RSS

O Poder Imperial Romano

11 nov

Veja este e outros conteúdos em nosso novo blog.

A primeira característica do poder imperial romano estava inserida na disposição do aspirante em correr riscos. Visto que ele deveria tecer num enredado jogo de interesses, suas aspirações. O candidato deveria ter total eficiência na sua imposição, utilizando-se da imagem e da retórica.

O imperador era um aristocrata com poder absoluto, onde o elemento de seu poder era a soberania. Ele vivia em constante ambivalência, era eleito para ser o mais poderoso dos homens, mais isso lhe custava a permanente vigilância contra armações e assassinatos. Essa constante diligência era a garantia da continuidade de seu governo.

A república romana não era propriedade do imperador, cabia a ele sua tutela. Os recursos humanos e naturais não lhe pertenciam. Seu poder consistia em administrar, como num rebanho em movimento. A arte de tosquiar sem arrancar a pele. Assim poderia continuar tosquiando.

Era necessário manter a fachada da república já que ela era a coluna vertebral, o pilar. O paradoxo de uma realidade construída, o despotismo mascarado pelo interesse coletivo, já que o imperador era o mandatário da coletividade com a missão pretensamente concedida pelo povo, senadores graduados e legiões. Na realidade, o que remeteria este consenso era a eficiência de sua imposição.

Os césares e os deuses estavam num degrau acima da humanidade. E eram onipresentes, ocupavam diversos espaços ao mesmo tempo. Isso trazia a conotação teórica que o povo caminhava junto ao imperador. Próximo na verdade estavam seus representantes, e a população devia-lhes obediência. O imperador estava distante, o historiador Paul Veyne[1] retrata o poder imperial romano como tão grandioso quanto remoto.

Essa superioridade dos césares despertava nas relações sociais a prudência em cultuá-los. Aos deuses evidente prestava-se um culto religioso. Aos césares que não eram divinizados, como também não eram representantes de Deus, ainda que exercessem o pontificado. O todo poderoso imperador era absoluto, aí residia o seu culto que não estava nas vias da religião, mas na do poder, um culto institucional, mais precisamente, um culto de adulação.


[1] Paul Veyne historiador e arqueólogo francês, professor de história Romana do Collège de France.

Referência Bibliográfica:

LE ROUX, Patrick. Império Romano. Porto Alegre: L&PM, 2009.

SUETÔNIO. A vida dos doze Césares. 4ª Ed. São Paulo: Ediouro, 2002.

VEYNE, Paul. O Império Greco-Romano. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.

Anúncios
 

Tags:

Uma resposta para “O Poder Imperial Romano

  1. Aleandro Eduardo Balzaretti

    26/10/2011 at 10:41 AM

    Bom dia;

    Sou estudante do curso de ciência Política em Caxias do Sule estou fazendo um trabalho acadêmico sobre o poder, entrei na internet e achei este relato, porém, preciso o número da pagina para colocar no trabalho, será que poderiam me enviar, por favor o número?

    Desde já agradeço a colaboração.

    Aleandro Eduardo Balzaretti

     

Deixe aqui sua opinião!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: