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Arquivo da categoria: CULTURA E SOCIEDADE

O CPA/RJ te leva: Museu Histórico da Fazenda das Posses

Réplica da Fazenda das Posses 1904 Fonte: Acervo pessoal

Réplica da Fazenda das Posses 1904
Fonte: Acervo pessoal

Repleto de objetos, como: louças, bomba de gasolina, máquina de lavar, trajes de vestuário, moedas, etc., de várias décadas do século XX. O acervo do Museu é bem diversificado, com ambientes montados que demonstram uma casa de colono, do começo do século passado.

O Museu Histórico da Fazenda das Posses é um Patrimônio Material que retrata bem a colonização holandesa na região. Um ponto turístico, cultural e histórico que vale a visita.

Diversas peças do acervo. Fonte: Acervo pessoal

Diversas peças do acervo.
Fonte: Acervo pessoal

Máquina de lavar de 1962. Fonte: Acervo pessoal

Máquina de lavar de 1962.
Fonte: Acervo pessoal

O Museu está localizado ao lado do Ginásio de Esportes, da Cooperativa de Campos de Holambra, no estado de São Paulo. A visita é gratuita, mas ela deve ser agendada pelo telefone (014) 9787-4760, com o Sr. Antônius Eltink.

Bomba de gasolina (datada de metade do século XX). Fonte: Acervo pessoal

Bomba de gasolina (datada de metade do século XX).
Fonte: Acervo pessoal

 

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Um monarca brasileiro à solta no Egito

* Uma homenagem a S.M.I. D. Pedro II, na semana de seu aniversário.

D. Pedro II por volta dos 22 anos de idade, c. 1848.

D. Pedro II por volta dos 22 anos de idade, c. 1848.

O estudo do antigo Egito foi objeto de fascínio dos dois imperadores brasileiros. Motivado pelo interesse pessoal e pelos objetos deixados pelo pai, D. Pedro I, que até adquiriu uma múmia rara da região de Tebas, D.Pedro II, um poliglota e estudioso, foi o primeiro governante brasileiro a viajar ao Egito.

No acervo do imperador constavam três múmias e uma delas, a sacerdotisa Sha-Amon-em-su, (uma cantora do templo de Amon) era uma das oito do mundo que se encontrava com os braços enrolados separados do corpo e seu sarcófago ainda está fechado nos dias de hoje. Graças a um exame de tomografia foi constatado que a múmia possui todos os amuletos de ouro, incluindo um escaravelho.

A imperatriz Teresa Cristina, esposa de D. Pedro II, trouxe da Sicília, como dote de casamento, mais de 700 itens distribuídos entre vasos de cerâmica, lamparinas e estatuetas de terracota, objetos de bronze, esculturas em pedra e frascos de vidro. Outros elementos da coleção, como os vasos etruscos, foram encontrados durante as escavações arqueológicas promovidas pela própria imperatriz em suas terras.  As peças datam de um período histórico que se estende dos séculos VII a.C ao III d.C. Foi por intermédio de Teresa Cristina que, em 1853, Fernando II – Rei das Duas Sicílias e irmão da imperatriz – mandou para o Brasil peças de vários sítios arqueológicos da Itália, a maioria de Herculano e Pompéia.

D. Pedro II contribuiu com diversas peças de arte egípcia e também com fósseis e exemplares botânicos obtidos por ele em suas viagens. Todo este acervo contribuiu para a fundação do Museu Nacional, que se tornou o centro mais importante da América do Sul em História Natural e Ciências Humanas.

A presença ativa do Imperador estava em todos os assuntos relacionados com a ciência, a tecnologia e a educação. Fazendo o papel de mecenas, o interesse de Dom Pedro II pelas ciências o levou a buscar a companhia de cientistas, tanto no Brasil como no exterior, e a participar de todos os acontecimentos culturais e científicos mais importantes do país. Para se ter uma idéia, o colégio D. Pedro II – a única Instituição a realizar os exames que possibilitavam o ingresso nos cursos superiores – era mantido pelo imperador e ele mesmo escolhia os professores, assistia às provas e conferia as médias. Ajudou, de várias formas, o trabalho de vários cientistas. Financiou ainda vários profissionais como arquitetos, engenheiros, farmacêuticos, médicos e pintores.

Apreciador da literatura e das artes, o monarca incentivou a criação das Escolas Normais, dos Liceus de Artes e Ofícios, dos Conservatórios Dramático Brasileiro e Imperial de Música. Criou e coordenou o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e apoiou os estudos de artes plásticas com doações de bolsas e prêmios, financiados por ele próprio.

Em 1871, após conseguir autorização da Câmara para viajar à Europa em função do falecimento de sua filha caçula, D. Leopoldina Teresa, o imperador aproveitou a oportunidade para realizar uma excursão de quinze dias ao Egito. Possuindo um grande conhecimento sobre diversos assuntos, D. Pedro II ansiava por poder visualizar tudo aquilo que aprendera nos livros e com seus preceptores e também encontrar os homens sábios do Velho Mundo para discutir com eles suas idéias.

Os apontamentos realizados pelo imperador em sua primeira viagem ainda revelam uma Egiptologia que estava em um grau de desenvolvimento inicial – apesar desta viagem já ter ocorrido na segunda metade do século XIX, as informações ao qual o monarca tivera acesso no Brasil ainda correspondiam a fase da Egiptologia do início do século XIX. O roteiro da visita se restringiu apenas à região do Baixo Egito, foram visitadas as cidades de Alexandria e do Cairo e de lá o monarca seguiu com sua comitiva também até os sítios arqueológicos de Mênfis, onde haviam sido feitas descobertas recentes. Mesmo com o tempo escasso, D. Pedro II participou de sessões no Instituto Egípcio de Alexandria e foi eleito membro honorário do Institut National d´Egypte.

Ao retornar ao Brasil, novamente o monarca mergulhou nos livros, estudando a fundo o que vinha se produzindo sobre a civilização egípcia e tomando ciência daquilo que os egiptólogos que conhecera na primeira viagem estavam descobrindo, e previamente organizou uma nova viagem ao Egito. Passando primeiramente pelos Estados Unidos e depois pela Europa, no final de novembro de 1876 D. Pedro II retornou às terras egípcias. Esta segunda viagem era uma verdadeira expedição de reconhecimento, durou vinte e sete dias, nos quais o imperador pôde participar de reuniões no Institut National d´Egypt, fotografar, consultar obras com estudos sobre o Egito e debater com os principais egiptólogos daquela época.

D. Pedro II pôde vivenciar in loco o processo de legitimação colonial pelo qual o Egito estava passando. A busca pela criação de uma nova memória, como evidenciado no capítulo anterior, que permitisse uma ligação direta entre o antigo Egito faraônico e o atual dominado pelos ocidentais, desconsiderando o período da dominação muçulmana serviu como ferramenta para inferiorizar os egípcios muçulmanos modernos. Na concepção dos europeus, os habitantes do Egito eram incapazes de produzir conhecimentos sobre si próprios e desta forma as grandes potências da Europa é que deveriam guiá-los, pois já estavam mais adiantadas dentro de um processo de evolução, o que as tornavam capacitadas para tal missão.

Dentro desta concepção, o imperador em suas anotações procurou relacionar os egípcios muçulmanos aos indígenas e negros brasileiros, pois estariam todos no mesmo patamar evolutivo – entre a selvageria e a barbárie – de acordo com a ideologia evolucionista. Também as dádivas naturais do Egito mereceram a atenção de D. Pedro II, pois permitiram o desenvolvimento de uma grande civilização que se tornou um poderoso Estado na antiguidade. Diante de tais condições não estaria o Brasil, com suas riquezas naturais, predisposto a se tornar também uma grande potência no futuro como o Egito fora no passado?

D. Pedro II e sua comitiva junto à esfinge de Gizé. O. Schoeff, 1872. Biblioteca Nacional

D. Pedro II e sua comitiva junto à esfinge de Gizé. O. Schoeff, 1872. Biblioteca Nacional

Referências Bibliográficas:

CAMARA, Giselle Marques; RODRIGUES, Antonio Edmilson Martins. PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO Departamento de História. “Então esse é que é o Imperador? Ele não se parece nada com reis”: algumas considerações sobre o intelectual brasileiro Pedro de Alcântara e suas viagens pelas terras do Nilo. 2005. Dissertação (Mestrado em História) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, 2005, cap. 4.

LEFEBVRE, Georges. O nascimento da moderna historiografia. Lisboa: Sá da Costa, 1981.

SAID, Edward W. Orientalismo – o Oriente como invenção do ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

SCHARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

VERCOUTTER, Jean. Em busca do Egito esquecido. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

 

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Grandes mulheres do Egito antigo – Tetisheri

A XVII dinastia egípcia (1630-1539 a.C.) entrou para a História daquela civilização devido aos seus reis guerreiros originários da cidade de Tebas, no Alto Egito, os quais iniciaram o movimento que levou à expulsão dos hicsos [1] da região do Delta do Nilo e a reunificação do país já no início da XVIII dinastia (1539-1292 a.C.), no reinado do faraó Ahmósis.

Estes homens que passaram grande parte de suas vidas enfrentando os invasores do Egito precisavam de companheiras confiáveis que estivessem prontas para reger o país, cuidar da segurança dos herdeiros e tomar decisões importantes enquanto seus maridos estivessem fora, nas campanhas militares.

Uma destas mulheres foi tão valorosa que após sua morte mereceu uma grande honra concedida pelo próprio Ahmósis, o faraó libertador: a construção de um túmulo em Abidos, uma das regiões mais sagradas do Egito por ser o centro do culto ao senhor do mundo dos mortos, o deus Osíris. Esta dama favorecida foi a rainha Tetisheri, avó do libertador e a primeira de uma linhagem de mulheres fortes que estiveram lado-a-lado com seus maridos faraós durante o movimento de expulsão dos invasores hicsos.

Tetisheri não era originária da Família Real, seus pais eram o juiz Tjenna e sua mulher Nefru [2], porém ela foi escolhida pelo faraó Senakhtenre Taô I para ser não somente sua esposa, mas sua Grande Esposa Real, ou seja, sua rainha principal. O casal gerou o príncipe Sekenenré Taô II, que se tornou faraó sucedendo ao pai e deu continuidade à luta contra os hicsos, morrendo em batalha, e as princesas Inhapy, Sitdjehuty e Ahotep I, sendo esta última a Grande Esposa Real do próprio irmão e mãe do libertador Ahmósis, tendo atuado como regente durante a minoridade do filho.

Desta forma, o faraó Ahmósis era neto da rainha Tetisheri tanto por parte de pai quanto de mãe e após a morte da avó quis honrar aquela que foi responsável por trazer ao mundo os homens e mulheres que lideraram os egípcios contra os invasores de suas terras. Sepultado inicialmente próximo a Tebas, cidade originária da Família Real, o corpo da rainha foi transladado por ordem do rei para uma nova tumba em forma de pirâmide localizada em Abidos, lugar de peregrinação para o culto de Osíris e onde o próprio faraó mandara construir seu templo funerário.

Em uma estela comemorativa encontrada no local, a falecida rainha Tetisheri é representada sentada em um trono, usando uma coroa com um abutre encimada por duas penas de avestruz e recebendo oferendas de seu neto, o faraó, demonstrando que ela própria já havia se tornado uma divindade. Um texto explicativo acompanha a imagem e mostra o respeito que o rei nutria pela avó:

“O próprio rei disse, ‘Eu me lembro da mãe de minha mãe, mãe de meu pai, a Grande Esposa Real e Mãe do Rei, Tetisheri, já falecida. Ela já possui uma tumba e um monumento funerário nas terras de Tebas e de Abidos, mas eu digo isto para vocês porque Minha Majestade deseja construir uma pirâmide para ela na necrópole próxima do meu próprio monumento, com um lago cavado, árvores plantadas, oferendas de pães’… Assim que Sua Majestade ordenou, tudo foi posto em ação rapidamente. Sua Majestade fez isso porque a amou mais do que tudo. Os reis do passado nunca fizeram algo parecido por suas mães”.

Tetisheri inaugurou uma linhagem de rainhas patriotas que continuou com Ahotep I e Ahmés Nefertari. Elas seriam lembradas pelos seus sucessores por terem desempenhado um papel fundamental na condução do Egito rumo à reunificação enquanto seus maridos e filhos combatiam os hicsos e, posteriormente à expulsão destes, na reconstrução das Duas Terras.

Estela comemorativa em honra à rainha Tetisheri. Museu egípcio do Cairo.

Estela comemorativa em honra à rainha Tetisheri. Nela seu neto, o faraó Ahmósis é retratado realizando uma oferenda para a soberana falecida e divinizada. Museu egípcio do Cairo.

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[1] Povo advindo da Ásia que por volta de 1650 a.C. se fixou na região do delta do rio Nilo e criou aí um governo paralelo ao dos faraós da cidade de Tebas, capital do Egito. Foram os primeiros estrangeiros que conseguiram invadir o território egípcio. Os hicsos trouxeram inovações militares como a introdução dos carros de guerra e do arco de longo alcance, que posteriormente foram dominados e utilizados pelos próprios egípcios para expulsá-los durante o reinado do faraó Ahmósis.

[2] Os nomes dos pais de Tetisheri foram encontrados gravados em bandagens de múmia que estavam na tumba da rainha.

 

Referências Bibliográficas:

NOBLECOURT, Christiane Desroches. A mulher no tempo dos faraós. Campinas: Papirus, 1994.

TYLDESLEY, Joyce. Chronicle of the queens of Egypt. Londres: Thames & Hudson, 2006.

 

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Referências a homossexualidade no Egito antigo

Mulheres participando de banquete. Detalhe de mural proveniente da tumba de Nebamun. Museu Britânico. Londres.

Mulheres participando de banquete. Detalhe de mural proveniente da tumba de Nebamun. Museu Britânico. Londres.

As referências à homossexualidade entre homens e, especialmente entre as mulheres são muito escassas nos textos e na arte do Egito antigo. Tal fato de forma alguma elimina a possibilidade da existência deste comportamento na esfera daquela sociedade, apenas torna mais difícil seu estudo.

A homossexualidade masculina, ainda que tolerada, não era um ato moralmente aprovado, e foi condenada legalmente em determinados períodos da história egípcia. Violar outro homem era considerado um ato de agressão, pois era visto como um meio de obter poder sobre um adversário. Um conto envolvendo os deuses narra o estupro de Hórus por Seth (apesar de outra versão do mesmo conto apresentar a relação dos dois deuses como consensual). Já o lesbianismo é mencionado em alguns poucos textos, como o do Papiro Carlsberg XIII, normalmente com tom de desaprovação: “Se uma mulher sonha que tem relações sexuais com outra mulher, caminha para um triste fim”.

No Livro dos Mortos [1] há uma passagem que menciona as virtudes de não praticar um ato homossexual. Existem textos de sabedoria e listas de proibições que condenam a prática homossexual. Já a passagem 32 do Papiro Prisse [2], que se encontra na Biblioteca Nacional da França, especifica a homossexualidade e os prazeres das relações com pessoas do mesmo sexo:

“Não copules com um efebo, principalmente se ele pensa o contrário lhe agrada e somente isso pode satisfazer a sua paixão. Não passes a noite fazendo com ele, o que é contrário a fim de satisfazer os seus anseios”.

No Louvre, o papiro E 25351 que data da XXV dinastia (c. 700 a.C.) narra a história de um homem chamado Teti, filho de Hemut, que vê o seu soberano sair sozinho durante a noite para um encontro furtivo:

“Sua Majestade, o Rei do Alto e do Baixo Egito Neferkare, saiu à noite, totalmente sozinho, não havendo ninguém com ele. Teti afastou-se de modo a não ser visto por ele. Parou e disse de si para consigo, ‘Sendo as coisas o que são, parece ser verdade o que dizem: ele sai à noite’.

Teti, filho de Hemut, seguiu o soberano sobre os calcanhares deste sem desfalecimento para descobrir o que ia fazer. Chegou à casa do general Sisene. Jogou um tijolo e bateu com o pé no chão, em virtude do que uma escada foi baixada até onde se encontrava. O Faraó subiu por ela enquanto Teti permaneceu lá embaixo esperando pelo seu retorno. Quando Sua Majestade tinha terminado de fazer com o general o que desejava, voltou ao palácio, e Teti o seguiu. Quando o Faraó entrou no palácio, Teti foi para casa.

Sua Majestade tinha ido à casa do general Sisene quando quatro horas da noite haviam se passado, e lá permaneceu outras quatro horas. E só voltou ao palácio quando faltavam quatro horas para o amanhecer”.

Os estudiosos ainda não chegaram a uma conclusão sobre quem seria o faraó mencionado no texto, pois dois soberanos egípcios utilizaram o nome de trono Neferkare (“Belo é o espírito de Rá”) [3], porém independente disto, o texto parece corroborar com o tom de desaprovação da sociedade egípcia em relação a homossexualidade, pois o rei mesmo sendo a autoridade máxima no Egito antigo e, inclusive considerado uma divindade, precisava fugir durante a noite de seu palácio para encontrar-se com seu amante, fato que já motivava comentários por parte de outras pessoas, e que despertou a curiosidade de Teti levando-o a secretamente seguir o monarca.

Cabeça colossal do faraó Shabaka. Museu do Louvre, Paris.

Cabeça colossal do faraó Shabaka. Museu do Louvre, Paris.

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[1] O chamado Livro dos Mortos era uma série de encantamentos, ações e preces que os egípcios reproduziam em seus túmulos com a finalidade de conseguir a aprovação dos deuses para alcançar o mundo dos mortos governado por Osíris.

[2] Este papiro também conhecido como Ensinamento de Ptahotep, é atribuído a Ptahotep, vizir do faraó Isesi que reinou na V dinastia, entre 2380 e 2342 a.C. aproximadamente.

[3] Um dos possíveis faraós ao qual o texto se refere seria Pepi II Neferkare que governou o Egito por volta de 94 anos (c. 2281 a 2187 a.C.), no final da VI dinastia, tendo iniciado seu reinado aos seis anos de idade. Já a outra possibilidade seria Shabaka Neferkare, faraó de ascendência núbia (a Núbia localizava-se no território onde hoje se encontra a República do Sudão), que governou o Egito entre 721 e 707 a.C., durante a XXV dinastia.

 

Referências bibliográficas:

EL-QHAMID & TOLEDANO, J. Erotismo e sexualidade no antigo Egito. Barcelona: Folio, 2007.

MANNICHE, Lise. A vida sexual no antigo Egito. Rio de Janeiro: Imago, 1990.

MELLA, Federico A. Arborio. O Egito dos faraós: história, civilização, cultura. São Paulo: Hemus, 1998.

 

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Você sabia…

Que todos os faraós durante os três mil anos da história do Egito antigo eram coroados na cidade de Mênfis porque lá havia ocorrido a coroação do primeiro deles, Menés (ou Narmer), o rei que unificou o Alto e o Baixo Egito e foi o primeiro a governar sobre os dois territórios.

Coroação do faraó Ramsés II pelos deuses Seth e Hórus. Detalhe de relevo do templo de Abu Simbel, Egito.

Coroação do faraó Ramsés II pelos deuses Seth e Hórus. Detalhe de relevo do templo de Abu Simbel, Egito.

Mênfis ficava no Baixo Egito próximo de onde está atualmente situada a capital Cairo e teria sido construída a mando de Menés, tornando-se a primeira capital do novo Estado unificado. Seu nome inicialmente era Ineb-hedy (“O muro branco”, devido a muralha que rodeava a cidade), porém posteriormente passou a ser conhecida como Men-nefer (“Estável e bela”).

Lá ocorria, sempre que um novo faraó chegava ao trono, a cerimônia chamada “União das Duas Terras” que durava cinco dias. No último deles o novo soberano recebia as tradicionais insígnias que representavam sua nova função: a dupla coroa (pschent), o flagelo (nekhakha) e o cajado (hekat). Em seguida o faraó recém coroado deveria realizar um sacrifício no templo do deus Ptah, patrono de Mênfis e arquiteto do Universo de acordo com o mito de criação daquela cidade.

 

Referências bibliográficas:

KEMP, Barry J. El antiguo Egipto. Anatomía de una civilización. Barcelona: Crítica, 1992. 

MELLA, Federico A. Arborio. O Egito dos faraós: história, civilização, cultura. São Paulo: Hemus, 1998.

TRAUNECKER, Claude. Os deuses do Egito. Brasília: UNB, 1995.

 

 

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A culinária no Egito antigo

Banquete na festa do vale. Fragmento de mural proveniente da tumba de Nebamun. Museu Britânico, Londres.

Banquete na festa do vale. Fragmento de mural proveniente da tumba de Nebamun. Museu Britânico, Londres.

Um dos assuntos que geralmente desperta muita curiosidade naqueles que se interessam em estudar a civilização egípcia é a culinária daquele povo. Afinal, de que se alimentavam as pessoas que viveram na época dos faraós?

A maior parte da população do Egito se alimentava de pão e peixe. Como complemento havia alface (apreciada inclusive por deuses como Min e Seth, de acordo com a mitologia), pepino, rabanete, grão-de-bico, cebola, alho, ervilha e lentilha. Consumiam frutas, principalmente figos (frescos e secos), tâmaras e uvas. Também existem representações em pinturas e relevos de melancias, melões e maças. Há evidências de que no Delta (região da foz do Rio Nilo) haviam reduzidos pomares de peras, pêssegos e cerejas, mas datam do período romano. Os mais pobres mascavam o interior do caule dos papiros, como hoje em dia se faz com a cana de açúcar.

A carne estava presente nas mesas dos mais ricos. Grandes criações de bois e reservas de caça forneciam carnes de vários tipos. Patos, gansos, galinhas (mais tardiamente) faziam parte das criações domésticas. O ganso assado era um dos pratos preferidos das reuniões de Estado. Havia o consumo do leite de vaca e de cabra.

O peixe era abundante e ao alcance de todos, era só pescá-lo no Nilo. Para permitir a conservação deste alimento por maior tempo, os egípcios consumiam o peixe salgado e seco ao sol.

Além disso, o mel substituía o açúcar na produção de doces e tortas. A panificação ocorria em maior escala nas casas dos mais ricos e também nos templos, mas existiam profissionais independentes que atendiam também aos menos favorecidos. A culinária baseava-se em cozidos e assados feitos em espetos ou no forno. Não conheciam as frituras. Muitas vezes utilizavam sopas como molhos.

A cerveja era a bebida mais consumida, pois seu preço era muito baixo visto que havia muitas plantações de cevada. Era produzida com cevada ou trigo e tâmaras e consumida com brevidade, pois azedava com facilidade. O vinho, em grande parte importado, era mais caro e produzido com uvas ou tâmaras.

 

Referência bibliográfica:

  •  MELLA, Federico A. Arborio. O Egito dos faraós: história, civilização, cultura. São Paulo: Hemus, 1998.
 

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A cerimônia de casamento no Egito antigo

Sennedjem e sua esposa Iyneferti. Detalhe de pintura localizada na tumba de Sennedjem, Deir el-Medina, Egito.

Sennedjem e sua esposa Iyneferti. Detalhe de pintura localizada na tumba de Sennedjem, Deir el-Medina, Egito.

No Egito antigo, o casamento era uma simples anuência pessoal entre os dois interessados. Diferente do que muitos imaginam, não havia uma benção nupcial no templo. Existiam contratos de casamento e para casar-se, as duas pessoas deveriam ser livres.  Há um caso na literatura egípcia em que um escravo, prisioneiro de guerra, precisou ser alforriado para casar-se com a filha de um barbeiro do faraó.

A egiptóloga Christiane Desroches Noblecourt reconstitui um casamento de nobres egípcios da seguinte forma:

“No dia acordado, ao cair da noite, o pai da noiva fazia-a conduzir publicamente à casa do futuro genro, acompanhada de presentes. O rapaz por sua vez dava uma grande festa para o qual eram chamados inúmeros convivas, igualmente carregados de presentes. Depois dessas festividades, os cônjuges iniciavam a vida em comum”.

Nesse momento, em que a noiva era levada à casa do futuro esposo, todo o enxoval preparado para ela também era exibido publicamente, para comprovar a qualidade dos objetos que seriam utilizados pelos noivos em seu novo lar, era um verdadeiro desfile de móveis, tecidos, objetos de uso diário, entre outras peças.

Cada um dos dois membros do casal proferia as seguintes palavras: “eu te faço minha mulher” e “fizeste-me tua mulher”. Os novos esposos realizavam então uma súplica a um parente masculino, o mais recentemente falecido, pedindo o nascimento de um filho. Após essa prática iniciava-se a festa, que devia ser memorável para marcar data tão especial ligada à perpetuação da espécie. Eram servidas iguarias da culinária em um banquete com música e danças.

A própria noiva, Ahuri, descreve as festividades do seu casamento em um texto da época:

“O Faraó diz ao chefe da casa real: ‘Que conduza Ahuri à casa de Nenoferkaptah esta  noite mesmo. E que com ela seja levada toda a sorte de belos presentes’. Eles me conduziram como esposa à casa de Nenoferkaptah e o Faraó ordenou que me fosse fornecido um grande dote em ouro e prata, o qual me apresentaram todas as pessoas da casa real. Nenoferkaptah passou comigo um dia feliz; recebeu toda a gente da casa real e dormiu comigo nessa mesma noite. Encontrou-me virgem e me conheceu uma vez, e outra ainda, pois cada um de nós amava o outro”.

Uma vez casada, a mulher não mudava de nome e nem juntava o seu ao do marido. Ela continuava a ser identificada pela sua própria genealogia: “nascida de fulana” e “feita por fulano” (nomes dos pais). Em alguns casos, podia ser designada como “esposa de fulano”.

 

Referência bibliográfica:

  • NOBLECOURT, Christiane Desroches. A mulher no tempo dos faraós. Campinas: Papirus, 1994.
 

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