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Indiana Jones… Que nada, arqueólogo brasileiro

30 nov

“O esforço do arqueólogo traz consigo, além do suor, a possibilidade de apoderar-se da história real indo em busca do cansaço e da exploração”

Pedro P. A. Funari[1]

No imaginário humano de muitas pessoas, habitam seres capazes de decifrar mistérios e enigmas. Essas criaturas possuem sua indumentária própria, e acredita-se que observem muito, que falem pouco e tenham hábitos excêntricos. E prefiram estar em lugares inóspitos, cercados por todos os tipos de perigos; desde insetos venenosos até os mais sinistros monstros criados pelo medo, claro que esses seletos seres são vistos ao final, como numa visão hollywoodiana; em meio a muita fumaça, saindo de uma caverna subterrânea, eis que surge a figura corajosa do desbravador, carregada de descobertas valiosas do passado. Mas será essa a vida do arqueólogo?

As áreas escolhidas pelos arqueólogos brasileiros em geral são na arqueologia histórica e na pré-histórica, e seus campos de atuação podem ser o acadêmico, trabalhando diretamente na produção do conhecimento, em museus e instituições culturais na educação patrimonial, o arqueólogo pode ainda trabalhar também em consultoria, como na arqueologia de contrato. (FUNARI, 2012, p. 112).

O trabalho do arqueólogo é sem dúvida complexo, pois as metodologias devem ser utilizadas conforme as diversas características, que variam também de acordo com a cultura local e contemporânea. Por exemplo, dependendo do lugar, os desenterramentos de corpos, ou mesmo transitar em cemitérios passa, a ser uma atividade impossível.

As etapas do trabalho arqueológico, que consiste em antes do campo com todo o planejamento, no campo com a escavação e levantamento de todo o contexto arqueológico e pós-campo com a identificação, armazenamento e publicação de informações, deve ser sistemático e de acordo com as condições apresentadas. Visto que quando o arqueólogo é contratado por uma empresa, dentro de uma arqueologia de contrato, tempo é um fator determinante. Além do cuidado, para não acabar vinculado aos interesses do seu contratante.

Quanto à educação patrimonial há ainda um vasto campo de atuação a ser preenchido por arqueólogos, nas instituições que regularizam o patrimônio e mesmo em museus. Há um grande número de museus brasileiros, mas que trate da temática arqueológica esse número ainda é bastante reduzido. Espera-se que haja fomento nestas áreas, pois há no Brasil um grande potencial de material arqueológico a ser exposto, pesquisado e publicado. Ou seja, há sem dúvida, muito trabalho para os futuros arqueólogos.

Essa profissão não regulamentada, com poucos cursos de mestrado, doutorado e especialização, oferecidos em nosso país, faz do arqueólogo um profissional desbravador. Com empresas de arqueologia, ou prestando serviços nelas, o arqueólogo é um profissional que viaja e trabalha conforme as condições apresentadas.

Mesmo que o arqueólogo decida a permanecer nas universidades, o número reduzido de cursos limitam suas possibilidades de ministrar aulas. E a aproximação com a cultura material também tem seus obstáculos, pois dependem de uma infinidade de avaliações deste profissional.

Concluindo, diante de tantas dificuldades, que passam pelo imprescindível diálogo com outras ciências, pela necessária regulamentação que fixem as condições não apenas do arqueólogo, mas do trabalho em si.  Isto é, o auxilio de uma legislação voltada para arqueologia. Com tudo isto, percebemos que o arqueólogo é sim, um profissional aventureiro, pois mesmo em meio a todo tipo de circunstância, ele emerge das areias do tempo, coberto muitas vezes de lama, mas gratificado sempre pelo seu achado arqueológico.

Imagem 1- Museu Navio Franco de Godoy - Mogi-Guaçu/SP. Imagem 2 – Sítio Escola (Arqueologia) Franco de Godoy – Mogi-Guaçu/SP. Dois lugares reservados para o aprendizado da Arqueologia. Fonte: Acervo pessoal

Imagem 1- Museu Navio Franco de Godoy – Mogi-Guaçu/SP.
Imagem 2 – Sítio Escola (Arqueologia) Franco de Godoy – Mogi-Guaçu/SP.
Dois lugares reservados para o aprendizado da Arqueologia.
Fonte: Acervo pessoal

Referências Bibliográficas

CHILDE, G. V. Para uma recuperação do passado: a interpretação dos dados arqueológicos. São Paulo: DIFEL, Difusão Editorial, 1969.

DREWETT, P. Field Archaeology. An Introduction. London: UCL Press, 1999.

FLORENZANO, T. G. Imagens de Satélite Para Estudos Ambientais. São Paulo: Oficina de Textos, 2002.

FUNARI, Pedro Paulo. A Arqueologia. 3.Ed.  São Paulo: Contexto, 2012.

MCINTOSH, J. Guía práctica de arqueología. Madrid: Hermann Blume, 1987.

MOBERG, C-A. Introdução à Arqueologia. Lisboa: Edições 70, 1981.

TRIGGER, B. G. História do Pensamento Arqueológico. Trad. Ordep Trindade Serra. São Paulo: Odysseus Editora, 2004.


[1] FUNARI, Pedro Paulo. 2012, p. 56.

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