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Você Sabia? O aborto e os contraceptivos na Grécia antiga

11 abr
Hipócrates o “pai da medicina” 460-377 a.C.

Hipócrates o “pai da medicina” 460-377 a.C.

Por pesquisadora Thassia Izabel

Na Grécia antiga não existia nenhuma lei contra o aborto, porém Hipócrates o “pai da medicina” era contra essa prática, a não ser que a saúde da mulher estivesse em risco. Hipócrates tinha ainda algumas recomendações de métodos contraceptivos, como afirmar Nikolaos Vrissimtzis:

“… recomendava que, se fosse necessário evitar a gravidez, as relações sexuais deveriam ocorrer nos dias inférteis do ciclo menstrual. Outro recurso era a relação sexual no período da menstruação.”

Utilizavam ainda para impedir a fecundação o coito interrompido, e como técnicas abortivas aplicavam até encantamentos mágicos, veneno e drogas como espermicidas, ferro sulfúreo e carbonato de chumbo. Nikolaos Vrissimtzis também aborda descrições de escritores sobre esse assunto:

“ Segundo Dioscórides (Matéria Médica), se uma mulher grávida pisasse sobre uma raiz de ciclâmen, abortaria. Ainda de acordo com o mesmo escritor, a raiz de aspárago, levada como amuleto, tornaria a pessoa  estéril(ibid.,151). Plínio diz que, se uma mulher grávida comesse ovo de corvo, provocaria o aborto( História Naturalis, X, 32).

Lydie Bodiou relata também algumas receitas abortivas realizadas na Grécia como: “Pegue uma pitada de grão leucoium, cinco ou seis bostas de cabras, misture em vinho de muito bom aroma. Então administre uma boa fumigação preparada com água e óleo e feita sobre um assento. Depois da fumigação dê a mistura para beber. Em seguida, lave a mulher e faça deitar; ela comerá couve e beberá o líquido liberado por seu cozimento.”

Os motivos que levavam as mulheres gregas a praticarem o aborto eram inúmeros, desde a estética, para se preservar o corpo a fatores econômicos, como não se ter muitos descentes para não precisar dividir o patrimônio, além de ser bastante realizado pelas prostitutas afim de não prejudicar o seu trabalho.

É interessante frisar que para Platão (República, 461) o feto não era um ser humano, e somente depois do nascimento que se tornava então um ser vivente, isso legitimava o aborto, e o tornava aceitável, já o infanticídio era condenado por lei e era considerado um ato criminoso.

Assim, as práticas abortivas e os contraceptivos na Grécia antiga, eram utilizados sem restrições apesar de não serem totalmente apoiadas pelos médicos, que normalmente incentivava tais práticas quando era necessário para manter a vida da mulher.

 

Referências Bibliográficas:

VRISSIMTZIS, Nikolaos. Amor, Sexo e Casamento na Grécia Antiga. Um Guia da Vida Privada dos Gregos Antigos. São Paulo:Odysseus, 2002.

BORDIOU, Lydie. O filho indesejado: o aborto na Grécia Antiga. História em Revista, Rio Grande do Sul, V. 8, Dezembro. 2002.

 

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