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Arquivo do autor:Prof. Márcio Sant'Anna

Sobre Prof. Márcio Sant'Anna

Graduado em História pelo Centro Universitário Augusto Motta e especialista em História do Brasil pela Universidade Cândido Mendes. Pós-graduando em História Antiga e Medieval pela Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro. Área de interesse: História social, política e religiosa do Egito antigo.

O CPA/RJ te leva: “Elvis Experience”

Por pesquisador Marcio Sant’Anna

Apesar de não se tratar de uma exposição sobre Antiguidade, assunto chave tratado pelo nosso blog, vale abrir uma exceção para falar um pouco de uma das melhores exposições que o Brasil recebeu nos últimos tempos: “Elvis Experience”.

Trata-se de uma mostra de alguns dos objetos pertencentes a um personagem emblemático da música mundial e já folclórico da cultura norte-americana, o “rei” do rock´n roll Elvis Presley.

Pela primeira vez na história, parte do acervo de Graceland – a mansão de Elvis na cidade de Memphis, Tenesse – deixou o museu lá existente e veio para outro país. O Brasil foi escolhido por apresentar o maior número de fãs de Elvis fora dos Estados Unidos.

Vídeo de abertura da exposição.

Do início ao fim, “Elvis Experience” proporciona uma viagem pela vida do cantor e pelo surgimento do rock. Ao entrar na exposição, os visitantes são saudados com um vídeo contendo várias passagens marcantes da vida de Elvis e informações sobre a escolha do acervo, embaladas por uma versão remixada do clássico “Suspicious Minds”.

Elvis servindo ao exército norte-americano na Alemanha.

Daí em diante o visitante faz uma viagem pela vida do artista, desde Tupelo – terra natal de Elvis – passando pelos primeiros discos lançados pela Sun Records empresariado pelo Coronel Tom Parker, pelo serviço militar na Alemanha, pelos filmes, até chegar ao acervo pessoal do “rei” contendo objetos usados em seu dia-a-dia: o aparelho de TV em que Elvis atirou ao ver uma reportagem que o criticava, objetos esportivos, telefones, carros, moto, livros, prêmios, documentos, sapatos, botas e roupas, muitas roupas.

Cabe destaque para as famosas jumpsuits, os macacões usados por Elvis em suas turnês durante a década de 1970. Algumas foram trazidas e compõem um espaço próprio onde se pode observar todos os detalhes das pedrarias, cintos e faixas que compunham o visual do astro. O famoso traje American Eagle Suit – o macacão branco com a águia norte-americana usado no concerto do Havaí, em 1973, assistido por mais de um milhão de pessoas ao redor do mundo através de transmissão via satélite – e referência para os fãs de Elvis está exposto em posição privilegiada.

O famoso macacão “American Eagle Suit” usado por Elvis no show do Havaí em 1973.

Por fim, uma sala com jornais e noticiários de 1977 relatando a morte do artista e o nascimento do mito Elvis Presley. Ao final, o visitante ainda pode deixar seu recado para Elvis escrevendo em uma parede branca enquanto vídeos são projetados ao fundo. Vale a pena conferir a lojinha oficial e também a sala seguinte onde há uma maquete da mansão Graceland e réplicas das capas dos discos de Elvis.

Deixando meu recado para o “rei” ao final da exposição.

Percorrendo essa exposição, fica a pergunta: será que o garoto pobre lá na distante Tupelo da década de 1950 em algum momento pensou em se tornar uma lenda? A resposta a essa questão é percebida ao contemplar crianças e jovens acompanhando adultos e idosos contemporâneos de Elvis. Definitivamente ele não morreu, continua sendo uma das maiores celebridades mundiais, um verdadeiro fenômeno, o único e verdadeiro “rei” do rock´n roll.

Elvis Presley: o primeiro e único “rei” do rock´n roll.

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Arqueólogos encontram barca funerária da 1ª dinastia faraônica no Egito

 

Uma equipe de arqueólogos encontrou no Egito uma barca funerária de madeira que possivelmente teria sido usada durante a era do rei Den, na primeira dinastia faraônica, em torno do ano 3.000 a.C., informou nesta quarta-feira (25) o Ministério egípcio de Antiguidades.

Em comunicado, o ministro Mohammed Ibrahim destacou que a barca se encontra em bom estado e foi achada na zona arqueológica de Abu Rauash, situada na província de Guiza, ao oeste da capital Cairo.

Ibrahim precisou que uma delegação do Instituto Cientista francês de Antiguidades Orientais estava escavando o lugar no momento em que descobriu alguns vestígios da barca, concretamente 11 tábuas de madeira, cada uma com 6 metros de comprimento e 1,5 de largura.

Estas peças arqueológicas foram transferidas ao centro de reabilitação do Grande Museu egípcio, onde serão tratadas para garantir sua conservação. Posteriormente, elas deverão ser expostas no Museu Nacional da Civilização Egípcia, na sala dedicada ao Rio Nilo.

Um responsável deste Museu, Hussein Abdel Basir, assegurou que a embarcação achada era do tipo funerário, que eram colocadas ao lado dos túmulos das pessoas para que estas pudessem utilizá-la em outro mundo.

Este mesmo tipo de embarcação já foi encontrada próxima às tumbas dos faraós, que também acreditavam que as mesmas poderiam ser usadas em uma nova vida.

Em fevereiro, arqueólogos iniciaram os trabalhos para extrair centenas de peças de madeira da segunda barca solar do mais poderoso dos faraós egípcios, Keops (2609-2584 a.C.), pertencente à IV dinastia faraônica.

 Fonte: UOL

http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/afp/2012/07/25/arqueologos-encontram-barca-funeraria-da-1-dinastia-faraonica-no-egito.htm

 

 

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As diferentes cores de homens e mulheres nas pinturas egípcias

 Por pesquisador Marcio Sant’Anna

 

Uma das possíveis explicações para o fato de homens e mulheres serem retratados em cores diferentes nas pinturas egípcias está ligada à questão da divisão das tarefas de acordo com os sexos que ocorria no Egito antigo, bem como do trânsito de homens e mulheres através dos espaços público e privado.

Segundo a análise de egiptólogos e historiadores da arte, os homens eram pintados com uma coloração marrom-avermelhada pois trabalhavam fora de casa e desta forma estavam sujeitos a uma maior exposição aos raios solares no trajeto até o local do trabalho ou mesmo durante o período em que  estavam desempenhando suas funções – como é o caso dos camponeses – enquanto que as mulheres, representadas na cor ocre, realizavam a maior parte de suas atividades diárias cuidando do lar e da família e se expunham menos ao sol por estas tarefas ocorrerem no espaço privado da casa.

Tawy e Nakht realizando oferendas. Pintura da tumba de Nakht, Egito.

 

Referência bibliográfica:

HAGEN, Rose-Marie, HAGEN, Rainer.Arte egipcio.Madrid: Taschen, 2007.

 

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Perfil histórico – Ptolomeu VIII, rei do Egito


 Por pesquisador Marcio Sant’Anna

Na antiguidade, eram constantes as conspirações arquitetadas por pessoas em busca do poder. Em muitos casos, elas ocorriam até mesmo dentro das próprias famílias governantes, o que provocava banimentos, guerras e até mesmo assassinatos entre os membros que disputavam o controle de determinada civilização.

O caso mais lembrado pela historiografia é, sem dúvida o dos chamados “césares loucos”, imperadores romanos como Calígula e Nero, que foram eleitos para ocupar o trono do império mais poderoso da Terra naquele momento e que passaram a ser cultuados em vida, devido ao acúmulo de poder, por meio da adulação. Tais governantes se mantinham em constante vigilância para evitar conspirações e tentativas de assassinato contra sua pessoa, da mesma forma que procuravam eliminar qualquer oposição ao seu governo bem como possíveis pretendentes a ocupar seu lugar.

Entretanto, alguns anos antes, no Egito houve um personagem que também se utilizou de todos os tipos de subterfúgios para conquistar e se manter no poder: Ptolomeu VIII Evérgeta1, rei do período da decadência da monarquia Lágida2 no país, antepassado da famosa Cleópatra VII, última representante desta dinastia.

 

 

Moedas cunhadas com a efígie de Ptolomeu VIII Evérgeta.

Em 164 a.C. ele expulsou o irmão, Ptolomeu VI Filometor3, que governava o Egito do país. Com o trono perdido, o rei decidiu ir a Roma implorar para que o Senado apoiasse sua causa. Diante da possibilidade de uma vez mais definir nos assuntos de Estado egípcios, os romanos impuseram a partilha do reino dos Ptolomeus entre os dois irmãos em conflito. Ptolomeu VI recebeu o apoio para continuar governando o Egito e o Chipre, enquanto Ptolomeu VIII ficaria com a Cirenaica.

Desta forma, os romanos aproveitaram a oportunidade para enfraquecer ainda mais o império ptolomaico. Apesar da intervenção de Roma, os dois irmãos continuaram em conflito, até a morte de Ptolomeu VI em 145 a.C.. Nesta época, Ptolomeu VIII deixou a Cirenaica e retornou ao Egito, onde desposou sua própria irmã, Cleópatra II, viúva do antigo rei falecido e matou o filho dela, legítimo herdeiro do trono, Ptolomeu VII.

O novo rei logo foi apelidado pelos alexandrinos, que não apreciavam nem um pouco sua figura, de Physcon, algo como “Barrigudo”, em razão da obesidade demasiada do monarca. O reino dos Ptolomeus estava mais uma vez unificado, mas as disputas dinásticas não cessaram. Ptolomeu VIII desposou sua sobrinha, Cleópatra III, filha de Ptolomeu VI e de Cleópatra II. Agora existia um trio governando em Alexandria. As duas esposas, mãe e filha, logo passaram a se odiar e iniciou-se uma guerra civil que obrigou Ptolomeu VIII e Cleópatra III a fugirem para o Chipre em 131 a.C. deixando a rainha Cleópatra II como única governante do Egito.

 

Cleópatra III, Cleópatra II e Ptolomeu VIII perante Hórus. Templo de Kom Ombo, Egito.

Como vingança pela perda do trono, Ptolomeu VIII enviou para sua irmã-esposa o corpo esquartejado do filho que tivera com ela. Entretanto, dois anos depois o “Barrigudo” e Cleópatra III conseguiram retornar a Alexandria e fizeram as pazes com Cleópatra II. Os três soberanos reconciliados promulgaram um decreto, em 118 a.C., anistiando todos os crimes cometidos para acabar com a guerra civil que assolava o país e para trazer de volta a calma ao povo egípcio.

Em 116 a.C., Ptolomeu VIII Evérgeta morreu, deixando em testamento o reino do Egito para Cleópatra III. A Cirenaica foi legada a seu filho com uma concubina chamada Irene, Ptolomeu Ápio. Os herdeiros do rei continuaram a disputa dinástica, enfraquecendo e dividindo cada vez mais o reino egípcio que se tornaria futuramente uma presa fácil para as pretensões dos romanos na região.

[1] Evérgeta: título utilizado pelo rei egípcio Ptolomeu III, que o recebeu após recuperar estátuas levadas para fora do Egito na época da dominação persa e que significa “O Benfeitor”. Além disso, também está relacionado aos que pertencem ao povo da Cítia, região da Europa ao norte do Mar Negro.

[2] Os Lágidas passaram a governar o Egito após a morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.C., na Babilônia. Ptolomeu I, antigo general do imperador macedônico, foi o primeiro monarca desta dinastia e a última foi Cleópatra VII que reinou até 30 a.C. quando Roma conquistou a região.

[3] Do grego Philometor, “filho que ama sua mãe”.

Referências bibliográficas

SCHWENTZEL, Christian-Georges. Cleópatra. Porto Alegre: L&PM, 2009.

VEYNE, Paul. O Império Greco-Romano. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.

 

 

 

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O Rosto de Cleópatra

Por pesquisador Marcio Sant’Anna

 

A última rainha do Egito é também uma das personalidades mais discutidas da História. Sobre ela já foram escritos ensaios, construídas teorias, tornou-se personagem da literatura, do teatro, do cinema, de jogos de videogame, foi inspiração para a poesia, a pintura e a escultura, chegando aos dias de hoje como uma das figuras mais comentadas de todos os tempos. Entretanto Cleópatra VII ainda guarda mais perguntas do que respostas.

Uma dessas questões está ligada a aparência do rosto da mulher a quem Júlio César entre todas mais amou[1]. Após o filme de 1963 inspirado na vida da rainha e estrelado por Elizabeth Taylor, tornou-se comum lembrar do rosto da famosa atriz ao pensar na egípcia. Porém, existem poucos vestígios de como seria a verdadeira Cleópatra VII.

 A numismática é uma forte aliada para conhecermos a real face da rainha. Os mais antigos retratos de Cleópatra VII aparecem numa série de tetradracmas[2] de prata cunhados em Áscalon, na Palestina por volta do ano 50 a.C., época em que a rainha tinha vinte anos. Na parte da frente está o busto da rainha e no verso a inscrição em grego Kleopatras basilissés, que significa que aquela moeda foi cunhada por ordem da rainha Cleópatra.

Cleópatra VII em tetradracma cunhado em Áscalon, Palestina, por volta de 50 a.C.

Nestas moedas, Cleópatra aparece com os cabelos trançados e presos em um coque atrás da cabeça. Porta um diadema que, diferente das representações de outros monarcas helenísticos não é apenas a faixa que simboliza a vitória. É uma espécie de coroa de metal, possívelmente ouro, na qual estava presa a faixa, cujas estremidades podemos ver próximas à nuca da soberana.

O olho é grande, a testa arqueada, o nariz pontiagudo e longo e a boca apresenta o lábio inferior ligeiramente carnudo sendo o queixo não muito proeminente. Esta representação de Cleópatra é muito semelhante a de outras rainhas de sua família, antepassadas como Berenice I e Arsínoe II.

 Uma cabeça de mármore, hoje no museu de Berlim, apresenta o semelhante do que encontramos nas moedas de Áscalon, só que em auto-relevo. Um gracioso retrato da verdadeira Cleópatra VII com os mesmos traços descritos anteriormente.

Busto de Cleópatra, museu de Berlim. As mesmas características das moedas de Áscalon.

 Outra representação de Cleópatra aparece em moedas de bronze cunhadas em Pafo, na ilha de Chipre. Como nos tetradracmas de Áscalon, a rainha apresenta os cabelos presos em um coque, porém nestas moedas o diadema que ela usa é de um modelo ligado à deusa Afrodite, muito reverenciada na região e com a qual Cleópatra buscava estabeler associação[3].

A rainha segura nos braços Cesário, seu filho com Júlio César, que assim como a mãe associada a Afrodite, nesta moeda está associado a Eros, filho da deusa. Cleópatra porta ainda o cetro real que entregará a Cesário quando este atingir a maioridade[4]. A mensagem que a moeda busca transmitir é a de legitimação do poder da rainha e de seu filho como herdeiros dos deuses e do trono, bem como novas divindades.

Cleópatra e Cesário em moeda de bronze da ilha de Chipre: os novos Afrodite e Eros.

 Já nas representações encontradas nos templos do Egito, Cleópatra é retratada de acordo com o cânone da arte egípcia: com o rosto em perfil e os ombros de frente. Aqui não há a preocupação em mostrar a rainha de forma individualizada, como nas moedas e bustos helenísticos analisados anteriormente. A monarquia egípcia negava a personalidade do soberano em favorecimento da própria instituição.

Somente podemos distinguir Cleópatra de outras rainhas egípcias neste tipo de representação graças ao cartucho contendo seu nome em hieróglifos. Num baixo-relevo do templo da deusa Hathor, em Dendera, a rainha está associada a Ísis-Hathor e aparece usando uma peruca trançada, um enfeite com a forma da deusa abutre Nekbet e sobre ela uma coroa de Uraeus, as serpentes. Acima os cornos da deusa Hathor, um círculo solar e um pequeno trono, hieróglifo que representava o nome da deusa Ísis.

Representação de Cleópatra no templo de Hathor, em Dendera: sem individualização conforme o cânone egípcio.

Plutarco em suas descrições sobre Cleópatra, descreveu a rainha muito próxima daquela representada nas moedas de Áscalon e no busto localizado no museu de Berlim: uma mulher que não possuía uma beleza incomum, mas que, de acordo com o autor, seduzia os homens devido a sua personalidade e a grande cultura que possuía[5].

A propaganda negativa[6] feita pelos romanos após a derrota de Cleópatra em Áccio[7], onde a descreveram como sedutora, irresistível, devassa e insaciável e responsável por levar os dois maiores comandantes romanos a um estado de dominação total em relação a ela, contribuiu para criar o mito da beleza de Cleópatra e perpetuar sua memória até os dias de hoje. Entretanto é exagerada e não condiz com os verdadeiros atributos físicos da última rainha do Egito.

Estátua de Cleópatra VII em basalto negro. Museu Hermitage. São Petersburgo, Rússia.

Referências Bibliográficas:

PLUTARCO, Vida de Antônio.

SCHWENTZEL, Christian-Georges. Cleópatra. Porto Alegre: L&PM, 2009.

SUETÔNIO, A vida dos doze Césares. São Paulo: Ediouro, 2002.

TYLDESLEY, Joyce. Chronicle of the queens of Egypt. Londres: Thames & Hudson, 2006.

[1] SUETÔNIO, p. 59.

[2] Moeda de valor equivalente a quatro dracmas.

[3]Outras rainhas egípcias antepassadas de Cleópatra, como Arsínoe II, também foram representadas usando o diadema de Afrodite.

[4]Esta série de moedas deve ter sido cunhada em 47 a.C. para celebrar o nascimento de Cesário e a devolução do Chipre ao Egito.

[5]A rainha era poliglota, se comunicando sem intérprete nas línguas dos etíopes, hebreus, medos, árabes e sírios. Falava também o grego e o egípcio.

[6]Plutarco, Díon Cássio e Tito Lívio são alguns dos autores que contribuíram com essa propaganda negativa a respeito de Cleópatra.

[7]Batalha naval ocorrida em 31 a.C. onde a frota de Cleópatra e Marco Antônio foi derrotada pela de Otávio, levando ao suicídio da rainha e de seu amante e a dominação romana do Egito.

 

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A música pop e a antiguidade


 

Assistindo a performance da cantora Madonna durante o intervalo do XLVI Super Bowl – a final do campeonato de futebol americano dos Estados Unidos, e também o intervalo de TV mais caro da programação deles – pude perceber como a indústria da música pop vez por outra bebe na fonte da antiguidade, mostrando que o passado remoto inspira muitas vezes a arte da  sociedade contemporânea.

Iniciando o número apresentado, Madonna chegou ao estádio em um trono cercado por estandartes que lembravam os utilizados pelos romanos em suas legiões e ladeado por duas esfinges egípcias. À sua frente uma verdadeira procissão de sacerdotisas carregando ânforas era seguida por soldados que puxavam o trono, vestidos com as tipicas armaduras e elmos usados nos tempos dos césares.

Chegada de Madonna à apresentação do XLVI Super Bowl: à frente as sacerdotisas e os soldados romanos em uma cena inspirada no filme “Cleópatra”.

Detalhe da chegada de Madonna a apresentação no XLVI Super Bowl: túnica e coroa que remetem a deusa Ísis, esfinges e soldados romanos.A própria cantora usava uma túnica dourada e uma coroa estilizada que remetiam à deusa egípcia Ísis. Em uma cena totalmente inspirada no clássico filme de Hollywood “Cleópatra”, estrelado pela lendária Elizabeth Taylor, Madonna alcançou o palco onde haviam dançarinos representando figuras mitológicas como Eros e Hermes, além de outros vestidos como guerreiros.

Detalhe da chegada de Madonna a apresentação no XLVI Super Bowl: túnica e coroa que remetem a deusa Ísis, esfinges e soldados romanos.

Vale lembrar que está não foi a primeira vez que Madonna se valeu da antiguidade para inspirar seus números musicais. Em 1993, durante a turnê “The Girlie Show” ela assumia o papel de uma deusa, com direito a uma serpente em cristal em sua coroa, totalmente relacionada à Uraeus que adornava o fronte dos toucados dos faraós egípcios.

Madonna na turnê “Girlie Show”, em 1993: adorno de cabeça com serpente de cristal inspirada na Uraeus egípcia.

A produção do clipe acertou na reconstituição de época – com as devidas licenças criativas, como o bigode ostentado pelo faraó. São mostrados ambientes do palácio, as pirâmides, móveis, jóias, o mercado, os funcionários a serviço da corte, pinturas. Animais ligados às divindades egípcias como o falcão de Hórus e o gato de Bastet também aparecem durante o clipe. A própria roupa de Michael Jackson foi inspirada na indumentária dos reis egípcios: um peitoral dourado em forma de falcão e um saiote de linho fino plissado. Toda a história se desenrola acompanhada por uma difícil coreografia também inspirada na cultura egípcia.Michael Jackson também buscou inspiração na antiguidade quando lançou o clipe da canção “Remember The Time”, em 1992. Totalmente ambientado na corte egípcia, mostra um entediado faraó Ramsés juntamente com sua bela Grande Esposa Real – interpretados por Eddie Murphy e pela modelo Iman – procurando diversão. Após algumas tentativas mal-sucedidas, onde um malabarista foi lançado aos leões e um engolidor de fogo terminou degolado por não conseguirem entreter os soberanos, Jackson surge como um feiticeiro que tem a audácia de beijar a mão da rainha despertando a ira do faraó.

Michael Jackson, Eddie Murphy e Iman: recriação da corte egípcia para “Remember The Time”.

Na turnê “Showgirl” da australiana Kylie Minogue, em 2005, havia um número musical onde a cantora era acompanhada por bailarinos vestidos como gladiadores romanos. Já em 2011 ela mais uma vez se inspirou na antiguidade, mais especificamente na mitologia grega, para criar a turnê “Aphrodite World Tour”. No número de abertura do show, Kylie recriou a lenda do surgimento da deusa grega Afrodite. Esse nascimento teria sido resultado da castração de Urano por Cronos que atirou o pênis decepado na água do mar onde o esperma do deus deu origem a Afrodite. Segundo as palavras de Hesíodo1: “o pênis (…) aí muito boiou na planície, ao redor branca espuma da imortal carne ejaculava-se, dela uma virgem criou-se”. Ela em seguida flutuou até as margens sobre uma concha de vieira onde foi vestida e adornada.

Kylie Minogue: inspiração na mitologia grega para criar a turnê “Aphrodite” com destaque para o nascimento da deusa Afrodite.

Durante o show ainda aparecem outras referências a antiguidade: a cantora dança cercada por bailarinos vestidos com as armaduras e capacetes dos hoplitas, os guerreiros gregos conhecidos por atuarem utilizando a estratégia militar das falanges. Estes carregam, inclusive, na coreografia os escudos que eram usados na antiguidade por estes soldados para protegerem seus companheiros na formação militar. E, em outro número Kylie surge sobre uma biga simulando um cortejo que lembra muito um triunfo romano, cerimônia que ocorria quando as legiões conquistavam uma nova região e traziam para Roma prisioneiros e riquezas que eram exibidas em uma procissão.

Na “Aphrodite Tour” Kylie Minogue dançava acompanhada de bailarinos vestidos de hoplitas.

A veterana Cher também se valeu da cultura antiga para a turnê “The Farewell Tour”, de 2002. Um dos blocos do espetáculo possui várias referências a cultura indiana com figurinos coloridos, véus, entoação de mantras e até mesmo um elefante no qual a cantora adentra o palco vestida como uma princesa hindu.

Cher: inspiração na cultura indiana para sua “Farewell Tour”.

Existem outros diversos exemplos de cantores ou bandas pop que utilizaram referências da antiguidade em seus trabalhos. A partir dos casos citados acima, procuramos destacar como ocorre a influência de culturas tão distantes cronologicamente em relação a nós, contemporâneos, sobre o tipo de música que normalmente busca se mostrar cada vez mais moderna para atingir uma quantidade cada vez maior de pessoas.

[1] HESÍODO, Teogonia. São Paulo: Editora Iluminuras Ltda, 2003, p. 113.

 
 

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Oito de Março: Dia Internacional da Mulher

 

Mulheres retratadas na imagem acima:

  1. Hatshepsut, rainha-faraó do Egito;
  2. Lívia, imperatriz romana, esposa de Otávio Augusto;
  3. Aspásia, companheira do estratego grego Péricles;
  4. Débora, profetisa e juíza hebraica;
  5. Olímpia, rainha da Macedônia e mãe de Alexandre, o Grande;
  6. Hipátia, filósofa e matemática, nascida em Alexandria, no Egito;
  7. Nefertari, rainha do Egito, esposa de Ramsés II;
  8. Safo de Lesbos, poetisa grega;
  9. Teodora, imperatriz do Império Bizantino, esposa de Justiniano I;
  10. Nefertiti, rainha do Egito, esposa de Akhenaton;
  11. Helena, rainha de Esparta, esposa do rei Menelau e personagem central da guerra de Tróia;
  12. Maria, mãe de Jesus Cristo;
  13. Cleópatra VII, última rainha do Egito.

      “A história da mulher é a história da pior tirania que o mundo conheceu: a tirania do mais fraco sobre o mais forte”. Oscar Wilde, dramaturgo, escritor e poeta irlandês (1854-1900)   “A mulher é uma substância tal, que, por mais que a estudes, sempre encontrarás nela alguma coisa totalmente nova”. Léon Tolstói, novelista, pacifista e pensador moral russo (1828-1910)   “Nada é tão flexível como a língua da mulher, nada é tão pérfido como os seus remorsos, nada é mais terrível do que a sua maldade, nada é mais sensível do que as suas lágrimas”. Plutarco, filósofo e biógrafo grego (46-126)   “A mulher ou ama, ou odeia; com ela não há uma terceira hipótese”. Sêneca, filósofo, advogado, pensador e intelectual romano (4 a.C.-65 d.C.)   “Se a mulher nos ama, até as nossas insuficiências nos desculpa, mas se não nos ama, não desculpa nem as nossas prioridades”. Barão de Montesquieu, político, filósofo e pensador francês, criador da teoria dos três poderes (1689-1755)   “Minha conquista mais brilhante foi a habilidade de persuadir minha mulher a se casar comigo”. Winston Churchill, político, estadista e primeiro-ministro britânico durante a 2ª Guerra Mundial (1874-1965)   “Não há nenhuma mulher que se considere feia”. Ovídio, poeta romano (43 a.C.-18 d.C.)   “Uma mulher, quando tira a sua túnica, despe-se também do seu pudor”. Heródoto, historiador grego, considerado o “Pai da História” (485-420 a.C. aproximadamente)  

A todas as mulheres que acompanham nosso blog, nós do CPA/RJ desejamos não só um “Feliz Dia Internacional da Mulher”, mas que, inspiradas por aquelas que viveram na Antiguidade e deixaram seus nomes registrados para a posteridade e também pelas frases desses grandes pensadores da História, continuem a fazer a diferença durante todos os dias do ano na construção de uma sociedade mais justa, pautada pela equidade dos gêneros.

 

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