RSS

Arquivo da categoria: ARQUEOLOGIA

Diário de bordo! 3º Dia em Israel

Lembrando que o diário de bordo é o relato de uma viagem a Israel, feita por uma de nossas pesquisadoras, Elaine. Hoje segue o terceiro dia de viagem!

 Dia 16 de novembro de 2012

DSC06398

 

8hs – Depois do café árabe é hora de encontrar com o guia para conhecer a Cidade Velha, marcamos no Portão de Herodes, aí sim me dei conta do que estava acontecendo era realmente sério, a rua estava cheia de soldados israelenses, fortemente armados e proibindo o acesso ao Portão de Herodes, tentamos pegar um táxi, mas o Bairro Árabe foi fechado, e o jeito foi caminhar até o Portão de Jaffa para encontrar o guia, que estava tenso com o conflito, inclusive neste dia sua família teve que ir para casa de amigos, para se proteger.

Portão de Jaffa

Portão de Jaffa

Igreja Santo Sepulcro

Igreja Santo Sepulcro

 9hs – Enfim conseguimos entrar na Cidade Velha pelo Bairro Cristão, visitamos a Via Dolorosa, a Igreja do Santo Sepulcro, escavações do Tanque de Betesda, isso já no bairro árabe dentro da muralha, meus livros não paravam de se transformar em realidade, a cada passo novas descobertas, fomos à cidade de Davi, Parque Arqueológico Davidson, e o guia tinha nos preparado uma surpresa, uma caminhada por túneis subterrâneos por baixo da Cidade Velha, foram 550 metros de túneis, entrando pela piscina de Siloé e saindo no Muro das Lamentações.

Tanque de Betesda

Tanque de Betesda

Tanque de Siloé

Tanque de Siloé

Muro das Lamentações

Muro das Lamentações

 Embaixo podemos ver como o trabalho da arqueologia é árduo e como tem avançado rápido em Israel, o guia comentou que cada vez que ele passa por ali, o caminho está maior, foi uma surpresa e tanto que ficará registrado para sempre, nunca tinha tido a oportunidade de passar por túneis tão extensos, e com tanta representação para minha pesquisa, além de verificar o abastecimento de água no período de Ezequias, ainda vimos o muro por dentro com suas pedras originais e uma que ficou ao caminho, com toneladas e acreditam ter despencado no período da destruição do templo em 70 d.C.

Muro das Lamentações visto por dentro da plataforma

Muro das Lamentações visto por dentro da plataforma

Mas o dia não parou, percorremos no Bairro Judeu o que seria a Cidade Alta no período de Jesus, arqueologia já encontrou o que chamam de mansão, ruínas de uma casa que possui as características da Cidade Alta.

Bairro Judeu

Bairro Judeu

 O guia convidou-nos para a cerimônia que inicia o shabat, realizada no Muro das Lamentações no cair da tarde, mas antes de continuar nossa maratona, parada para o almoço. Comida kasher, experimentei o falafel e depois prosseguimos, fomos visitar o Jardim do Túmulo. Isso por volta das 15h, ao chegar fomos recepcionados por um dos guias, um brasileiro que faz a visita guiada no Garden Tomb, um local tranquilo, repleto de jardins, onde se vê o Monte Calvário e o túmulo vazio, depois de tanta correria e soldados por toda a cidade, encontramos ali um espaço que nos ajudou a restabelecer as forças, para ir caminhando até o hotel.

Jardim do Túmulo

Jardim do Túmulo

Túmulo vazio

Túmulo vazio

 Por conta do tempo que passamos no jardim, nem fomos para a cerimônia no Muro das Lamentações, mas foi muito interessante conhecer um pouco da História deste brasileiro que é guia num local tão visitado. E também o guia tinha comentado que no dia do descanso judaico, algumas pessoas aproveitam a cerimônia do início do Shabat, no Muro das Lamentações para jogar pedras da plataforma do antigo Templo judaico, hoje a Mesquita, sobre os judeus rezando.

 Já no hotel, resolvemos nem sair para jantar por conta da segurança, jantamos no hotel mesmo. Mas devo confessar que a comida era difícil, mas só em estarmos num lugar que não era alvo do Hamas, já estava valendo.

Diário de bordo continua na segunda-feira!

Anúncios
 

Tags: , , ,

Assentamento egípcio na antiga cidade de Jaffa

Arqueólogos da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz (JGU) e da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) descobriram em recentes escavações em Jope, (Tel Aviv) evidências que apontam para a presença de uma população egípcia na cidade milenar.

No antigo sítio arqueológico de Jaffa, em Israel, foram encontrados os restos de um portal que possivelmente fazia parte de uma fortificação egípcia do período da dinastia de Ramsés II (1279-1213 AC), outras descobertas sem divulgação, já haviam sido realizadas durante escavações lideradas pelo ex-arqueólogo municipal Y. Kaplan em 1950.

Porém agora com parceria das Universidades de Mainz e Los Angeles, da Autoridade de Antiguidades de Israel e da Companhia de Desenvolvimento da Antiga Jaffa, o Projeto do Patrimônio Cultural de Jaffa pode dar prosseguimento a novas escavações, como também, a publicação dos resultados das escavações mais antigas, e das futuras.

Buscando compreender a história da colonização do segundo milênio AC, as camadas destruídas da antiga cidade e o propósito da presença egípcia. Segundo o diretor Dr. Martin Peilstöcker de JGU o portal foi destruído e reconstruído pelo menos quatro vezes.  E além da tradição egípcia da arquitetura da lama e barro, foi encontrado também um amuleto com a inscrição do faraó egípcio Amenhotep III (1390-1353 AC), que comprova a presença egípcia na cidade antiga de Jaffa.

Existe ainda a intenção dos achados arqueológicos serem expostos ao público no próximo ano (2013) na Alemanha.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 05/11/2012 em ARQUEOLOGIA, HISTÓRIA ANTIGA

 

Tags: , , ,

Agenda Cultural!

2º Jornada Científica Internacional da Rede MUSSI

De 24 a 26 de outubro acontecerá na UNIRIO a 2º Jornada Científica Internacional da Rede MUSSI. Evento organizado pela Rede Franco-Brasileira de Pesquisadores em Mediações e Usos Sociais de Saberes e Informação, o encontro traz como tema “Redes e processos info-comunicacionais: meidações, memória, apropriações”.

As inscrições vão até o dia 19 de outubro de 2012.
Endereço: UNIRIO (Av. Pasteur, 296 – Urca | Rio de Janeiro-RJ)
Maiores informações: jornadamussi2.icict.fiocruz.br

Seminário Oi Futuro: Mediação em Museus – Arte e Tecnologia

O evento, que vai reunir gestores, profissionais e pesquisadores da área, tem como objetivo aprofundar questões relacionadas aos desafios de uma prática de mediação, em espaços de memória, arte e tecnologia.
Dias 30 e 31 de outubro de 2012. Inscrições até 26/10. Entrada franca.

Endereço: Oi Futuro Flamengo (Rua Dois de Dezembro, 63 | Rio de Janeiro-RJ)
Informações: (21) 3235.5830 ou educativo-oifuturo@oi.com.br

8º Seminário de Cidades Fortificadas

De 22 a 26 de outubro de 2012 no Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana acontecerá o 8º Seminário de Cidades Fortificadas. Evento, que vai reunir estudiosos e mantenedores de fortes e fortalezas de diversas partes do Brasil e países convidados, tem como objetivo apresentar um panorama das ações desenvolvidas nos diversos fortes e fortalezas espalhados pelo mundo.
O Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana localiza-se na Praça Coronel Eugênio Franco nº 1 Posto 6 – Copacabana | Rio de Janeiro – RJ
Informações: www.8seminariocidadesfortificadas.blogspot.com.br | www.cidadesfortificadas.ufsc.br

III Jornada Republicana Museu, Patrimônio, Memória e Educação

Programação

Dia 30 de outubro de 2012 (terça-feira)

A configuração dos museus a partir da modernidade tem destacado o seu papel educacional. Diferentes projetos políticos, pedagógicos e poéticos têm sido acionados por diferentes museus. O diálogo entre educação, comunicação, memória, patrimônio, preservação e museu, a partir do exame de teorias e práticas desenvolvidas na contemporaneidade, está no centro dos interesses da III Jornada Republicana.

 Coordenação: Kátia Regina de Oliveira Frecheiras – Doutora e mestre em Filosofia pela PUC-Rio, especialista em Educação em Museus e pesquisadora do Museu da República/IBRAM.

 1ª. Mesa Redonda – das 10h às 12h

Mediador: Normanda Freitas ­– Pedagoga e Assessora Técnica do Museu da República

 Paulo Rogério Marques Sily – Doutor em Educação. Casa de Ciência, Casa de Educação: Ações educativas do Museu Nacional (1818-1935) (UERJ).

 Jorge Antônio Rangel Fidel – Doutor em Educação. A Musealização da Educação na Antropologia de Edgard Roquette-Pinto no Museu Nacional do Rio de Janeiro. (1905-1936). (USP).

 Marcele Regina Nogueira Pereira – Mestre em Museologia e Patrimônio. Educação Museal. Entre dimensões e funções educativas: análise da 5ª Seção de Assistência ao Ensino de História Natural do Museu Nacional (UNIRIO).

 2ª. Mesa Redonda – das 14h às 16h

Mediadora: Kátia Regina de Oliveira Frecheiras

 Carina Martins Costa – Doutora em História, Política e Bens Culturais. Uma Arca das Tradições: educar e comemorar no Museu Mariano Procópio (FGV).

 Cristina Laclette Porto – Doutora em Psicologia. Álbuns de retratos, infâncias entrecruzadas e cultura lúdica: Memória e fotografia na Brinquedoteca Hapi (PUC-Rio).

 Magaly Cabral – Diretora do Museu da República e Mestre em Educação. A Lição das Coisas (ou Canteiro de Obras) através de uma metodologia baseada na educação patrimonial (PUC-Rio).

 O evento acontecerá no Museu da República (Rua do Catete, 153 – Rio de Janeiro/RJ

Tel.: 3235.5124  ou mr@museus.gov.br No espaço Multimídia. Vagas limitadas. Distribuição de senhas 20 min. antes

 

Tags: , , , ,

Descoberta em Jerusalém uma cisterna do período de Davi

Foi descoberto perto do Muro das Lamentações, um tanque de água bem grande, acredita-se que do período de Davi e Salomão.

De acordo com Eli Shukron, diretor da escavação, Autoridade das Antiguidades de Israel: “agora é absolutamente claro, como o consumo de água em Jerusalém durante o Primeiro Templo, não se baseou exclusivamente na saida da fonte de Giom , mas também em reservas de águas públicas

A descoberta foi anunciada, no “Centro de Pesquisa da Cidade de David”, em uma conferência realizada em Jerusalém.

Em escavações arqueológicas no Parque Arqueológico de Jerusalém, ao pé do Arco de Robinson, encontrou-se um grande reservatório de água, escavado na rocha, que datam do período do Primeiro Templo. O local da escavação é de responsabilidade da Autoridade das Antiguidades e é financiado pela Sociedade Elad, em cooperação com a Autoridade de Parques e Natureza.

A impressionante cisterna foi descoberta no dia 10 de setembro de 2012, e foi exibida juntamente com outros achados do ano passado, na conferência “Investigação da Cidade de David”, no dia 13, em Jerusalém.

A escavação revelou que o depósito é parte de uma escavação onde é totalmente exposto o canal de drenagem do Segundo Templo em Jerusalém, a rota continua para o norte ao longo da cidade, a partir da piscina de Siloé para o topo da cidade David, que vem sob o arco do Robinson. O percurso do canal está no centro do vale principal, que corre ao longo da antiga cidade de norte a sul, paralela ao Monte do Templo.

Descrevendo o Segundo Templo, em Jerusalém, Josefo refere-se ao Tiropeon chamado em grego “Vale”, e que foi chamado de “o vale dos queijeiros”. Outra interpretação identifica o vale Hhrotz Valley, mencionado no livro de Joel. Durante a escavação do canal, que exigiu uma grande empresa de engenharia, seus construtores tiveram que remover os antigos edifícios que foram localizados ao longo da rota do canal, e instalações de passagem que foram escavados na rocha localizada ao longo do caminho. Isso resultou na descoberta nas últimas semanas de um grande reservatório de água, que foi aplicado em várias camadas de gesso, provavelmente datando do período do Primeiro Templo.

O volume do reservatório é de 250 metros cúbicos, por isso este é um dos maiores reservatórios na época do Primeiro Templo, em Jerusalém, descoberto até agora, e parece que o reservatório de água foi usada publicamente.

De acordo com Eli Shukron, diretor da escavação: “Durante a escavação sob o dreno no chão, havia uma lacuna exposta à rocha original, o que nos levou para a enorme reserva, até onde sabemos esta é a primeira vez que um tanque de água foi exposto em uma escavação arqueológica, assim como pequenos tanques neste vale que indicam claramente que o consumo de água em Jerusalém durante o Primeiro Templo não foi baseada apenas ao lado da fonte Giom, mas ambém em fontes de água disponíveis, como já foi agora revelado. “

Segundo o Dr. Zvika Tzur, arqueólogo-chefe da Autoridade de Parques e Natureza de Israel e pesquisador de sistemas de água antigas, “o grande reservatório exposto, junto com dois tanques, é semelhante  e informa o tipo geral de gesso colorido, gesso amarelo que caracterizou o período do Primeiro Templo. Além disso, as marcas das mãos no acabamento de gesso são semelhantes aos aquíferos de Tel Beer Sheva, Arad Tel e Tel Beit Shemesh, também datado do período do Primeiro Templo. “Cliff disse:” Talvez o maior reservatório de água, muito perto do Monte do Templo foi usado para as atividades diárias e tenha servido aos peregrinos do templo, sendo utilizado para tomar banho e beber na região. “

O impressionante tanque de água abaixo do Arco de Robinson se junta a uma série de descobertas recentes nas escavações nesta área da cidade, indicando a existência de uma construção densa que cobre a área a oeste de Monte do Templo e a expansão que precedeu o Monte do Templo. Parece que com a expansão do complexo para o oeste e para a construção de edifícios públicos, e as ruas ao redor do Monte do Templo, no final do período do Segundo Templo, quando ele desmantelou as estruturas do período do Primeiro Templo, e tudo o que resta dele foi um número de instalações escavadas em rochas, incluindo o reservatório de água esculpida.

Segundo o Dr. Baruch Yuval, arqueólogo Distrital da Autoridade das Antiguidades de Israel: “Com a conclusão das escavações junto ao canal, as possibilidades de combinar o reservatório de água ao roteiro dos visitantes de Jerusalém, trará um sentido impressionante a História”.

Reportagem: Marcos Chile

Tradução: Leandra Ferreira

Fonte: http://www.cafetorah.com/node/440

 

Tags: , , ,

CPA/RJ te leva! Museu Nacional de Arqueologia – Lisboa

Por pesquisadora Elaine Bordalo

Com mais de um século de existência, o Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa é uma instituição da cultura portuguesa, e tem sido ao longo do tempo uma referência em arqueologia para Universidades e centros de pesquisas. O Museu Nacional possui ainda a mais importante biblioteca especializada de Portugal, cursos de extensão, de especialidade, o Museu possui também um rico programa educativo.

Seu acervo vai desde as origens do território até a fundação da nacionalidade. Com uma grande quantidade de peças que se constitui num vasto tesouro nacional, aberto a portugueses e estrangeiros.

E não posso deixar de comentar a arquitetura do Museu, simplesmente incrível, seus corredores imponentes, sua fachada grandiosa, tudo é um convite a mergulhar na História.

Hoje o Museu Nacional oferece exposições como: “Uma olaria romana no estuário do Tejo” com um grande número de objetos romanos, e uma impressionante coleção de mosaicos da mitologia romana. “Religiões da Lusitânia”, “Antiguidades Egípcias” entre outras exposições imperdíveis.

Triunfo Indiano de Baco – mosaico período romano – séc. III e IV d.C

O Museu Nacional de Arqueologia localiza-se na Praça do Império 1.400-206 Lisboa, e funciona de terça-feira a domingo das 10:00 as 18:00h. O ingresso custa 5,00 Euros

Mais informações: http://www.mnarqueologia-ipmuseus.pt

 

Tags: , , ,

COSMOLOGIA E COSMOGONIA: A CONSTRUÇÃO DA RELIGIÃO PELOS SUMÉRIOS

 

Por pesquisador convidado Jonathas Ribeiro

 Ao refletirmos sobre a religião, suas concepções e particularidades, suas relações com o entremeio social, entre outros, notamos sua fundamental importância para a própria estruturação da sociedade, seja analisando períodos atuais ou antigas civilizações. Porém passa muitas vezes despercebido à nossa análise a seguinte questão: como teria surgido a religião? Com quais objetivos ela iniciou-se? A partir de qual momento? Sem dúvidas são questões um tanto quanto complexas para respondermos de imediato, sem a devida cautela, imprescindível para questão.

É partindo desses questionamentos que faremos uma breve viagem aos primórdios das civilizações antigas para analisarmos como determinada sociedade (os Sumérios), fonte de nossa análise, construíram sua religião. Que fatores foram fundamentais para a própria constituição religiosa.

Ao escolhermos os Sumérios é natural surgir um questionamento em relação à própria escolha. O fato é: a religiosidade originada pela civilização Suméria é entendida, por grande parte dos historiadores das civilizações antigas, paralela até mesmo à própria civilização egípcia, como sendo a matriarca de todos, ou quase todos os segmentos religiosos que vieram posteriormente. Pelo menos no que tange ao Antigo Oriente; o que dele se desenvolveu e, ao que com ele se relacionou direta ou indiretamente no período ou posteriormente.  

 

  1. PINTURAS RUPESTRES: O MÁGICO E O RELIGIOSO DO PALEOLÍTICO AO NEOLÍTICO

 

Para entendermos efetivamente o processo de construção da religiosidade dos Sumérios é de fundamental importância que analisemos, de forma breve, o processo de desenvolvimento de uma religiosidade inicial, verificadas desde as primeiras ideias teoricamente aparentes no período Paleolítico, até como se segmentaram, ganhando algum delineamento no Neolítico e, forma efetiva na Antiguidade.

 Ao analisarmos, num primeiro momento, o próprio Paleolítico – período compreendido entre c.3,6 milhões de anos a. C. até c. 10 mil anos a. C.[1]-, notamos que os grupos a ele pertencentes foram desenvolvendo, ao longo do tempo, principalmente a partir de c. 2 milhões de anos a. C.[2], um tipo de representações simbólicas nas paredes internas das cavernas, trazendoa expressividade de algum tipo de ritual. Tais símbolos representativos são as formas mais antigas de vestígios da habilidade humana (GOMBRICH p.17)[3]. Alguns dos símbolos traziam representações de animais, machados de mão, fogo, entre outros.

Pintura Rupestre, Lascaux, França

Segundo estudos arqueológicos, eles acreditavam que tais representações, ao serem transfiguradas nas paredes de cavernas e em rochedos, exerceriam uma influência direta no momento em que fossem realizar a caça; permitiria numa facilitação do êxito, efetivamente em virtude do que fora transfigurado. Seria o efeito mágico.

Pintura Rupestre,Lascaux, França

 

Pintura Rupestre, Vila Nova de Foz Côa – Portugal

 

Eles acreditavam poder agir sobre a natureza, utilizando as representações do que desejavam que acontecesse. “… seria o meio pelo qual o homem primitivo entrou em relações com o universo – relações de simpatia e de acção [sic] direta, em que, correntemente, ele participava com o seu próprio corpo”[4].

Algumas outras cavernas trazem representações simbólicas um tanto quanto enigmáticas. “… tornam aceitáveis a ideia de que os últimos Paleolíticos (Magdalenianos)[5] teriam já uma mitologia propriamente dita…”[6]. Transfiguraram um desenho com uma espécie de simbolismo muito expressivo, trazendo uma possível representação religiosa, ou algo próxima a ela. Uma caverna encontrada em TróisFrères, no sul da França, traziauma imagem de um ser com partes de animais, misturados com formas humanas[7]. “Uma figura masculina com barba, orelhas de touro, chifres e rabo de cavalo…”[8] Tais representações poderiam dar um possível indicativo de uma divindade ou uma representatividade mágica.

Pintura Rupestre,TróisFrères – França

Outra imagem, gravada numa pedra, traz de forma, teoricamente, distinta uma representação de seres humanos utilizando máscaras, trazendo um discurso mais próximo do que se interpreta com o mágico.

Homens disfarçados de animais – Abrigo
de Meg., Feyjat – Dordonha

O fato de haver seres humanos disfarçados, de certa forma, pode dar um indicativo de uma possível crença em divindades (LAMAS, 2000, p.18).

“Era os disfarces que se atribuía o poder dos mágicos…”[9] buscando fazer uma ligação com o que se pretendia agir.

Segundo O’CONNEL e AIREY, “Para os humanos primitivos, as cavernas eram lugares sagrados. As pessoas geralmente moravam em volta ou somente na entrada delas. Aventurar-se a penetrar na parte interna era apenas para propósitos religiosos ou mágicos”[10]. Ou seja, fica claro que a caverna, ou pelo menos o interior dela, tem uma espécie de representatividade expressiva, muito próxima do que entendemos por religião, para os grupos ali residentes.

O próprio fato destes grupos praticarem o sepultamento dos mortos, “…com algumas sepulturas com objetos sagrados”[11], segundo alguns achados, evidenciam a possibilidade de pensarmos numa crença constituída e comum do grupo.

Os objetos encontrados, normalmente junto dos esqueletos, acredita-se terem pertencido a esses defuntos em vida. São objetos “… depostos na ocasião do funeral ou não chegaram a ser-lhes retirados quando morreram”[12].

 

Caverna onde provavelmente
eram efetuados sepultamentos,Galileia.

 

Acredita-se que todo esse rito verificado traz a tona uma possível crença numa continuação da vida num outro plano. Os fatores que corroboram tal fato estão explícitos no ato de cobrirem o corpo dos mortos com ocre, além de cercarem ao redor dos mortos com alimentos. Eles executavam tais ritos “… acreditando que [os mortos] iam empreender uma longa viagem…”[13].Todo o conjunto de artefatos encontrados junto aos corpos, os ornamentos, aparelhagem de caça e pesca, entre outros, seriam considerados fundamentais para esse novo caminho a ser seguido.

É claro que todo o apresentado fica no campo da teoria. Mesmo que os diversos indícios possam sinalizar uma forma clara, até certo ponto, de análise, a concretude dos fatos não passará do campo especulativo. De certo, os simbolismos presentes nos rochedos ou no interior das cavernas não eram simples representações artísticas, ou uma espécie qualquer de rabiscos, assim como o próprio rito funerário, mas sim, traziam um significado forte. Algo efetivamente explicitador de uma prática comum do grupo.

Com a revolução Neolítica (c.10 mil a. C.), ou seja, a partir do momento em que esses grupos de caçadores e coletores começaram a desenvolver métodos para trabalhar a terra e criar animais, práticas não existentes até o momento, esses povos deixaram assim o nomadismo efetivo, passando para uma condição de seminômades, até atingirem um gradativo sedentarismo.

Por cerca de 5000 a.C., período entendido como início da Antiguidade, a sedentarização relativa permitiu que os membros dos grupos pudessem ocupar seu tempo, que anteriormente eram destinados à caça e coleta fundamentalmente, a outras atividades. Alguns deles começaram a observar os fenômenos que identificavam em seu cotidiano. Desenvolveram um censo especulativo e questionador em relação ao que observavam. Iniciaram uma contemplação efetiva dos fenômenos naturais, trazendo seu foco de análise para tudo o que não encontravam uma explicação efetiva.

Tendo como referencial os ritos, herança dos antepassados desses grupos, as explicações aos fenômenos que contemplavam e questionavam começaram a tomar uma feição mais particularizada, encontrando sua melhor resposta naquilo que tinha relação direta com o plano divino. A partir daí, as explicações foram se tornando mais complexas e estruturadas, ganhando com isso, contornos mais definidos e próximos ao que identificamos como uma religiosidade oriunda do que se visualiza posteriormente.


[1] O’CONNEL, Mark; AIREY, Raje. Almanaque Ilustrado: Símbolos. São Paulo; Escala, 2010. p.10

[2] Ibidem O’CONNEL; AIREY 2010 p.10

[3] GOMBRICH, Ernest H. História da Arte.Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1978.

[4]LAMAS, Maria. Mitologia Geral. Lisboa: Estampa, 2000. pp.18-19.

[5] A cultura Magdaleniana foi uma das representações mais tardias do período Paleolítico Superior na Europa Ocidental (c.15000 a.C. – c.9000 a.C.). Teria sido o momento de larga utilização de materiais em osso, e da representação da arte em mural. 

[6] Ibidem LAMAS, 2000.p.16

[7] Ibidem O’CONNEL e AIREY 2010 p.11

[8] Idem O’CONNEL e AIREY 2010 p.11

 [9]Ibidem LAMAS, 2000.p.18

[10] Idem O’CONNEL e AIREY 2010 p.10

[11] Ibidem O’CONNEL e AIREY 2010 p.11

[12] Ibidem LAMAS, 2000, p.22.

[13]Idem LAMAS, 2000, p.23.

Referências Bibliográficas:

GOMBRICH, Ernest H. História da Arte. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1978.

LAMAS, Maria. Mitologia Geral. Lisboa: Estampa, 2000.

O’CONNEL, Mark; AIREY, Raje. Almanaque Ilustrado: Símbolos. São Paulo; Escala, 2010.

 

Tags: , , , , ,

Arqueólogos encontram barca funerária da 1ª dinastia faraônica no Egito

 

Uma equipe de arqueólogos encontrou no Egito uma barca funerária de madeira que possivelmente teria sido usada durante a era do rei Den, na primeira dinastia faraônica, em torno do ano 3.000 a.C., informou nesta quarta-feira (25) o Ministério egípcio de Antiguidades.

Em comunicado, o ministro Mohammed Ibrahim destacou que a barca se encontra em bom estado e foi achada na zona arqueológica de Abu Rauash, situada na província de Guiza, ao oeste da capital Cairo.

Ibrahim precisou que uma delegação do Instituto Cientista francês de Antiguidades Orientais estava escavando o lugar no momento em que descobriu alguns vestígios da barca, concretamente 11 tábuas de madeira, cada uma com 6 metros de comprimento e 1,5 de largura.

Estas peças arqueológicas foram transferidas ao centro de reabilitação do Grande Museu egípcio, onde serão tratadas para garantir sua conservação. Posteriormente, elas deverão ser expostas no Museu Nacional da Civilização Egípcia, na sala dedicada ao Rio Nilo.

Um responsável deste Museu, Hussein Abdel Basir, assegurou que a embarcação achada era do tipo funerário, que eram colocadas ao lado dos túmulos das pessoas para que estas pudessem utilizá-la em outro mundo.

Este mesmo tipo de embarcação já foi encontrada próxima às tumbas dos faraós, que também acreditavam que as mesmas poderiam ser usadas em uma nova vida.

Em fevereiro, arqueólogos iniciaram os trabalhos para extrair centenas de peças de madeira da segunda barca solar do mais poderoso dos faraós egípcios, Keops (2609-2584 a.C.), pertencente à IV dinastia faraônica.

 Fonte: UOL

http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/afp/2012/07/25/arqueologos-encontram-barca-funeraria-da-1-dinastia-faraonica-no-egito.htm

 

 

Tags: ,

 
%d blogueiros gostam disto: