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A cerimônia de casamento no Egito antigo

20 out
Sennedjem e sua esposa Iyneferti. Detalhe de pintura localizada na tumba de Sennedjem, Deir el-Medina, Egito.

Sennedjem e sua esposa Iyneferti. Detalhe de pintura localizada na tumba de Sennedjem, Deir el-Medina, Egito.

No Egito antigo, o casamento era uma simples anuência pessoal entre os dois interessados. Diferente do que muitos imaginam, não havia uma benção nupcial no templo. Existiam contratos de casamento e para casar-se, as duas pessoas deveriam ser livres.  Há um caso na literatura egípcia em que um escravo, prisioneiro de guerra, precisou ser alforriado para casar-se com a filha de um barbeiro do faraó.

A egiptóloga Christiane Desroches Noblecourt reconstitui um casamento de nobres egípcios da seguinte forma:

“No dia acordado, ao cair da noite, o pai da noiva fazia-a conduzir publicamente à casa do futuro genro, acompanhada de presentes. O rapaz por sua vez dava uma grande festa para o qual eram chamados inúmeros convivas, igualmente carregados de presentes. Depois dessas festividades, os cônjuges iniciavam a vida em comum”.

Nesse momento, em que a noiva era levada à casa do futuro esposo, todo o enxoval preparado para ela também era exibido publicamente, para comprovar a qualidade dos objetos que seriam utilizados pelos noivos em seu novo lar, era um verdadeiro desfile de móveis, tecidos, objetos de uso diário, entre outras peças.

Cada um dos dois membros do casal proferia as seguintes palavras: “eu te faço minha mulher” e “fizeste-me tua mulher”. Os novos esposos realizavam então uma súplica a um parente masculino, o mais recentemente falecido, pedindo o nascimento de um filho. Após essa prática iniciava-se a festa, que devia ser memorável para marcar data tão especial ligada à perpetuação da espécie. Eram servidas iguarias da culinária em um banquete com música e danças.

A própria noiva, Ahuri, descreve as festividades do seu casamento em um texto da época:

“O Faraó diz ao chefe da casa real: ‘Que conduza Ahuri à casa de Nenoferkaptah esta  noite mesmo. E que com ela seja levada toda a sorte de belos presentes’. Eles me conduziram como esposa à casa de Nenoferkaptah e o Faraó ordenou que me fosse fornecido um grande dote em ouro e prata, o qual me apresentaram todas as pessoas da casa real. Nenoferkaptah passou comigo um dia feliz; recebeu toda a gente da casa real e dormiu comigo nessa mesma noite. Encontrou-me virgem e me conheceu uma vez, e outra ainda, pois cada um de nós amava o outro”.

Uma vez casada, a mulher não mudava de nome e nem juntava o seu ao do marido. Ela continuava a ser identificada pela sua própria genealogia: “nascida de fulana” e “feita por fulano” (nomes dos pais). Em alguns casos, podia ser designada como “esposa de fulano”.

 

Referência bibliográfica:

  • NOBLECOURT, Christiane Desroches. A mulher no tempo dos faraós. Campinas: Papirus, 1994.
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