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RELAÇÕES DE FORÇA NA ANTIGUIDADE – UMA ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE SUN TZU E TUCÍDIDES

20 out
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Para uma observação comparativa entre Sun Tzu e Tucídides é necessário analisarmos seus espaços e influências. Sun Tzu aparece num período de mudanças nas estruturas feudais, o militarismo despontava num processo evolutivo, representando uma clara ameaça enquanto potência armada num exército estruturado, fazendo frente aos inimigos. Assim como o Estado procurava uma forma de organização permanente, utilizando seu exército com esta finalidade.

Este período em que o general chinês viveu entre 544 e 496 a.C. equivale a evolução não somente dos equipamentos bélicos, mas também do aparecimento de técnicas militares, ou seja de novas estratégias de guerra, forjada na experiência com intuito da ruína dos exércitos inimigos. Surgindo o compêndio num contexto político-militar, a obra que serviria de modelo “a arte da guerra” de Sun Tzu.

SUN TZU - A Arte da Guerra

A Arte da Guerra

Neste manual de guerra, Sun Tzu agrega um valor utilitário, pois este modelo deveria servir de legado para que os generais sempre fossem vitoriosos através da estratégia de Sun Tzu. Uma maneira pontual, direta e explicativa, ele faz uma análise científica da guerra. Analisando os planos, elaborando uma operação de guerra para o ataque, auferindo posições e táticas num confronto direto ou não, servindo-se de manobras que intensifique os pontos fracos do inimigo, além de antemão o estudo do relevo e de possíveis situações inesperadas.

 “Em uma guerra, devemos ter claro que não são os números que proporcionam a vantagem de um exército sobre outro, portanto, não avance imprudentemente, confiando apenas na quantidade de soldados ao seu lado. Um bom comandante é capaz de avaliar sua própria força, ter visão total da situação do inimigo, conquistar apoio e a lealdade de seus soldados e jamais subestima seu inimigo, caso contrário, seria facilmente capturado por ele”[1].

Nesta citação de Sun Tzu fica claro que seu tratado é basicamente estratégico, atento as relações de força, o que lhe confere algumas semelhanças com Tucídides que também foi um analista da guerra, general grego na guerra do Peloponeso em 431 a.C. Depois de perder uma batalha, foi exilado onde pode analisar e escrever sobre a guerra de um prisma inovador. Sendo o primeiro a registrar no Ocidente a estratégica de guerra. Seu olhar estava voltado para as razões internas e externas da guerra.

Tucídides insere uma unidade em seu relato de batalha, ele não fica preso ao tempo e espaço mais a um raciocínio sobre as formas do relato de batalha que se difere de outros relatos. Pois conta com oposições, são dois lados no confronto, a análise torna-se mais complexa, já que duas estratégias opostas estarão em cena. Dois raciocínios, duas inteligências, dois projetos.

A história de Tucídides é o parâmetro da política, portanto não há outro modo de fazer história para ele. Além de que, o pensamento tucidiano era de quem estuda a guerra do Peloponeso entende qualquer guerra. Neste ponto a teoria tucidiana e de Sun Tzu se afunilam, pois os dois intencionam fazer algo utilitário, que servisse as futuras gerações na composição de novas vitórias, da análise do passado.

 Uma exposição entre o plano e ação que permite descobrir as razões do fracasso. Assim a guerra do Peloponeso era uma escola política, a mais importante guerra. Já que através dela todas as guerras seriam entendidas. “A intenção de Tucídides, ao escrever a sua História, era deixar para a posteridade um “patrimônio sempre útil[2].

Tucídides usa o padrão de verossemelhanças, o fato não era o mais importante, mais sim suas motivações, para saber usar de maneira competitiva. E ele como testemunha ocular dos fatos poderia utilizar de seu caráter racionalista construtivo na atividade da razão, a investigação. Logo ele olha e estabelece as relações de força, sua ascensão ou não, sob o entendimento da vida em sociedade.

Tucídides

Tucídides

Desse olhar sobre as relações de força que se permite compreender a política da guerra. Na exposição das relações lógicas dos fatos o historiador que é o interprete da história, confere uma inteligibilidade já que foram apresentados elementos até então implícitos.

Tanto Tucídides como Suz Tzu eram estrategos, ambos decorrem de relatos baseados nas práticas do combate. Vivenciando um presente, onde a medida que se fala dele, maior importância ele ganha. As relações de força derivam do presente, dos acontecimentos. Um exemplo característico é a intenção e pensamentos que se colocam em meio aos conflitos, que faz parte das relações humanas. Desta forma as civilizações tornam-se mais fáceis de serem analisadas.

A história das relações de força é então historiografia grega, que é determinada pela defesa das convicções políticas, estar apto ao imprevisto, conseguir sustentar a guerra com riquezas acumuladas, sintetizando recursos humanos e estratégia. A plena consciência de seu papel nessas relações de força, através de um diagnóstico do historiador e da capacidade retórica.

Concluindo o cálculo das relações de força na antiguidade, eram revelados através das estruturas econômicas, das instituições políticas, das motivações morais e da capacidade militar. A eficaz execução de uma estratégia aliada aos recursos humanos designava a vitória na guerra, munição de um sensato cálculo das relações de força.


[1] Sun Tzu. A arte da guerra. 2007 p. 90.
[2] Tucídides. História da Guerra do Peloponeso. P. 15.
 

Bibliografia:

ROMILLY, Jacqueline. História e razão em Tucídides. Brasília: Ed UnB, 1998.
TZU, Sun. A Arte da Guerra. São Paulo: Jardim dos Livros, 2007.
TUCÍDIDES. História da Guerra do Peloponeso. 3ªed. Brasília: ED UnB, 1987.
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