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Arquivo da categoria: PERFIL HISTÓRICO

Fique por dentro! Bento XVI: 4º Papa a renunciar na história

Por pesquisador Rodrigo Rocha[1]

 

O  anúncio foi feito pelo próprio Sumo Pontífice da Igreja Católica, no dia 11 de fevereiro de 2013, falando em latim durante um encontro de cardeais, em Roma. Em seu discurso, publicado na Radio Vaticana e no site oficial do Vaticano, Bento XVI declarou:

Caríssimos Irmãos,

Convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

BENEDICTUS PP XVI

O anúncio de Bento no final do Consistório público para a promulgação da causa de três novos santos, foi como “um trovão em céu sereno”, afirmou o decano do Colégio Cardinalício, o Cardeal Angelo Sodano, em declarações reunidas pela Rádio Vaticano.

A Igreja Católica deverá eleger um novo Papa até a festa da Páscoa, no próximo dia 31 de março. Foi o que anunciou o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, nesta segunda-feira (11/02/2013) após o anúncio de renúncia do Papa. Segundo o porta-voz, será realizado um conclave (reunião de cardeais para escolher o novo Papa) em 15 a 20 dias após a renúncia. 

O porta-voz do Vaticano também disse que a decisão do Papa surpreendeu a todos do seu círculo mais próximo. Ele afirmou que, após a renúncia, Bento XVI vai à residência papal de verão, em Castel Gandolfo, próximo a Roma, e depois irá morar em um mosteiro dentro do Vaticano. Lombardi também disse que Bento XVI não vai participar do conclave, a reunião a portas fechadas que vai escolher seu sucessor.

O porta-voz declarou ainda que Bento XVI mostrou “grande coragem” no seu gesto, e descartou que uma depressão tenha sido o motivo da renúncia.

Informações: G1.com.br

Histórico de renúncias papais:

O gesto de renúncia de um Papa, apesar de bastante incomum, tem outros registros históricos. Somados à Bento XVI, apenas outros três sumo-pontífices abriram mão do papado na Antiguidade e na Idade Média. São eles:

  1. Papa Ponciano: O 18º Papa liderou a Igreja de Roma por cinco anos e três meses, de 21 de julho de 230 a 29 de setembro de 235. No século III, a Igreja ainda não era completamente aceita pelo Império Romano. Alguns imperadores a toleravam, porém outros a perseguiam ferozmente. Não foi diferente nos tempos de Ponciano. Além disso, ele enfrentou o Cismo de Roma. Hipólito, um dos mais importantes teólogos daqueles tempos, entrou em conflito com os papas de sua época, e parece ter sido o líder de um grupo cismático, como um bispo rival de Roma. Por isto, ele é considerado como o primeiro Antipapa da história. Ele se opôs aos bispos de Roma que afrouxaram as regras de penitência para acomodarem um grande número de novos convertidos da religião pagã.

Hipólito e Ponciano foram perseguidos e exilados , na ilha de Sardenha. Para não deixar vago o cargo de Papa, Ponciano renunciou em setembro de 235. É desconhecido quanto tempo ele viveu exilado, mas sabe-se que ele morreu de esgotamento, graças ao tratamento desumano nas minas da Sardenha, onde trabalhava. De acordo com a tradição, morreu na ilha de Tavolara.

OBS: o Antipapa é uma pessoa que reclama o título de Papa, em oposição a um Papa legitimamente eleito, ou durante algum período no qual o título estava vago. Antipapa não é necessariamente sinal de doutrina contrária à fé ensinada pela Igreja. No passado, antipapas eram geralmente apoiados por uma facção significativa de cardeais e reinos.

  1. Papa Celestino V: O 192º Papa esteve à frente da Igreja de Roma por apenas cinco meses, de 5 de julho de 1294 a 13 de dezembro de 1294. Somente dois anos após a morte de seu antecessor, Nicolau IV, Celestino V foi nomeado pelo conclave. Enfrentou uma forte disputa por privilégios, entre duas famílias nobres italianas, os Orsini e os Colonna. Nascido de uma família de modestos camponeses, viveu por muito tempo como eremita sobre o monte Morrone, fundando uma congregação de monges que receberam o nome de celestinos.  Divergências entre historiadores, apontam duas versões para a renúncia de Celestino V:
    1. Por pressões do cardeal Benedicto Gaetani, ele teria sido forçado a abdicar em 13 de Dezembro. No mesmo ano, em 24 de Dezembro, foi eleito o seu sucessor, o próprio Benedicto Caetani, que tomaria o nome de Bonifácio VIII (193º papa).
    2. Celestino V teria renunciado por escolha própria. Benedetto teria declarado a legalidade da resignação papal, diante da lei da Igreja. Dez dias depois os cardeais iniciaram um conclave no Castel Nuovo em Nápoles, e em 24 de dezembro de1294, por um maioria de votos, Benedetto Gaetani é eleito papa, escolhendo o nome de Bonifácio VIII.
  1. Papa Gregório XII: O 205º Papa dirigiu a Igreja Romana de 30 de novembro de 1406 até 04 de julho de 1415, ao todo 8 anos e 7 meses. O pontífice também enfrentou divergência com outro Antipapa e reis europeus, durante seu papado, o Cisma do Ocidente da Igreja. Mesmo após as tentativas do Concílio de Pisa (1409), as tensões internas pioraram, com a eleição de um novo papa, Alexandre V. Havia portanto três papas no comando a Igreja: Gregório XII (que representava a Itália, Alemanha e o norte da Europa), Bento XIII (que representava a Escócia, Espanha, Sardenha, Córsega e parte da França) e Alexandre V (com a maior parte das Ordens Religiosas decididas a fazer uma inteira reforma na Igreja). Gregório XII não ficou todo esse tempo assistindo os fatos. Como prometido, iniciou os trabalhos no seu Concilio na cidade de Cividale del Friuli (perto de Aquileia) e declarou como legítimos apenas os pontífices sediados a Roma. A partir de Urbano VI até ele próprio. Todos os demais eram declarados antipapas – de Clemente VII até Bento XIII e, é claro, Alexandre V. Deixou claro que estava ainda disposto a abdicar ao trono de São Pedro, desde que os outros dois fizessem o mesmo e todas as correntes do pensamento da Igreja se reunissem em um único colégio, e fosse eleito um novo Papa, com aprovação de ao menos dois terços dos cardeais das três correntes de pensamento. Apenas em 1413, em um novo concílio ecumênico em Constança (sul da Alemanha), chegou-se a conclusão que os três papas deveriam renunciar por livre vontade ou seriam forçados a isso. O novo papa a assumir, com o consenso de toda a Igreja, pondo fim ao Grande Cisma foi Martinho V.

Outros casos próximos foram registrados, como o do Papa Bento IX. De acordo com a Enciclopédia Católica e outras fontes, Bento IX tinha entre 18 e 20 anos quando se tornou pontífice, apesar de algumas fontes sugerirem 11 ou 12. Teve de acordo com os registros uma vida extremamente dissoluta, não tendo alegadamente qualificações suficientes para o papado que não fossem as ligações com uma família socialmente poderosa, apesar de em termos de teologia e atividades comuns na Igreja ser inteiramente ortodoxo. Bento IX foi eleito pontífice em 1032, deposto em 1044, retornou em 1045, mesmo ano em que abdicou, e tornou atrás da abdicação. Foi novamente deposto. Retornou à força em 1047, e foi mais uma vez deposto em 1048 e excomungado em 1049.

Não foram encontrados registros que comprovassem a resignação de outros papas, sobretudo mortos ou perseguidos durante a Antiguidade.

Origens do nome:

O Cardeal Joseph Ratzinger, foi ordenado Papa Bento XVI, em 19 de abril de 2005, pelo colegiado de cardeais de Roma, como sucessor do Papa João Paulo II. A escolha do nome Bento é uma provável homenagem ao último papa que adoptou o nome Bento, que foi o italiano Giacomo della Chiesa, entre 1914e 1922.

Conhecido como o “Papa da paz”, Bento XV tentou, sem sucesso, negociar a paz durante a Primeira Guerra Mundial. O seu pontificado foi marcado por uma reforma administrativa da igreja, possuindo um caráter de abertura e de diálogo. Além disso, Bento XVI sempre foi muito ligado espiritualmente ao mosteiro beneditino de Schotten, perto de Ratisbona, na Baviera.

Alguns analistas, como dom Antônio Celso de Queirós, vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), relacionaram a adoção do nome Bento com a atuação de São Bento de Núrsia (480-547), fundador da Ordem Beneditina e padroeiro da Europa, o que o próprio papa confirmou após a publicação das explicações sobre seu brasão. Após as invasões bárbaras, os mosteiros de São Bento foram responsáveis pela manutenção da cultura latina e grega e pela evangelização da Europa.

Biografia:

Joseph Ratzinger nasceu em Marktl am Inn, diocese de Passau (Alemanha), no dia 16 de Abril de 1927. O seu pai, comissário da polícia, provinha duma antiga família de agricultores da Baixa Baviera, de modestas condições econômicas. A sua mãe era filha de artesãos de Rimsting, no lago de Chiem, e antes de casar trabalhara como cozinheira em vários hotéis.

Passou a sua infância e adolescência em Traunstein, uma pequena localidade perto da fronteira com a Áustria, a trinta quilômetros de Salisburgo. O período da sua juventude não foi fácil. A fé e a educação da sua família prepararam-no para enfrentar a dura experiência daqueles tempos, em que o regime nazista mantinha um clima de grande hostilidade contra a Igreja Católica. O jovem Joseph viu os nazistas açoitarem o pároco antes da celebração da Santa Missa.

Nos últimos meses da II Guerra Mundial, foi arrolado nos serviços auxiliares anti-aéreos. Recebeu a Ordenação Sacerdotal em 29 de Junho de 1951. Um ano depois, começou a sua atividade de professor na Escola Superior de Freising. No ano de 1953, doutorou-se em teologia com a tese «Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho». Passados quatro anos, sob a direcção do conhecido professor de teologia fundamental Gottlieb Söhngen, conseguiu a habilitação para a docência com uma dissertação sobre «A teologia da história em São Boaventura».

Depois de desempenhar o cargo de professor de teologia dogmática e fundamental na Escola Superior de Filosofia e Teologia de Freising, continuou a docência em Bonn, de 1959 a 1963; em Münster, de 1963 a 1966; e em Tubinga, de 1966 a 1969. A partir deste ano de 1969, passou a ser catedrático de dogmática e história do dogma na Universidade de Ratisbona, onde ocupou também o cargo de Vice-Reitor da Universidade.

De 1962 a 1965, prestou um notável contributo ao Concílio Vaticano II como «perito»; viera como consultor teológico do Cardeal Joseph Frings, Arcebispo de Colónia. A sua intensa actividade científica levou-o a desempenhar importantes cargos ao serviço da Conferência Episcopal Alemã e na Comissão Teológica Internacional.

Em 25 de Março de 1977, o Papa Paulo VI nomeou-o Arcebispo de München e Freising. Em 1978, participou no Conclave, celebrado de 25 a 26 de Agosto, que elegeu João Paulo I. No mês de Outubro desse mesmo ano, participou também no Conclave que elegeu João Paulo II.

João Paulo II nomeou-o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional, em 25 de Novembro de 1981.Foi Presidente da Comissão encarregada da preparação do Catecismo da Igreja Católica, a qual, após seis anos de trabalho (1986-1992), apresentou ao Santo Padre o novo Catecismo.

A 6 de Novembro de 1998, o Papa aprovou a eleição do Cardeal Ratzinger para Vice-Decano do Colégio Cardinalício, realizada pelos Cardeais da Ordem dos Bispos. E, no dia 30 de Novembro de 2002, aprovou a sua eleição para Decano; com este cargo, foi-lhe atribuída também a sede suburbicária de Óstia. Desde 13 de Novembro de 2000, era Membro honorário da Academia Pontifícia das Ciências.

Entre as suas numerosas publicações, ocupam lugar de destaque o livro «Introdução ao Cristianismo», uma compilação de lições universitárias publicadas em 1968 sobre a profissão de fé apostólica, e o livro «Dogma e Revelação» (1973), uma antologia de ensaios, homilias e meditações, dedicadas à pastoral.

Grande ressonância teve a conferência que pronunciou perante a Academia Católica Bávara sobre o tema «Por que continuo ainda na Igreja?»; com a sua habitual clareza, afirmou então: «Só na Igreja é possível ser cristão, não ao lado da Igreja».

No decurso dos anos, continuou abundante a série das suas publicações, constituindo um ponto de referência para muitas pessoas, especialmente para os que queriam entrar em profundidade no estudo da teologia. Em 1985 publicou o livro-entrevista «Informe sobre a Fé» e, em 1996, «O sal da terra». E, por ocasião do seu septuagésimo aniversário, publicou o livro «Na escola da verdade», onde aparecem ilustrados vários aspectos da sua personalidade e da sua obra por diversos autores.

Recebeu numerosos doutoramentos «honoris causa»: pelo College of St. Thomas em St. Paul (Minnesota, Estados Unidos), em 1984; pela Universidade Católica de Eichstätt, em 1987; pela Universidade Católica de Lima, em 1986; pela Universidade Católica de Lublin, em 1988; pela Universidade de Navarra (Pamplona, Espanha), em 1998; pela Livre Universidade Maria Santíssima Assunta (LUMSA, Roma), em 1999; pela Faculdade de Teologia da Universidade de Wroclaw (Polónia) no ano 2000.

Fontes:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/02/papa-bento-xvi-vai-renunciar-diz-agencia-italiana.html

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/biography/documents/hf_ben-xvi_bio_20050419_short-biography_po.html

Cross, F.L.. The Oxford Dictionary of the Christian Church (em inglês). [S.I.]: Oxford University Press, 2005.

Calendarium Romanum (Libreria Editrice Vaticana 1969), p. 146

H. Schulz, Peter von Murrhone–Papst Celestin V–in Zeitschrift für Kirchengeschichte, xvii (1897), 481 sqq.; also Finke, op. cit., 39 sqq

Rendina, Claudio – I Papi Storia e Segreti , Volume 2 Newton & Compton Editori s.r.l. – Roma 2005

[1] Rodrigo Rocha é graduando em Comunicação Social na UFF.

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O rei e o templo

Por Sarai Basílio

Herodes, o Grande

Herodes, o Grande descendente dos idumeus [1] começou sua vida política aos 15 anos, como governador da Galiléia numa manobra política de seu pai Antípater procurador geral da Judéia. Posteriormente, Herodes foi nomeado pelo Império Romano rei da Judeia (37 a 4 a.C). Rei ímpio cometeu muitas crueldades, como também desafiou e burlou as leis dos judeus.

Administrador perspicaz, impenhou-se em notáveis construções em Jerusalém durante o seu reinado. A mais polêmica foi a reconstrução do Templo, posteriormente conhecido como o Templo de Herodes, entretanto, na mente dos judeus a obra se referia a reconstrução do Segundo Templo [2], que fora danificado devido a guerras e invasões da cidade de Jerusalém.

Em 19 a.C Herodes iniciou a reconstrução do Templo com forte oposição dos judeus, buscando resolver a situação “ele fez com que 1000 sacerdotes fossem treinados como talhadores de pedra, carpinteiros e decoradores, certificando-se de que nenhuma mão profana tocaria o local sagrado (Dicionário Wycliff, 2007, p.1898). Em 18 meses, o trabalho do santuário foi terminado, porém, o edifício ainda estava inacabado na época de Jesus, sendo concluído em 64d.C.

Cabe destacar a suntuosidade do Templo, maior do que o erguido por Zorobabel, em estilo greco-romano todo de mármore branco. O santuário era coberto com placas de ouro, ricamente decorado. O pátio dos gentios teve atenção especial do rei, ele foi pavimentado em mármore de muitas cores elefantes.

Esse Templo suntuoso tinha várias edificações monumentais e sólidas, mas em 70d.C os romanos liderados pelo general Tito, destruíram essas edificações, a área do santuário foi queimada, as paredes foram demolidas restando apenas o muro das Lamentações. Em 691 d.C os muçulmanos construíram nessa área a Cúpula da Rocha, que atualmente ocupa o local do Templo e santuário judeu. Contudo, dias virão em que “a glória da última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos, e neste lugar darei a paz…” (Ageu 2. 9)

 [1] Os idumeus ou edomitas, eram descendentes de Edom (Esaú). Habitavam na região sudeste da Palestina ou extremo sul do Vale do Sal. Eles foram obrigados a circuncidar-se para terem livre acesso em Jerusalém, bem como desfrutarem de privilégios especiais entre o povo de Israel.

[2] O Segundo Templo foi concluído por Zorobabel e Josua, o sacerdote, no mês de Adar(março) de 516 a.C

Referências Bibliográficas:

TOGNINI, Enéas. Período Interbíblico. SP. Ed Hagnos. 2009

Dicionário Bíblico Wycliff. RJ. Ed CPAD. 2007.

 

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Perfil Histórico: Tito Vespasiano

Por pesquisador Amarildo Salvador

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Tito Vespasiano

Tito era o filho mais velho do Imperador Tito Flávio Vespasiano[1], nasceu no ano da morte do Imperador Calígula[2]em Roma. Como prática da nobreza romana, Tito teve uma educação refinada junto com o príncipe Britânico[3], filho do Imperador Cláudio assassinado por Nero em 55 d.C.

Um ótimo orador e dominador do latim e do grego, Tito por diversas vezes discursou no senado, assumindo a responsabilidade de seu pai, de falar diante dos seus patrícios. Serviu como tribuno militar na Germânia e na Bretanha e nestes locais ainda existe inscrições e estátuas contando sobre a sua passagem e seus feitos.  

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Triunfo de Tito.

Tito foi questor e assumiu o comando da Legião correspondente a região da Judéia e devido à crise imperial diante da morte do Imperador Nero (37 d.C.- 68 d.C.)[4]assumiu toda responsabilidade na condução da guerra contra os judeus na Primeira Revolta Judaica 66 d.C. a 70 d.C., já que seu pai Vespasiano precisou retornar a Roma assumindo o comando do Império.

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Mapa do Império, no ano dos quatro imperadores.

Ao lado do pai, o imperador Vespasiano consolidou-se no poder, compôs a guarda pretoriana e na ausência paterna conduziu as principais atividades administrativas do Império, segundo o historiador Suetônio:

 Tito, chamado do mesmo jeito que o seu pai, foi querido por todo o povo romano, coisa muito difícil. Era tão superior que era um prazer para a raça humana, foram estas características o que lhe fizeram ganhar o afeto da população(2002,p.481).

Como imperador, Tito permaneceu por apenas dois anos, foi acometido por uma enfermidade aparentemente sem cura, alguns historiadores sugerem que pode ter sido causado por envenenamento encomendado pelo seu irmão Domiciano, que foi seu sucessor.

Podemos assim concluir que os feitos de Tito se igualaram aos grandes imperadores que conduziram o expansionismo romano além das fronteiras, com grande destaque na condução de sua política de apaziguamento, não perseguiu o senado, propiciou um período de tranqüilidade, estabilidade e prosperidade ao povo romano.

[1] Tito Flavio Vespasiano imperador romano que iniciou a dinastia Flávia, ocupou o poder o ano de 69 d.C.
[2] Calígula imperador romano (37 d.C. a 41 d.C).
[3] Britânico filho do imperador Cláudio e de sua terceira mulher Messalina, teve o nome alterado de Germânico para Britânico após as conquistas das ilhas Britânicas pelo seu pai em 43 d.C.
[4] Ano dos quatro imperadores, período conturbado da História imperial após a morte do Imperador Nero(68 d.C.).
 
 

Referências Bibliográficas:

SUETÔNIO. A vida dos doze Césares. 4ª Ed. São Paulo: Ediouro, 2002.

VEYNE, Paul. O Império Greco-Romano. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.

 

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O perfil histórico de Políbio

Políbio nasceu em Megalôpolis, no Peloponeso, região da Aquéia por volta do ano 200 a.C. Nesta região formou-se a liga Aquéia, onde ele era membro integrante, até ser delatado aos romanos que detinham sob sua tutela, a Grécia. Políbio foi levado a Roma sem julgamentos, mas reconhecido como aristocrata, esteve próximo de famílias importantes em Roma, que lhe concederam muito mais um refúgio, do que um exílio já que lhe era permitido viajar, condição básica a um historiador criterioso.

Seu propósito era expor a ascensão romana, tornando-a inteligível aos gregos, sua obra nós chegou fragmentada, mais utilizando sua intrínseca característica de objetividade, a maior parte de sua obra foi dedicada a entender “a escalada de Roma como a maior potência do Mediterrâneo, de 220 a 168 a.C.”[1]

O pensamento polibiano diplomático inseria as atitudes romanas como respostas a ataques, mesmo quando ele descreve o exército romano, observando sua sede de conquistas. Pois os romanos exerceram seu domínio não apenas em poucas regiões, mas em todas que eram conhecidas, sendo, portanto o maior Império que se tinha notícia.  Ainda assim a análise polibiana era de uma Roma defensiva.

O grande intento de Políbio foi à percepção de entender e tornar público as reais motivações dessa escalada surpreendente. O que tornava os romanos invencíveis em um período longo e conturbado na antiguidade. Os sistemas aplicados neste momento histórico era o ponto culminante na historiografia polibiana, pois o que lhe parecia pertinente era o fato de Roma alcançar certa estabilidade, apesar de seu líder.

Na Grécia as conquistas militares estavam sempre subjugadas aos seus comandantes, mas a poucos homens que em sua falta, constituiria a derrota grega. Situação contrária a romana. O império romano centrava suas conquistas em uma instituição constitucional que lhe garantia hegemonia.

Esta análise da estrutura do sistema constitucional tornou Políbio o primeiro historiador, a se deparar com este novo método de fazer história, uma história construída através de uma metodologia analítica do crescimento e progresso das instituições políticas. “Políbios apresenta a natureza peculiar da Constituição de Roma como um dos fatores essenciais à explicação do crescimento extraordinário de seu poderio”.[2]

Neste sistema constitucional apresentam-se três poderes na figura da monarquia, os poderes estão representados por dois cônsules, a aristocracia está representada pelo Senado, a assembléia popular constitui a democracia. Esta constituição mista de poder reflete uma solidez vertida num processo longo, de erros e acertos que controlam o Estado.

Esses poderes exercem sobre a grande massa sua dominação de medo, apoiado na religião também dominada pelo estado. E num perigo iminente os três poderes se unem de maneira coesa, eficiente, onde qualquer desajuste ou inimizades são temporariamente esquecidos em favor de um Estado forte e hegemônico.

Políbio visualiza com o passar do tempo, que as instituições acabaram sendo engolidas pela cobiça, do próprio poder. Ele sustenta a tese que um dia as instituições romanas cairiam. Nota-se, portanto, que a visão polibiana, vai se modificando ao longo de suas constatações, suas investigações interpretativas o alertam para um desequilíbrio entre as forças de governo romano.

E, ainda que o governo misto romano constituído e forjado na antiguidade apresente uma série de erros e tenham evidentemente sucumbido. Foi efetivamente um marco na historiografia mundial através da obra de Políbio. Ele trouxe a luz o estudo analítico sobre formas de governo até então despercebida pelos historiadores. E na observação do tempo em que o império romano exerceu total hegemonia, podemos concluir que sua constituição foi mais eficaz que as anteriores e as contemporâneas.

[1] Marques, Juliana Bastos. Políbio obra Organizada por Joly, Fábio Duarte com o título História e retórica: ensaios sobre historiografia antiga em 2007, p.48.

 [2] Romilly, Jacqueline – Fundamentos da Literatura Grega, 1984, p. 242.

Referência Bibliográfica:

JOLY, Fábio Duarte. História e retórica: Ensaios sobre historiografia antiga. São Paulo: Ed. Alameda, 2007.

POLÍBIO. Historia. Brasília. Ed UNB, 1985.

ROMILLY, Jacqueline. Fundamentos da Literatura Grega. Rio de Janeiro: Zahar, 1984. 

 

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A lendária Valéria Messalina

Valéria Messalina

Prima e esposa do imperador romano Cláudio[1] ficou famosa por seu apetite sexual, proporcional ao tamanho do império romano. Casada com um homem ridicularizado por sua falta de controle físico, segundo Kerrigan: “As suas mãos tremiam , gaguejava, tinha tendência a babar, cambaleava, coxeava de uma maneira muito estranha, sempre que tentava andar. Ele também desatava a rir alto, abrupta e incontavelmente. Quando ficava bravo, ele cuspia e babava enquanto gritava.” (2009, p. 76)

Oposta a figura de Lívia, esposa do imperador Augusto, Messalina era contrária as tradições da boa esposa romana. Sua única atitude condizente com o padrão da boa esposa romana foi dar um filho homem ao imperador. A imperatriz se identificava com as sacerdotisas de Baco[2], ela costumava todas as noites frequentar um lupanário[3], a insaciável esposa do imperador, pela manhã era convidada a se retirar, já que todas as prostitutas já haviam se retirado.

Plínio, o historiador romano comentou: “Messalina, a esposa de Cláudio César, encarando isto como um prêmio digno de uma Imperatriz, decidiu resolver a questão competindo com a mais notória prostituta de Roma. Depois de um coito contínuo de dia e de noite, ela triunfou, atingindo os 25 coitos”.

Representação de Messalina - sacerdotisa da paixão

Quanto a sua morte há controvérsia para alguns historiadores, a punição de Messalina teria sido a ordem para cometer suicídio, apunhalando-se na fria lâmina de uma espada, algo que ela não conseguiu fazer, e o golpe fatal teria sido deferido pelo mensageiro. Já para Suetônio, o Imperador Tibério Cláudio Druso  mandou assassinar sua esposa.

Nos dicionários de língua portuguesa a palavra messalina significa mulher lasciva e dissoluta[4] ou mulher sensual e libertina[5], este conceito é originário da vida de luxúria da imperatriz romana no século I d.C.

Ilustração de encontro de Messalina

[1] Imperador Cláudio casou-se com Messalina por volta do ano 37 d.C.

[2] Deus do vinho e da luxúria.

[3] Prostíbulo na Roma Antiga.

Referências Bibliográficas:

KERRIGAN, Michael. A história secreta dos imperadores romanos – De Júlio César à queda de Roma. São Paulo: Editora Europa, 2009.

SUETÔNIO. A vida dos doze Césares. São Paulo: Ediouro, 2002.

 

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Cleópatras

De todas as rainhas egípcias que tiveram esse nome, a mais conhecida, é sem dúvida nenhuma, Cleópatra VII. Famosa por sua relação pessoal com os dois maiores comandantes romanos da época, Júlio César e Marco Antônio, bem como por sua ambição pelo poder que levou temor ao Senado romano, a rainha descendia de uma linhagem de governantes – os lágidas – que chegaram ao poder no Egito após a conquista de Alexandre, o Grande. Com a morte do rei, seu império foi dividido entre seus principais comandantes e coube a Ptolomeu o governo da antiga terra dos faraós, até então dominada pelo império persa.

Nesta linhagem de governantes encontramos seis rainhas homônimas, predecessoras da Cleópatra famosa e com vidas tão atribuladas quanto à de sua descendente e dignas de receberem comentários, visto que estavam também envolvidas com as intrincadas disputas dinásticas características do governo egípcio do período lágida que culminaram com a dominação romana na região. Será sobre essas soberanas que faremos breves considerações neste pequeno artigo.

A primeira rainha egípcia chamada Cleópatra era esposa do rei Ptolomeu V Epifânio e após a morte deste, governou como regente de seu filho Ptolomeu VI Filometor até 172 a.C. quando morreu. Cleópatra I conseguiu manter a paz no Egito, que se encontrava enfraquecido com a perda, anos antes, da Síria, anexada pelo selêucida[1] Antíoco III. Após a morte da monarca, o Egito foi invadido por Antíoco IV e somente tornou-se livre com a intervenção dos romanos – que aumentaria no decurso dos reinados seguintes. Preferindo não entrar em confronto com Roma, o selêucida preferiu se retirar das terras egípcias.

Cleópatra II governou o Egito em conjunto com seu irmão e esposo Ptolomeu VI Filometor e contando com o apoio dos romanos. Entretanto os dois monarcas foram expulsos do reino por seu irmão mais jovem, Ptolomeu VIII Evérgeta[2]. O rei deposto recorreu novamente a Roma para resolver o conflito familiar pelo poder e, através de decisão do Senado romano, conseguiu apoio para retornar, juntamente com a esposa, ao trono egípcio. A Ptolomeu VIII coube o governo da Cirenaica[3]. Através desta nova intervenção, os romanos conseguiram fragmentar ainda mais o reino dos ptolomeus.

Quando Ptolomeu VI morreu, seu irmão mais novo deixou a Cirenaica, retornou ao Egito e desposou Cleópatra II. Logo em seguida, matou o filho dela, herdeiro legítimo do trono, Ptolomeu VII. Reunificando o reino, Ptolomeu VIII governou de 145 a.C. até 116 a.C. e, durante esse período as disputas dinásticas prosseguiram.

Apaixonado pela filha da esposa, e sua própria sobrinha, Cleópatra III, o rei a desposou também. Era a primeira vez, deste o surgimento da monarquia lágida, que um trio governava o Egito e não uma dupla de irmãos-esposos, como de costume. O ódio entre mãe e filha, esposas do mesmo marido, despertou uma guerra civil em Alexandria, que obrigou Ptolomeu VIII[4] e Cleópatra III a fugirem para o Chipre. A rainha Cleópatra II permaneceu no Egito como única governante. Para vingar-se da irmã e de seus partidários, o rei deposto enviou à soberana o corpo esquartejado do filho que tivera com ela.

Dois anos mais tarde, Ptolomeu VIII conseguiu retornar à Alexandria e fez as pazes com a irmã-esposa pondo fim a guerra civil que assolava o Egito. Os três soberanos reconciliados decretaram anistia a todos os delitos ocorridos durante o confronto como forma de trazer a calma de volta ao reino. Em 116 a.C., Ptolomeu VIII morreu e deixou através de testamento o reino do Egito para sua esposa Cleópatra III e a Cirenaica para Ptolomeu Ápio, seu filho com uma concubina.

 

Cleópatra III, Cleópatra II e Ptolomeu VIII perante Hórus. Templo de Kom Ombo, Egito.

Cleópatra III decidiu, a partir daí, governar sozinha sobre o Egito. Fez de seu filho, Ptolomeu IX Sóter, um monarca puramente nominal. O poder era detido pela rainha que passou a ser cognominada thea evergétis – “deusa benfeitora”. Ao seu nome ela acrescentou ainda os epítetos philometor – “que ama a sua mãe” – e soteira – “salvadora”. Passou a ser cultuada em vida.

A rainha possuía cinco sacerdotes para este culto, onde foi associada à deusa Ísis, em uma ação que precedeu a que sua neta famosa, Cleópatra VII, realizaria anos depois. Em um papiro do período de seu reinado, Cleópatra III aparece designada como “Ísis, grande mãe dos deuses”.

Em 107 a.C., Cleópatra III depôs Ptolomeu IX do trono e o substituiu por seu outro filho, Ptolomeu X Alexandre. A rainha governou o Egito até sua morte em 101 a.C. Sob muitos aspectos, seu reinado foi uma prévia do de Cleópatra VII. As duas possuíam a mesma paixão pelo poder e se valeram de grandiosas encenações político-religiosas para legitimá-lo.

Já Cleópatra IV esteve bastante envolvida nestes conflitos familiares pelo controle do poder no Egito e fora dele. Filha de Ptolomeu VIII e Cleópatra III, casou-se muito jovem com o irmão, Ptolomeu IX, e posteriormente foi repudiada por ele, seguindo ordens da mãe que via na filha uma ameaça. O jovem rei, contraiu novas núpcias com a irmã mais jovem, Cleópatra V Selene, enquanto Cleópatra IV fugiu para o Chipre onde conseguiu formar um exército de mercenários e partiu para a Síria.

Neste reino havia uma disputa entre os meio-irmãos Antíoco VIII e Antíoco IX, primos de Cleópatra IV. Antíoco VIII era casado com outra das irmãs da ex-rainha, Cleópatra Trifena, e aliado do Egito. Desta forma, pretendendo vingar-se da mãe que a preterira, Cleópatra IV ofereceu o auxilio de seu exército a Antíoco IX e tornou-se sua esposa. Em 114 a.C., Antíoco IX conseguiu conquistar a Síria, mas foi logo em seguida derrotado por Antíoco VIII, em 112 a.C., que tomou o palácio real de Antioquia e prendeu Cleópatra IV. Cleópatra Trifena, temendo que o marido fosse seduzido pela irmã, mandou executá-la.

A última filha de Cleópatra III a permanecer em Alexandria, Cleópatra V Selene, também teve uma vida bastante movimentada, casou-se diversas vezes e enfrentou grandes disputas dinásticas. Casando-se com o irmão, Ptolomeu IX, após a separação deste de sua primeira esposa e irmã mais velha, Cleópatra IV, e permanecendo no Egito após o afastamento do rei pela mãe, Cleópatra V era vista como influenciável por todos ao seu redor. Entretanto, a rainha fugiu para a Síria, talvez numa tentativa de se desvencilhar da mãe, e envolveu-se também no conflito dinástico existente lá.

Casou-se com três postulantes ao cargo de rei sírio: Antíoco VIII, Antíoco IX e Antíoco X, dos quais dois primeiros já eram viúvos de suas irmãs mais velhas, Cleópatra IV e Cleópatra Trifena. Após a morte do último, a rainha foi viver na Fenícia com seus filhos.

Em 75 a.C., ela tentou contestar o reinado de Ptolomeu XII – pai de Cleópatra VII e filho bastardo do monarca anterior, Ptolomeu IX, ex-esposo de Cleópatra V[5] – enviando a Roma seus jovens filhos para apresentá-los como os legítimos herdeiros do trono do Egito. Entretanto, os romanos não compactuaram com essa tentativa visto que os jovens eram descendentes de seus inimigos selêucidas e, posteriormente, a rainha acabaria assassinada em 69 a.C.[6] pelo exército do rei Tigranes I da Armênia, que havia dominado a Síria, quando tentava colocar seu filho no trono da região.

Da última rainha da qual trataremos neste artigo, Cleópatra VI Trifena, dispomos de poucas informações. Casada com seu irmão, Ptolomeu XII Auletes, ambos foram considerados deuses vivos, como outros antepassados seus. Mas isso não impediu que estourasse uma revolta em Alexandria em 58 a.C., devido à perda do Chipre e de outras regiões antes pertencentes  ao reino dos lágidas para os romanos, que obrigou o rei a fugir para Roma com o intuito de pedir auxilio ao Senado na manutenção de seu trono.

Cleópatra VI permaneceu no Egito como rainha, até sua morte em 57 a.C. Berenice IV, filha dos soberanos, assumiu o trono e casou-se com Arquelau, filho do rei do Ponto[7], inimigo dos romanos. Obtendo o apoio do Senado romano, Ptolomeu XII retornou ao Egito e prometeu dez mil talentos ao procônsul da Síria, Aulo Gabínio para que este invadisse o reino e o ajudasse a retomar o trono. Após a vitória, conseguida com o apoio de Marco Antônio[8], comandante da cavalaria, Ptolomeu mandou assassinar a própria filha e reinou até falecer em 51 a.C., sendo substituído por seus filhos Cleópatra VII – a mais famosa rainha com este nome – e Ptolomeu XIII.

Foi nesse contexto de submissão, humilhação e lutas dinásticas que fragmentaram o reino dos ptolomeus que Cleópatra VII cresceu. Seu caráter foi moldado e influenciado pela possibilidade de perda do trono que pairava sob o reinado de seus antepassados e sob o seu próprio. Além disso, ao contrário do que acontecera no passado, na época dos primeiros reis após Alexandre, o Grande, o reino lágida não possuía a mesma grandeza, e seu rei era apenas um cliente dos romanos, apesar de gozar ainda de uma grande riqueza, que devido aos conflitos dinásticos, das quais as seis rainhas chamadas Cleópatra participaram intensamente, perdera quase todas as regiões pertencentes ao seu reino – Cirenaica, Palestina e Chipre – para Roma.

 

Cleópatra VII e Cesário, seu filho com Júlio César, representados no templo de Dendera, Egito.

Com a morte de Cleópatra VII, essa situação de dominação se concluiu e o Egito, única região ainda governada pelos lágidas, foi anexado de vez pelos romanos.

[1] Selêucida: pertencente à dinastia fundada por Seleuco, general de Alexandre, o Grande.

[2] Evérgeta: originário do povo da Cítia, região da Europa situada ao norte do Mar Negro.

[3] A Cirenaica era uma região situada na costa norte da África, entre o Egito e a Númidia. Corresponde à parte oriental da atual da Líbia.

[4] Os egípcios chamavam Ptolomeu VIII, ironicamente, de Physcon – “Barrigudo” – em função de sua obesidade.

[5] Cleópatra V Selene era, na verdade, a última lágida legítima, visto que Ptolomeu XII era filho bastardo de seu irmão e ex-esposo com uma concubina de nome desconhecido.

[6] Mesmo ano do nascimento de Cleópatra VII.

[7] Reino da Ásia Menor, nas margens do Mar Negro.

[8] Alguns historiadores acreditam que Marco Antônio teria se apaixonado por Cleópatra VII nesta primeira expedição no Egito, mas essa hipótese ainda carece de comprovação.

Referências bibliográficas:

SCHWENTZEL, Christian-Georges. Cleópatra. Porto Alegre: L&PM, 2009.

TYLDESLEY, Joyce. Chronicle of the queens of Egypt. Londres: Thames & Hudson, 2006.

WHITEHORNE, J. E. G. Cleopatras. Oxford: Routledge, 1994.

 

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