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Arquivo do autor:Prof. Elaine Herrera

Sobre Prof. Elaine Herrera

Bacharel em História pela Universidade de Guarulhos/São Paulo. Pós-graduando História Antiga e Medieval pela Faculdade de São Bento. Interesse em História Antiga Romana e judaica.

O CPA/RJ te leva: Museu Histórico da Fazenda das Posses

Réplica da Fazenda das Posses 1904 Fonte: Acervo pessoal

Réplica da Fazenda das Posses 1904
Fonte: Acervo pessoal

Repleto de objetos, como: louças, bomba de gasolina, máquina de lavar, trajes de vestuário, moedas, etc., de várias décadas do século XX. O acervo do Museu é bem diversificado, com ambientes montados que demonstram uma casa de colono, do começo do século passado.

O Museu Histórico da Fazenda das Posses é um Patrimônio Material que retrata bem a colonização holandesa na região. Um ponto turístico, cultural e histórico que vale a visita.

Diversas peças do acervo. Fonte: Acervo pessoal

Diversas peças do acervo.
Fonte: Acervo pessoal

Máquina de lavar de 1962. Fonte: Acervo pessoal

Máquina de lavar de 1962.
Fonte: Acervo pessoal

O Museu está localizado ao lado do Ginásio de Esportes, da Cooperativa de Campos de Holambra, no estado de São Paulo. A visita é gratuita, mas ela deve ser agendada pelo telefone (014) 9787-4760, com o Sr. Antônius Eltink.

Bomba de gasolina (datada de metade do século XX). Fonte: Acervo pessoal

Bomba de gasolina (datada de metade do século XX).
Fonte: Acervo pessoal

 

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Indiana Jones… Que nada, arqueólogo brasileiro

“O esforço do arqueólogo traz consigo, além do suor, a possibilidade de apoderar-se da história real indo em busca do cansaço e da exploração”

Pedro P. A. Funari[1]

No imaginário humano de muitas pessoas, habitam seres capazes de decifrar mistérios e enigmas. Essas criaturas possuem sua indumentária própria, e acredita-se que observem muito, que falem pouco e tenham hábitos excêntricos. E prefiram estar em lugares inóspitos, cercados por todos os tipos de perigos; desde insetos venenosos até os mais sinistros monstros criados pelo medo, claro que esses seletos seres são vistos ao final, como numa visão hollywoodiana; em meio a muita fumaça, saindo de uma caverna subterrânea, eis que surge a figura corajosa do desbravador, carregada de descobertas valiosas do passado. Mas será essa a vida do arqueólogo?

As áreas escolhidas pelos arqueólogos brasileiros em geral são na arqueologia histórica e na pré-histórica, e seus campos de atuação podem ser o acadêmico, trabalhando diretamente na produção do conhecimento, em museus e instituições culturais na educação patrimonial, o arqueólogo pode ainda trabalhar também em consultoria, como na arqueologia de contrato. (FUNARI, 2012, p. 112).

O trabalho do arqueólogo é sem dúvida complexo, pois as metodologias devem ser utilizadas conforme as diversas características, que variam também de acordo com a cultura local e contemporânea. Por exemplo, dependendo do lugar, os desenterramentos de corpos, ou mesmo transitar em cemitérios passa, a ser uma atividade impossível.

As etapas do trabalho arqueológico, que consiste em antes do campo com todo o planejamento, no campo com a escavação e levantamento de todo o contexto arqueológico e pós-campo com a identificação, armazenamento e publicação de informações, deve ser sistemático e de acordo com as condições apresentadas. Visto que quando o arqueólogo é contratado por uma empresa, dentro de uma arqueologia de contrato, tempo é um fator determinante. Além do cuidado, para não acabar vinculado aos interesses do seu contratante.

Quanto à educação patrimonial há ainda um vasto campo de atuação a ser preenchido por arqueólogos, nas instituições que regularizam o patrimônio e mesmo em museus. Há um grande número de museus brasileiros, mas que trate da temática arqueológica esse número ainda é bastante reduzido. Espera-se que haja fomento nestas áreas, pois há no Brasil um grande potencial de material arqueológico a ser exposto, pesquisado e publicado. Ou seja, há sem dúvida, muito trabalho para os futuros arqueólogos.

Essa profissão não regulamentada, com poucos cursos de mestrado, doutorado e especialização, oferecidos em nosso país, faz do arqueólogo um profissional desbravador. Com empresas de arqueologia, ou prestando serviços nelas, o arqueólogo é um profissional que viaja e trabalha conforme as condições apresentadas.

Mesmo que o arqueólogo decida a permanecer nas universidades, o número reduzido de cursos limitam suas possibilidades de ministrar aulas. E a aproximação com a cultura material também tem seus obstáculos, pois dependem de uma infinidade de avaliações deste profissional.

Concluindo, diante de tantas dificuldades, que passam pelo imprescindível diálogo com outras ciências, pela necessária regulamentação que fixem as condições não apenas do arqueólogo, mas do trabalho em si.  Isto é, o auxilio de uma legislação voltada para arqueologia. Com tudo isto, percebemos que o arqueólogo é sim, um profissional aventureiro, pois mesmo em meio a todo tipo de circunstância, ele emerge das areias do tempo, coberto muitas vezes de lama, mas gratificado sempre pelo seu achado arqueológico.

Imagem 1- Museu Navio Franco de Godoy - Mogi-Guaçu/SP. Imagem 2 – Sítio Escola (Arqueologia) Franco de Godoy – Mogi-Guaçu/SP. Dois lugares reservados para o aprendizado da Arqueologia. Fonte: Acervo pessoal

Imagem 1- Museu Navio Franco de Godoy – Mogi-Guaçu/SP.
Imagem 2 – Sítio Escola (Arqueologia) Franco de Godoy – Mogi-Guaçu/SP.
Dois lugares reservados para o aprendizado da Arqueologia.
Fonte: Acervo pessoal

Referências Bibliográficas

CHILDE, G. V. Para uma recuperação do passado: a interpretação dos dados arqueológicos. São Paulo: DIFEL, Difusão Editorial, 1969.

DREWETT, P. Field Archaeology. An Introduction. London: UCL Press, 1999.

FLORENZANO, T. G. Imagens de Satélite Para Estudos Ambientais. São Paulo: Oficina de Textos, 2002.

FUNARI, Pedro Paulo. A Arqueologia. 3.Ed.  São Paulo: Contexto, 2012.

MCINTOSH, J. Guía práctica de arqueología. Madrid: Hermann Blume, 1987.

MOBERG, C-A. Introdução à Arqueologia. Lisboa: Edições 70, 1981.

TRIGGER, B. G. História do Pensamento Arqueológico. Trad. Ordep Trindade Serra. São Paulo: Odysseus Editora, 2004.


[1] FUNARI, Pedro Paulo. 2012, p. 56.

 

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Presença Feminina – Priscila

Por pesquisadora Elaine Herrera

 

Decifrar o cotidiano feminino na antiguidade tem sido uma constante busca, por historiadores de todo o mundo. Traçar um perfil histórico de determinadas mulheres então, tem se tornado uma ingrata tarefa. Por isso, não temos aqui a pretensão de descrever um retrato de Priscila, que era mais uma presença feminina, no cenário do início do cristianismo. Mas percorremos por alguns caminhos que nós leve ao interesse por uma melhor investigação, dessa mulher da antiguidade.

Fórum Romano (Roma)

Fórum Romano (Roma)

O nome Priscila significa anciã ou primitiva, e é o diminutivo de Prisca. Ele é mencionado sete vezes no Novo Testamento, e aparece sempre acompanhado pelo nome de seu marido. Trata-se de um casal de origem judaica e que segundo o Novo Testamento estavam residindo a princípio em Roma:

“E, achando um certo judeu por nome Áqüila, natural do Ponto, que havia pouco tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma)[1]…” (Atos 18:2)

Por conta da ordem do imperador romano, Claudio; Priscila e seu marido acabaram se fixando em Corinto e estabeleceram-se como fabricantes de tendas. E foi em Corinto que aconteceu o primeiro encontro entre eles e Paulo, o propagador do cristianismo.

Cidade Grega de Corinto

Cidade Grega de Corinto

Algumas informações podem ser elencadas sobre esta mulher. Priscila viveu nó século I, era casada, judia, e trabalhava junto ao seu marido, confeccionando tendas, e fez de sua casa, um espaço para a igreja do cristianismo primitivo. As menções respeitosas, referentes à Priscila, verificadas nas escrituras dos cristãos revelam gratidão e consideração para com ela, demonstrando sua intensa participação junto às novas comunidades cristãs.

Cidade que Priscila esteve com Áquila e Paulo, Éfeso

Cidade que Priscila esteve com Áquila e Paulo, Éfeso

Stegemann, um teólogo alemão, diz que os êxitos missionários em meio ao judaísmo da diáspora (judias e tementes a Deus) e conversão de economias domésticas eram facilmente verificados no caso de Priscila, e Lídia.

Fazendo um parâmetro com as mulheres de hoje, podemos dizer que Priscila conseguia manter com sucesso: casamento, trabalho e sua vocação religiosa.

Segundo Vamosh: “The fate of Priscilla is unknow; one legend says she was martyred in Rome and buried there, where a church and a tomb stand to this day in her memory[2].”

[1] Bíblia de Jerusalém.

[2] Tradução proposta: O destino de Priscila é incerto; uma lenda diz que ela foi martirizada em Roma e enterrada lá, onde uma igreja e um túmulo ficaram até este dia, em memória dela.

Referências Bibliográficas:

BALDOCK, John. Mulheres na Bíblia. São Paulo: M. Books do Brasil, 2009.

Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.

STEGEMANN, Ekkhard W. História social do protocristianismo. São Leopoldo: Sinodal, 2004.

VAMOSH, Miriam Feinberg. Woman at the time of the Bible. Israel: Palphot, 2007.

 

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Você sabia? Vaidade

Por pesquisadora Elaine Herrera

 

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Que a vaidade é antiga, já se sabe, é só olhar a quantidade de colares, pulseiras, braceletes e adornos em geral encontrados nos museus das principais cidades do mundo. Através desses objetos, muitos datados séculos antes de Cristo, fica fácil imaginar a vaidade na rotina humana.

No livro de Êxodo[1] em uma passagem a cerca das ofertas podemos verificar a presença desses objetos: “E vieram os homens com as mulheres. Todos os doadores de coração, e trouxeram pulseiras e aros, anéis, cinto de castidade e todo objeto de ouro; e todo homem que separou oferta de ouro para o Eterno”.

Na Cidade de Jerusalém não era diferente, segundo Miriam Vamosh[2]: “Alguns penteados eram tão complicados, que o Talmude (Sabbat 94b-95a) proíbe a mulher desfazer o penteado ao sábado, porque seria uma transgressão do preceito que proíbe “construir” e “demolir”!”

Azeite e cera de abelha eram utilizados para auxiliar na construção dos penteados. E a vaidade não era só com os cabelos, mas com as unhas pintadas de branco; rosto maquiado com pós a base de minerais, e as sobrancelhas que ganhavam uma mistura de pó negro ou castanho, com azeite para realçá-las.

Isso sem falar nas joias, anéis, colares e até coroas, no Talmude (Sabbat 59a) existe uma discussão a respeito das mulheres usarem coroas durante o sábado, devido ao peso que estavam carregando ser lícito ou não, diante das prescrições da Lei.

A beleza feminina, portanto, já era cultivada com requinte, e esse costume entre as hebreias, foi herdado pelas mulheres judias, e a vaidade, ah! essa tão antiga quanto humana.

[1] Segundo livro da Torá, Êxodo 35. 22, p. 272.

[2] Miriam  Feinberg Vamosh é educadora e especialista em Patrimônio Cristão.

Fonte Histórica:

A Lei de Moisés Torá. São Paulo: Editora Sêfer, 2001.

Referência Bibliográfica:

VAMOSH, Miriam Feinberg. Braga: Editorial Franciscana, 2003.

 

 

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Carnaval é antigo?

Por pesquisadora Elaine Herrera

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Que o homem sempre fez festa isso já sabemos, mas será que o carnaval tem sua origem na antiguidade?

Existia na Grécia Antiga, uma festa ritual onde as pessoas ficavam mascaradas, fantasiadas. Esse ritual acontecia na passagem do jovem para a vida adulta.

Mesmo nos locais, onde havia uma rígida disciplina, mascarados, e homens fantasiados de mulher, era comum, como em Esparta, onde os meninos eram educados severamente para serem cidadãos. Ao final do seu treinamento a comemoração era repleta de encenações obscenas, humorísticas, tudo com muita bebida, cantoria e fantasias.

Para Felipe Ferreira o carnaval teria sido inicialmente carrus navalis, que significa: carro em forma de navio, uma festa que era dedicada à deusa Isis no Egito Antigo, esse nome, se dá por conta do oferecimento a deusa de pequenos barquinhos que eram levados ao Nilo recheados de presentes.

Festas com uma boa dose de libertinagem também acontecia na Roma Antiga, em homenagem a Dionísio, Luperco (deus Pã) e a outros deuses. As festas lupercais aconteciam em fevereiro e nelas os sacerdotes de Pã corriam quase sem roupa, com galhos de árvores nas mãos batendo em quem aparecesse em seu caminho, eles acreditavam que esse galho passaria fertilidade, mulheres encontrariam casamentos e as grávidas facilidades no parto. Ainda nesta festa as charretes eram todas enfeitadas, as quais podem fazer uma rápida alusão aos carros alegóricos.

Segundo Felipe: “as antigas festas babilônias, que remontam III séculos antes de Cristo, chamadas sacéias. possuiam muitas características carnavalescas, como exagerada comemorações e a troca de papéis entre um rei e um mendigo[1].

Com o passar do tempo o carnaval ganhou outros significados como adeus à carne (carne vale), festa da carne. O carnaval atual também tem se servido de uma inversão de papéis na sociedade e o tom por algumas vezes é o exagero, sendo assim podemos dizer que há nele semelhança com as antigas festas da colheita, e em honra a muitos deuses. Concluindo, a folia é antiga!

1] O livro de ouro do carnaval brasileiro. 2004. P. 20.

 Referência Bibliográfica:

 FERREIRA, Felipe O livro de ouro do carnaval brasileiro. Ferreira, Felipe. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

 

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Editorial fim de ano

Getsêmani/Jerusalém

Getsêmani/Jerusalém

                                                                                                                    Por Elaine Herrera

Estamos nos aqui novamente para felicitações de boas festas. Estranho pensar que muitos acreditam que o fim do mundo esta prestes a acontecer. Mas o que realmente esperamos é que todos os seus sonhos, planos, e metas se realizem. E que neste novo ano, coisas boas e melhores aconteçam.

Torcemos também para que a História possa enfim ser mais conhecida, sonhamos com o dia em que os homens descubram a utilidade desse conhecimento, como Tucídides[1].

Assim quem sabe, possamos parar de repetir os que mesmos erros do passado. E que tenhamos a sabedoria de ver na História, o homem sendo protagonista dos acontecimentos no tempo, e não com uma visão simplista do velho, ultrapassado.

Já dizia  Cícero[2]: “A história é testemunha dos séculos, luz da verdade, vida da memória, mestra da vida, mensageira do passado”.

Aprender com nossos erros parece normal, mas não errar porque aprendemos com os erros dos outros no passado, parece ser mais inteligente.

Então além de nossos mais sinceros votos de um 2013 absolutamente formidável, que os brasileiros possam descobrir e usar do poder transformador da História. Que os museus e centros culturais sejam descobertos e frequentados, ao invés de serem vistos como um lugar escuro e mofado. 

 Pois para se conhecer um povo, não  ha  lugar melhor para isso que visitar o seu espaço de memória.

Viva 2013! Viva a memória social!

[1] Tucídides (Autor da Obra: Guerra do Peloponeso e também considerado o fundador da moderna historiografia).

 [2] Marco Túlio Cícero (105 a. C – 43 a. C.) político romano.

 
 

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Diário de Bordo! Parte Final

Tudo que é bom, dura pouco, já diz o ditado popular e amanheceu nosso último dia em Israel. Ideia: aproveitar cada minuto.

Assim saímos rapidamente para concluir nosso roteiro, acordamos cedo, tomamos nosso café árabe e seguimos para visitar o Domo da Rocha. A fila era grande, sem custo, mas com revista, nossos pertences passam por um Raio X e somos revistados, para segurança tudo bem.

Caminhar pela plataforma construída por Herodes, onde era o antigo Templo de Jerusalém, já é o máximo, ver a beleza da arte islâmica nas paredes da Cúpula Dourada é ainda mais incrível.

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É impressionante como é grande lá em cima, vimos crianças estudando, homens, mulheres todos em círculos sentados ouvindo o que acredito serem mestres. Seguramente um lugar muito bonito, um chão cheio das pisadas do tempo e marcado por diferentes religiões.

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Saímos e já caímos dentro das muralhas da Cidade Antiga, suas ruas estreita e repleta de lojas de objetos de prata, tecidos, perfumes, e muitos locais para saborear a comida local.

Estar em Jerusalém é estar num mundo à parte, a presença marcante da religião está em tudo, nas roupas, no semblante das pessoas, e nos sons da cidade.

O clima é bem seco, o que dificulta um pouco a respiração. A diferença entre os povos que lá residem salta aos olhos a todo o momento, são muitos interesses que divergem numa tentativa constante de sobrevivência.

Visitar a terra de minhas pesquisas faz toda a diferença, já que todos os detalhes são importantes. Infelizmente só tínhamos metade do dia, por conta da volta. Então pegamos um taxi de Jerusalém para Tel Aviv rumo ao aeroporto, nosso vôo estava marcado para as 14:45. Chegamos cedo a tempo para o almoço, uma passada rápida num fast food kasher, e entramos novamente num túnel do tempo para voltar à realidade. Afinal estar em Israel é mergulhar no passado e quanto à guerra, posso dizer: eu fui!

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