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Você Sabia? Sacrifício no mundo Grego

05 mar

Por pesquisadora Thassia Izabel

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Existiam duas formas diferentes de sacrifício de animais na Grécia antiga, uma direcionada aos deuses que residiam o Olimpio, chamados de olimpianos e outra aos deuses que habitavam as cavidades da terra chamados de ctonianos e infernais. Sendo que o único deus que não recebia nenhum tipo de sacrifício era Hades, como é possível observar pela descrição do historiador Vernant¹ sobre esse deus:

“Existe, é claro, um deus do mundo subterrâneo, Hades, mas ele é precisamente o único a não ter nem templo nem culto.”

As oferendas aos deuses olímpicos aconteciam da seguinte forma: o sacrifício acontecia à luz do dia, e o animal que poderia ser um boi ou um porco, uma ovelha ou uma cabra, era levado em cortejo até um altar elevado, acompanhado pelo som de flautas e enfeitado com fitas e uma coroa, e então se levantava a cabeça da vítima sacrifical e cortavam a garganta afim de que o sangue jorrasse para o alto em direção aos deuses celestes. O animal era retalhado e se retirava os ossos e os cobriam de gordura e os queimavam em oferta aos deuses.

Além disso, existia uma hierarquia na divisão da carne, as primeiras partes eram distribuídas entre os magistrados, e o sacerdote que precedia o ritual recebia as partes nobres do animal como a língua e o couro. Depois de obedecer à ordem hierárquica a carne era dividia em partes iguais com todos os participantes. Ocorria então o festim ou banquete, que era o único momento em que os gregos comiam carne, era portando o sacrifício uma forma de interação com os deuses e também com os homens.

Mas se tratando dos sacrifícios cruentos destinados aos seres infernais ou aos heróis e aos mortos, tudo ocorria de uma forma diferente, era realizado a noite, não existia a comensalidade, a vítima era totalmente queimada, o altar era mais baixo com um orifício o que possibilitava que o sangue escorresse para a terra quando o animal fosse degolado. Não havia comunhão com o deus, e normalmente esse tipo de sacrifício era para afastar alguma força ou pacificar uma divindade.

Concluindo, era através do sacrifício que os gregos estabeleciam o contato com a divindade cultuada, e ainda criava uma comunhão social, porém isso em relação aos deuses olímpicos, pois os sacrifícios direcionados as divindades ditas como infernais não serviam para criar proximidade. Mas esses aspectos nos mostram as diversidades do culto grego e a importância do sacrifício.

 

Thassia Izabel é graduada e História e Pós-Graduanda em História Antiga e Medieval na UERJ.

 

REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

VERNANT, Jean-Pierre. Mito e Religião na Grécia Antiga. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009.

SISSA, Giulia; DETIENNE, Marcel. Os deuses gregos. In São Paulo: Círculo do Livro, 1990.

 

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