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Ptolomeu Keraunos, o príncipe deserdado

03 nov

Ptolomeu, cognominado Keraunos (“o raio”, em grego), era filho mais velho de Ptolomeu I Sóter, fundador da dinastia macedônica que governou o Egito de 305 a.C. até a morte de Cleópatra VII em 30 a.C., com sua terceira esposa, Eurídice. A ele, em principio, estava destinada a sucessão do trono do Egito. Porém o caráter violento do jovem príncipe e a predileção do pai pelos filhos que teve com a esposa seguinte, Berenice I, levaram a uma mudança nos rumos da história.

Busto de Ptolomeu I, pai de Ptolomeu Keraunos, paramentado como faraó egípcio. Museu Britânico, Londres.

Busto de Ptolomeu I Sóter, pai de Ptolomeu Keraunos, paramentado como faraó egípcio. Museu Britânico, Londres.

Ptolomeu Keraunos foi deserdado e preterido em favor de Ptolomeu Filadelfo, seu irmão mais novo. Ao deixar Alexandria, o antigo herdeiro egípcio rumou para a Trácia [1], governada por Lisímaco, com quem sua irmã Arsínoe estava casada. Naquela corte Ptolomeu Keraunos participou com Arsínoe de uma intriga em 284 a.C. contra Agatocles, o primogênito de Lisímaco. O objetivo era conquistar a sucessão para seus sobrinhos.

Agatocles foi acusado de estar conspirando contra o pai para tomar o trono com o apoio do rei sírio Seleuco [2] e posteriormente condenado à morte.  Seleuco aproveitou o momento de confusão política e invadiu o país em 281 a.C. com a ajuda de Ptolomeu Keraunos. Lisímaco foi derrotado e morto e Seleuco proclamou-se rei da Trácia e também da Macedônia, que havia sido anexada alguns anos antes, em 285 a.C.

Porém o ambicioso Ptolomeu Keraunos não estava satisfeito: queria governar onde quer que fosse. Em 280 a.C. ele assassinou Seleuco e conseguiu tornar-se soberano da Macedônia. Tomou sua irmã Arsínoe como esposa e no dia do casamento mandou assassinar todos os filhos que ela tivera com Lisímaco com o intuito de formar uma nova dinastia.

Após um breve governo e uma vida cheia de intrigas e batalhas, Ptolomeu Keraunos encontrou seu fim de forma violenta quando foi executado em 279 a.C. pelos gauleses que destroçaram o exército da Macedônia e invadiram seu reino.

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[1] Região do sudeste da Europa banhada pelos mares Negro, Mármara e Egeu onde atualmente localizam-se parte da Grécia, Turquia e Bulgária. Fazia parte do Império de Alexandre, o Grande e após a morte deste em 332 a.C. foi legada a Lisímaco, um de seus generais.

[2] Oficial de Alexandre, o Grande que após a morte do jovem conquistador fundou o Império Selêucida, que cobria as terras do Mar Egeu até o Afeganistão, em 312 a.C. e inaugurou a dinastia de mesmo nome. Ficou conhecido com o cognome Nicator que significa “vencedor”.

 

Referências Bibliográficas:

PAUSÂNIAS. Descripción de Grecia, livro I. Madrid: Gredos, 1994.

SCHWENTZEL, Christian-Georges. Cleópatra. Porto Alegre: L&PM, 2009.

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