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Diário de Bordo! Parte Final

Tudo que é bom, dura pouco, já diz o ditado popular e amanheceu nosso último dia em Israel. Ideia: aproveitar cada minuto.

Assim saímos rapidamente para concluir nosso roteiro, acordamos cedo, tomamos nosso café árabe e seguimos para visitar o Domo da Rocha. A fila era grande, sem custo, mas com revista, nossos pertences passam por um Raio X e somos revistados, para segurança tudo bem.

Caminhar pela plataforma construída por Herodes, onde era o antigo Templo de Jerusalém, já é o máximo, ver a beleza da arte islâmica nas paredes da Cúpula Dourada é ainda mais incrível.

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É impressionante como é grande lá em cima, vimos crianças estudando, homens, mulheres todos em círculos sentados ouvindo o que acredito serem mestres. Seguramente um lugar muito bonito, um chão cheio das pisadas do tempo e marcado por diferentes religiões.

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Saímos e já caímos dentro das muralhas da Cidade Antiga, suas ruas estreita e repleta de lojas de objetos de prata, tecidos, perfumes, e muitos locais para saborear a comida local.

Estar em Jerusalém é estar num mundo à parte, a presença marcante da religião está em tudo, nas roupas, no semblante das pessoas, e nos sons da cidade.

O clima é bem seco, o que dificulta um pouco a respiração. A diferença entre os povos que lá residem salta aos olhos a todo o momento, são muitos interesses que divergem numa tentativa constante de sobrevivência.

Visitar a terra de minhas pesquisas faz toda a diferença, já que todos os detalhes são importantes. Infelizmente só tínhamos metade do dia, por conta da volta. Então pegamos um taxi de Jerusalém para Tel Aviv rumo ao aeroporto, nosso vôo estava marcado para as 14:45. Chegamos cedo a tempo para o almoço, uma passada rápida num fast food kasher, e entramos novamente num túnel do tempo para voltar à realidade. Afinal estar em Israel é mergulhar no passado e quanto à guerra, posso dizer: eu fui!

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Diário de bordo! 3º Dia em Israel

Lembrando que o diário de bordo é o relato de uma viagem a Israel, feita por uma de nossas pesquisadoras, Elaine. Hoje segue o terceiro dia de viagem!

 Dia 16 de novembro de 2012

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8hs – Depois do café árabe é hora de encontrar com o guia para conhecer a Cidade Velha, marcamos no Portão de Herodes, aí sim me dei conta do que estava acontecendo era realmente sério, a rua estava cheia de soldados israelenses, fortemente armados e proibindo o acesso ao Portão de Herodes, tentamos pegar um táxi, mas o Bairro Árabe foi fechado, e o jeito foi caminhar até o Portão de Jaffa para encontrar o guia, que estava tenso com o conflito, inclusive neste dia sua família teve que ir para casa de amigos, para se proteger.

Portão de Jaffa

Portão de Jaffa

Igreja Santo Sepulcro

Igreja Santo Sepulcro

 9hs – Enfim conseguimos entrar na Cidade Velha pelo Bairro Cristão, visitamos a Via Dolorosa, a Igreja do Santo Sepulcro, escavações do Tanque de Betesda, isso já no bairro árabe dentro da muralha, meus livros não paravam de se transformar em realidade, a cada passo novas descobertas, fomos à cidade de Davi, Parque Arqueológico Davidson, e o guia tinha nos preparado uma surpresa, uma caminhada por túneis subterrâneos por baixo da Cidade Velha, foram 550 metros de túneis, entrando pela piscina de Siloé e saindo no Muro das Lamentações.

Tanque de Betesda

Tanque de Betesda

Tanque de Siloé

Tanque de Siloé

Muro das Lamentações

Muro das Lamentações

 Embaixo podemos ver como o trabalho da arqueologia é árduo e como tem avançado rápido em Israel, o guia comentou que cada vez que ele passa por ali, o caminho está maior, foi uma surpresa e tanto que ficará registrado para sempre, nunca tinha tido a oportunidade de passar por túneis tão extensos, e com tanta representação para minha pesquisa, além de verificar o abastecimento de água no período de Ezequias, ainda vimos o muro por dentro com suas pedras originais e uma que ficou ao caminho, com toneladas e acreditam ter despencado no período da destruição do templo em 70 d.C.

Muro das Lamentações visto por dentro da plataforma

Muro das Lamentações visto por dentro da plataforma

Mas o dia não parou, percorremos no Bairro Judeu o que seria a Cidade Alta no período de Jesus, arqueologia já encontrou o que chamam de mansão, ruínas de uma casa que possui as características da Cidade Alta.

Bairro Judeu

Bairro Judeu

 O guia convidou-nos para a cerimônia que inicia o shabat, realizada no Muro das Lamentações no cair da tarde, mas antes de continuar nossa maratona, parada para o almoço. Comida kasher, experimentei o falafel e depois prosseguimos, fomos visitar o Jardim do Túmulo. Isso por volta das 15h, ao chegar fomos recepcionados por um dos guias, um brasileiro que faz a visita guiada no Garden Tomb, um local tranquilo, repleto de jardins, onde se vê o Monte Calvário e o túmulo vazio, depois de tanta correria e soldados por toda a cidade, encontramos ali um espaço que nos ajudou a restabelecer as forças, para ir caminhando até o hotel.

Jardim do Túmulo

Jardim do Túmulo

Túmulo vazio

Túmulo vazio

 Por conta do tempo que passamos no jardim, nem fomos para a cerimônia no Muro das Lamentações, mas foi muito interessante conhecer um pouco da História deste brasileiro que é guia num local tão visitado. E também o guia tinha comentado que no dia do descanso judaico, algumas pessoas aproveitam a cerimônia do início do Shabat, no Muro das Lamentações para jogar pedras da plataforma do antigo Templo judaico, hoje a Mesquita, sobre os judeus rezando.

 Já no hotel, resolvemos nem sair para jantar por conta da segurança, jantamos no hotel mesmo. Mas devo confessar que a comida era difícil, mas só em estarmos num lugar que não era alvo do Hamas, já estava valendo.

Diário de bordo continua na segunda-feira!

 

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Assentamento egípcio na antiga cidade de Jaffa

Arqueólogos da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz (JGU) e da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) descobriram em recentes escavações em Jope, (Tel Aviv) evidências que apontam para a presença de uma população egípcia na cidade milenar.

No antigo sítio arqueológico de Jaffa, em Israel, foram encontrados os restos de um portal que possivelmente fazia parte de uma fortificação egípcia do período da dinastia de Ramsés II (1279-1213 AC), outras descobertas sem divulgação, já haviam sido realizadas durante escavações lideradas pelo ex-arqueólogo municipal Y. Kaplan em 1950.

Porém agora com parceria das Universidades de Mainz e Los Angeles, da Autoridade de Antiguidades de Israel e da Companhia de Desenvolvimento da Antiga Jaffa, o Projeto do Patrimônio Cultural de Jaffa pode dar prosseguimento a novas escavações, como também, a publicação dos resultados das escavações mais antigas, e das futuras.

Buscando compreender a história da colonização do segundo milênio AC, as camadas destruídas da antiga cidade e o propósito da presença egípcia. Segundo o diretor Dr. Martin Peilstöcker de JGU o portal foi destruído e reconstruído pelo menos quatro vezes.  E além da tradição egípcia da arquitetura da lama e barro, foi encontrado também um amuleto com a inscrição do faraó egípcio Amenhotep III (1390-1353 AC), que comprova a presença egípcia na cidade antiga de Jaffa.

Existe ainda a intenção dos achados arqueológicos serem expostos ao público no próximo ano (2013) na Alemanha.

 
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Publicado por em 05/11/2012 em ARQUEOLOGIA, HISTÓRIA ANTIGA

 

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A essência da Cabala

Por pesquisadora convidada Thassia Izabel Ferreira Magalhães[i]

A Cabala ou Kabbalah são ensinamentos que fazem parte do misticismo judaico, e como todo misticismo a Cabala busca uma verdade espiritual e uma união com o divino, sendo assim ela é uma sabedoria espiritual que ensina as leis espirituais que governam a vida. E uma vez que para os cabalistas a Torah está codificada, os ensinamentos da Cabala eram e são utilizados até hoje para interpretar esses códigos e compreender o sentido espiritual dos textos sagrados.

A palavra Cabala vem do hebraico e significa literalmente receber, pois entendia-se  que os ensinamentos da cabala deveriam ser transmitidos de um mestre para um aluno escolhido, porque esses ensinamentos eram impossíveis de ser compreendidos sem orientação. Era necessário que o aprendiz tivesse a partir de 40 anos para poder aprender esse conhecimento, pois acreditava-se que nem todas as pessoas estavam preparadas para receber essa sabedoria.

A origem da Cabala tem sido freqüentemente apontada na idade média, no entanto ela não tem uma história com parâmetros definidos. Acreditasse que ela é de um período muito anterior a idade média, e segundo Eliphas Levi[1], a origem dessa sabedoria remete aos caldeus, e que os judeus durante o cativeiro babilônico tiveram contato e adaptaram as suas escrituras. Os cabalistas atribuem esse conhecimento a uma tradição oral que foi passada de Enoque para Abraão e depois esse transmitiu para seus filhos e netos, e que Moisés recebeu esse ensinamento da parte de Deus e transmitiu a alguns discípulos para que o conhecimento não fosse perdido.

A Cabala então combinou os fundamentos do judaísmo com diversos elementos de diferentes crenças, filosofias e ocultismo, como: a doutrina Hindu da metempsicose[2], o sistema caldaico de astrologia, a angiologia e demologia dos babilônicos e persas, as características do culto sincretizado de Serapis-Isis [3]do Egito helenizado e os cálculos numerológicos. E estruturou seu sistema teológico com base na doutrina neoplatônica das emanações[4], na seita Sufi maometana [5]e no ascetismo [6]da igreja medieval.

A Cabala esta dividida em duas correntes, a cabala teórica e a cabala prática. Na cabala teórica encontramos as tradições patriarcais sobre os mistérios da criação e da Divindade.  Existem três livros principais da Cabala que contém essas tradições, o Sefer Ietzirah (Livro da Criação), O Bahir (Brilho) e o Zohar (Esplendor). O Sefer Ietzirah é atribuído ao patriarca Abrão, e nele estão as Dez Sefirot (Esferas Místicas de Deus), que é a Árvore da Vida, um diagrama cabalístico quem contém os dez princípios que geraram a existência. Já a cabala prática é a parte mágica da Cabala, sua origem é apontada na idade média, e através dela se estuda a semântica do alfabeto hebraico, atribuindo as letras hebraicas valores numéricos, para que se pudessem ativar as forças criadoras do alfabeto, pois para os cabalistas Deus havia criado o mundo através das vinte duas letras hebraicas, e com isso era possível a operação de milagres.

AS 10 SEFIROT (Esferas místicas de Deus)- Árvore da Vida- Diagrama cabalístico dos dez princípios básicos que geraram a Existência.

Assim concluímos que a Cabala não é uma religião e sim um conjunto de conhecimentos tradicionais que foram transmitidos através da tradição oral e que durante um longo tempo foi uma sabedoria restrita a um determinado grupo, e a partir do século XX se popularizou e tem sido estudado por pessoas de diversos seguimentos.

[1] Eliphas Levi é o pseudônimo de Alphonse Louis Constant, foi um escritor e ocultista francês.

[2]  Metempsicose teoria que admite a transmigração da alma de um corpo para outro.

[3] Serapis-Isis o culto a essa divindade foi introduzido em Alexandria, por volta do século IV a.C. com o propósito de reunir em um sincretismo as tradições religiosas egípcias e helênicas. Serapis identificava-se com Osíris, o marido de Isis.

[4] Doutrina neoplatônica das emanações é a doutrina que diz que tudo quanto existe derivou-se da Realidade ou Ser supremo.

[5] Seita Sufi maometana é uma seita mística muçulmana, de práticas ascéticas e tendências panteístas, que se difundiu desde os primeiros séculos do Islã.

[6] Ascetismo prática da abstenção de prazeres e até do conforto material, adotada com o fim de alcançar a perfeição moral e espiritual.

[i] Graduada em História pela Universidade Estácio de Sá

 

Referências Bibliográficas:

AUSUBEL, Nathan. Coleção Judaica vol. 5 – Conhecimento Judaico I. São Paulo: Editora Sêfer, 2009. p.101-106

BLECH, Rabino Benjamin. O mais completo guia sobre Judaísmo. São Paulo: Editora Sêfer, 2004. p. 123-137

COOPER, David. A cabala e a prática do misticismo Judaico. 1 ed.Rio de Janeiro : Editora Campus, 2006. p. 9-11

KENTON, Warren Astrologia Cabalística- anatomia do destino. São Paulo: Editora Pensamento, 1982. p. 29-38

LEVI, Eliphas. As origens da Cabala. 12ª Ed. São Paulo: Editora Pensamento, 2007. p. 1-10

Lorenz, Francisco Valdomiro. Cabala- A Tradição Esotérica Do Ocidente. 1 ed. São Paulo: Editora Pensamento, 2011. p. 11-17

 

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Você Sabia? Casamento romano

Por pesquisadora Elaine Herrera

Paquius Proculus e a sua esposa. Fresco de Pompeia, século I, atualmente exposto no Museo di Capodimonte

Que o casamento na Roma Antiga era para a procriação, o casal não se unia porque se gostavam, nem para ter prazer amoroso e sim para produzir um herdeiro legítimo. O casamento romano também servia para a manutenção do culto familiar, porque a partir do momento que a moça deixava a casa de seus pais para unir-se ao seu marido, estabelecia-se a garantia de que mais uma pessoa estaria cumprindo o ritual diário ao deus reverenciado pela aquela família.

Outra motivação para o casamento era o aspecto econômico, porque toda noiva levava um dote para a nova família. Que resultaria numa transferência de patrimônio, daí a importância de se produzir um herdeiro legítimo rápido, pois se o chefe da família morresse, teria que ter um sucessor, ou seja, esse herdeiro ainda deveria ser homem, não adiantava ter filhas, porque elas não poderiam administrar a família e muito menos o patrimônio.

A esposa podia ser repudiada caso ela não produzisse herdeiros homens. Por outro lado se num relacionamento fora do casamento o homem engravidasse outra mulher, este filho não seria legítimo porque legítimos seriam somente aqueles concebidos pela mulher que passou pelo ritual do casamento.

Mesmo que no casamento legal, o amor ou o erotismo, praticamente não existisse isso não significava que as pessoas que se casavam se odiavam, apenas, seus objetivos eram outros.

Amor, práticas eróticas e sedução, tudo isto estava fora do casamento. Como dizia Galeno[1] um médico importante na antiguidade: “Para uma mulher engravidar no casamento ela deveria se mexer o mínimo possível, a posição dela dentro do casamento na hora de uma prática amorosa era a mais passiva possível, porque se ela se mexesse muito, ela não engravidaria”.

Emoções e prazer o homem procurava com outras mulheres, isso legitimava ao homem ter quantas mulheres lhe fosse necessário. Já que o casamento servia para outros propósitos.

[1] Galeno (129 – 210 d.C)  era médico e filósofo  em Roma, nascido em Pérgamo.

Referências Bibliográficas:

DUBY, Georges (orgs.) História da Vida Privada. Tradução Maria Lúcia Machado Vol I. São Paulo: Companhia das Letras, 2009

 FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo: Editora Contexto, 2003.

LE ROUX, Patrick. Império Romano. Porto Alegre: L&PM, 2009.

REBOLLO, Regina Andrés. O legado hipocrático e sua fortuna no período greco-romano: de Cós a Galeno.Scientiæ zudia, São Paulo, v. 4,n. 1, p. 45-82, 2006. Disponível em: <http://www.scientiaestudia.org.br/

SUETÔNIO. A vida dos doze Césares. 4ª Ed. São Paulo: Ediouro, 2002. 

 

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Perseguições aos Cristãos no Império Romano – Parte 3

Curso ministrado pelo Prof. Diogo Pereira da Silva, doutorando em História Comparada/UFRJ, no Centro Cultural Jerusalém.

As perseguições no século I

O surgimento do movimento  Cristão

O contexto judaico do século I

Morte de Alexandre Magno (336-323 a.C.)

  • Palestina dominada pelos Reinos Helenísticos, sendo o mais notável o Reino dos Selêucidas;
  1. 175-164 a.C.: Antíoco IV, Epifânio
    1. Helenização
    2. Proibição de práticas judaicas: observância do shabbat, interdições alimentares, e circuncisão;
    3. Tentativa de instalação de uma estátua de Zeus no templo de Jerusalém.

Datação: 170-164 a.C. Tetradracma – Anverso: Antíoco IV laureado à direita
– Reverso: Júpiter à esquerda, segurando na mão direita a Vitória alada sobre um g|lobo, e na esquerda o cetro.
Legenda: ΒΑΣΙΛΕΩΣ ΑΝΤΙΟΧΟΥ ΘΕΟΥ ΕΠΙΦΑΝΟΥ ΝΙΚΗΦΟΡΟΥ

  • 2 Macabeus 6, 1-5
    • “1Depois de não muito tempo, o rei enviou um ancião, ateniense, com a missão de forçar os judeus a abandonarem as leis de seus pais, e a não se governarem mais segundo as leis de Deus. 2Mandou-o, além disso, profanar o Santuário de Jerusalém, dedicando-o a Júpiter Olímpico, e o monte Garizim, como o pediam os habitantes do lugar, a Júpiter Hospitaleiro. (…) 4O Templo ficou repleto da dissolução e das orgias cometidas pelos gentios que aí se divertiam com as meretrizes e que nos átrios sagrados se aproximavam das mulheres, introduzindo ainda no seu interior coisas que não eram lícitas. 5O próprio altar estava repleto de oferendas proibidas, reprovadas pelas leis”.
    • Dinastia dos Hasmoneus (140-37 a.C.)
      • Expansão romana no Oriente, colocou a República em contato com o Reino de Israel, cuja hegemonia passou a ser disputada com o Império Parta;
      • Disputa entre Hircano II e Aristóbulo II (67-63 a.C.), acaba com a tomada da Palestina por Pompeu;
      • 37-4 a.C.: Herodes Magno funda a Dinastia dos Herodianos.

 

  • Galileia
    • Região fértil, e celeiro de movimentos insurrecionais anti-romanos. Entretanto, possuia relativa autonomia durante os reinados de Herodes Magno e Herodes Antipas
    • Região menos urbanizada, e que possuia certa autonomia frente ao domínio romano, que governava diretamente as regiões da Judeia e da Samaria.
  • Palestina
    • A dominação romana e a submissão dos Herodianos favoreceram o desenvolvimento de insurreições, estimuladas pelas condições sociais e econômicas, além das expectativas e aspirações religiosas dos judeus.
  • Movimentos e grupos do judaismo palestino:
    • Saduceus: membros da aristocracia sacerdotal e leiga de Jerusalém; possuiam uma adesão à lei escrita da Torah e a rejeição ao messianismo; no plano político permaneciam abertos à colaboração com a dinastia herodiana e com os romanos, que permitiam-lhes conservar o controle sobre o Templo de Israel.
    • Essênios: sacerdotes e leigos “dissidentes”,  que contrastavam com a linha dos saduceus de Jerusalém. Viviam em organizações comunitárias às margens do mar Morto, empenhandos na observância da lei e à espera da libertação final.
    • Fariseus: buscavam a interpretação e observação da lei, baseadas em uma tradição oral que tendia a aplicar a Torah escrita às novas situações; organizados em grupos, reuniam-se para refeições  comuns de ‘puros’ e para estudar a lei, promovendo a interpretação e atualização das Escrituras.
    • Zelotas: grupo inspirado pelo zelo dos fariseus pela lei de Moisés, e que se empenhava numa ação militante pela independência de Israel. Baseavam-se em uma ideologia teocrática e nacionalista.
  • Judeus da Diáspora:
    • Século VIII a.C.: Primeira Diáspora Judaica pela Ásia Menor e Mediterrâneo Oriental;
      • Havia mais judeus fora da Palestina (Antioquia, Alexandria, Roma);
      • Vida cultual centrada na sinagoga;
      • Os judeus possuiam um estatuto jurídico especial no Direito Romano, recebendo uma série de privilégios e exceções.

O Cristianismo e o Helenismo

  • O movimento cristão
    • Surgido na Galileia, na década de 30.
      • Missão de Jesus: relacionada à salvação própria do Reino de Deus, que se realiza através dele.
      • Jesus inseriu sua mensagem nas promessas escatológicas dos profetas, em relação ao reino do Messias, e na vinda do Reino de Deus;
      • Ademais, o Reino de Deus está próximo e é iminente, é ativo e observável.
    • A proposta de Jesus não era de uma piedade pessoal, mas a unificação de todos como irmãos de uma família religiosa;
    • Não pregava a luta armada, nem a formação de uma “nova religião”
  • A comunidade primitiva
    • Os dois primeiros grupos nos quais a mensagem cristã se difundiu foram:
      • Judeus da Palestina, de cultura hebraica;
      • Judeus da Diáspora, de cultura helenizada.
    • A comunidade de Jerusalém caracterizava pela continuidade com práticas judaicas, reuniões comuns, divisão do pão e partilha de bens.
  • Perseguição aos Judeus Helenistas
    • Dispersão pela Judeia e Samaria, além do Medieterrâneo Oriental, onde pregaram para judeus da diáspora e ‘gentios’ (Atos 11,20)
    • Paulo de Tarso: perseguidor, e convertido.
    • Sinagoga: espaço privilegiado para o discurso evangelizador cristão, em especial do discurso paulino.
  • Paulo e a sua pregação
    • A dinâmica religiosa da sinagoga envolvia um momento de leitura da Torah que era seguida de uma discussão e meditação. Neste momento, é que observamos as colocações de Paulo perante os grupos das sinagogas, e sua anunciação do Messias.
    • Em Atos, observamos uma grande hostilidade dos judeus à pregação de Paulo, e a abertura do cristianismo aos gentios.
    • Durante cerca de um século, as autoridades romanas não distinguiram um grupo de outro.
    • A Expansão do Cristianismo.
    • Martírio de Estêvão – At. 7, 1-60.
    • Controvérsia de Antioquia e Concílio de Jerusalém– At. 15, 1-21
    • Missão de Paulo – At. 15, 36 – 28,31.

A Pax Romana

  • A paz relativa estabelecida por Otávio Augusto permitiu ao cristianismo um ambiente favorável à sua difusão pelo território imperial, uma vez que os evangelizadores circulavam livremente pelo território imperial – por terra e mar.
  • Grego koiné e latim eram as linguas oficiais para a cultura, a filosofia e as trocas comerciais.

Nero, “o primeiro perseguidor”

  • Primeiros relatos latinos sobre os cristãosPrimeiros relatos latinos sobre os cristãos
    • Suetônio
    • Suetônio. Vida de Claudio. 25,4: “(…) como os judeus se sublevassem continuamente por instigação de um certo Cresto, expulsou-os de Roma”.
    • Suetônio. Vida de Nero. 16,2: “(…) lançaram-se às feras os cristãos, gente dada a uma superstição nova e perigosa”.
    • Tácito – Anais. XV, 44
    • “(…) Assim Nero, para desviar as suspeitas, procurou achar culpados, e castigou com as penas mais horrorosas a certos homens que, já dantes odiados por seus crimes, o vulgo chamava cristãos. O autor deste nome foi cristo, que no governo de Tibério foi condenado ao último suplício pelo procurador Pôncio Pilatos. A sua perniciosa superstição, que até ali tinha estado reprimida, já tornava de novo a grassar não só por toda a Judeia, origem deste mal, mas até dentro de Roma, aonde todas as atrocidades do universo, e tudo quanto há de mais vergonhoso vem enfim acumular-se, e sempre acham acolhimento”.
    • Tácito – Anais. XV, 44
    • “Em primeiro lugar, se prenderam os que confessavam ser cristãos, e depois pelas denúncias destes uma multidão inumerável, os quais todos não tanto foram convencidos de haverem tido parte no incêndio como de serem inimigos do gênero humano. O suplício destes miseráveis foi ainda acompanhado de insultos, porque ou os cobriram com peles de animais ferozes para serem devorados pelos cães, ou foram crucificados, ou os queimaram de noite para servirem de archotes e tochas ao público. Nero ofereceu os seus jardins para este espetáculo, e ao mesmo tempo oferecia os jogos do Circo, confundido com o povo em trajes de cocheiro, ou guiando carros. Desta forma, ainda que culpados, e dignos dos últimos suplícios, mereceram a compaixão universal por se ver que não são imolados à utilidade pública, mas aos passatempos atrozes de um”.

Henryk Siemiradzki. As tochas de Nero – 1876
Museu Nacional. Cracóvia, Polônia

Henryk Siemiradzki. Dirce cristã – 1897. Museu Nacional. Cracóvia, Polônia.

 
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Publicado por em 08/10/2012 em HISTÓRIA ANTIGA

 

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Dica de viagem!

 

Entrada do Castelo

 

Na Idade Média, muitas das fortificações construídas pelos muçulmanos foram adaptadas e ampliadas pelos cristãos, por toda a Europa, no período das Cruzadas. Um desses exemplos é o Castelo de São Jorge.

Segundo a EGEAC[1]: “A fortificação, construída pelos muçulmanos em meados do século XI, era o último reduto de defesa para as elites que viviam na cidadela: o alcaide mouro, cujo palácio ficava nas proximidades, e as elites da administração da cidade, cujas casas são ainda hoje visíveis no Núcleo Arqueológico”.

 

Vista lateral do Castelo

 

Com a conquista de Lisboa, em 25 de outubro de 1.147, por D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, o Castelo começou a servir para acolher o Rei, a corte, o Bispo e instalar o arquivo real numa das torres do Castelo.

O Castelo servia também para que a monarquia portuguesa recebesse monarcas estrangeiros, assim como pessoas ilustres de toda parte. A partir do século XVI o Castelo adquiriu um perfil militar. Obras em 1938-40 redescobriram o Castelo e os vestígios do antigo paço real, que ficou destruído com o terremoto que atingiu Lisboa em 1755.

Vista do Rio Tejo/Lisboa

“Já no final do século XX, as investigações arqueológicas promovidas em várias zonas contribuíram, de forma singular, para constatar o inestimável valor histórico que fundamentou a classificação do Castelo de S. Jorge como Monumento Nacional por Decreto Régio.” (EGEAC)

Dentre as diversas áreas de arquitetura medieval do Castelo, destaca-se dentro de um conjunto de estruturas habitacionais, um compartimento, do século VII a.C. onde se identificaram sobre uma área de fogo objetos como: panelas, potes, taças e ânforas que indicam ali a existência de uma cozinha da antiguidade.

Vista de Lisboa

O Castelo de São Jorge em Portugal, hoje é um espaço de memória que serve as artes e a cultura, através de uma programação diversificada, como: festivais, exposições, circuitos temáticos, teatro e música.

Com um Núcleo Museológico, e um Núcleo Arqueológico o Castelo é um local onde se pode aprender muito sobre a cultura islâmica e lisboeta.

O Castelo pode ser visitado das 9h às 21h o bilhete normal custa 7,50 euros.

Muralhas do Castelo de Jorge

 


[1] A EGEAC é a empresa municipal da cidade de Lisboa responsável pela Gestão de Equipamentos e Animação Cultural.

 
 

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