RSS

Arquivo da categoria: HISTORIOGRAFIA

Pesquisadora Elaine Bordalo, do CPA/RJ, lança livro

Acaba de ser publicado, pelo Grupo Editorial Scortecci, um livro que trata de um assunto ainda pouco pesquisado, mas muito instigante e que envolve História Antiga e Direito.

Delitos Contra A Divindade No Mundo Antigo é um livro que propõe uma viagem ao período Pré-Clássico na Babilônia de Hammurabi e ao período bíblico do Antigo Testamento com o profeta Moisés. Uma análise comparativa dos códigos de Hammurabi e de Moisés com intuito de trazer à discussão questões que envolviam o roubo ao “Sagrado”.

A autora Elaine Bordalo, historiadora, especialista em História Antiga e Medieval pela Faculdade São Bento/RJ e Pós-Graduanda em Arqueologia, História e Sociedade pela Universidade de Santo Amaro, pesquisadora da História do Antigo Israel e membro do Centro de Pesquisas da Antiguidade (CPA/RJ) tratou o tema com seriedade buscando na historiografia e em fontes históricas a argumentação necessária para fundamentar a pesquisa. Esta poderá abrir novos questionamentos sobre a política e a religião no Antigo Oriente Próximo.

Com prefácio do Professor Doutor em Filosofia Victor Sales Pinheiro, Delitos Contra A Divindade No Mundo Antigo é um livro que vale a pena conferir!

O livro já se encontra disponível no site da Livraria Virtual Asabeça:

http://www.asabeca.com.br/detalhes.php?prod=6654&friurl=_-DELITOS-CONTRA-A-DIVINDADE-NO-MUNDO-ANTIGO–Elaine-Bordalo-_&kb=884#.UrI5HOl3vIU

Livro Elaine

 

Tags: , , , , , ,

Agenda Cultural!

Abertas inscrições para o III Encontro Paulista de Museus

Acontece no Memorial da América Latina, em São Paulo o III Encontro Paulista de Museus – “Articulando Territórios”

Dias 06 e 08 de junho de 2011.

Para participar é preciso se inscrever gratuitamente pelo link http://www.encontropaulistademuseus.com.br/.

O objetivo do encontro é debater aspectos da gestão e da política das instituições museológicas brasileiras, bem como ampliar a rede de interlocução e de colaboração dos museus paulistas.

Você ainda pode acompanhar o encontro pelo site Fórum Permanente (http://www.forumpermanente.org/.event_pres/encontros/iii-encontro-paulista-de-museus/), que fará transmissão ao vivo.

Fonte: Boletim eletrônico Nº 355-ano VIII – 02/06/2011 a 09/06/2011

 

O Núcleo de Estudos da Antiguidade (NEA/UERJ) oferece:

Oficinas de História

Santuários: identidade, espaço e religião dos gregos antigos, 07/06
Prof.ª Mestranda Tricia Magalhães Carnevale  (NEA/PPGH/UERJ)

Anacreonte e os festivais atenienses, 07/06
Prof. Doutorando José Roberto de Paiva Gomes (PPGHC/UFRJ-NEA/UERJ)

Campus Maracanã – Rua: São Francisco Xavier, 524, bloco A – 9ª andar sala 9030

Mais informações: http://www.nea.uerj.br/

 

 

Tags: , ,

Historiografia Inca

 Por pesquisador Amarildo Salvador

A palavra império designa toda uma realidade relacionada ao tempo e ao espaço interferindo na sociedade em vários aspectos como o territorial a cultura e a religião. O Império Inca fora formado pela aglutinação de várias civilizações, uma rede complexa de cidades que tinham como centro gravitacional o templo e o sacerdote como a figura principal.

As pesquisas mais recentes sugerem a ocupação no continente americano aproximadamente há 40000 anos a.C. com novas rotas de emigração não se limitando a Teoria do estreito de Bering abrangendo outras possibilidades como a travessia do oceano Índico por barcos pequenos, mas de grande resistência e capacidade para grandes viagens.

A historiografia dividiu o tempo cronológico americano diferenciado do restante do globo como se fosse possível estudar a história do homem americano separado do contexto geral, porém para entendermos a história dos incas devemos mergulhar na divisão histórica dividida pela historiografia.

deus Jaguar Chavin

O primeiro período foi denominado Horizonte Antigo compreendido entre 1400 a 400 a.C. com a supremacia da cultura Chavin de Huantar em que foi desenvolvido o culto religioso em torno do deus com Cetro (Jaguar), onde o poder dos sacerdotes se destacava, o período seguinte está delimitado entre 400 a.C. a 550 d.C. com a denominação de 1°Período Intermediário nessa época desenvolveu duas culturas que foram marcantes no continente americano restando até os dias de hoje a sua passagem pelo continente as Linhas de Nasca no deserto aproximadamente no ano de 370 a.C.

Linhas de Nasca

 Ainda nesse período as cerâmicas desenvolvidas pela cultura Mochica no ano 100 a.C. ganharam destaque com uma realidade estética observada nas esculturas tanto da Grécia como da Roma Antiga. Desenvolvendo as margens do lago Titicaca a mais de 3000 metros altitude acima do nível do mar, a cultura Tiahuanaco perdurou por mais de 500 anos no extremo sul, e paralelamente ao norte desenvolveu a cultura Huari, o desaparecimento dessas cidades alavancou o desenvolvimento das outras cidades-estados que se espelharam no modelo desenvolvido nesse período compreendido entre 550 a 900 d.C., denominado Horizonte Médio.

Porta do Sol

Entre os anos 900 a 1476 desenvolveu duas civilizações imperialistas uma no litoral Chimu desenvolvida na costa do Pacífico e com a capital Chan-Chan uma cidade com estimativas populacionais acima de 80 mil habitantes um desenvolvimento não alcançado nas grandes capitais européias do período um império hidráulico que teria o seu expansionismo chocado com o imperialismo Inca projetado nos Andes que desenvolveu sob o reinado de Pachacuti “aquele que fez a terra tremer” nono soberano inca.

Chan-Chan

Cerâmica Huari

O império Inca anexou povos e tecnologias e perdurou aproximadamente 200 anos edificou centenas de cidades, irrigou e tronou férteis terrenos que outrora eram áridos e sem chances de sobrevivência, o fim trágico tem seu inicio com a guerra civil e a chegada dos espanhóis, entre as edificações desta civilização Macchu Pichu tornou-se sinônimo da grandiosa sociedade Inca.

Cerâmica Mochica

Podemos concluir que a historiografia caminha para uma conscientização da população da Americana, reconhecem as raízes tanto nativas como européias formadoras da sociedade atual a sistematização do conhecimento através da divisão histórica que incluiu o estudo das civilizações pré-colombianas paralelo ao estudo das civilizações da Antiguidade Clássica delegando a esses povos a mesma importância.

Machu Picchu

Referências Bibliográficas:

  • Acosta, José de. História Natural y Moral de lãs Índias. Madri: Ed. José Alcina Franch. 1987
  • Favre, Henri. A civilização Inca. Rio de Janeiro: Editor Jorge Zahar, 2004
  • Freire, Pedro Ribeiro O soldado Pedro de Cieza de León e o Império Incaico. Rio de Janeiro Ed. UERJ, 2000.
  • Ribeiro, Darcy – As Américas e a civilização. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1988.

Amarildo Salvador é graduado em História pelo Centro Universitário Augusto Motta, e membro do Centro de Pesquisas da Antiguidade.

 

Tags: , , , , ,

Fique por dentro!

Palestra

« O passado no presente »

Por Roger Chartier

Professor do Collège de France

Dia 23 de setembro, às 14 horas, no Salão Nobre

do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ

Largo de São Francisco, número 1

E

 

 

Tags: , ,

A historiografia judaica segundo Arnaldo Momigliano

 

Arnaldo Momigliano nascido na Itália em 1908 foi professor de história romana na Universidade de Turim em 1936. Mas por causa da perseguição racial de Mussolini foi expulso em 1939. Domiciliou-se em Londres onde foi professor de história antiga nas universidades de Oxford e College London. Momigliano é conceituado hoje como um dos mais importantes historiadores de história antiga.

O fato de sido um judeu exilado, acabou por corroborar para a integibilidade de sua obra, ampliando sua visão quanto à intensidade e volume nas transformações provocadas pelos acontecimentos, assim como também sua linguagem tornou-se mais clara e de fácil tradução expandindo seu conhecimento intelectual. Revelando uma influência positiva da diáspora em sua produção acadêmica.

Momigliano apresentou o historiador como um contínuo inventariante, compactuando da historiografia tucidiana[1], o historiador deve buscar a compreensão das transformações, para isso necessita esmiuçar, perscrutar, dentro de uma composição analógica Não apenas verificando de forma simplista as causas dos eventos. Portanto a função básica do historiador para Momigliano era construir um apanhado geral sem descuidar das especificidades dos fatos, sustentado sempre num referencial que sirva de modelo as propensas constatações.

O Professor Doutor Vicente Dobroruka[2] que vem se dedicando a estudos do judaísmo e do mundo helenístico na Universidade de Brasília, conceitua Momigliano, como o maior sintetizador nos estudos de intensidade da helenização no Oriente.

Segundo Momigliano os judeus escreveram uma história, visando reclamar seus direitos e explicitando as sofridas injustiças, já que durante a antiguidade estiveram sempre sobre diversas dominações estrangeiras. As conquistas de Alexandre, inclusive sobre a Judéia, embora muito provavelmente ele nunca tenha estado na Judéia propiciou a entrada ampla do helenismo, ainda mais forte sobre domínio dos Ptolomeus[3], após a morte de Alexandre. No entanto as relações comerciais de gregos e judeus decorriam na preponderância grega.

Momigliano lembra que Flávio Josefo, historiador judeu contemporâneo ao segundo templo no século I d.C. tinha por hábito utilizar documentos de historiadores antecessores, como Túcidides que fez uso de arquivos. O que não exime da aparição de originalidades nos respectivos trabalhos conceituais, assim como relata a capacidade de organização de Josefo nos registros públicos, embora o historiador do primeiro século desconhecesse a metodologia utilizada pelos gregos para este fim.

A constante preocupação judaica era em escrever a história num contexto amplo, uma história que insiste na descrição desde a criação do mundo, e que permeia os feitos de Javé em prol dos hebreus, decorre portanto na marca do interesse nos registros históricos judaicos no relacionamento de Javé com a nação hebraica. E que por associação da história hebréia estava diretamente relacionada aos aspectos doutrinários religiosos, o princípio era a transmissão verdadeira de todos esses acontecimentos conforme relata Momigliano “A lembrança do passado é uma obrigação religiosa do judeu que era desconhecida para os gregos. Conseqüentemente, a confiabilidade em termos judeus coincide com a veracidade dos transmissores e com a verdade última do deus em que acreditam os transmissores”. (2004, p. 40)

A história tinha para os judeus uma conotação religiosa de identificação da nação hebréia, mas a recusa no empenho de uma pesquisa histórica consistente aliada a uma total desmotivação oriunda do próprio padrão de desdobramento do judaísmo, inserindo como seu objeto principal de registro histórico, o divino, como atesta Momigliano: “… todo desenvolvimento do judaísmo conduziu a algo que não era histórico, que era eterno, a Lei, a Torá” (2004, p.44). Logo a história foi destituída, por não mais interpretar os acontecimentos, essa função passou a ser concebida teologicamente. Todo conhecimento advinha da Torá e dos profetas.

O próprio Flávio Josefo, conforme Momigliano não escrevia para judeus, seu público alvo era os gentios. Onde ele poderia apresentar a história judaica de forma a nobilitar a grandeza da memória hebréia, possivelmente numa tentativa de fortalecer e restaurar seu elo particular com o judaísmo, já que Josefo foi desconsiderado na Judéia, se domiciliando em Roma, que detinha a tutela de sua terra natal, destruindo Jerusalém e o segundo templo. Entretanto não se pode negar a importância dos registros de Josefo, que em sua grande maioria utilizava a língua grega. Seus relatos em grande parte constituem fontes de pesquisas primordiais sobre a Judéia e o judaísmo. Servindo até de respaldo a história eclesiástica.

Portanto, fica claro que a ausência da historicidade determinou o desaparecimento da historiografia judaica no século II d.C., que só retornou catorze séculos depois. Embora o judaísmo tenha sofrido o impacto do helenismo em todos os seus segmentos, a historiografia judaica não seguiu o modelo da historiografia grega. Como afirma Momigliano: “O judeu culto era tradicionalmente um comentador de textos sagrados e não um historiador” (2004, p. 49)

A historiografia judaica que se iniciou enfatizando a história com centro da vida judaica, e ganhou impacto com o historiador Flávio Josefo, perdeu-se em sua ânsia pela busca da verdade religiosa. A fé judaica foi eficaz para transpor o helenismo e toda dominação que sofreu, até nas destruições, e exílios manteve-se graças a sua obstinada crença. Entretanto historicamente entrou em um paradoxo, sua doutrina religiosa bastava para explicar os acontecimentos, desprestigiando a pesquisa histórica que não encontrava fontes para se estabelecer. Desencadeando a inexistência da historiografia judaica por catorze séculos.

[1] Tucídides (460 – 400 a.C.) Historiador que implantou na história uma utilidade oriunda da investigação, da pesquisa histórica

[2]  Vicente Dobroruka professor da Universidade de Brasília fez doutorado em teologia e mestrado em Estudos Orientais e História Social da Cultura

[3] Ptolomeus dinastia que dominou o Egito e a Palestina após a morte de Alexandre o grande.

Referência Bibliográfica:

MOMIGLIANO, Arnaldo. As raízes clássicas da historiografia moderna. São Paulo: EDUSC, 2004.

MOMIGLIANO, Arnaldo. Os Limites da Helenização. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1991.

 

 

 

 


 

Explodindo pedras

Prof. Marcio Sant´Anna dos Santos[1]

Atualmente muitas pessoas ao pensarem no estudo da antiguidade consideram esta área da História muito distante de nós, estranha, inútil, sem ligação alguma com as atuais sociedades, normalmente envolta em mantos de misticismo, ocultismo e mistérios. Além disso, os estudantes de História ao se debruçarem sobre a antiguidade, especificamente, se deparam com sérios problemas como: documentação precária, a não coincidência dos conceitos históricos tradicionais com os conceitos históricos antigos e bloqueios metodológicos, entre outros.     

Se me perguntassem há menos de um ano se eu acharia possível que um blog na Internet específico sobre História Antiga chegasse à marca de cinqüenta mil acessos em menos de um ano, com certeza eu teria minhas dúvidas, poderia mesmo acreditar, metaforicamente falando, que seria uma pedra pesada demais a empurrar ladeira acima e que ela poderia cair em nossas cabeças.

Mesmo sendo pesquisador na área de antiguidade – e tendo escolhido esta por ter certeza de que me interessando por um passado longínquo estaria buscando uma compreensão sobre assuntos que afetam o dia-a-dia das sociedades atuais como o surgimento e a emergência da escrita e das leis, da democracia, das ciências e da beleza clássica – sei que o público em geral tem pouco contato com ela aqui no Brasil: normalmente os estudantes são apresentados à antiguidade rapidamente no início do ensino fundamental e somente aqueles que resolverem seguir o curso superior em História a encontrarão novamente no começo deste, visto que no ensino médio ela é percorrida apenas por alto.

Desta forma, ao iniciar com meus colegas pesquisadores o Centro de Pesquisas da Antiguidade (CPA-RJ) em junho de 2009, me propus uma tarefa primordial: levar a antiguidade àqueles que não tiveram muito contato com ela e também àqueles que simplesmente não gostavam desta área do conhecimento e tentar mudar as mentalidades e opiniões destas pessoas quanto à serventia e a possibilidade de realizar-se estudos sérios no Brasil em relação aos antigos, provando desta forma que a História Antiga não é um “bicho de sete cabeças”, nem algo impossível de ser estudado e muito menos uma coisa chata que não possui utilidade alguma.

Hoje, quase um ano depois dos primeiros esforços para a criação do CPA-RJ e de nosso blog (e quando escrevo “nosso”, refiro-me não somente aos pesquisadores que o alimentam com seus textos, mas também a você leitor, que nos acompanha) atingimos a marca de cinqüenta mil acessos. Muitas pedras foram empurradas ladeira acima por nós, e as que ameaçaram cair sobre nossas cabeças foram explodidas com as forças da amizade, união, companheirismo e perseverança que se formaram entre os membros desta instituição. Somente por esta experiência as existências do blog e do CPA-RJ já seriam totalmente válidas.

Gostaria, e faço minhas as palavras dos demais membros do CPA-RJ, de agradecer a todos que nos acompanham neste quase um ano de atividades e também àqueles que de alguma forma contribuíram para que chegássemos neste ponto. Desejamos firmar o compromisso de continuar apresentando a antiguidade a todos que por ela se interessarem de uma forma simples e agradável e contribuir para a construção do conhecimento. Nas palavras do professor Pierre Cabanes, da Universidade de Paris, em seu livro Introdução à História da Antiguidade, teremos cumprido nosso objetivo se:

[…] o leitor, ao chegar ao fim de sua leitura sentir o desejo de ir mais longe, de cavar mais no passado […], de prosseguir na sua pesquisa com uma documentação mais completa.

Cabe-nos mostrar que a realidade é diferente, que a perfeição é exagerada, na maioria das vezes, e que ela afasta o espírito curioso. A diversidade é sinônimo de riquezas sempre mais abundantes, muitas delas ainda por descobrir[2].

 

E que venham outras pedras para que possamos continuar a explodir…

 

[1] Professor especialista em História do Brasil pela Universidade Cândido Mendes (UCAM) e pós-graduando em História Antiga e Medieval pela Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro (FSB-RJ). Membro do Grupo de Pesquisas da Antiguidade (GEA) do Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM) e coordenador de eventos do Centro de Pesquisas da Antiguidade (CPA-RJ) do Centro Cultural Jerusalém (CCJ).

[2] CABANES, Pierre. Introdução à História da Antiguidade. Petrópolis: Editora Vozes, 2009.

 

Tags:

Canaã, Judéia e Palestina: Regiões Distintas?

Por Pesquisadora convidada Bruna Rodrigues Pereira[1]

É fato que os termos “Canaã”, “Judéia” e “Palestina” são em suma mencionados em livros, artigos e textos, sejam eles bíblicos, teológicos ou históricos. No entanto, pouco se sabe sobre a origem e o significado desses termos. O objetivo desse artigo é discorrer sobre esses termos no intuito de proporcionar o melhor esclarecimento dos mesmos.

Canaã era a região que ficava a oeste do rio Jordão, também conhecida atualmente como região da Cisjordânia. Seus habitantes, antes da conquista israelita, incluíam diversos povos como os jebuseus e os hereus, por exemplo, mas que coletivamente eram chamados de cananeus. Essa região era composta de um conjunto de cidades-estado, nas quais cada uma delas tinha seu rei, que era sempre um nobre cavalheiresco de cortes locais e vassalos do Egito, que, por sua vez, havia conquistado essa região das mãos dos “Hicsos”, povo de origem semítica e soberanos dessa região por cerca de dois séculos. Esse povo deixou importantes heranças de sua cultura nessa região, que direta ou indiretamente interferiram na conquista israelita.

A nova ordem social cavalheiresca sobreviveu ao fim da dominação dos hicsos. Quando, mais tarde, as tribos israelitas precisaram se defender contra os reis cananaeus, militarmente superiores, esses temidos guerreiros com seus carros eram descendentes daqueles hicsos (GUNNEWEG, 2005, p.34).

Após a conquista e o estabelecimento do povo israelita em parte de Canaã, primeiramente sob o comando de Josué e mais tarde dos juízes, essa região passou a ser chamada de ISRAEL e o território conquistado foi dividido em doze tribos, que representavam os doze filhos de Jacó (Israel): Aser, Dã, Naftali, Zebulom, Simeão, Manassés, Benjamim, Judá, Issacar, Rúbem, Levi e Gade.

Entre os séculos XI-X a.C, sob o comando do rei Davi, o império de Israel estendeu-se das fronteiras do Egito ao Eufrates[2] e com a morte de Salomão, filho do rei Davi, o império foi dividido em dois Reinos, o chamado “Cisma da Monarquia Unida – 925 a.C”: Reino de Israel (norte) e Reino de Judá (Sul). O reino de Israel foi invadido pelo povo Assírio e tornou-se província dos mesmos. No entanto, o reino de Judá permaneceu e, sob o comando do rei Josias (628-609 a.C), sofreu sua última expansão e pode recuperar parte do território do antigo reino de Israel devido ao enfraquecimento da Assíria.

Entretanto, essa região sofreu uma invasão babilônica sob o comando do rei Nabucodonosor em 586 a.C, na qual ele leva o povo de Israel em cativeiro na Babilônia. O povo regressa finalmente em 537 a.C e o “termo Judá passou a designar todos os domínios judaicos após o regresso dos israelitas do exílio na Babilônia (…). O termo Judá chegou até nós na forma latinizada de Judéia (Iudea)” (HERZOG, GICHON, 2009, p. 27). Esse nome foi dado a essa região, quando ela assumiu o caráter de província romana em 63 a.C e também no seu período de subjugação às mãos de Vespasiano e Tito (66-73 d.C), período compreendido por revoltas e guerras na região.

Após 73 d.C, a situação da Judéia acalmou-se, sob os imperadores da dinastia flaviana (Vespasiano: 69-79; Tito: 79-81; Domiciano: 81-96). Essa “calmaria”, no entanto, foi interrompida no período do governo do imperador Trajano e também no período do imperador Adriano. Um exemplo dessa interrupção é encontrado na conhecida Revolta de Bar Kochba (132-135 d.C). Segundo Gunneweg, o motivo dessa revolta não é claro, “mas fontes mencionam o projeto do imperador para a reconstrução de Jerusalém, como Aélia Capitolina e com um templo de Júpiter, e a proibição da circuncisão, decretada pelo imperador” (GUNNEWEG, 2005, p. 302) como possíveis causas. Essa guerra de muitos anos devastou a região e dizimou grande parte da população, levando também muitas dessas à escravidão.

Jerusalém foi transformada na cidade pagã de Aelia Capitolina, cujo templo principal foi dedicado ao Júpiter Capitolino. A partir de então, o nome da região foi alterado pelo imperador para o nome latino de Síria-Palestina, portanto, Palestina, cujo significado remete a “Terra dos Filisteus”, antigo povo arquiinimigo de Israel durante a conquista de Canaã. Durante toda a sua história subseqüente, a região continuou sendo conhecida por esse nome, pois os povos que a invadiram posteriormente não lhe atribuiu outro nome.

Com base nesses aspectos, podemos concluir que, Canaã, Judéia e Palestina não se tratam de regiões completamente distintas, mas sim regiões praticamente semelhantes, que receberam diferentes denominações em diferentes períodos e que, no entanto, sofreu e ainda sofre com uma série de conflitos, tanto políticos, como ideológicos. Isso se deve, principalmente, ao fato de que essa região é a única ponte terrestre que liga a Eurásia à África, pois não existe nenhum desvio entre o mar e o deserto, e a única alternativa é utilizar as terras palestinas a oeste (Cisjordânia) e leste (Transjordânia) do rio Jordão. Vale ressaltar que após a fundação do Estado de Israel em 1948 pela ONU na região da Palestina, a antiga região de Canaã foi dividida entre os países Israel e Palestina, que até os dias atuais vivem em constantes conflitos.

 

[1] Graduanda em História pela UFRJ.

[2] Foi nesse período que Jerusalém foi fundada pelo rei Davi como capital do reino de Israel.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS:

GUNNEWEG, Antonius H.J. História de Israel – Dos primórdios até Bar Kochba e de Theodor Herlz até os nossos dias; tradução Monika Ottermann; revisão Nélio Schineider. – São Paulo: Editora teológica: Edições Loyola, 2005. (Série biblioteca de estudos do Antigo Testamento).

HERZOG, Chaim; MORDECHAI, Gichom. Batalhas da Bíblia – Uma história militar do antigo Israel. Rio de Janeiro: BV Films, 2009.

 YOHANAN, Aharoni. Atlas Histórico e Geográfico da Bílblia. Rio de janeiro: CPAD, 1999.

 ALEXANDER, Pat; ALEXANDER, David. Manual Bíblico SBB; tradução de Lilah de Noronha. Barueri, São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.

 

Tags: , ,

 
%d blogueiros gostam disto: