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Uma nova análise sobre o universo dos quadrinhos e a mitologia dos antigos

Por pesquisador Leandro Silvio Martins

 

A proposta aqui é comparar as diversas histórias em quadrinhos de super heróis com os mitos dos antigos. Para explicar este tema, primeiramente precisa-se entender o que é o mito. Não estamos trabalhando com o mito como uma mentira. Exemplo, o mito da “agulha com AIDS nos cinemas”. O mito pode ser trabalhado como diversos conceitos, depende do contexto.

 O mito que é passado aqui é o que representa uma verdade. Não que Zeus realmente exista, mas os mitos não são simplesmente um conjunto de histórias fantasiosas. A princípio o mito era a tentativa de explicar como o mundo surgiu de onde vinham as coisas, e também para onde vamos depois que morremos. É a História antes da Pré História. É o ancestral da ciência. Mas o mito ainda é mais. O mito é a forma mais antiga de literatura, era ele que dizia como os povos antigos deveriam viver, e ainda a base da moralidade da sociedade, dos governos e da identidade de uma nação. Era o código de conduta de uma nação… São as crenças que dão significado a vida.

 O mito também tem várias temáticas: moralidade, civilidade, e outras. Temos o mito do herói, aquele que mostra superação, determinação e coragem para enfrentar os problemas.  No mito grego, por exemplo, a riqueza de histórias e temáticas é enorme. Freud construiu em cima de um mito grande parte de sua teoria psicanalítica, o mito de Édipo. Não é então por acaso que muitas vezes nos identificamos com este mito. Mas não é só com este que nos identificamos, em momentos de nossas vidas nos vemos como muitos personagens dos mitos. Apaixonados como Apolo, vingativos como Hera, rejeitados como Hefesto. Conhecendo as faces destes deuses em seus mitos, entendemos as diversas possibilidades que também são nossas. Vemos através dos mitos a nós mesmos de uma forma mais abrangente.

Quando passamos por problemas na vida e tropeçamos na caminhada da vida e precisamos superar os obstáculos que a vida nos impõe, é difícil perceber nossa própria importância. Então chegam o momento de adquirir as características que nos retirem desta fase ruim, características de um herói. Coragem, força e determinação. Senso de justiça e estratégia. O mito do herói é freqüentemente analisado para se entender como se deve agir diante do problema que passarmos através da correlação que fizermos do mito com nossa vida.

Os heróis dos quadrinhos representam hoje de certa forma o que os heróis mitológicos representaram. Eles passam valores, em sua maioria, que são os valores passados nos mitos dos antigos.

A coragem do homem aranha em enfrentar tanto os vilões quanto os problemas amorosos e financeiros de sua vida como Peter Parker, o patriotismo do capitão América, a luta contra o preconceito dos X-Men, a tentativa de redimir os pecados cometidos no passado de Wolverine, assim como Hércules durante seus doze trabalhos, a superação dos problemas com a inteligência como Batman e Ulisses em a Odisséia, tornar-se imortal para os homens através de feitos que no fim culminam na Bela Morte, sendo transportado ao nível de lendas imortais a serem contadas por eras, como Aquiles na Ilíada e que teve a representação nos quadrinhos com a morte do Super Homem. Concluindo a intenção deste texto é fazer a ligação entre o mito e os quadrinhos, analisando o mito como uma verdade arquetípica e estabelecendo uma nova visão dos quadrinhos.

 

Referências Bibliográficas:

BIERLEIN, J. F. Mitos paralelos/ J.F Bierlein, tradução Pedro Ribeiro- Rio de Janeiro: Ediouro, 2003.

CARTLEDGE, Paul (Org.). História ilustrada Grécia antiga. Tradução Laura Alves e Aurélio  Rebello, 2 Ed. São Paulo: Ediouro, 2009.

VERNANT, Jean- Pierre.  Mito e pensamento entre os gregos. Trad. Haiganuch Sarian, 2ª Ed. Rio de Janeiro, 1990.

WILKINSON & PHILIP. Mitologia.2ª Ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2010.

 

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Deuses e homens

Por pesquisador Leandro Silvio

Uma das características da religião grega é a transformação das forças do além e da natureza a forma delineada de um ser humano, uma figura individual plenamente humana. VERNANT (1990) Explica que as grandes divindades do panteão grego são “deuses pessoais”, implicando em elos que as unem dos cultos estabelecidos na forma de relações pessoais. A vida religiosa do grego antigo aparece integrada a vida social e política. VERNANT (1990) explica essa condição da sociedade grega antiga, exemplificando que existe menos diferença entre o sacerdócio e a magistratura do que equivalência, onde o sacerdócio é uma magistratura, e toda magistratura comporta um aspecto religioso. Não existe descontinuidade dos deuses até a cidade, da religiosidade até as virtudes cívicas. Os mitos mostram de forma educativa as condutas que as pessoas devem ter, a crença nos deuses alicerçada nestes mitos representa idéias do homem grego antigo montando um quadro social e cultural .

 Os mitos nos mostram que os deuses em suas aventuras estavam em todos os lugares do universo e na vida dos homens. Os deuses eram as forças poderosas e temíveis que deviam ser acalmadas ou satisfeitas com preces e oferendas. Os homens deveriam agradar aos deuses. VERNANT (1990) apresenta o mito hesiódico das raças, onde os deuses criaram os homens, e que cinco raças diferentes se sucederam a segunda destas raças, a raça de prata, (inferior a raça de ouro, a primeira geração de homens, em uma época anterior a Zeus, uma época dominada por Cronos e que simbolizava o ideal da felicidade.) tinham um orgulho gigantesco e eram teimosos demais, recusando-se a venerar os deuses, o que fez Zeus exterminar a todos, que se tornaram os bem- aventurados dos infernos. Neste mesmo mito, segundo Hesíodo, Zeus demonstra ser uma força temível quando envia um dilúvio para exterminar os sobreviventes da terceira raça, a raça de bronze, onde os homens só pensavam em lutar entre si, e acabaram se matando uns aos outros.

 Cada deus tinha sua função determinada, e para atrair sua bondade deviam ser realizadas preces a estes, geralmente acompanhadas de uma oferenda. O livro história ilustrada Grécia antiga, organizado por Paul Cartledge (2009) revela que os mortais expressavam respeito aos deuses por meio de rituais realizados geralmente em festivais que honravam um deus. Atos sagrados, mais que convicções piedosas, eram a raiz da religião grega. E o calendário determinava o ritmo da vida. Também é lembrado que comprometer-se perante os deuses através de um juramento era procedimento padrão para aqueles que chegavam a um tribunal ou passavam a ocupar uma função pública. É revelada no livro história ilustrada Grécia antiga, organizado por Paul Cartledge (2009) que Demóstenes relata que, antes de começar seu ano de serviço, um jurado ateniense precisava jurar “Por Zeus, Poseidon e Demeter, e invocar a destruição sobre si e sobre sua casa, se de algum modo transgredisse esse juramento, porém rezaria para que, se mantivesse o juramento, lhe acontecessem boas coisas.”

Sacrifícios aos deuses eram realizados para atrair a boa vontade dos deuses, e o altar comumente era ao ar livre, destinado a receber o fogo que queimava a gordura dos animais sacrificados, e a fumaça subia em direção aos deuses. Em Roma, por exemplo, um cavalo era normalmente sacrificado para Marte. Mas VERNANT (1990) lembra que não devemos incorrer no engano em relação a individualidade do deus e de seu antropomorfismo. Os deuses são invisíveis, não tem corpo, a figuração do deus em forma humana não modifica este dado.

A força divina se traduz como uma força cósmica, social e humana não dissociadas. Para um grego, Zeus representa o raio, associado ao céu, representa a soberania do poder sobre outrem, representa a chuva, a luz… E estes fenômenos estão ordenados como aspectos de uma mesma força. A representação do deus de maneira antropomórfica é um símbolo cultual. O corpo de uma pessoa reflete a expressão de certas forças dos deuses, como a beleza, a graça, a juventude, a saúde e a vida por exemplo. Além de outros aspectos, como a ira e o amor, representados pela função de alguma divindade.

O grego antigo então busca, o tanto quanto possível, identificar-se com o divino. Sobre o mito em si, BIERLEIN (2003) faz afirmações que de maneira geral exemplificam a relação dos deuses e dos homens. Segundo BIERLEN(2003), o mito é uma constante na sociedade humana em todos os tempos. O mito é a herança compartilhada de memórias ancestrais e estruturam-se na mente inconsciente, preenchendo o vazio entre as imagens do inconsciente e a linguagem lógica consciente, sendo a coerência que identifica as comunidades, tribos e nações.

A crença nos deuses para o grego antigo, seus ritos e seu pensamento em relação a divindade é o padrão de crenças que dá significado a vida, capacitando indivíduos e sociedades a se adaptarem aos respectivos ambientes com dignidade e valor. O antropomorfismo, fazer deus a imagem do homem, era a maneira encontrada pelo homem de se fazer a imagem de deus.

Referências Bibliográficas:

BIERLEIN, J.F. Mitos paralelos/ J.F. Bierlein;tradução de Pedro Ribeiro.- Rio de Janeiro : Ediouro,2003.

CARTLEDGE Paul, organizador; História ilustrada Grécia antiga/ Paul Cartledge, organizador, tradução Laura Alves e Auréliop Rebello – 2 Ed –São Paulo: Ediouro, 2009.(Coleção história ilustrada.)

VERNANT, Jean- Pierre, Mito e pensamento entre os gregos,trad. Haiganuch Sarian, 2º edição, paz e terra,Rio de Janeiro,1990.

WILKINSON & PHILIP,1955, guia Zahar:mitologia/ WILKINSON & PHILIP,segunda edição ,Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed, 2010

 

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IDUNA

Por Leandro Silvia

O conjunto de mitos da península escandinava, que reúnem a Suécia, a Noruega, parte da Finlândia e culturalmente a Dinamarca, os povos nórdicos, possuem contos mitológicas em narrativas encontradas em duas coleções, as chamadas Edas, como afirma BULFINCH (2006), e que segundo ele a mais moderna, em prosa é de 1640 e a mais antiga, em poesia data de 1056.

 As Edas contam a formação do mundo e a origem dos deuses. WILKINSON & PHILIP (2009) contam que assim como os Titãs deram origem aos deuses do Olimpo, os deuses nórdicos surgiram de uma raça de gigantes. De Bor e Bestla nasceram os Aesires ou Ases, principal clã dos deuses nórdicos, liderados por Odin, que possuía incontáveis filhos, assim como Zeus. Entre os deuses nórdicos, encontramos a deusa Iduna ou Idun, que como afirmam WILKINSON & PHILIP (2009) era casada com o deus da poesia Bragi, provável guardião do hidromel.

Iduna era a guardiã das maçãs que permitiam aos Aesires permanecerem jovens (segundo as Edas em prosa). Observando desta maneira, conclui-se que Iduna é a responsável pela imortalidade dos deuses, preservando a sua força e a sua juventude ao conferir a eles uma maçã do pomar sagrado diariamente, no qual ela guarda em sua caixa de freixo.

 Idun é uma deusa Vanir. WILKINSON & PHILIP (2009) contam que no início, havia duas raças de deuses, os Aesires e os Vanir, ou Vane, estes últimos, deuses da fertilidade, que governavam o mar e a terra, e eram liderados por Njord, deus do mar, junto a seus filhos Freyr e Freyja. Existe um conto que revela que estes deuses estavam em guerra, pois um deus Vanir ao chegar em Asgard, lar dos Aesires, disfarçado de Freyja começou a conversar de maneira obsessiva sobre ouro, irritando os Aesires que o jogaram no fogo por três vezes, mas das três vezes ele ressuscitou.

Essa atitude enfureceu os Vanir, e estes declararam guerra aos Aesires. A trégua só foi estabelecida com a troca de dois reféns: Dois Aesires, Honir e Mimir, que ficariam sempre uma parte do ano com os Vanir e Freyr e Njord, que morariam com os Aesires. Mas os Vanir tentaram arrancar de Mimir os segredos dos Aesires, e quando este se recusou, os Vanir cortaram-lhe a cabeça e a enviaram aos Aesires. Porém a cabeça de Mimir continha toda a sabedoria dos deuses.

Odin tornou a cabeça imortal e a manteve em Asgard e com a sabedoria dos ddeuses venceu os Vanir. Os poucos que sobraram se uniram as tribos Aesires, como revelam WILKINSON & PHILIP (2009). Iduna é uma destas remanescentes. Um dos mitosa sobre Iduna envolve Loki, que como se refere BIERLEIN (2003), é o embusteiro, fonte de engano e sofrimento para os deuses, e certa vez este deus foi preso por um gigante que prometeu solta-lo se este desse auxilio no roubo das maçãs de Iduna.

Loki, que como revela WILKINSON & PHILIP (2009), é uma das figuras mais complexas da mitologia nórdica, um personagem que pode fazer boas ou más ações, transita entre os gigantes e os deuses e é famoso por trapacear, às vezes maldosamente os deuses, com o advento da cristandade ele foi representado como o diabo, e no mito do roubo das maçãs de Iduna não foi diferente de como Loki é representado. O deus atrai Iduna para uma floresta afim de que o gigante possa capturá-la com facilidade, e este se metamorfoseando em águia rapta Iduna.

Os deuses então passam a envelhecer e obrigam Loki a salvar Iduna, este com o manto emprestado de Freyja e transforma Iduna em uma noz, e este metamorfoseado em falcão retorna com a deusa. A representação deste mito é uma parábola sobre as estações do ano, onde Iduna representa a primavera e o gigante de gelo, o inverno que com a ajuda do verão representado por Loki, que é um deus do fogo, como revela a história de Sigfried, onde Odin pede para Loki fazer surgir magicamente à muralha de fogo que vai prender a Valkiria Brunhilde. O retorno de Iduna como uma noz representa o retorno da primavera e o rejuvenescimento dos deuses.

Este artigo é uma homenagem a minha amiga Iduna, que por seu nome me inspirou a escrevê-lo.

 Referências Bibliográficas:

BIERLEIN, J.F. Mitos paralelos/ J.F. Bierlein; tradução de Pedro Ribeiro. – Rio de Janeiro: Ediouro,2003.

WILKINSON & PHILIP, 1955, guia Zahar: mitologia/ WILKINSON & PHILIP, segunda edição, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed, 2010

 

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Antiga na Mídia! Em Cartaz nas telonas – THOR

Por pesquisador Leandro Silvio

Os vikings de acordo com o mito nórdico acreditavam em um universo de várias camadas, e todas unidas por um eixo central. Este eixo é Yggdrasil, a árvore do mundo. Eles colocavam o Niflheim, o mundo dos mortos, no inferior do cosmo, o mundo dos homens mortais, Midgard, no meio e Asgard a terá dos deuses acima. Outros reinos se ligavam a estes locais pela árvore do mundo. O reino dos gigantes e anões, o reino dos elfos… PHILIP WILKNSON & NEIL PHILIP (2010) revelam que os deuses nórdicos surgiram de uma raça de gigantes, e liderados por Odin, o deus supremo, um dos três deuses criadores do mundo dos mortais, os outros são Vili e Vê,passaram a comandar toda a criação.

Entre os deuses nórdicos, possivelmente o mais venerado ao lado de Odin, era Thor, que como relata BULFINCH (2006), era o filho mais velho do próprio Odin, e mais forte entre todos os deuses e homens. Possuidor de três poderosíssimos itens, ele era praticamente invencível. O primeiro e mais famoso destes itens, é o seu martelo, Mjolnir, que nunca errava o alvo, como descreve WILKNSON & PHILIP (2010) e sempre retornava as mãos do deus, o segundo item era as poderosas luvas de ferro para torná-lo mais eficiente no arremesso do martelo e por fim, o terceiro item era o cinturão da força, que redobrava o poder divino de Thor, duplicando sua já incrível força.

Thor é descrito como um deus de cabelos e barba vermelha, de grande estatura e representante do trovão e do raio, que ele liberta com uso de seu martelo encantado. Thor era filho de Odin e da giganta Jord, a deusa que representa Midgard, a terra dos homens mortais. Era casado com a bela deusa Sif, e conta-se que durante o crepúsculo dos deuses, o dia em que toda a criação seria destruída, como revela Bulfinch (2006) na maior de todas as batalhas, Thor vencerá a serpente do mundo, Jormungandr, a serpente de Midgard, mas sucumbirá por seu veneno logo após matá-la.

Na Suécia e na Dinamarca, como afirmam PHILIP WILKNSON & NEIL PHILIP (2010), foram encontradas muitas esculturas simbolizando o deus e seu poderoso martelo, como amuletos que foram encontrados em sepulcros.

WILKNSON & PHILIP (2010) ainda revelam que na poesia nórdica há diferentes descrições em honra de Thor, mas todos os templos descritos nestas poesias havia um recipiente para colher o sangue de animais sacrificais, e ocupando o centro do templo, uma estátua dourada de Thor, sentado em seu carro puxado por seus dois bodes.

Thor pode ser identificado com o deus greco romano Júpiter, ambos são deuses que personificam o raio e o trovão, são filhos da mãe terra, possuem os mesmos animais sagrados, o bode ,o carneiro e a águia,venceram os monstros Jormungandr (Thor) e Tifão (Júpiter) e são protetores do homem. Este paralelo é ainda mais consistente se observar que no alemão antigo e no inglês antigo, Thor é o planeta Júpiter, e a quinta feira, dia sagrado para ambos os deuses, do inglês thurday significa o dia de Thor, como explica J.F. BIERLEIN (2003)

Na mitologia nórdica não existe histórias mais ricas do que as aventuras de Thor, principalmente ao lado de seu meio irmão, o trapaceiro Loki, que sempre estava arrumando confusão. Thor percorria o mundo numa carruagem puxada por dois bodes chamados Tanngrísnir e Tanngnjóstr. Conta-se que quando Thor percorria o céu nessa carruagem as montanhas ruíam, e o barulho provocado pelas rodas do veículo originavam os trovões.

Após o Ragnarok, seus filhos, sobreviventes, Magni (Força) e Mod (coragem) irão herdar seus preciosismos tesouros e ajudarão na reconstrução de Asgard.

No mundo dos quadrinhos encontramos o poderoso Thor em aventuras pela editora Marvel Comics, mantendo sua imagem de deus do trovão ele surge com seu poderoso martelo e luta ao lado dos heróis conhecidos como os vingadores, os heróis mais poderosos da terra. Nesta adaptação, ele surge como um enorme homem loiro e sem barba, apesar de ser possuidor de uma vasta barba em momentos de suas histórias nos quadrinhos. Esta imagem de Thor nos quadrinhos é mais de acordo com as representações do deus no século XIX, de óperas alemãs que atendiam ao imaginário medieval, e assim as roupas de Thor não se parecem com o que os vikings utilizavam, pois estes nunca trajaram elmos com chifres ou asas como afirma LANGER (2006).

 Referências Bibliográficas:

BIERLEIN, J.F. Mitos paralelos. Tradução Pedro Ribeiro, Rio de Janeiro: Ediouro, 2003

BULFINCH,Thomas,1796-1867. O livro de ouro da mitologia: histórias de deuses e heróis/ tradução David Jardim, Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.

LANGER, Johnni. Símbolos religiosos dos vikings: guia iconográfico. História, imagem e narrativas n. 11, 2010

LANGER, Johnni. A representação do deus Thor nos quadrinhos. Revista Brathair 6(1) 2006.

WILKINSON, PHILIP, 1955. Guia ilustrado Zahar: mitologia/ PHILIP WILKNSON & NEIL PHILIP, traduação Áurea Akemi, 2º edição-Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed,2010.

 

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Débora

Por Pesquisador Leandro Silvio

Em homenagem a uma pessoa do qual eu tenho muita estima, resolvi escrever este artigo. Débora mulher de Lapidot surge na Bíblia como uma juíza, descrita no livro de juízes no velho testamento.

 O capítulo quatro de Juízes, conta que Débora julgava Israel, a profetisa costumava sentar-se sob a palmeira entre Ramá e Betel, nas montanhas de Efraim, e os israelitas subiam até ela para questões de julgamento. De acordo com o site[1], Débora viveu por volta de 1.150 A.C. e reorganizou as tribos de Israel para derrotar o rei Jabin de Canaã. Em Juízes é relatado que quando os israelitas tornaram a ofender a Deus, depois da morte de Aod o salvador enviado por Deus, quando este foi ofendido anteriormente e Deus fortaleceu Egion, rei de Moab, contra Israel, os israelitas tornaram a clamar por Deus, por que Jabin, rei de Canaã oprimia Israel e era possuidor de novecentos carros de ferro, que davam aos cananeus o domínio da fértil planície de Esdreião e isso lhes davam a supremacia sobre os israelitas.

Os capítulos 4 e 5 de Juízes, tratam do mesmo acontecimento, no capítulo 4 em prosa e no 5 em verso na ode triunfal o cântico de Débora: a união das principais tribos do norte(Benjamin, Efraim, Zabulon, Issacar e Neftali, na luta contra os cananeus, liderados por Débora(“abelha”) e Barac, filho de Abinoem, de Cedes de Neftali, Débora manda-o chamar, e de acordo com o relato bíblico ela lhe disse:

“O senhor Deus de Israel te ordena que vás ao monte Tabor para mobilizar as tropas. Deverá arregimentar mil homens de Neftali e de Zabulon.Ele vai mobilizar contra ti, junto à torrente do Quison, Sísara, o general do exército de Jabin, com os carros e as tropa e o entregará nas tuas mãos.”

E Barac lhe respondeu:

“Se fores comigo, eu irei. Se não fores comigo, não irei.”

 Débora acompanha Barac até Cedes, mas alerta que não será a glória da expedição de Barac, por que Sísara,o comandante militar de Jabin será entregue nas mãos de uma mulher.Sísara, general de Jabin, quando foi derrotado pelo regimento de dez mil homens levados por Débora e Barac, fugiu a pé para o assentamento de Héber, o quenita, amigo do rei Jabin. Jael, a esposa de Héber, matou Sisara enquanto este dormia em sua tenda. A vitória das tropas de Barac e Débora foi atribuída a uma intervenção divina, uma tempestade provocou o súbito transbordamento da torrente do Quison e com a inundação da planície do Esdreião os carros de Sísara ficaram inutilizados.

O cântico a Débora foi escrito por ela ou um contemporâneo seu, e é o mais sofisticado de todos os cânticos de guerra, uma obra prima da poesia judaica. Este cântico é o único em que encontramos na bíblia, duas mulheres como heroínas: Débora e Jael.

Os juízes eram pessoas que lutavam por justiça, conhecidos por serem sábios em seus julgamentos e por sua liderança militar. Débora é a única mulher entre tantos homens que recebeu este título, e esta mulher antes de tudo foi uma excelente conselheira ao prestar julgamentos debaixo de sua palmeira, a um povo sedento por Deus. Débora exercia a liderança política, militar e religiosa. Débora era uma líder que transmitia confiança inclusive entre os homens (Juízes 4:8). Após a vitória de Débora, os israelitas ficaram em paz por 40 anos.

[1]  http://www.ahistoria.com.br/biografia-debora/

Este artigo é dedicado a Débora Brum.

Bibliografia: Bíblia Sagrada, Editora Vozes e Editora Santuário, 36º edição.

http://www.ahistoria.com.br/biografia-debora/

 

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Ares – arquétipo masculino

Ares

Por Leandro Silvio

A retratação dos deuses olimpianos designa o que é projetado aos homens, cada qual por um arquétipo individualizado que representa o homem. Brandão (2009) aponta este fato no que convencionou chamar de complexo de Zeus. Uma tendência a monopolizar a autoridade e a destruir, nos outros a manifestação de autonomia. Esta descrição é tida por observarem-se determinadas atitudes do poderoso Zeus.

Todos os deuses possuem uma retratação que caracteriza o homem. Com Ares não é diferente. Brandão (2009) afirma que Ares
está relacionado com o grego aré, “desgraça, infortúnio”, pois Ares é a representação desde o panteão homérico como o deus da guerra e da violência.

Apolo é representado como a reflexão e a prudência e Ares se notabiliza pelos músculos e pela força física. Seu prazer está em participar da violência e do sangue, como visto na guerra de Tróia onde coloca-se ao lado dos troianos, aborrecendo sua mãe Hera e Atena, sua irmã e rival na guerra, para agradar Afrodite, não importando com a opção de combater ao lado dos gregos ou dos troianos, pois não importa a causa que defende ou de que lado combata.

Observando Ares, e seu comportamento, verificamos que o deus não se “encaixa”no espírito grego, com exceção de Esparta. Ares como relata Brandão (2009) é de físico perfeito, como lhe chama o aleijado deus das forjas Hefesto, nunca se casou,
preferindo apenas o “físico”. Todos os seus filhos foram cruéis e sanguinários, como Deimos, o terror, Phobos, o medo, Cicno,Diomedes Trácio, Licaon e Fereu.

A mais séria aventura amorosa do deus foi com Afrodite, a deusa do amor e mais bela entre as deusas do Olimpo, casada com o coxo Hefesto. Ares era ridicularizado por seus pares, desprezado pelos pais e até pelos poetas que o chamavam de bebedor de sangue, deus das lágrimas e flagelo dos homens, epítetos deprimentes. Por fim, Ares torna-se um antípoda do equilíbrio apolíneo entre os gregos, por sua incapacidade de adaptar-se ao espírito grego.

Por ser mais brutal e menos civilizado, o deus Ares é considerado similar, mas não equivalente ao Marte romano, como revelam WILKINSON & PHILIP(2010). O prazer em lutar pelo mero prazer era repudiado. Portanto em seus mitos era constantemente derrotado graças a seu infortunado amor pelas batalhas e por se jogar ardentemente e inconseqüentemente a guerra indiferente ao lado vencedor ou perdedor, desde que houvesse derramamento de sangue. Este amor pelo conflito não era acompanhado da sabedoria de Atena, e foi inúmeras vezes derrotado pela própria deusa, assim como foi derrotado por Diomedes. Héracles e pelos gigantes filhos de Poseidon, Oto e Efialtes, que o prenderam em um jarro de bronze por 13 meses, até ser liberto por Hermes.

Ares foi o primeiro a ser julgado por homicídio, quando matou Halirrótio, filho de Poseidon. Julgado por 12 deuses na colina da Acrópole de Atenas que ficou conhecida como Areópago, lugar em que os atenienses passaram a julgar os homicídios.

Concluído Ares representa as características humanas que o homem precisa ter em batalha, mas que somente os leva a vitória se estiver em comunhão com as representaçõesmasculinas de Apolo e acompanhado da sabedoria estratégica de Atena.

 Referências Bibliográficas:

BRANDÂO, Junito de Souza, Mitologia grega, vol II, 18º edição, Petropolis, RJ< vozes, 2009.

WILKINSON & PHILIP, 1955, guia Zahar:mitologia/ WILKINSON & PHILIP,segunda edição ,Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed, 2010

 

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Mitologia no cinema. – O ladrão de raios

Os mitos foram as primeiras tentativas de entender o mundo, estando presentes em diversas culturas. Possivelmente, o mais fascinante é o deslumbrante universo dos heróis e deuses da mitologia grega.

Fonte de ensinamento moral entre os gregos, os mitos mostram de forma educativa as condutas que as pessoas devem ter, montando um quadro social e cultural. Hoje, estes mitos continuam vivos na imaginação do homem moderno, trazendo na forma de filmes, jogos e novos romances, as histórias destas aventuras clássicas e majestosas. Verdadeiros contos de heroísmo. É o caso do filme, O ladrão de raios, baseado no primeiro livro da série, Percy Jackson e os Olimpianos.

O filme, assim como o romance, narra à história de Percy Jackson, Percy é o apelido dado em diminutivo para o nome do herói grego que matou a Medusa, Perseu. O garoto descobre que no mundo existem realmente os antigos deuses gregos, e eles estão nos EUA, pois eles se deslocam sempre para o território que abriga a nação mais poderosa do mundo, um dia foi a Grécia clássica, depois o império romano e por fim os EUA. E todas as criaturas míticas, são imortais, retornam ao mundo depois de terem sido mortas, e também passam a abrigar diversos pontos dos EUA.Os deuses, não mudaram muito seu jeito de ser, e ainda acabam tendo diversos relacionamentos com os mortais, os seres humanos, gerando assim os meio sangues, ou semi deuses.Estes , possuem diversos problemas durante sua vida, como serem perseguidos por monstros constantemente.

Percy se vê nesta situação, filho divino de um dos deuses do Olimpo, ele é levado para o acampamento meio sangue, onde os filhos semi divinos dos deuses são treinados para serem heróis, com o acampamento sendo administrado pelo centauro Quiron. Mas o jovem recém descoberto semideus descobre ser mais especial do que ele pensava, pois os três maiores deuses do Olimpo, haviam feito um pacto de não mais gerar meio sangues, pois seus filhos nascem poderosos demais, e o ultimo parece ter provocado uma das piores guerras que a humanidade já travou. Os deuses mais poderosos são Zeus, o senhor dos céus e dos raios, Hades, o deus dos mortos e do mundo inferior e Poseidon, o deus dos mares, este ultimo, pai de Perseu Jackson.

A continuidade da história é uma aventura eletrizante, onde o Jovem filho de Poseidon, se junta ao Sátiro Glover e a filha de Atena, deusa da guerra e da sabedoria, Annabeth, para encontrar o ladrão do raio mestre de Zeus, cujo Percy é acusado de ser o culpado, visto que surgiu no momento em que o raio mestre desapareceu, e sendo filho de um dos três grandes deuses!

A empolgante aventura cita diversas referências aos fantásticos mitos que um dia fizeram o ser humano aprender a reconhecer os arquétipos das emoções primais do ser humano: Vingança, amor, desejo, amizade, ódio… E assim constrói uma maneira de recontar a trajetória dos heróis e deuses da mitologia, aproveitando-se da magia do cinema e introduzindo os heróis fictícios modernos como o próprio protagonista filho de Poseidon, Percy Jackson.

 

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