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Perseguições aos Cristãos no Império Romano – Parte 3

08 out

Curso ministrado pelo Prof. Diogo Pereira da Silva, doutorando em História Comparada/UFRJ, no Centro Cultural Jerusalém.

As perseguições no século I

O surgimento do movimento  Cristão

O contexto judaico do século I

Morte de Alexandre Magno (336-323 a.C.)

  • Palestina dominada pelos Reinos Helenísticos, sendo o mais notável o Reino dos Selêucidas;
  1. 175-164 a.C.: Antíoco IV, Epifânio
    1. Helenização
    2. Proibição de práticas judaicas: observância do shabbat, interdições alimentares, e circuncisão;
    3. Tentativa de instalação de uma estátua de Zeus no templo de Jerusalém.

Datação: 170-164 a.C. Tetradracma – Anverso: Antíoco IV laureado à direita
– Reverso: Júpiter à esquerda, segurando na mão direita a Vitória alada sobre um g|lobo, e na esquerda o cetro.
Legenda: ΒΑΣΙΛΕΩΣ ΑΝΤΙΟΧΟΥ ΘΕΟΥ ΕΠΙΦΑΝΟΥ ΝΙΚΗΦΟΡΟΥ

  • 2 Macabeus 6, 1-5
    • “1Depois de não muito tempo, o rei enviou um ancião, ateniense, com a missão de forçar os judeus a abandonarem as leis de seus pais, e a não se governarem mais segundo as leis de Deus. 2Mandou-o, além disso, profanar o Santuário de Jerusalém, dedicando-o a Júpiter Olímpico, e o monte Garizim, como o pediam os habitantes do lugar, a Júpiter Hospitaleiro. (…) 4O Templo ficou repleto da dissolução e das orgias cometidas pelos gentios que aí se divertiam com as meretrizes e que nos átrios sagrados se aproximavam das mulheres, introduzindo ainda no seu interior coisas que não eram lícitas. 5O próprio altar estava repleto de oferendas proibidas, reprovadas pelas leis”.
    • Dinastia dos Hasmoneus (140-37 a.C.)
      • Expansão romana no Oriente, colocou a República em contato com o Reino de Israel, cuja hegemonia passou a ser disputada com o Império Parta;
      • Disputa entre Hircano II e Aristóbulo II (67-63 a.C.), acaba com a tomada da Palestina por Pompeu;
      • 37-4 a.C.: Herodes Magno funda a Dinastia dos Herodianos.

 

  • Galileia
    • Região fértil, e celeiro de movimentos insurrecionais anti-romanos. Entretanto, possuia relativa autonomia durante os reinados de Herodes Magno e Herodes Antipas
    • Região menos urbanizada, e que possuia certa autonomia frente ao domínio romano, que governava diretamente as regiões da Judeia e da Samaria.
  • Palestina
    • A dominação romana e a submissão dos Herodianos favoreceram o desenvolvimento de insurreições, estimuladas pelas condições sociais e econômicas, além das expectativas e aspirações religiosas dos judeus.
  • Movimentos e grupos do judaismo palestino:
    • Saduceus: membros da aristocracia sacerdotal e leiga de Jerusalém; possuiam uma adesão à lei escrita da Torah e a rejeição ao messianismo; no plano político permaneciam abertos à colaboração com a dinastia herodiana e com os romanos, que permitiam-lhes conservar o controle sobre o Templo de Israel.
    • Essênios: sacerdotes e leigos “dissidentes”,  que contrastavam com a linha dos saduceus de Jerusalém. Viviam em organizações comunitárias às margens do mar Morto, empenhandos na observância da lei e à espera da libertação final.
    • Fariseus: buscavam a interpretação e observação da lei, baseadas em uma tradição oral que tendia a aplicar a Torah escrita às novas situações; organizados em grupos, reuniam-se para refeições  comuns de ‘puros’ e para estudar a lei, promovendo a interpretação e atualização das Escrituras.
    • Zelotas: grupo inspirado pelo zelo dos fariseus pela lei de Moisés, e que se empenhava numa ação militante pela independência de Israel. Baseavam-se em uma ideologia teocrática e nacionalista.
  • Judeus da Diáspora:
    • Século VIII a.C.: Primeira Diáspora Judaica pela Ásia Menor e Mediterrâneo Oriental;
      • Havia mais judeus fora da Palestina (Antioquia, Alexandria, Roma);
      • Vida cultual centrada na sinagoga;
      • Os judeus possuiam um estatuto jurídico especial no Direito Romano, recebendo uma série de privilégios e exceções.

O Cristianismo e o Helenismo

  • O movimento cristão
    • Surgido na Galileia, na década de 30.
      • Missão de Jesus: relacionada à salvação própria do Reino de Deus, que se realiza através dele.
      • Jesus inseriu sua mensagem nas promessas escatológicas dos profetas, em relação ao reino do Messias, e na vinda do Reino de Deus;
      • Ademais, o Reino de Deus está próximo e é iminente, é ativo e observável.
    • A proposta de Jesus não era de uma piedade pessoal, mas a unificação de todos como irmãos de uma família religiosa;
    • Não pregava a luta armada, nem a formação de uma “nova religião”
  • A comunidade primitiva
    • Os dois primeiros grupos nos quais a mensagem cristã se difundiu foram:
      • Judeus da Palestina, de cultura hebraica;
      • Judeus da Diáspora, de cultura helenizada.
    • A comunidade de Jerusalém caracterizava pela continuidade com práticas judaicas, reuniões comuns, divisão do pão e partilha de bens.
  • Perseguição aos Judeus Helenistas
    • Dispersão pela Judeia e Samaria, além do Medieterrâneo Oriental, onde pregaram para judeus da diáspora e ‘gentios’ (Atos 11,20)
    • Paulo de Tarso: perseguidor, e convertido.
    • Sinagoga: espaço privilegiado para o discurso evangelizador cristão, em especial do discurso paulino.
  • Paulo e a sua pregação
    • A dinâmica religiosa da sinagoga envolvia um momento de leitura da Torah que era seguida de uma discussão e meditação. Neste momento, é que observamos as colocações de Paulo perante os grupos das sinagogas, e sua anunciação do Messias.
    • Em Atos, observamos uma grande hostilidade dos judeus à pregação de Paulo, e a abertura do cristianismo aos gentios.
    • Durante cerca de um século, as autoridades romanas não distinguiram um grupo de outro.
    • A Expansão do Cristianismo.
    • Martírio de Estêvão – At. 7, 1-60.
    • Controvérsia de Antioquia e Concílio de Jerusalém– At. 15, 1-21
    • Missão de Paulo – At. 15, 36 – 28,31.

A Pax Romana

  • A paz relativa estabelecida por Otávio Augusto permitiu ao cristianismo um ambiente favorável à sua difusão pelo território imperial, uma vez que os evangelizadores circulavam livremente pelo território imperial – por terra e mar.
  • Grego koiné e latim eram as linguas oficiais para a cultura, a filosofia e as trocas comerciais.

Nero, “o primeiro perseguidor”

  • Primeiros relatos latinos sobre os cristãosPrimeiros relatos latinos sobre os cristãos
    • Suetônio
    • Suetônio. Vida de Claudio. 25,4: “(…) como os judeus se sublevassem continuamente por instigação de um certo Cresto, expulsou-os de Roma”.
    • Suetônio. Vida de Nero. 16,2: “(…) lançaram-se às feras os cristãos, gente dada a uma superstição nova e perigosa”.
    • Tácito – Anais. XV, 44
    • “(…) Assim Nero, para desviar as suspeitas, procurou achar culpados, e castigou com as penas mais horrorosas a certos homens que, já dantes odiados por seus crimes, o vulgo chamava cristãos. O autor deste nome foi cristo, que no governo de Tibério foi condenado ao último suplício pelo procurador Pôncio Pilatos. A sua perniciosa superstição, que até ali tinha estado reprimida, já tornava de novo a grassar não só por toda a Judeia, origem deste mal, mas até dentro de Roma, aonde todas as atrocidades do universo, e tudo quanto há de mais vergonhoso vem enfim acumular-se, e sempre acham acolhimento”.
    • Tácito – Anais. XV, 44
    • “Em primeiro lugar, se prenderam os que confessavam ser cristãos, e depois pelas denúncias destes uma multidão inumerável, os quais todos não tanto foram convencidos de haverem tido parte no incêndio como de serem inimigos do gênero humano. O suplício destes miseráveis foi ainda acompanhado de insultos, porque ou os cobriram com peles de animais ferozes para serem devorados pelos cães, ou foram crucificados, ou os queimaram de noite para servirem de archotes e tochas ao público. Nero ofereceu os seus jardins para este espetáculo, e ao mesmo tempo oferecia os jogos do Circo, confundido com o povo em trajes de cocheiro, ou guiando carros. Desta forma, ainda que culpados, e dignos dos últimos suplícios, mereceram a compaixão universal por se ver que não são imolados à utilidade pública, mas aos passatempos atrozes de um”.

Henryk Siemiradzki. As tochas de Nero – 1876
Museu Nacional. Cracóvia, Polônia

Henryk Siemiradzki. Dirce cristã – 1897. Museu Nacional. Cracóvia, Polônia.

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1 comentário

Publicado por em 08/10/2012 em HISTÓRIA ANTIGA

 

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Uma resposta para “Perseguições aos Cristãos no Império Romano – Parte 3

  1. espacointuicao

    08/10/2012 at 11:27 PM

    Boa Noite!
    Muito bom o texto acima. Será um curso brilhante e uma retrospectiva intrigante.
    abraço

     

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