônia e invadiram seu reino.

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[1] Região do sudeste da Europa banhada pelos mares Negro, Mármara e Egeu onde atualmente localizam-se parte da Grécia, Turquia e Bulgária. Fazia parte do Império de Alexandre, o Grande e após a morte deste em 332 a.C. foi legada a Lisímaco, um de seus generais.

[2] Oficial de Alexandre, o Grande que após a morte do jovem conquistador fundou o Império Selêucida, que cobria as terras do Mar Egeu até o Afeganistão, em 312 a.C. e inaugurou a dinastia de mesmo nome. Ficou conhecido com o cognome Nicator que significa “vencedor”.

 

Referências Bibliográficas:

PAUSÂNIAS. Descripción de Grecia, livro I. Madrid: Gredos, 1994.

SCHWENTZEL, Christian-Georges. Cleópatra. Porto Alegre: L&PM, 2009.

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Você Sabia? O aborto e os contraceptivos na Grécia antiga

Hipócrates o “pai da medicina” 460-377 a.C.

Hipócrates o “pai da medicina” 460-377 a.C.

Por pesquisadora Thassia Izabel

Na Grécia antiga não existia nenhuma lei contra o aborto, porém Hipócrates o “pai da medicina” era contra essa prática, a não ser que a saúde da mulher estivesse em risco. Hipócrates tinha ainda algumas recomendações de métodos contraceptivos, como afirmar Nikolaos Vrissimtzis:

“… recomendava que, se fosse necessário evitar a gravidez, as relações sexuais deveriam ocorrer nos dias inférteis do ciclo menstrual. Outro recurso era a relação sexual no período da menstruação.”

Utilizavam ainda para impedir a fecundação o coito interrompido, e como técnicas abortivas aplicavam até encantamentos mágicos, veneno e drogas como espermicidas, ferro sulfúreo e carbonato de chumbo. Nikolaos Vrissimtzis também aborda descrições de escritores sobre esse assunto:

“ Segundo Dioscórides (Matéria Médica), se uma mulher grávida pisasse sobre uma raiz de ciclâmen, abortaria. Ainda de acordo com o mesmo escritor, a raiz de aspárago, levada como amuleto, tornaria a pessoa  estéril(ibid.,151). Plínio diz que, se uma mulher grávida comesse ovo de corvo, provocaria o aborto( História Naturalis, X, 32).

Lydie Bodiou relata também algumas receitas abortivas realizadas na Grécia como: “Pegue uma pitada de grão leucoium, cinco ou seis bostas de cabras, misture em vinho de muito bom aroma. Então administre uma boa fumigação preparada com água e óleo e feita sobre um assento. Depois da fumigação dê a mistura para beber. Em seguida, lave a mulher e faça deitar; ela comerá couve e beberá o líquido liberado por seu cozimento.”

Os motivos que levavam as mulheres gregas a praticarem o aborto eram inúmeros, desde a estética, para se preservar o corpo a fatores econômicos, como não se ter muitos descentes para não precisar dividir o patrimônio, além de ser bastante realizado pelas prostitutas afim de não prejudicar o seu trabalho.

É interessante frisar que para Platão (República, 461) o feto não era um ser humano, e somente depois do nascimento que se tornava então um ser vivente, isso legitimava o aborto, e o tornava aceitável, já o infanticídio era condenado por lei e era considerado um ato criminoso.

Assim, as práticas abortivas e os contraceptivos na Grécia antiga, eram utilizados sem restrições apesar de não serem totalmente apoiadas pelos médicos, que normalmente incentivava tais práticas quando era necessário para manter a vida da mulher.

 

Referências Bibliográficas:

VRISSIMTZIS, Nikolaos. Amor, Sexo e Casamento na Grécia Antiga. Um Guia da Vida Privada dos Gregos Antigos. São Paulo:Odysseus, 2002.

BORDIOU, Lydie. O filho indesejado: o aborto na Grécia Antiga. História em Revista, Rio Grande do Sul, V. 8, Dezembro. 2002.

 

 

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Você Sabia? Sacrifício no mundo Grego

Por pesquisadora Thassia Izabel

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Existiam duas formas diferentes de sacrifício de animais na Grécia antiga, uma direcionada aos deuses que residiam o Olimpio, chamados de olimpianos e outra aos deuses que habitavam as cavidades da terra chamados de ctonianos e infernais. Sendo que o único deus que não recebia nenhum tipo de sacrifício era Hades, como é possível observar pela descrição do historiador Vernant¹ sobre esse deus:

“Existe, é claro, um deus do mundo subterrâneo, Hades, mas ele é precisamente o único a não ter nem templo nem culto.”

As oferendas aos deuses olímpicos aconteciam da seguinte forma: o sacrifício acontecia à luz do dia, e o animal que poderia ser um boi ou um porco, uma ovelha ou uma cabra, era levado em cortejo até um altar elevado, acompanhado pelo som de flautas e enfeitado com fitas e uma coroa, e então se levantava a cabeça da vítima sacrifical e cortavam a garganta afim de que o sangue jorrasse para o alto em direção aos deuses celestes. O animal era retalhado e se retirava os ossos e os cobriam de gordura e os queimavam em oferta aos deuses.

Além disso, existia uma hierarquia na divisão da carne, as primeiras partes eram distribuídas entre os magistrados, e o sacerdote que precedia o ritual recebia as partes nobres do animal como a língua e o couro. Depois de obedecer à ordem hierárquica a carne era dividia em partes iguais com todos os participantes. Ocorria então o festim ou banquete, que era o único momento em que os gregos comiam carne, era portando o sacrifício uma forma de interação com os deuses e também com os homens.

Mas se tratando dos sacrifícios cruentos destinados aos seres infernais ou aos heróis e aos mortos, tudo ocorria de uma forma diferente, era realizado a noite, não existia a comensalidade, a vítima era totalmente queimada, o altar era mais baixo com um orifício o que possibilitava que o sangue escorresse para a terra quando o animal fosse degolado. Não havia comunhão com o deus, e normalmente esse tipo de sacrifício era para afastar alguma força ou pacificar uma divindade.

Concluindo, era através do sacrifício que os gregos estabeleciam o contato com a divindade cultuada, e ainda criava uma comunhão social, porém isso em relação aos deuses olímpicos, pois os sacrifícios direcionados as divindades ditas como infernais não serviam para criar proximidade. Mas esses aspectos nos mostram as diversidades do culto grego e a importância do sacrifício.

 

Thassia Izabel é graduada e História e Pós-Graduanda em História Antiga e Medieval na UERJ.

 

REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

VERNANT, Jean-Pierre. Mito e Religião na Grécia Antiga. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009.

SISSA, Giulia; DETIENNE, Marcel. Os deuses gregos. In São Paulo: Círculo do Livro, 1990.

 

 

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Centauromaquia

Texto do leitor: Jarbas Leonel Porfírio de Moura

Os centauros aparecem em diversos mitos, mas talvez a citação mais famosa seja a CENTAUROMAQUIA TESSÁLICA – a mítica guerra entre centauros e lápitas, descrita por Públio Ovídio Nasão em Metamorphoses, XII, 210-445: “Piríthous, rei dos Lápitas, ao casar-se com Hipodâmia, convidou os Centauros para a festa, já que eram aparentados. Durante os festejos, o abuso do vinho atiçou a natureza selvagem dos Centauros e eles tentaram tomar as mulheres dos Lápitas, deitando-se com elas à força; consta que um deles – Êurito – tentou violentar até mesmo a própria noiva. Isso provocou uma violenta luta entre os Centauros e Lápitas, comandados por Piríthous e pelo ateniense Teseu, que estava presente na qualidade de grande amigo do noivo. A luta continuou até que todos os Centauros foram expulsos da festa… mas seguiu-se, então, uma verdadeira guerra entre eles, que provocou a morte da maioria dos centauros e os poucos sobreviventes fugiram da Tessália”.

Foram representados como seres com torso e cabeça humanos em um corpo de cavalo, que viviam em cavernas nas florestas dos montes Pélion e Ossa. Aos seus pés, fica a Bacia da Tessália, banhada por vários rios que descem das montanhas e se juntam sob o nome de Peneios (Heródoto VII, 128-130). Inventores da equitação e com grande conhecimento de botânica, medicina, astrologia e arte divinatória, foram educadores de muitos heróis gregos, entre eles Esculápio, Nestor, Meléagro, Teseu, Hipólito, Heráclito, Ulisses, Castor e Pólux, Jasão e Aquiles. Encontramo-los nos cortejos de Dioniso e quase sempre estão associados a episódios de barbárie e numerosos delitos. A centauromaquia é freqüentemente interpretada como metáfora do conflito entre os baixos instintos e o comportamento civilizado. E foi dessa forma que passaram para a posteridade: um povo rude, dado a bebedeiras que expõem ainda mais seus impulsos agressivos e sua sexualidade desenfreada.

Segundo a mitologia, os Centauros são descendentes de Íxion e Néfele. As néfelas são ninfas das nuvens de chuva, que bailam no topo dos montes como belas jovens de vestes ondulantes. Íxion é filho do turbulento deus-rio Peneios, que tem poderes de transformação (Hino Homérico 21). Sem dúvida, uma referência às águas torrenciais e aos bosques em que viviam. Outro mito conta que Íxion desposou Dio, mas tramou não pagar o dote de casamento a Dioneus; preparou um poço cheio de carvão em brasa onde empurrou o sogro. Uma provável alusão à cremação ritual dos mortos, que transparece nos cemitérios neolíticos de Soufli e da Caverna Franchthi, na Tessália, em que há traços de fogo na maioria dos corpos e inúmeros vasos com ossos carbonizados e cinzas. Com Dio, Ixion deve Piríthous, que se tornou rei dos Lápitas (de Lapithai, “usuário de pedras de fogo”). Desta forma, Centauros e Lápitas têm uma ancestralidade comum, podendo ser chamados de “parentes”.

A arqueologia mostra que a região da Tessália foi ocupada, no Neolítico, por um povo indo-europeu originário da região eurasiana do Danúbio. É provável que sejam os Pelasgos(em grego Πελασγοί, ‘Pelasgoí’, de etimologia incerta) que aparecem nos poemas de Homero como habitantes de Larissa e de Argos, perto do Monte Ótris, no sul da Tessália. Lugar, aliás, de origem de Hipodâmia. Falavam uma língua não-grega (HeródotoI, 56-58 e 171) e, com Homero, tornam-se sinônimo de “época imemorial”. É possível , portanto, que os Centauros (do grego Κένταυροι, “matador de touros”) sejam esse primitivo povo guerreiro, de origem pré-helênica, que os sítios arqueológicos de Dimini, Sesklo e Nea Nicomedia revelam ser uma civilização agropastoril, exímios na equitação, organizada em torno de uma família dirigente ou de um chefe de aldeia (Vermeule, 1972),  onde os homens cuidavam dos rebanhos enquanto as mulheres se encarregavam da agricultura. Essa divisão remete à crença de que a fecundidade feminina influencia a fertilidade das plantas e dos rebanhos, e que a divindade soberana é a Grande Mãe – comum na Europa neolítica. É possível, portanto, que, como eles, entendessem o chefe como a hipóstase do deus tribal, que unia-se ritualmente à Deusa-Mãe, que representava a terra. Alguns mitos colocam que os Centauros são originados de Centaurus (filho de Íxion e Néfele) com as Éguas da Magnésia. Dio, uma das esposas de Íxion, era da Magnésia. Muito provavelmente as filhas de chefes tribais daquela região, vizinha à Tessália, representassem a Deusa-Égua que transmitia a soberania da terra e selava um antigo acordo de parceria.

O “período obscuro” grego (1100 e 700 a.C.), segundo a historiografia recente, parece se caracterizar, entre outras coisas, por uma transferência do poder para o grupo militar, que normalmente se organizavam nas planícies. Nesse período, a Tessália torna-se, à semelhança dos dórios, uma sociedade marcada pela divisão entre uma classe guerreira, formada por uma aristocracia turbulenta que assume o domínio dos meios de produção, e uma classe agrária. O casamento com Hipodâmia, uma princesa do sul, parece estabelecer novos acordos que, talvez, justifiquem a presença de Teseu, o rei ateniense, naquele evento. Nesse caso, a Centauromaquia pode significar ou um veemente repúdio à quebra do acordo tradicional com a Magnésia, ou uma disputa entre classes ou famílias da mesma tribo pela Soberania da Terra, casando-se com a nova Deusa-Egua (Хиподамея/Hipodâmia – nobre senhora [dos] cavalos – pode ser mais um título que um nome). O novo acordo com as potências do sul, estabelecidas entre Piríthous e Teseu, deu aos Lápitas as condições militares para vencerem essa guerra e destruírem os oponentes.

No século V a.C., Péricles, no afã de celebrar a orgulhosa riqueza material e cultural de Atenas, nação mercantil com uma grande rede de colônias e postos comerciais, constrói o Pathernon como um monumento à auto-confiança e à razão. Um verdadeiro “Arco do Triunfo” ateniense, com noventa e duas metópes exaltando seus feitos bélicos: a Gigantomaquia (luta contra os Gigantes, onde Atenas foi a primeira a se colocar ao lado de Zeus); a Amazonomaquia (batalha contra as Amazonas); o saque de Tróia e a Centauromaquia. Mas, ao fazê-lo, também contempla com eternidade a misteriosa memória de Troianos, Amazonas, Gigantes e Centauros, que passaram a povoar o inconsciente ocidental. E assim, os amantes da velocidade, viris, sábios, apaixonados, incompreendidos, companheiros, belicosos e impulsivos Centauros atravessaram os séculos e chegaram até nós, praticamente intactos. J.K.Rowling, em seus romances da saga Harry Potter, informa que “eles estão presentes em muitas partes e as autoridades bruxas lhes destinaram áreas para viver sem serem incomodados pelos trouxas. Mas eles não têm grande necessidade de proteção bruxa, pois contam com recursos próprios para se esconder dos humanos”.

Hoje, encontramo-los disfarçados de “vaqueiros de todos os ventos, montados no relâmpago e no trovão”, atravessando a caatinga nos poemas do alagoano José Inácio Vieira de Melo, em Infância do Centauro (Escritura Editora, 2007); nos 28 rapazes paulistas da Comitiva Centauros, que se uniram em torno da amizade, do gosto country e nos projetos sociais; nos oficiais do Esquadrão Centauro, do 10º COMGAR, da Força Aérea Brasileira, em alusão à constelação de Sagitário – que envolve o Cruzeiro do Sul (símbolo do amor à pátria) –, e ao gaúcho, o “Centauro dos Pampas”; no grupo Centauros, que reúne 126 motociclistas pela amizade e companheirismo. Hollywood deu-lhes voz como legendários cowboys americanos em Centauros do Deserto, de 1956, com John Wayne, mostrando a obstinação de um homem e um jovem vagando a cavalo, durante anos, em busca da sobrinha raptada por indígenas. E, mas recentemente, em O Segredo de Brokeback Mountain: história de dois vaqueiros das montanhas, vivendo a sensualidade, o companherismo e a paixão incontrolada. Talvez esse seja o verdadeiro carater desses fabulosos vaqueiros neolíticos: o amor, a sexualidade, a amizade, a obstinação e a impulsividade como poderosas forças da natureza humana, que muito ainda têm a ensinar aos racionais, arrogantes, sedentários e materialistas homens ocidentais.

BIBLIOGRAFIA

  • HACQUARD, Georges – Dicionário de Mitologia Grega e Romana, Edições ASA.
  • DOWDEN, K. – Os Usos da Mitologia Grega. Trad. C.K. Moreira. Campinas: Papirus, 1994.
  • JAGUARIBE, H. – Um Estudo Crítico da História. Trad. S. Bath. São Paulo: Paz e Terra, 2001.
  • LAWRENCE, A.W. – Arquitetura Grega. Trad. M.L. Moreira de Alba. São Paulo: Cosac & Naify, 1998.
  • VERMEULE, E. – Greece in the Bronze Age. London: University of Chicago Press, 1972.
  • CASTRO, Paulo Pereira de – Apontamentos de História Antiga – O Período Obscuro.
  • PUGLIESI, Marcio – Mitologia Greco-Romana
  • BRANDÃO, Junito – Dicionário Mítico-Etimológico
  • ABRIL CULTURAL – Dicionário de Mitologia Grego-Romana, Ed. Abril, 1971

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Publicado por em 19/09/2012 em HISTÓRIA ANTIGA

 

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II Simpósio Antigos: “Afastados ou Próximos?”

No último sábado de julho, dia 28, terminou no Centro Cultural Jerusalém o II Simpósio de História Antiga do Centro de Pesquisas da Antiguidade (CPA/RJ). Antigos: “Afastados ou Próximos”.

O Simpósio tinha como objetivo, refletir sobre a História Antiga na mídia, e os três sábados que sucederam o evento foram um sucesso. Os palestrantes Professores: Elaine Herrera, Leandro Silvio, Maurício Santos, Márcio Sant’Anna, Márcio Felipe e Diogo Silva estão de parabéns, todas as comunicações foram muito claras, e bastante elogiadas pelos ouvintes.

O Centro de Pesquisas da Antiguidade agradece a todos os participantes, e em especial aos palestrantes convidados Professores Márcio Felipe e Diogo Silva pela disposição em aceitar o convite para fechar o último dia do Simpósio, que corou com êxito nossa atividade.

Após o II Simpósio ainda todos puderam participar da degustação de alimentos da antiguidade. Um cardápio utilizado pelos gregos, romanos, celtas, persas e israelitas. Onde além de saborear uma culinária diferente, todos também tiveram a oportunidade de se conhecerem melhor, e de trocarem conhecimento de forma descontraída.

Ao final, a pergunta freqüente era: já tem previsão para outro simpósio?

Imagens de todos os dias do II Simpósio você encontra em: http://www.facebook.com/?ref=tn_tnmn#!/cpantiguidade.rio

 
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Publicado por em 31/07/2012 em HISTÓRIA ANTIGA

 

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Os donos do mundo

Por Leandro Silvio Martins

Ao estudar as mitologias existentes, é averiguado que nelas sempre está reservado um lugar especial para aquele que cria. O criador é o deus que geralmente além de criar a si mesmo, molda o universo. Seres poderosos e misteriosos, os deuses criadores chegam a ser figuras sombrias. Os chineses e os gregos, como afirmam PHILIP WILKINSON & NEIL PHILIP produziram diversas estátuas de seus deuses, mas poucas de divindades como a grega Eurínome e o chinês Pan Gu. O trabalho destas divindades é misterioso demais e difícil demais para ser representado.

PHILIP WILKINSON & NEIL PHILIP afirmam que Eurínome é um dos mitos gregos mais antigos sobre a criação. Tendo sobrevivido apenas parcialmente, este mito refere-se a deusa de todas as coisas. Eurinome significa a “eterna caminhante”. Ela criou o universo e deu vida a antiga raça dos titãs, que representam o poder primitivo do cosmo.

J.F. Bierlein, coloca o mito como uma constante entre os seres humanos de todos os tempos, tendo em seus padrões narrativos representados na forma que a sociedade vive. Por isso existem os contos onde os deuses são “substituídos” por divindades que se adéqüem aos que os líderes e principais representantes da sociedade querem para aquela sociedade. Os mitos tornam-se parte da estrutura da nossa mente inconsciente, sendo a “cola” que mantém a coerência da sociedade, sendo a base comum para as comunidades e nações. Sendo também o padrão de crenças que dá significado a vida. E devido a esta capacidade do mito, é que surge a importância dos criadores. Os “donos” do mundo.

Pan Gu e Eurinome podem não ter sido representados da mesma forma que outras várias divindades devido ao seu caráter misterioso. Porém isso não ocorre com as altas divindades de personalidades mais marcantes, como Zeus ou Odin. Divindades como estas são mais aceitas por seus cultores, pois se assemelham aos seus reis e rainhas e possuem papel mais relevante nas questões humanas.

Estes altos deuses possuem estas características marcantes devido ao antropomorfismo, que como explica J.F Bierlein, é a projeção de características ou qualidades humanas na divindade. “Fazer um deus segundo a imagem do homem”. O sol não era meramente o corpo celeste, mas um deus com uma história de vida de aparência humana.

 Em diversos mitos o casamento do “pai” céu e da “mãe” terra produz a vida. Em geral, esses deuses personificam forças poderosas que afetam diretamente o mundo. O trovão de Zeus ou mesmo o sol em relação aos egípcios Rá e Áton. Estas divindades superiores, os donos do mundo, geralmente são os regentes de cortes celestiais. Os líderes de seus respectivos panteões. PHILIP WILKINSON & NEIL PHILIP lembram que ao longo da história a ligação entre o rei mortal de uma localidade e o regente celestial era mútua. Assim para ampliar seu poder, os reis mortais retratavam-se como deuses, ou homens que, esperavam se juntar aos imortais após a morte, como os faraós egípcios ou os imperadores chineses.

Referências Bibliográficas:

BIERLEIN, J.F..Mitos paralelos, tradução Pedro Ribeiro, Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.

WILKINSON, PHILIP. Guia ilustrado zahar: mitologia/ Philip Wilkinson & Neil Philip; tradução Áurea Akemi; revisão técnica Miriam Sutter.- 2º edição – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.,2010.

 
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Publicado por em 23/02/2012 em POLÍTICA

 

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Deuses e homens

Por pesquisador Leandro Silvio

Uma das características da religião grega é a transformação das forças do além e da natureza a forma delineada de um ser humano, uma figura individual plenamente humana. VERNANT (1990) Explica que as grandes divindades do panteão grego são “deuses pessoais”, implicando em elos que as unem dos cultos estabelecidos na forma de relações pessoais. A vida religiosa do grego antigo aparece integrada a vida social e política. VERNANT (1990) explica essa condição da sociedade grega antiga, exemplificando que existe menos diferença entre o sacerdócio e a magistratura do que equivalência, onde o sacerdócio é uma magistratura, e toda magistratura comporta um aspecto religioso. Não existe descontinuidade dos deuses até a cidade, da religiosidade até as virtudes cívicas. Os mitos mostram de forma educativa as condutas que as pessoas devem ter, a crença nos deuses alicerçada nestes mitos representa idéias do homem grego antigo montando um quadro social e cultural .

 Os mitos nos mostram que os deuses em suas aventuras estavam em todos os lugares do universo e na vida dos homens. Os deuses eram as forças poderosas e temíveis que deviam ser acalmadas ou satisfeitas com preces e oferendas. Os homens deveriam agradar aos deuses. VERNANT (1990) apresenta o mito hesiódico das raças, onde os deuses criaram os homens, e que cinco raças diferentes se sucederam a segunda destas raças, a raça de prata, (inferior a raça de ouro, a primeira geração de homens, em uma época anterior a Zeus, uma época dominada por Cronos e que simbolizava o ideal da felicidade.) tinham um orgulho gigantesco e eram teimosos demais, recusando-se a venerar os deuses, o que fez Zeus exterminar a todos, que se tornaram os bem- aventurados dos infernos. Neste mesmo mito, segundo Hesíodo, Zeus demonstra ser uma força temível quando envia um dilúvio para exterminar os sobreviventes da terceira raça, a raça de bronze, onde os homens só pensavam em lutar entre si, e acabaram se matando uns aos outros.

 Cada deus tinha sua função determinada, e para atrair sua bondade deviam ser realizadas preces a estes, geralmente acompanhadas de uma oferenda. O livro história ilustrada Grécia antiga, organizado por Paul Cartledge (2009) revela que os mortais expressavam respeito aos deuses por meio de rituais realizados geralmente em festivais que honravam um deus. Atos sagrados, mais que convicções piedosas, eram a raiz da religião grega. E o calendário determinava o ritmo da vida. Também é lembrado que comprometer-se perante os deuses através de um juramento era procedimento padrão para aqueles que chegavam a um tribunal ou passavam a ocupar uma função pública. É revelada no livro história ilustrada Grécia antiga, organizado por Paul Cartledge (2009) que Demóstenes relata que, antes de começar seu ano de serviço, um jurado ateniense precisava jurar “Por Zeus, Poseidon e Demeter, e invocar a destruição sobre si e sobre sua casa, se de algum modo transgredisse esse juramento, porém rezaria para que, se mantivesse o juramento, lhe acontecessem boas coisas.”

Sacrifícios aos deuses eram realizados para atrair a boa vontade dos deuses, e o altar comumente era ao ar livre, destinado a receber o fogo que queimava a gordura dos animais sacrificados, e a fumaça subia em direção aos deuses. Em Roma, por exemplo, um cavalo era normalmente sacrificado para Marte. Mas VERNANT (1990) lembra que não devemos incorrer no engano em relação a individualidade do deus e de seu antropomorfismo. Os deuses são invisíveis, não tem corpo, a figuração do deus em forma humana não modifica este dado.

A força divina se traduz como uma força cósmica, social e humana não dissociadas. Para um grego, Zeus representa o raio, associado ao céu, representa a soberania do poder sobre outrem, representa a chuva, a luz… E estes fenômenos estão ordenados como aspectos de uma mesma força. A representação do deus de maneira antropomórfica é um símbolo cultual. O corpo de uma pessoa reflete a expressão de certas forças dos deuses, como a beleza, a graça, a juventude, a saúde e a vida por exemplo. Além de outros aspectos, como a ira e o amor, representados pela função de alguma divindade.

O grego antigo então busca, o tanto quanto possível, identificar-se com o divino. Sobre o mito em si, BIERLEIN (2003) faz afirmações que de maneira geral exemplificam a relação dos deuses e dos homens. Segundo BIERLEN(2003), o mito é uma constante na sociedade humana em todos os tempos. O mito é a herança compartilhada de memórias ancestrais e estruturam-se na mente inconsciente, preenchendo o vazio entre as imagens do inconsciente e a linguagem lógica consciente, sendo a coerência que identifica as comunidades, tribos e nações.

A crença nos deuses para o grego antigo, seus ritos e seu pensamento em relação a divindade é o padrão de crenças que dá significado a vida, capacitando indivíduos e sociedades a se adaptarem aos respectivos ambientes com dignidade e valor. O antropomorfismo, fazer deus a imagem do homem, era a maneira encontrada pelo homem de se fazer a imagem de deus.

Referências Bibliográficas:

BIERLEIN, J.F. Mitos paralelos/ J.F. Bierlein;tradução de Pedro Ribeiro.- Rio de Janeiro : Ediouro,2003.

CARTLEDGE Paul, organizador; História ilustrada Grécia antiga/ Paul Cartledge, organizador, tradução Laura Alves e Auréliop Rebello – 2 Ed –São Paulo: Ediouro, 2009.(Coleção história ilustrada.)

VERNANT, Jean- Pierre, Mito e pensamento entre os gregos,trad. Haiganuch Sarian, 2º edição, paz e terra,Rio de Janeiro,1990.

WILKINSON & PHILIP,1955, guia Zahar:mitologia/ WILKINSON & PHILIP,segunda edição ,Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed, 2010

 

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