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Arquivo da tag: Antiguidade Americana

Indiana Jones… Que nada, arqueólogo brasileiro

“O esforço do arqueólogo traz consigo, além do suor, a possibilidade de apoderar-se da história real indo em busca do cansaço e da exploração”

Pedro P. A. Funari[1]

No imaginário humano de muitas pessoas, habitam seres capazes de decifrar mistérios e enigmas. Essas criaturas possuem sua indumentária própria, e acredita-se que observem muito, que falem pouco e tenham hábitos excêntricos. E prefiram estar em lugares inóspitos, cercados por todos os tipos de perigos; desde insetos venenosos até os mais sinistros monstros criados pelo medo, claro que esses seletos seres são vistos ao final, como numa visão hollywoodiana; em meio a muita fumaça, saindo de uma caverna subterrânea, eis que surge a figura corajosa do desbravador, carregada de descobertas valiosas do passado. Mas será essa a vida do arqueólogo?

As áreas escolhidas pelos arqueólogos brasileiros em geral são na arqueologia histórica e na pré-histórica, e seus campos de atuação podem ser o acadêmico, trabalhando diretamente na produção do conhecimento, em museus e instituições culturais na educação patrimonial, o arqueólogo pode ainda trabalhar também em consultoria, como na arqueologia de contrato. (FUNARI, 2012, p. 112).

O trabalho do arqueólogo é sem dúvida complexo, pois as metodologias devem ser utilizadas conforme as diversas características, que variam também de acordo com a cultura local e contemporânea. Por exemplo, dependendo do lugar, os desenterramentos de corpos, ou mesmo transitar em cemitérios passa, a ser uma atividade impossível.

As etapas do trabalho arqueológico, que consiste em antes do campo com todo o planejamento, no campo com a escavação e levantamento de todo o contexto arqueológico e pós-campo com a identificação, armazenamento e publicação de informações, deve ser sistemático e de acordo com as condições apresentadas. Visto que quando o arqueólogo é contratado por uma empresa, dentro de uma arqueologia de contrato, tempo é um fator determinante. Além do cuidado, para não acabar vinculado aos interesses do seu contratante.

Quanto à educação patrimonial há ainda um vasto campo de atuação a ser preenchido por arqueólogos, nas instituições que regularizam o patrimônio e mesmo em museus. Há um grande número de museus brasileiros, mas que trate da temática arqueológica esse número ainda é bastante reduzido. Espera-se que haja fomento nestas áreas, pois há no Brasil um grande potencial de material arqueológico a ser exposto, pesquisado e publicado. Ou seja, há sem dúvida, muito trabalho para os futuros arqueólogos.

Essa profissão não regulamentada, com poucos cursos de mestrado, doutorado e especialização, oferecidos em nosso país, faz do arqueólogo um profissional desbravador. Com empresas de arqueologia, ou prestando serviços nelas, o arqueólogo é um profissional que viaja e trabalha conforme as condições apresentadas.

Mesmo que o arqueólogo decida a permanecer nas universidades, o número reduzido de cursos limitam suas possibilidades de ministrar aulas. E a aproximação com a cultura material também tem seus obstáculos, pois dependem de uma infinidade de avaliações deste profissional.

Concluindo, diante de tantas dificuldades, que passam pelo imprescindível diálogo com outras ciências, pela necessária regulamentação que fixem as condições não apenas do arqueólogo, mas do trabalho em si.  Isto é, o auxilio de uma legislação voltada para arqueologia. Com tudo isto, percebemos que o arqueólogo é sim, um profissional aventureiro, pois mesmo em meio a todo tipo de circunstância, ele emerge das areias do tempo, coberto muitas vezes de lama, mas gratificado sempre pelo seu achado arqueológico.

Imagem 1- Museu Navio Franco de Godoy - Mogi-Guaçu/SP. Imagem 2 – Sítio Escola (Arqueologia) Franco de Godoy – Mogi-Guaçu/SP. Dois lugares reservados para o aprendizado da Arqueologia. Fonte: Acervo pessoal

Imagem 1- Museu Navio Franco de Godoy – Mogi-Guaçu/SP.
Imagem 2 – Sítio Escola (Arqueologia) Franco de Godoy – Mogi-Guaçu/SP.
Dois lugares reservados para o aprendizado da Arqueologia.
Fonte: Acervo pessoal

Referências Bibliográficas

CHILDE, G. V. Para uma recuperação do passado: a interpretação dos dados arqueológicos. São Paulo: DIFEL, Difusão Editorial, 1969.

DREWETT, P. Field Archaeology. An Introduction. London: UCL Press, 1999.

FLORENZANO, T. G. Imagens de Satélite Para Estudos Ambientais. São Paulo: Oficina de Textos, 2002.

FUNARI, Pedro Paulo. A Arqueologia. 3.Ed.  São Paulo: Contexto, 2012.

MCINTOSH, J. Guía práctica de arqueología. Madrid: Hermann Blume, 1987.

MOBERG, C-A. Introdução à Arqueologia. Lisboa: Edições 70, 1981.

TRIGGER, B. G. História do Pensamento Arqueológico. Trad. Ordep Trindade Serra. São Paulo: Odysseus Editora, 2004.


[1] FUNARI, Pedro Paulo. 2012, p. 56.

 

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Agenda Cultural

Concurso público para museólogo

A Prefeitura de São Carlos (SP) lança concurso para o preenchimento de cadastro reserva para o cargo de museólogo, as inscrições devem ser realizadas via internet pelo site www.vunesp.com.br, até dia 3 de maio às 16h.

História através da música

Professores de história e de música contam a história do Brasil por meio de interpretações de músicas e personagens históricos.

O evento vai até 19 de maio sempre as quartas e quintas, às 19h. No Centro Cultural da Justiça Federal. Av. Rio Branco, 241, Centro, Rio de Janeiro (RJ).

Informações: www.historiaatravesdamusica.wordpress.com

Fonte: Ibram – Boletim eletrônico Nº 350-ano VIII – 29/04/2011 a 5/05/2011

 

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Agenda Cultural

Para os interessados na antiguidade americana acontece em São Paulo a

Exposição: “Os maias: civilização e cultura na América Pré-Colombiana”

O objetivo da exposição é resgatar a cultura dos povos que viveram no continente antes da chegada dos europeus. Os objetos apresentados são réplicas de originais que se encontram em diversos museus e coleções de arte maia.

A exposição vai de 15 de março a 15 de setembro, de terça a sábado, das 9h às 17h. Entrada franca; no Museu Histórico e Pedagógico Dom Pedro I e Dona Leopoldina, Rua Marechal Deodoro, 260, Pindamonhangaba (SP)

Fonte: www.museus.gov.br

 Seleção de profissional de museologia

O Instituto de Professores Públicos e Particulares (IPPP) seleciona profissional em museologia para atuar na Casa de Oswaldo Cruz (COC,) no Museu da Vida. É necessário ter graduação ou pós-graduação em museologia, com experiência mínima de três anos

O envio de currículos deverá ser feito até 25 de março para o e-mail srhcoc@coc.fiocruz.br

A Fundação Ema Klabin oferece o curso:

Fachada Fundação Ema Klabin

Da antiga Pérsia ao Irã dos Aiatolás
O curso dá um panorama geral sobre a história do país e o caráter do Irã moderno e, neste contexto, sublinhar a presença e a grande importância das artes e da poesia no cotidiano do povo iraniano.
Nos dias 16, 23 e 30 de março (quartas-feiras), das 18h às 20h.
A Fundação Ema Klabin localiza-se à Rua Portugal 43, Jardim Europa –

São Paulo (SP)

Mais Informações: (11) 2307-0767 2339-0767 e http://www.projetocultura.com.br

 Fonte: Boletim eletrônico Nº 344 – ano VIII – 11 a 18/03/2011

 

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Imagética do Império Inca – Parte II

 

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Imagética do Império Inca – Parte I

Amanhã segue segunda parte da Imagética do Império Inca. Por pesquisador Amarildo Salvador.

 

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Historiografia Inca

 Por pesquisador Amarildo Salvador

A palavra império designa toda uma realidade relacionada ao tempo e ao espaço interferindo na sociedade em vários aspectos como o territorial a cultura e a religião. O Império Inca fora formado pela aglutinação de várias civilizações, uma rede complexa de cidades que tinham como centro gravitacional o templo e o sacerdote como a figura principal.

As pesquisas mais recentes sugerem a ocupação no continente americano aproximadamente há 40000 anos a.C. com novas rotas de emigração não se limitando a Teoria do estreito de Bering abrangendo outras possibilidades como a travessia do oceano Índico por barcos pequenos, mas de grande resistência e capacidade para grandes viagens.

A historiografia dividiu o tempo cronológico americano diferenciado do restante do globo como se fosse possível estudar a história do homem americano separado do contexto geral, porém para entendermos a história dos incas devemos mergulhar na divisão histórica dividida pela historiografia.

deus Jaguar Chavin

O primeiro período foi denominado Horizonte Antigo compreendido entre 1400 a 400 a.C. com a supremacia da cultura Chavin de Huantar em que foi desenvolvido o culto religioso em torno do deus com Cetro (Jaguar), onde o poder dos sacerdotes se destacava, o período seguinte está delimitado entre 400 a.C. a 550 d.C. com a denominação de 1°Período Intermediário nessa época desenvolveu duas culturas que foram marcantes no continente americano restando até os dias de hoje a sua passagem pelo continente as Linhas de Nasca no deserto aproximadamente no ano de 370 a.C.

Linhas de Nasca

 Ainda nesse período as cerâmicas desenvolvidas pela cultura Mochica no ano 100 a.C. ganharam destaque com uma realidade estética observada nas esculturas tanto da Grécia como da Roma Antiga. Desenvolvendo as margens do lago Titicaca a mais de 3000 metros altitude acima do nível do mar, a cultura Tiahuanaco perdurou por mais de 500 anos no extremo sul, e paralelamente ao norte desenvolveu a cultura Huari, o desaparecimento dessas cidades alavancou o desenvolvimento das outras cidades-estados que se espelharam no modelo desenvolvido nesse período compreendido entre 550 a 900 d.C., denominado Horizonte Médio.

Porta do Sol

Entre os anos 900 a 1476 desenvolveu duas civilizações imperialistas uma no litoral Chimu desenvolvida na costa do Pacífico e com a capital Chan-Chan uma cidade com estimativas populacionais acima de 80 mil habitantes um desenvolvimento não alcançado nas grandes capitais européias do período um império hidráulico que teria o seu expansionismo chocado com o imperialismo Inca projetado nos Andes que desenvolveu sob o reinado de Pachacuti “aquele que fez a terra tremer” nono soberano inca.

Chan-Chan

Cerâmica Huari

O império Inca anexou povos e tecnologias e perdurou aproximadamente 200 anos edificou centenas de cidades, irrigou e tronou férteis terrenos que outrora eram áridos e sem chances de sobrevivência, o fim trágico tem seu inicio com a guerra civil e a chegada dos espanhóis, entre as edificações desta civilização Macchu Pichu tornou-se sinônimo da grandiosa sociedade Inca.

Cerâmica Mochica

Podemos concluir que a historiografia caminha para uma conscientização da população da Americana, reconhecem as raízes tanto nativas como européias formadoras da sociedade atual a sistematização do conhecimento através da divisão histórica que incluiu o estudo das civilizações pré-colombianas paralelo ao estudo das civilizações da Antiguidade Clássica delegando a esses povos a mesma importância.

Machu Picchu

Referências Bibliográficas:

  • Acosta, José de. História Natural y Moral de lãs Índias. Madri: Ed. José Alcina Franch. 1987
  • Favre, Henri. A civilização Inca. Rio de Janeiro: Editor Jorge Zahar, 2004
  • Freire, Pedro Ribeiro O soldado Pedro de Cieza de León e o Império Incaico. Rio de Janeiro Ed. UERJ, 2000.
  • Ribeiro, Darcy – As Américas e a civilização. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1988.

Amarildo Salvador é graduado em História pelo Centro Universitário Augusto Motta, e membro do Centro de Pesquisas da Antiguidade.

 

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Religiosidade no Império Inca

Por pesquisador Amarildo Salvador

Os grandes impérios da antiguidade tiveram suas lideranças políticas e militares estruturadas na religião que ligava os deuses aos seus representantes na Terra, ou então a própria manifestação divina governando a humanidade. O grandioso Império Inca não fugia a essa regra básica e o poder dos Incas estava estruturado na crença que o Inca era filho de Inti companheiro de Viracocha “espuma do mar” criador do mundo e dos homens.

O Templo do Sol, ou Corkancha, "templo dourado”, originalmente Inti, em Cuzco, no Peru, é uma obra da arquitetura Inca. Foi destruído pelos conquistadores espanhóis, que sobre ele erigiram uma igreja.

No Império Inca os ritos locais eram respeitados e possuíam autonomia em relação ao poder central, no entanto respeitava Vila Oma o principal sacerdote da sociedade Inca e a sua origem provinha dos incas. O elemento agregador do Tawantisuyo[1] era a adoção dos deuses dos povos conquistados ao panteão divino dos Incas, mas havia uma hierarquia entre os templos e os seus respectivos deuses na serra prevaleciam o culto ao deus Viracocha e nas planícies costeiras ao deus Pachacámac (Pacha mundo, Cámac criador).

Detalhe da porta do Sol em Tiahuanaco,representação de Viracocha as margens do Titicaca

Segundo o historiador Pedro Freire Ribeiro[2] o soldado cronista espanhol Pedro de Cieza de León lamentava-se pelas ações dos soldados espanhóis em destruir os avanços técnicos dos incas antes de os conhecerem por completo, mas com a missão de cristianizar os “bárbaros” tinha uma posição repulsiva em relação aos cultos em todas as esferas desde as cerimônias de sepultamento, sacrifícios e oráculos que os sacerdotes eram responsáveis pela divulgação para o restante da população o poder central era justificado nas grandes colheitas que beneficiavam todos os habitantes do Império era feito uma procissão anual que os tributos eram localizados em Cuzco[3] e apresentado a todo povo.

Festa do Inti (Sol), ancestral divino dos governantes incas. Culto preservado pelos peruanos

Os ritos pagãos sobreviveram aos conquistadores espanhóis e a três séculos de intervenção do cristianismo, hoje as raízes da sociedade inca são revividas pelos habitantes do antigo império uma tentativa de resgate do esplendor incaico. Utilizando a História do povo, para reconstituir a dignidade e assim sobreviver aos avanços dos conquistadores da atualidade.

[1] Denominação ao Império dos quatros cantos.

 [2] Pedro Freire Ribeiro Historiador e autor do livro “O soldado Pedro de Cieza de Léon e o Império Incaico.

[3] Cuzco “umbigo do mundo” capital do Império Inca

Bibliografia:

Acosta, José de, História Natural y Moral de lãs Índias, Ed. José Alcina Franch, Madrid, História 1987

Favre, Henri. A civilização Inca. Editor Jorge Zahar, 2004

Freire, Pedro Ribeiro O soldado Pedro de Cieza de León e o Império Incaico Ed. UERJ Rio de Janeiro 2000

Amarildo Salvador é graduado em História pelo Centro Universitário Augusto Motta e membro do Centro de Pesquisas da Antiguidade.

 

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