RSS

Arquivo da categoria: RELIGIÃO & MITOLOGIA

Você sabia…

Que todos os faraós durante os três mil anos da história do Egito antigo eram coroados na cidade de Mênfis porque lá havia ocorrido a coroação do primeiro deles, Menés (ou Narmer), o rei que unificou o Alto e o Baixo Egito e foi o primeiro a governar sobre os dois territórios.

Coroação do faraó Ramsés II pelos deuses Seth e Hórus. Detalhe de relevo do templo de Abu Simbel, Egito.

Coroação do faraó Ramsés II pelos deuses Seth e Hórus. Detalhe de relevo do templo de Abu Simbel, Egito.

Mênfis ficava no Baixo Egito próximo de onde está atualmente situada a capital Cairo e teria sido construída a mando de Menés, tornando-se a primeira capital do novo Estado unificado. Seu nome inicialmente era Ineb-hedy (“O muro branco”, devido a muralha que rodeava a cidade), porém posteriormente passou a ser conhecida como Men-nefer (“Estável e bela”).

Lá ocorria, sempre que um novo faraó chegava ao trono, a cerimônia chamada “União das Duas Terras” que durava cinco dias. No último deles o novo soberano recebia as tradicionais insígnias que representavam sua nova função: a dupla coroa (pschent), o flagelo (nekhakha) e o cajado (hekat). Em seguida o faraó recém coroado deveria realizar um sacrifício no templo do deus Ptah, patrono de Mênfis e arquiteto do Universo de acordo com o mito de criação daquela cidade.

 

Referências bibliográficas:

KEMP, Barry J. El antiguo Egipto. Anatomía de una civilización. Barcelona: Crítica, 1992. 

MELLA, Federico A. Arborio. O Egito dos faraós: história, civilização, cultura. São Paulo: Hemus, 1998.

TRAUNECKER, Claude. Os deuses do Egito. Brasília: UNB, 1995.

 

 

Tags: , , , ,

Jesus Cristo: Um fato histórico no Principado de Roma

Por pesquisador convidado Juraci Junior da Silva[1]

Durante o Principado de Roma – 30 a.C.–192 E.C, podemos ver uma época onde um império crescia em poder, e muito, tanto quanto a crença e culto de seu povo aos seus diversos deuses, trazidos por gregos, egípcios, sírios, dentre outros povos, devido à grande movimentação causada por comerciantes, escravos e imigrantes.

Os jogos foram transformados em celebração religiosa cujo imperador era o sumo sacerdote da religião do Estado. Suas Vestais, meninas que tinham entre 6 e 10 anos de idades, eram entregues ao templo de Vesta, para servirem-na, durante aproximadamente 30 anos, a fim de beneficiarem o império com sua benção caso permanecessem virgens. Cada qual com seu deus, seu rito, sua magia, feitiçaria, encantamento, ideologia ou filosofia; assim era permitido viver, contanto que sua fidelidade ao imperador e a Roma fosse constante. Até mesmo entre os filósofos, praticantes de astrologia, e ateístas confessos da época, como Nero e Calígula, era possível ver claramente práticas como essas, os quais, apesar de proibirem, eram os primeiros a praticarem. Imperadores, alguns, tinham cada um a sua própria moral e isso era visto também entre o povo, os quais praticavam atos sexuais juntos a altares em templos romanos.

Mas eis que em meio a tanta libertinagem, e em meio a tantos deuses que faziam parte do panteão grego e romano e que se misturavam em um sincretismo ‘sem fim’, em meio também a alguns deuses do sol, como Mitras, surge da Judéia, dos adoradores de YHWH, uns poucos judeus romanos, que veem uma verdadeira Luz, o verdadeiro Verbo [¹], segundo o evangelho de João, não somente para suas almas, como para seus espíritos, Jesus, autodenominado não somente Filho de YWHW, mas também Filho do homem e Messias, dando-lhes, por meio de atos e palavras, um sentido significativo para suas vidas e sua fé, não como imagens adornadas pelas mãos dos artífices, tal e qual os que os cercavam e era motivo de riso por poetas gregos, mas encarnado e ressurreto.

Encarnado e ressurreto por alguns motivos, tais como o fato deles não poderem tirar seu corpo do túmulo, pois sofreriam com isso uma cruel punição por parte do governo romano; pela sua aparição a dezenas de pessoas, que segundo o apóstolo Paulo, ainda estariam vivas quando a epístola aos Coríntios foi escrita; também pelo fato da igreja primitiva não ter sido refutada pelo clero judaico da época e nem por historiadores contemporâneos quanto não somente à sua morte e ressurreição, mas também por não demonstrar que o corpo foi roubado ou que ele não teria morrido, mas sim ter sofrido um desmaio, sendo cuidado em secreto pelos seus seguidores, e quando recuperado seu estado físico, se ausentado a fim de continuar em segredo a propagação de sua mensagem, ou que seria apenas um mito, como D. F. Strauss procurou alegar. Mas ele mesmo via um problema nisso, já que não se tinha mais essa ideia de mito no século I. Essas são na verdade, interpretações desde o ‘iluministas’.

É muito difícil imaginar que, apesar de que em alguns momentos os israelitas se desviaram dos ensinos de YHWH, eles se autoiludirem, com um Cristo imaginário, ressuscitado de entre os mortos, pois sempre existiram os remanescentes, ou seja, aqueles cujo espírito se mantinha firme nas palavras e promessas do seu Deus. Vejamos o que Carlos Augusto diz em seu livro “História da Ciência: da Antiguidade ao Renascimento Científico” a cerca desse povo:

“Os hebreus se diferenciavam dos demais povos por serem monoteísta (YHWH) e arredio a qualquer contato com seus vizinhos, ciosos da preservação de sua identidade. Conquistado pela Grécia e Roma, resistiria o povo hebreu a influências externas e se manteria fiel a suas tradições e costumes e contrários a especulações filosóficas contrárias a sua crença.” [²]

Além dos exemplos citados acima, ainda tem uma explicação crucial, que não tem sido dada de maneira satisfatória pelos críticos da ressurreição de Jesus, que é o surgimento da fé cristã, e que tem, durante esses mais de dois mil anos, permanecido intrinsecamente, ligada a milhões de homens e mulheres de diversas raças, culturas e nível social, podendo nós, não somente com o que foi apresentado, mas com uma busca sincera e honesta, ter boas razões, para crer na vida, morte e ressurreição de Jesus.


[1] Esta publicação é referente ao dia do leitor.

 

Referências bibliográficas:

 

[¹] Rosa, Carlos Augusto de Proença. História da Ciência: da Antiguidade ao Renascimento Científico, Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2010. Volume I, pág. 97.

[²] Evangelho de João, Capítulo 1, versos 1-18.

Durant, Will. História da Civilização, – 3º parte, Tomo II – São Paulo: Cia Editora Nacional. Págs. 33-36.

Craig, William Lane. Apologética Contemporânea: a veracidade da fé cristã, 2 ed. – São Paulo: Vida Nova, 2012.

Bíblia Apologética. Almeida, Corrigida, Fiel – ACF, 2ed. – São Paulo: Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, 2005


 

Tags: , ,

O Cristianismo como o maior desafio à cultura grega

Por pesquisador convidado Jorge Gabriel Rodrigues de Oliveira[1]

A princípio, talvez para leigos, dissertar num mesmo contexto acerca do Paganismo e do Cristianismo pode parecer uma tarefa contraditória, se for levada em conta uma das características mais básicas entre a(s) religião(ões) dos gregos, que possuía base politeísta (VERNANT, 2009) e a religião cristã, que apesar da Trindade, apresenta um Deus único, ou até mesmo por conta da forte aversão ao Paganismo politeísta empreendida pela Igreja Católica durante todo o Medievo, que resultou no movimento da Inquisição (DELUMEAU, 2009). Contudo, por mais estranho que possa parecer, entendemos que boa parte dos pressupostos cristãos se originaram no pensamento filosófico grego, através do Helenismo.

Podemos dizer que o Helenismo, numa análise histórica, foi um processo, essencialmente cultural, baseado na influência da cultura grega sobre Oriente, incluindo-se aí o próprio Cristianismo, inicialmente uma seita judaica isolada na Judeia (CHEVITARESE; CORNELLI, 2003). Entretanto, cabe ressaltar que para a Historiografia, esses contatos culturais que ocorrem entre as civilizações não são unilaterais; ou seja, quando culturas ou determinadas práticas culturais de um povo entram em contato com as de outro povo, o que ocorre é uma espécie de “contaminação cultural” mútua (CHARTIER, 1990). Partindo dessa premissa teórica da História Cultural (BURKE, 1992), podemos afirmar então que, ao passo que o Cristianismo foi um desafio à cultura grega, esta cultura também foi um desafio ao Cristianismo.

Doravante, o primeiro desafio foi justamente o da chegada da cultura grega ao Cristianismo, ou ainda uma seita cristã da Judeia, uma vez que com a difusão do idioma grego koiné pelo Oriente, graças a atuação primeva de Alexandre, os judeus tiveram que passar por um amplo processo de helenização. Ou seja, se deixaram levar pela tendência da época e aprenderam a língua grega, entretanto, ao constatarmos o uso do koiné por judeus-cristãos, cabe considerar que esses palestinos apropriaram-se também de um conjunto de conceitos próprios da linguagem e cultura grega helenística (SANTOS, [?]). Por outro lado, consideramos que esse desafio enfrentado na Judeia, foi relativamente facilitado, uma vez que o Cristianismo, originalmente, foi um movimento judaico e os próprios judeus tinham consciência de sua própria helenização já nos tempos de Paulo, não somente por conta da Diáspora, mas dentro da própria Palestina; tanto é que foi em direção a essa parcela de judeus já helenizados que os missionários cristãos atuaram (JAEGER, 1993).

O segundo desafio é inversamente proporcional ao primeiro, uma vez que movimenta-se do Cristianismo para o Paganismo grego. Jaeger considerou que apesar da identificação da figura de Jesus e mesmo de algumas práticas cristãs com o Oriente, no caso o Judaísmo no Antigo Oriente Próximo, a cultura grega exerceu um profundo impacto na mentalidade cristã. A hipótese do autor é baseada na ideia de que o kérygma ou a transmissão da “boa nova” não se limitou ao isolamento da Judeia e na medida em que o Cristianismo ganhou força, principalmente após a conversão do imperador Constantino, tornou-se necessário fundamentar as bases do movimento em sólidos argumentos filosóficos (JAEGER, 1993).

Contudo, falar de Cristianismo e Paganismo, tomando como fio condutor o processo de helenização do Mediterrâneo e Oriente Próximo, é uma tarefa muito mais profunda e complexa que traçar limites entre esses dois pólos (Cristianismo e filosofia grega). Um exemplo dessa afirmação está contido nas pesquisas desenvolvidas por Cornelli, sobre os chamados Papiros Mágicos Gregos. O conteúdo desses documentos compreende um conjunto de fórmulas e rituais mágicos, que fazem encontrar-se elementos místicos gregos, egípcios, judaicos e cristãos, tornando-se assim uma das maiores expressões do Helenismo (CHEVITARESE; CORNELLI, 2003). Partindo dessas premissas, para ilustrar a simbiose ocorrida entre a tradição grega pagã e a cristã contida nos Papiros Mágicos Gregos, podemos citar um ritual de exorcismo utilizado para a cura de doentes; apesar do ritual indicar a súplica a diversas divindades egípcias, em seu momento crucial, da expulsão do demônio do doente, o que ocorre são invocações feitas a figuras judaico-cristãs como Moisés e Jesus:

“Te suplico em nome do deus dos hebreus, Jesus, (orkizo se kata tou theou ton ebraion Iesou) IABAE IAE Abraoth AIA Thot ELE ELO AEO EOU IIIBAECH ABARMAS IABARAOU ABELBEL LONA ABRA MAROIA BRAKION você que aparece no fogo, que está no meio das roças, na neve e na neblina.

(…)

Te suplico em nome daquele que apareceu em Israel numa coluna de luz [Moisés] e numa nuvem em pleno dia, que libertou seu povo do Faraó…” (CHEVITARESE; CORNELLI, 2003). Grifo nosso.

Ou seja, nesse exemplo podemos ver os gregos utilizando elementos cristãos em rituais mágicos, o que comprova a ideia desenvolvida no início do texto, acerca do processo de trocas culturais entre o Cristianismo e o Paganismo. Ambos os desafios foram superados a sua própria maneira: se por um lado, o Cristianismo carente de uma base filosófica para fundamentar suas ideias se apropriou e deu novos significados aos conceitos gregos (pagãos), por outro lado, os gregos também se apropriaram de elementos cristãos, ou mesmo da própria figura de Jesus, para auxiliá-los em seus rituais mágicos. Esses contatos e inculturações com o Paganismo, acabaram multifacetando o Cristianismo, principalmente através do surgimento de correntes gnósticas, que bastante influenciadas por esses costumes e ideias antigas, deram um caráter não-ortodoxo ao Cristianismo e que, portanto, foram combatidas pelos grandes pensadores dos primeiros momentos do cristianismo. Avançando as fronteiras da Antiguidade Tardia, podemos afirmar inclusive, que é possível detectarmos vestígios desse processo de inculturação do Paganismo no Cristianismo até na Idade Média, com o aparecimento das heresias. Entretanto, a Igreja de um lado com a solidez de seus dogmas e sua ortodoxia e de outro com o uso da violência, mais uma vez conseguiu suprimir esses resultados de séculos de inculturações entre o Paganismo e o Cristianismo na Antiguidade Tardia.

[1] Jorge Gabriel Rodrigues de Oliveira é Graduado em História – UGF, pós-graduando em História Antiga e Medieval – FSB, professor SEEDUC-RJ

Está postagem refere-se ao “Dia do Leitor”

Referências:

BURKE, Peter. A Revolução Francesa da Historiografia: A Escola dos Annales (1929-1989). Tradução Nilo Odália. 2ª ed. São Paulo: UNESP, 1992.

CHARTIER, Roger. A História Cultural: Entre Práticas e Representações. Tradução Maria Manuela Galhardo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1990.

CHEVITARESE, André Leonardo; CORNELLI, Gabrielli. Judaismo, Cristianismo, Helenismo: Ensaios sobre Interações Culturais no Mediterrâneo Antigo. Itu: Ottoni Editora, 2003.

DELUMEAU, Jean. História do Medo no Ocidente 1300-1800: Uma Cidade Sitiada. Tradução Maria Lucia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

JAEGER, Werner. Cristianismo Primitivo y Paideia Griega. 6ª Reimpressão, México: Fondo de Cultura Económica, 1993.

SANTOS, Rita de Cássia Codá dos. A Herança Helenística na Pregação Paulina. [S.l.: s.n], [?].

VERNANT, Jean-Pierre. Mito e Religião na Grécia Antiga. Tradução Joana Angélica D’Ávila Melo. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

 

Tags: , ,

Descoberto em Jerusalém Mikveh do período do Segundo Templo

Em uma escavação arqueológica no bairro de Kiryat Menachem, em Jerusalém foi encontrado um local de banho ritual, Mikveh com uso datado do primeiro século, período do Segundo Templo.

Segundo o diretor da escavação Benjamin Stortz’n: “Nos últimos anos muitos banhos rituais muitas foram descobertos em Jerusalém, mas a descoberta deste sistema de alimentação de água nesta escavação é único e incomum. O banho ritual (Mikveh) consiste em uma cavidade subterrânea conduzida por escadas. As águas das chuvas desejavam em três bacias bacias hidrográficas que estavam esculpida no teto no desejado e despejavam a água doce através dos canais no local desejado banhos conhecidos até agora, são frequentemente compostas de um espaço fechado que canalizou a água da chuva em um pequeno lago escavado nas proximidades sistema exposto agora sofisticado e mais complexo esperava envolver visto a partir da liquidação estava no durante o período do Segundo Templo, provável, devido ao regime de chuvas e a seca na região, os moradores procuravam técnicas especiais que permitissem armazenar cada gota de água’.

O Mikveh foi construído de acordo com as leis de kashrut, com as bacias hidrográficas, e para garantir que não vazassem o local foi revestido com um gesso especial.

Segundo o arqueólogo do Distrito de Jerusalém, Amit Ram,  a comunidade local já demonstrou grande interesse na preservação deste lugar histórico. Assim como a Autoridade de Antiguidades de Israel e professores estão empenhados na restauração deste achado que é um verdadeiro tesouro arqueológico para a cultura e a memória da região.

clique na imagem para aumentar

Fonte: http://www.cafetorah.com/portal/mikveh-do-primeiro-seculo-descoberto-em-jerusalem

 

Tags: , , , ,

A páscoa no Século I d.C e seus simbolismos

Por pesquisadora Thassia Izabel

Templo de Jerusalém, século I ( Maquete CCJ)

Templo de Jerusalém, século I ( Maquete CCJ)

 

A páscoa ou pessach em hebraico é uma das mais importantes festas judaicas, que estava fortemente presente na vida do povo de Israel na antiguidade e se propagou até os nossos dias. Repleta de significado, era e é celebrada por judeus e cristãos, e cada uma das duas religiões realizava essa comemoração por motivos distintos e de forma diferenciada.

Assim como as outras festas que aconteciam na Judéia, a Páscoa era uma celebração agrária que estava ligada as fases da natureza, e com o passar do tempo foi associada a um acontecimento histórico, como descreve Christiane Saulnier e Bernard Rolland :

“Essas festas parecem ser, no início, celebrações ligadas ao rit­mo da natureza: na primavera, os nômades oferecem à divindade os primogênitos do seu rebanho (páscoa) e os camponeses sedentários, as primícias da colheita da cevada (festa dos ázimos); a festa das se­manas situa-se no verão, no fim da colheita do trigo e a das Tendas, no outono, no fim da colheita das frutas.”

Para o judaísmo a Páscoa representava  a libertação do cativeiro egípcio durante o êxodo, quando os hebreus foram orientados a passar nos umbrais das entradas de suas casas o sangue de um cordeiro ou um bode e dessa forma o “anjo da morte”iria poupar aquela família da última praga que assolou o Egito, a morte dos primogênitos. A partir desse período essa prática de sacrifício passou a ser relembrada, e no seculo I d.C  Jerusalém chegava  a ter cerca de 180 mil pessoas para a comemoração da Páscoa.

O ritual  no período do segundo templo era realizado da seguinte forma: o chefe da família escolhia no dia 10 de Nisan¹ um cordeiro  que seria sacrificado no dia 14 de Nisan. O animal era levado para o templo aonde os sacerdotes recolhiam os vasilhames de sangue que eram colocado no altar. Após isso o homem levava o animal para casa para ser consumido no banquete no dia 15 de Nisan, junto com pães não-fermentados, um molho de frutas vermelhas ( haroset) e ervas amargas, contavam a história do êxodo, cantavam salmos e bebiam vinho, essa cerimônia era chamada de seder.

Jesus realizou a ceia de Páscoa no dia 14  de Nisan, antes do dia habitual de se realizar o baquente, porém isso não era tão incomum pois havia grupos religiosos, como os fariseus e os essênios que tinham um calendário difente. Contudo, é interessante percebe que ele foi crucificado também no dia 14 de Nisan, se estivesse esperado para realizar a cêrimonia de Páscoa no dia 15 de Nisan não daria tempo.

Na ceia de Páscoa realizada por Jesus se constituiu o ritual mais praticado pelo cristianismo,  a santa ceia, e esta vai conter alguns dos rituais pascais, como o “pão da aflição” e o “vinho da rendenção”. Porém Jesus antes de ingerir o pão e o vinho recita palavras diferentes das que eram tradicionais ditas nesse momento da celebração, ele então mostra um novo significado para a Páscoa, ao atribuir  o vinho ao seu sangue e o pão a sua carne, e ainda se colocou como o cordeiro pascal. Assim a Páscoa cristã simboliza a redenção dos pecados e  a ressureição de Cristo.

Com isso a Páscoa  se perpetuou pois seu valor simbólico ultrapassou  os limites do tempo e do espaço. No judaismos através da Páscoa é relembrado a libertaçao do povo hebreu, já para o cristianismo representa a base da religião, a salvação em Cristo.

Símbolo do Cristianismo, a cruz vazia.

Símbolo do Cristianismo, a cruz vazia.

Referências Bibliográficas:

SAULNIER, Christiane; ROLLAND, Bernard. A Palestina no Tempo de Jesus. São Paulo: Paulinas, 1983.

Bricker, Charles. Jesus e sua época. Rio de Janeiro: Seleções do Reader1s Digest, 2007.

 

Tags: , , , , , ,

Você sabia … Mikveh e a Purificação

Por pesquisadora Thassia Izabel

clique na imagem para ampliar

 

Que a água para o povo de Israel não servia somente para limpar as impurezas materiais, mas também para purificar as impurezas espirituais.  Havia uma grande necessidade de não ficar impuro, e com isso à limpeza era vista como algo essencial no modo de vida judaico, como afirma Allan Millard:

“A limpeza era uma das coisas mais importantes para os religiosos judeus dos tempos do Novo Testamento. Era importante não só para a saúde, mas também porque ninguém que estivesse ritualmente impuro poderia aproximar-se de Deus.”

Por exemplo, se uma pessoa comia o alimento com as mãos sujas, esse alimento se tornava impuro, e era preciso mergulhá-lo em uma banheira para que se tornasse limpo. Por isso existia o costume de se lavar as mãos muitas vezes, que era praticado principalmente pelo grupo dos fariseus. Da mesma forma os utensílios domésticos deveriam ser bem lavados com água pura para que o seu conteúdo não se tornasse impuro.

Existia ainda o mikveh (piscina de purificação ou casa de banho de purificação) no qual era necessária a imersão para manter a pureza ritual. No século I d.C. por causa o aumento de peregrinos nos períodos de festas foi necessário a construções de mais locais para o banho ritual, e ainda havia um mikveh, próximo as escadas de entrada do Segundo Templo, mostrando como a busca pela pureza era importante.

Além disso, o mikveh era utilizado na purificação das mulheres que estavam no período menstrual, pois nesse período era proibido as práticas sexuais e a mulher deveria mergulhar na piscina de purificação.

Com isso percebemos que a limpeza na antiguidade judaica esta mais ligada à santidade do que a higiene e a saúde.

 

Referências Bibliográficas

OUAKNIN, Marc-Alain. Symbols of Judaism. Assouline Publishing, Paris, 2000.

MILLARD, Alan. Descobertas dos Tempos Bíblicos. São Paulo: Editora Vida, 1999.

USUBEL, Nathan. Conhecimento Judaico II. Rio de Janeiro: A. Koogan, 1964.

 

Tags: , , ,

Presença Feminina – Priscila

Por pesquisadora Elaine Herrera

 

Decifrar o cotidiano feminino na antiguidade tem sido uma constante busca, por historiadores de todo o mundo. Traçar um perfil histórico de determinadas mulheres então, tem se tornado uma ingrata tarefa. Por isso, não temos aqui a pretensão de descrever um retrato de Priscila, que era mais uma presença feminina, no cenário do início do cristianismo. Mas percorremos por alguns caminhos que nós leve ao interesse por uma melhor investigação, dessa mulher da antiguidade.

Fórum Romano (Roma)

Fórum Romano (Roma)

O nome Priscila significa anciã ou primitiva, e é o diminutivo de Prisca. Ele é mencionado sete vezes no Novo Testamento, e aparece sempre acompanhado pelo nome de seu marido. Trata-se de um casal de origem judaica e que segundo o Novo Testamento estavam residindo a princípio em Roma:

“E, achando um certo judeu por nome Áqüila, natural do Ponto, que havia pouco tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma)[1]…” (Atos 18:2)

Por conta da ordem do imperador romano, Claudio; Priscila e seu marido acabaram se fixando em Corinto e estabeleceram-se como fabricantes de tendas. E foi em Corinto que aconteceu o primeiro encontro entre eles e Paulo, o propagador do cristianismo.

Cidade Grega de Corinto

Cidade Grega de Corinto

Algumas informações podem ser elencadas sobre esta mulher. Priscila viveu nó século I, era casada, judia, e trabalhava junto ao seu marido, confeccionando tendas, e fez de sua casa, um espaço para a igreja do cristianismo primitivo. As menções respeitosas, referentes à Priscila, verificadas nas escrituras dos cristãos revelam gratidão e consideração para com ela, demonstrando sua intensa participação junto às novas comunidades cristãs.

Cidade que Priscila esteve com Áquila e Paulo, Éfeso

Cidade que Priscila esteve com Áquila e Paulo, Éfeso

Stegemann, um teólogo alemão, diz que os êxitos missionários em meio ao judaísmo da diáspora (judias e tementes a Deus) e conversão de economias domésticas eram facilmente verificados no caso de Priscila, e Lídia.

Fazendo um parâmetro com as mulheres de hoje, podemos dizer que Priscila conseguia manter com sucesso: casamento, trabalho e sua vocação religiosa.

Segundo Vamosh: “The fate of Priscilla is unknow; one legend says she was martyred in Rome and buried there, where a church and a tomb stand to this day in her memory[2].”

[1] Bíblia de Jerusalém.

[2] Tradução proposta: O destino de Priscila é incerto; uma lenda diz que ela foi martirizada em Roma e enterrada lá, onde uma igreja e um túmulo ficaram até este dia, em memória dela.

Referências Bibliográficas:

BALDOCK, John. Mulheres na Bíblia. São Paulo: M. Books do Brasil, 2009.

Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.

STEGEMANN, Ekkhard W. História social do protocristianismo. São Leopoldo: Sinodal, 2004.

VAMOSH, Miriam Feinberg. Woman at the time of the Bible. Israel: Palphot, 2007.

 

Tags: , , , ,

 
%d blogueiros gostam disto: