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Você Sabia? Casamento romano

16 out

Por pesquisadora Elaine Herrera

Paquius Proculus e a sua esposa. Fresco de Pompeia, século I, atualmente exposto no Museo di Capodimonte

Que o casamento na Roma Antiga era para a procriação, o casal não se unia porque se gostavam, nem para ter prazer amoroso e sim para produzir um herdeiro legítimo. O casamento romano também servia para a manutenção do culto familiar, porque a partir do momento que a moça deixava a casa de seus pais para unir-se ao seu marido, estabelecia-se a garantia de que mais uma pessoa estaria cumprindo o ritual diário ao deus reverenciado pela aquela família.

Outra motivação para o casamento era o aspecto econômico, porque toda noiva levava um dote para a nova família. Que resultaria numa transferência de patrimônio, daí a importância de se produzir um herdeiro legítimo rápido, pois se o chefe da família morresse, teria que ter um sucessor, ou seja, esse herdeiro ainda deveria ser homem, não adiantava ter filhas, porque elas não poderiam administrar a família e muito menos o patrimônio.

A esposa podia ser repudiada caso ela não produzisse herdeiros homens. Por outro lado se num relacionamento fora do casamento o homem engravidasse outra mulher, este filho não seria legítimo porque legítimos seriam somente aqueles concebidos pela mulher que passou pelo ritual do casamento.

Mesmo que no casamento legal, o amor ou o erotismo, praticamente não existisse isso não significava que as pessoas que se casavam se odiavam, apenas, seus objetivos eram outros.

Amor, práticas eróticas e sedução, tudo isto estava fora do casamento. Como dizia Galeno[1] um médico importante na antiguidade: “Para uma mulher engravidar no casamento ela deveria se mexer o mínimo possível, a posição dela dentro do casamento na hora de uma prática amorosa era a mais passiva possível, porque se ela se mexesse muito, ela não engravidaria”.

Emoções e prazer o homem procurava com outras mulheres, isso legitimava ao homem ter quantas mulheres lhe fosse necessário. Já que o casamento servia para outros propósitos.

[1] Galeno (129 – 210 d.C)  era médico e filósofo  em Roma, nascido em Pérgamo.

Referências Bibliográficas:

DUBY, Georges (orgs.) História da Vida Privada. Tradução Maria Lúcia Machado Vol I. São Paulo: Companhia das Letras, 2009

 FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo: Editora Contexto, 2003.

LE ROUX, Patrick. Império Romano. Porto Alegre: L&PM, 2009.

REBOLLO, Regina Andrés. O legado hipocrático e sua fortuna no período greco-romano: de Cós a Galeno.Scientiæ zudia, São Paulo, v. 4,n. 1, p. 45-82, 2006. Disponível em: <http://www.scientiaestudia.org.br/

SUETÔNIO. A vida dos doze Césares. 4ª Ed. São Paulo: Ediouro, 2002. 

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2 Respostas para “Você Sabia? Casamento romano

  1. Luciano

    25/10/2012 at 11:29 AM

    Ótimo blog. Divulgue ele aqui:
    http://vergg.com.br/categoria/antiguidades/

    Fica a dica!
    VLW
    =)

     
  2. espacointuicao

    17/10/2012 at 12:19 AM

    Muito bom o texto!
    Detalhes desta época e dos costumes greco-romanos podem ser encontrados no livro “Cidade antiga” de Fustel de Coulanges.

    Os costumes antigos estavam arraigados a crença de domínio masculino sobre o feminino. Além do cultos aos ancestrais, com libações e o fogo que mantinham acesso dentro de suas residências. Alguns chegam a dizer que a presença de uma tocha sempre acesa em culto aos ancestrais, poderia ter iniciado um incêndio descontrolável como aquele na época de Nero.

    Os primeiros códigos de leis e a primeira noção de propriedade privada vem, segundo Fustel de Coulanges, da terra onde depositavam os restos dos ancestrais das famílias. Nem o arado poderia profanar esta terra sagrada. Os rituais eram sempre dirigidos pelo primogênito e as mulheres só recebiam algo graças à benevolência dos irmãos do sexo masculino.

    Acredito que o costume da progenitura advenha desta antiga crença do sexo masculino sobre o feminino.

    Fustel aponto o código de Hamurabi como primeiro conjunto de leis escritas. Era uma espécie de plano em argila cunhados com uma espécie de estilete, a escrita cuneiforme. Antes, valia o direito consuetudinário.

    É fantástico estudar história antiga e medieval.

    abraço.

     

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