RSS

Arquivo da categoria: POLÍTICA

A batalha por Jerusalém

Por Amarildo Silva

 

Diante do cerco iniciado a partir do dia 25 de maio de 70 d.C. a população de Jerusalém tinha nas facções a esperança da vitória contra as tropas do general Tito, desde a iniciativa em 66 d.C quando os revoltosos derrotaram a XIIª legião, João de Giscala, Eleazar e Simão bar Gioras preparavam o povo para o cerco ao mesmo tempo batalhavam entre si para assumir o poder total tanto na cidade de Jerusalém como na província rebelada.

A guerra da Judéia iniciada em 66 d.C tem como elemento de estopim a atitude de Floro de oprimir os judeus de Cesaréia e exigir-lhes tributos e de tomar do Templo uma quantia de dezessete talentos, a fim de empregá-los como dizia, para o serviço do imperador. Flávio Josefo relata a indignação do povo.

O povo revoltou-se imediatamente, correu ao Templo gritando e implorando, em nome de César, que o libertassem da tirania de Floro. Não houve imprecações que os mais exaltados não fizessem, nem palavras ofensivas de que não usassem contra o governador, alguns com uma caixa na mão pediam, por zombaria, uma esmola em seu nome, como o teriam feito para o mais pobre e o mais miserável de todos os homens. (JOSEFO: 1154)

A repressão de Floro foi seguida de massacres de anciãos, mulheres e crianças e a comunicação ao governador da Síria, Céstio, sobre a revolta do povo judeu. O temperamento do povo saturado pelo domínio estrangeiro conduziu a província a uma guerra aberta contra o império romano.

  

Conduzidos por João Giscala, Eleazar e Simão Bar Gioras o povo judeu armou-se derrotando assim a legião comandada pelo governador Céstio I e que era responsável pelos primeiros ataques a província da Judéia rebelada.

Como relata o historiador Flávio Josefo à morte do próprio governador, não foi pelas mãos dos rebelados, mas pela vergonha que provocou ao império.

  

A posição favorável da cidade dificultou os trabalhos de cerco do exército romano, ainda assim Josefo destacou a ferocidade do exército romano que após o inicio do cerco levou 15 dias para tomar o cinturão mais externo, ou seja, a 3ª Muralha terminada no inicio da revolta. Segundo o historiador francês Mireille Hadas-Lebel[1]: “Desde a primeira fase do cerco, que durou cerca de quinze dias e terminou com a tomada da muralha externa, Josefo tivera a confirmação daquilo que já sabia: um surto de loucura acometera os seus”.

 A conquista da cidade foi total, com o aprisionamento do único líder da revolta sobrevivente, Simão Bar Giora e o massacre dos civis, entregues a fúria dos soldados. O General Tito ainda conservou as torres construídas por Herodes para demonstrar o poderio militar romano e ordenou que a 10ª Legião acampasse na região para impedir o retorno dos judeus para cidade.

[1] Mireille Hadas-Lebel. Flavio Josefo – o Judeu de Roma p. 175 e 177.

 

Referências Bibliográficas:

 Josefo, Flávio. História dos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

Mireille Hadas-Lebel. Flavio Josefo – o Judeu de Roma. Rio de Janeiro: Imago, 1991.

 

Anúncios
 

Tags: ,

Os donos do mundo

Por Leandro Silvio Martins

Ao estudar as mitologias existentes, é averiguado que nelas sempre está reservado um lugar especial para aquele que cria. O criador é o deus que geralmente além de criar a si mesmo, molda o universo. Seres poderosos e misteriosos, os deuses criadores chegam a ser figuras sombrias. Os chineses e os gregos, como afirmam PHILIP WILKINSON & NEIL PHILIP produziram diversas estátuas de seus deuses, mas poucas de divindades como a grega Eurínome e o chinês Pan Gu. O trabalho destas divindades é misterioso demais e difícil demais para ser representado.

PHILIP WILKINSON & NEIL PHILIP afirmam que Eurínome é um dos mitos gregos mais antigos sobre a criação. Tendo sobrevivido apenas parcialmente, este mito refere-se a deusa de todas as coisas. Eurinome significa a “eterna caminhante”. Ela criou o universo e deu vida a antiga raça dos titãs, que representam o poder primitivo do cosmo.

J.F. Bierlein, coloca o mito como uma constante entre os seres humanos de todos os tempos, tendo em seus padrões narrativos representados na forma que a sociedade vive. Por isso existem os contos onde os deuses são “substituídos” por divindades que se adéqüem aos que os líderes e principais representantes da sociedade querem para aquela sociedade. Os mitos tornam-se parte da estrutura da nossa mente inconsciente, sendo a “cola” que mantém a coerência da sociedade, sendo a base comum para as comunidades e nações. Sendo também o padrão de crenças que dá significado a vida. E devido a esta capacidade do mito, é que surge a importância dos criadores. Os “donos” do mundo.

Pan Gu e Eurinome podem não ter sido representados da mesma forma que outras várias divindades devido ao seu caráter misterioso. Porém isso não ocorre com as altas divindades de personalidades mais marcantes, como Zeus ou Odin. Divindades como estas são mais aceitas por seus cultores, pois se assemelham aos seus reis e rainhas e possuem papel mais relevante nas questões humanas.

Estes altos deuses possuem estas características marcantes devido ao antropomorfismo, que como explica J.F Bierlein, é a projeção de características ou qualidades humanas na divindade. “Fazer um deus segundo a imagem do homem”. O sol não era meramente o corpo celeste, mas um deus com uma história de vida de aparência humana.

 Em diversos mitos o casamento do “pai” céu e da “mãe” terra produz a vida. Em geral, esses deuses personificam forças poderosas que afetam diretamente o mundo. O trovão de Zeus ou mesmo o sol em relação aos egípcios Rá e Áton. Estas divindades superiores, os donos do mundo, geralmente são os regentes de cortes celestiais. Os líderes de seus respectivos panteões. PHILIP WILKINSON & NEIL PHILIP lembram que ao longo da história a ligação entre o rei mortal de uma localidade e o regente celestial era mútua. Assim para ampliar seu poder, os reis mortais retratavam-se como deuses, ou homens que, esperavam se juntar aos imortais após a morte, como os faraós egípcios ou os imperadores chineses.

Referências Bibliográficas:

BIERLEIN, J.F..Mitos paralelos, tradução Pedro Ribeiro, Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.

WILKINSON, PHILIP. Guia ilustrado zahar: mitologia/ Philip Wilkinson & Neil Philip; tradução Áurea Akemi; revisão técnica Miriam Sutter.- 2º edição – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.,2010.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 23/02/2012 em POLÍTICA

 

Tags: ,

Colóquio História e Imagem – Múltiplas Leituras

O pesquisador do CPA Mauricio dos Santos esteve  na primeira semana de outubro aconteceu na Uff, para o Colóquio História e Imagem – Múltiplas Leituras, realizado pelo Nereida núcleo de estudos multidisciplinar e interdisciplinar cujo objetivo é desenvolver pesquisas, sobre a troca, e o comércio entre comunidades que compunham o Mediterrâneo Antigo.

O evento contou com a participação na conferência e em oficinas: da Professora Pauline Shmitt Pantell da Universidade de Sorbone e do Professor Fraçois Lissarrague EHESS Paris École des Hautes Études en Scienses Sociales.

O assunto tratado pela Professora confronta a imagem, o historiador do mundo grego antigo e as perspectivas do trabalho de análise de imagens gregas, passando pela crítica de que medida a análise é feita de um tempo passado ou de um tempo presente.

Os dois professores são precursores da análise histórica de imagens gregas, e eles vem desenvolvendo  suporte teórico e metodológico para o estudo das imagens na História.

O CPA parabeniza a iniciativa do Nereida e o sucesso do Colóquio.

 

Tags: ,

Como a História vai lembrar o 11 de Setembro?

Por pesquisador Rodrigo Rocha

 

 

Neste domingo, bilhões de seres humanos vão relembrar onde estavam quando assistiram as imagens dos aviões atingindo as Torres Gêmeas na terça-feira do dia 11 de setembro de 2011, há exatos 10 anos.

Pela primeira vez em sua história, os Estados Unidos da América sofriam um ataque em seu continente. Bem diferente da base naval de Pearl Harbor, em 1941, situada no arquipélago de ilhas do Havaí, 60 anos depois, o atentado ao World Trade Center marcou um capítulo na história norte-americana e mundial. Os americanos fizeram questão de passar o recado ao restante do mundo. Os terroristas não teriam ferido apenas a nação estadunidense, mas a paz mundial, toda a comunidade internacional.

Simbolicamente foram rasgadas as páginas da Soberania de Vestfália (1648), e renasceu o Império Norte-Americano, sedento por vingar as mortes e honrar seus ideais patriotas. Mas todo império cresce, cresce, chega ao apogeu e tropeça. Ou estoura, como uma bolha. Hoje colhemos os cacos de uma bolha de vidro erguida na última década sob os céus de nosso planeta. Uma bolha ideológica que buscou separar o ‘bem’ e o ‘mal’, uma bolha militar alimentada por incalculáveis guerras, além da grande bolha econômica e seus reflexos, em mini-bolhas sociais em cada nação do mundo.

 

Mas será que podemos comparar os atentados do 11/9, e suas consequências a outros marcos na história da humanidade?

 

 

 

Seriam semelhantes à invasão de Roma pelas tribos germânicas? Ou da queda de Constantinopla? Talvez seja mais prudente observar os acontecimentos sob o prisma da economia e da geografia.

Ao longo dos séculos em que se desenvolveu, de simples práticas mercantis às complexas operações financeiras do século XXI, o capitalismo vive em fases. Ora cresce, ora se retrai, ora entra em crise, ora surgem novos mercados. A única certeza neste sistema é que a geografia deste mundo estará dividida entre metrópole/colônia, centro/periferia. E que o centro de poder, a capital do mundo é um conceito itinerante, que viaja na medida em que ocorrem os deslocamentos de dinheiro e poder.

Roma julgava-se indestrutível, mas sucumbiu. De sua crise nasceu uma nova ordem social, de senhores e vassalos, de um Estado servo de uma Igreja. Mas apesar de ter durado longos séculos, esse poder também de quebrou.

De igual modo poderíamos comparar com o poderio econômico de algumas cidades européias a partir do século XIV. Gênova, Veneza, Antuérpia, Amsterdã, Londres, cada cidade vivenciou períodos sem igual. Prósperos homens passaram por suas ruas e vielas, construíram castelos, fundaram Companhias, descobriram o mundo e o levaram ao velho continente. E graças a essa dinâmica, ora a conjuntura econômica apontava ao crescimento de uma cidade, por sua localização, infra-estrutura, poderio comercial, ora apontava para outra.

Talvez fosse isso o que muitos esperavam de Nova York, após aquele fatídico dia. A ‘capital do mundo’ sucumbiria em medo, terror e desordem e um novo centro nasceria. Mas a ‘Grande Maçã’ ainda nos reservava grandes surpresas. Os atentados a deixaram mais global, isso porque o antes excluído mundo árabe, graças à midiatização dos atentados, do descobrimento da Al Qaeda, de Osama Bin Laden, veio á luz do mundo.

Árabes são uma civilização centenária, e sempre estiveram presentes nos principais capítulos da história. Mas de figurantes, apresentaram-se como coadjuvantes, ou mesmo, atores principais. Muitos passaram a vê-los com ódio e preconceito, outros esforçaram-se em vencer o fundamentalismo e apresentar as raízes da religião muçulmana e da cultura árabe. As guerras do Afeganistão e do Iraque não pareciam mais tão distantes de nós, ainda mais aliadas ao crescimento do Islã em todo o mundo.

Eles estão em todo lugar, e não estão sozinhos. Indianos, chineses, africanos, latino-americanos e nós, brasileiros, estamos absorvendo parte desse vazio de poder econômico da Europa e dos EUA, crescendo e realimentado um sistema maior, mais complexo e múltiplo. Mais sujeito a conflitos de opinião, mas não necessariamente mais tolerante. Certas coisas demoram a mudar… Quando mudam…

Talvez seja pretensão demais colocar todas as mudanças da última década na conta dos atentados ao World Trade Center, mas ironias à parte, não podemos imaginar o comércio mundial sem a China, o Brasil, a Índia, os países árabes, os demais BRICS’s, e a África. Se há 20 anos caíram os muros do mundo bipolar, há dez anos desmoronaram as colunas da economia unilateral, e hoje tentamos reerguer não um novo World Trade Center, mas novos centros, múltiplos, que compartilhem (e disputem) a circulação de capitais, pessoas, serviços e poder. A exemplo da economia e das cidades, fica claro que “nada é novo debaixo do sol”.

Só não podemos aplicar essa frase às pessoas. Essas mudam, todos os dias. E depois daquele dia, elas passaram a ter medo, medo de verdade, medo do invisível, do inesperado, do desconhecido. O pior de todos os medos. Antes era a guerra nuclear, a ameaça soviética, até ontem eram os terroristas árabes, hoje são todos nós. O atentado em Oslo, mostrou que não é apenas uma exclusividade dos muçulmanos fundamentalistas a crença de que ‘sacrifícios de vidas são necessários’. Hitler já dizia isso, reis e imperadores na antiguidade também. E agora, em meio a crise, os estrangeiros, imigrantes, podem sofrer cada vez mais, com perseguições infundadas, ou melhor, fundadas sobre o ódio.

O 11 de setembro foi um ato de ódio, guiado pela visão fundamentalista de um grupo, e resultou em um ódio ainda maior. Ódio alimentado diariamente pelo medo. Sentimento esse que volta a nos assombrar, com as imagens do passado, do ontem, daquela terça-feira de sol claro e céu azul, em que Nova York ficou coberta por cinzas. E medo do amanhã, do que pode acontecer, do que vai acontecer, não sabemos onde, ou como, quando, e se mesmo haveria respostas a um por quê?

Resta a nós, cidadãos globais, aprendermos a lição de Nova York, a cidade que não para, que se reinventa. O bairro onde ficavam as torres dobrou sua população nos últimos anos. São pessoas que não vivenciaram o trauma, e que podem imprimir ao espaço da cidade novos rumos. Se uma cidade pode superar os tristes acontecimentos do 11 de setembro, por que nós não podemos superar as tristes verdades construídas a partir daquele ‘marco zero’, e que mudam até hoje nosso cotidiano?

Nova York, seu memorial, sua Torre da Liberdade, estão imprimindo novos fatos à História. E nós, como vamos contar essa história para a geração que não viu o fatídico dia Onze de Setembro?

Imagens: Flickr.com

 

Tags: , , ,

O perfil do rei Davi

Por Sarai Basílio

 Davi, filho de Jessé e Naás, da tribo de Judá, nasceu em Belém de Judá. Teve sete irmãos e duas irmãs: Eliabe, Abinadabe, Simeia, Natanael, Radai, Ozém, o sexto, Zeruia, e Abigail. Suas esposas foram Mical, Ainõa, Abigail e Bate-Seba. Teve várias ocupações: pastor de ovelhas, músico, poeta, soldado e rei de Israel. Descrito por Deus como um homem segundo o seu coração.

O profeta Samuel ungiu a Davi rei quando ele ainda era um jovem, porém por uma década o rei sofreu sendo treinado para o reino que durou quarenta anos em Israel (1) o rei Davi institucionalizou programas musicais no templo.

Sua habilidade como músico é demonstrada através do livro de salmos. Considerado o autor principal, a sua voz se sobressai às outras no coro sagrado. Dos 150 salmos, 75 são atribuídos a ele. Destaca-se os salmos messiânicos, bem como os salmos de arrependimento dentre eles o Salmo 51. O cântico de Davi [2] constitui um agradecimento, porque Deus o tinha livrado dos seus inimigos e das mãos do rei Saul. Por isso, neste cântico ele revela o respeito a Deus, atributos e o caráter que ele encontra em Deus: perfeição, poder, santidade, bondade e fidelidade.

Davi foi perseguido pelo rei Saul que intentou por 21 vezes para matá-lo, porém conseguiu escapar, e nunca levantou seu braço contra o rei reconhecendo a sua unção da parte de Deus. Segundo as escrituras sagradas: “Então, tomou Saul três mil homens, escolhidos dentre todo o Israel, e foi a busca de Davi e dos seus homens (400 valentes)[3], até aos cumes das penhas das cabras monteses”.1Sm 24.2

O rei Davi foi um homem de batalha e teve muitos inimigos, contudo, na guerra contra os filisteus foram travadas quatro batalhas, os guerreiros filisteus eram valentes e gigantes, dispensando maior energia dos guerreiros israelitas. Davi nesse período estava com cerca de 60 anos, sentindo-se cansado, por pouco não foi atingido em batalha, sendo socorrido por Abisai, guerreiro israelita”.[4]

Conforme Mears (2000, p.115), o rei Davi teve suas faltas, fez muita coisa errada, mas impediu que a nação caísse na idolatria. Pecou, mas se arrependeu e deu a Deus a chance de perdoar-lhe. Recebeu a nação em caos e estabeleceu uma dinastia que iria perdurar até os dias do cativeiro, um período de 400 anos. Para os herdeiros da fé abraamica, jamais houve guerreiro ou estadista como Davi, que tornou Israel a potência dominante da Ásia Ocidental naquela época.

Concluindo, no fim de sua vida Davi refletiu sobre o passado, as vicissitudes e provas de sua vida e reconheceu com gratidão, a graça e a fidelidade de Deus. Morreu numa boa velhice, cheio de dias, riquezas e glória, de todas as nações ao longo dos séculos passados e ainda hoje é um dos homens mais conhecidos e honrados de Israel.

[1] 1Samuel 16; 2 Samuel 2.1-5.25

[2] 2 Sm 22.2,32;Sl 18.2. Existe semelhança entre 2 Sm 22 e o Salmo 18.

[3] Os valentes de Davi. Os 400 homens e posteriormente 600 homens que se ajuntaram a Davi, eram compostos de alguns dos mais poderosos de todo o Israel. Estes homens anteriormente estavam em aperto, desgostoso e endividado e Davi passou a ser chefes deles. 1 Samuel 22.2.

[4] 2 Samuel 21.16,17

 Referências:

MEARS, Henrietta. Estudo panorâmico da Bíblia. SP. Ed Vida, 2006

PEARLMAN, Myer. Através da Bíblia livro por livro. SP. Ed Vida, 2006.

Bíblia de Estudo Dake: anotaçõs, esboços e referência

 

Tags: , ,

Da milícia camponesa a constituição de um exército nacional

Por pesquisador Amarildo Salvador

Atualmente questionamos a existência de exércitos nacionais, as bombas nucleares e as armas com tecnologia de ponta nos fazem imaginar um conflito sem homens, no entanto essa estrutura militar tem seu nascimento na necessidade dos primeiros agrupamentos de se defenderem de invasores e ao mesmo tempo de realizar expansões territoriais.

Desde a antiguidade os dirigentes perceberam a necessidade de manter homens treinados e equipados aos seus serviços, a evolução das armas e o seu manejo proporcionavam hora a um império ora a outra a superioridade militar.

Relevo Hitita

Um dos exemplos que podemos citar foi o período em que os egípcios foram dominados pelos hiscos[1](1780 a.C. a 1570 a.C) que introduziram então na região os perigosos e assustadores carros de guerra, uma inovação logo copiada pelos próprios egípcios que os desenvolveram e foram combater os hititas[2] em Kadesh[3] (1312 a.C. a 1275 a.C) e construíram um vasto império.

Baixo relevo batalha de Kadesh

No seu livro “A constituição dos exércitos no reino de Israel” Carlos Dreher descreve como foi à coexistência das forças populares com as tropas regulares e depois o desaparecimento daquela diante desta no então reino de Israel.

 O uso do termo “exércitos” pressupõe os dois tipos distintos de forças armadas: as das forças populares ou as unidades tribais de defesa, já existentes antes do surgimento do Estado continuaram a atuar ao tempo da monarquia, e as tropas regulares, que surgiram paralelas ao reinado. Embora tenham atuado em conjunto, os dois tipos de exército também se confrontaram em conflitos internos. (pag.7 2002)

Através desse trecho podemos assim analisar desde antes da formação de um exército nacional os camponeses largavam os campos e com suas ferramentas rústicas garantiam a sua liberdade através da luta armada.

A história da humanidade está pontilhada pelos conflitos armados no seu livro “A arte da Guerra” escrita provavelmente no século IV a.C. por Sun Tzu. Esse brilhante estrategista percebe que a guerra, é “uma questão vital importância para o Estado.” Encontramos assim também no oriente uma percepção militar que norteava tanto filósofos como historiadores, por fim o próprio pai da História entra em destaque por relatar os conflitos entre os gregos e os persas.

Concluímos que a necessidade de um exército nacional está relacionada com o moral de um povo, temos que manter tropas nacionais na atividade e na constante vigilância sobre o perigo eminente de uma contestação internacional sobre nossos direitos de
liberdade nacionais e assim impor nossa crença pela força.

 [1] Hiscos soberanos estrangeiros que dominaram o Egito durante o iniciando o segundo período intermediário.

[2] Hititas povo de origem indo-européia conquistaram um território que compreendia a Anatólia atual Turquia norte e oeste da Mesopotâmia e a Palestina.

[3] Kadesh batalha entre egípcios e hititas, o resultado da batalha é tratado pelos maiores historiadores como empate, ocorrendo assim o primeiro acordo de paz da humanidade.

 Referências bibliográficas:

DREHER A. Carlos A constituição dos exércitos no reino de Israel. São Paulo: Paulus, 2002.

HERÓDOTO. História O relato clássico da guerra entre Gregos e Persa. São Paulo: Ediouro, 2001.

TZU SUN. A Arte Da Guerra. São Paulo:Paz e Terra, 2006 .


 

Tags: , ,

Da fala para a escrita

Por pesquisador Rodrigo Rocha 

A partir do momento em que o ser humano começou a registrar sua própria história, preocupando-se em transmiti-la às gerações futuras, as relações comunicacionais entre os indivíduos superaram o cotidiano, e criaram uma relação com o antes e o depois, surgindo então os primeiros conceitos de passado e futuro. 

Lembrar decisões e ordens proferidas, ou preservar a memória e os costumes de um povo, impingiram às primeiras sociedades a necessidade de uma nova forma de transmissão de ideias e pensamentos, não mais apenas delegada ao ensinamento oral. 

Por volta de 4000 A.C., os moradores da antiga Mesopotâmia (atual Iraque) começaram a se agrupar nas primeiras cidades, realizando trocas comerciais e se organizando politicamente. Todos os ensinamentos eram transmitidos através da tradição oral, de pai para filho, contudo a necessidade de estabelecer a cultura desenvolvida por aquela civilização só foi possível através da escrita.

Os primeiros traços de escrita foram achados em Uruk no ano de 1928, quando arqueólogos desenterraram uma placa de argila, menor que a palma de uma mão humana, contendo uma escrita triangular e cuneiforme. Ela datava entre3300 A.C. e3200 A.C, período em que a civilização suméria habitava a região.

À medida em que a população cresceu, novos sinais foram criados e utilizados pelos sumérios. Os sinais usados simbolizavam a maioria das coisas comercializadas na época, como azeite, pão, ovelhas e escravos. Embora fosse bem rudimentar, elas já anunciavam a necessidade de um sistema de escrita.

Com o tempo, eles se transformaram em placas retangulares maiores, facilitando a leitura, o manuseio e a troca. Os sinais também foram evoluindo.

Desenhos complicados se tornaram mais simples, e novos nomes surgiram a partir do som de símbolos diferentes (logogrifos), como na placa abaixo, encontrada em Uruk. Nela, além de estar quantificada a produção de cevada, a placa une os símbolos fonéticos Ku e Shin, formando um novo nome, provavelmente pertencente ao dono da cevada.

Formas mais avançadas de escrita foram achadas em Nippur, próspera cidade-estado e centro da elite intelectual da Suméria. Uma biblioteca com quarenta mil tábuas contendo o registro detalhado da história dos sumérios (3000 AC–2000 AC), como a estrutura de sua sociedade, hábitos diários, o papel da religião, etc.

 Uma dessas tábuas continha um ensaio sobre uma escola onde se aprendia a escrita cuneiforme. Os estudantes sumérios recebiam uma educação rígida. Eles aprendiam a fazer a placa de argila, e a gravar os caracteres, geralmente utilizando juncos ou gravetos.

Apenas crianças de famílias ricas e poderosas tinham a oportunidade de serem escribas na Suméria. Ler e escrever se tornou uma característica social importante. Pais pagavam subornos para dar aos filhos a chance de serem escribas, e se tornarem os futuros líderes da sociedade suméria.

 Ao longo dos séculos, a civilização suméria foi sendo incorporada por outros reinos, e sobreviveu em meio a outras culturas mesopotâmicas, como a Babilônica e a Assíria. Seu idioma sobreviveu pois era ensinado nas escolas. Tornou-se um tipo de linguagem sagrada da educação e do aprendizado. As escolas continuaram a ensinar e textos continuaram a ser produzidos enquanto a Civilização Mesopotâmica sobreviveu.

Referências Bibliográficas: 

Costella, Antonio F. “Comunicação – Do Grito ao Satélite”, –  Campos do Jordão: Editora Mantiqueira, 2002. 

 Havelock, Eric A. “A Revolução da Escrita na Grécia e suas consequências culturais” – São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista;  Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. 

 Documentário “A História da Palavra” – The Written Word – Multirio  – Março de 2010 

 

Tags: , ,

 
%d blogueiros gostam disto: