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Entrevista

07 ago
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Presidente do Museu Judaico, Sr. Max Nahmias fala sobre a Importância da Trajetória Judaica

Diretor do Museu Judaico, Sr. Max Nahmias

Presidente do Museu Judaico, Sr. Max Nahmias

Como o povo hebreu permaneceu firme em sua religiosidade?

Desde a destruição do Segundo Templo pelos romanos, em 70 d.C. um sábio,  Rabino Iochanan ben Zakai,  unido a um grupo de judeus, negociaram com os romanos a sua  libertação. Apresenta-se ao governador romano a quem promete subserviência, em troca de sua permissão para que se estabeleça uma academia de judaísmo, em Iavne. É nessa academia que o povo judeu preparou os fundamentos de uma existência sem soberania, disperso no mundo, mas centrado em Sion, convergente com bases firmes na religião, na cultura, na história. São criadas comunidades, o sistema de  “responsa” , as sinagogas, o culto religioso, até mesmo línguas comuns, culturas e comportamentos próprios. A existência judaica tem-se baseado na vontade e na decisão de pertencer ao povo judeu, assimilar o conteúdo do judaísmo como caráter e forma de vida, e acreditar num futuro comum, reconhecendo a santidade e a eterna relevância da Torá, que por 2.000 anos foi a pátria portátil dos judeus na diáspora.

 

E a importância das tradições para o judaísmo?

Os hábitos, os costumes, as lendas judaicas, e o que se pode chamar de tradição, são transmitidas de geração em geração. Estudar a Torá, observar fielmente os mandamentos éticos, lutar pelos direitos humanos e por uma sociedade mais justa fazem parte da tradição judaica.

 

Qual a influência da cultura judaica na sociedade brasileira?

A influência é muito grande, começa com o descobrimento do Brasil por  Pedro Álvares Cabral que  tinha uma  ascendência judaica, assim como Gaspar de Lemos, seu intérprete e conselheiro.  No período colonial entre 1500 a 1822 não existem estudos profundos da presença judaica, vieram judeus também com Estácio de Sá, mas não uma presença marcante. Essa presença intensificou-se em 1822 com a liberdade do estrangeiro manter sua religião. Em 1840 começou uma forte imigração do norte da África (Marrocos)  para a Amazônia que muito  contribuiu no ciclo da borracha. Já no final do século XIX, os judeus para fugir da guerra franco-prussiana, vieram para o Brasil. A imigração  judaica foi mais marcante nas primeiras décadas do século XX, com  uma grande imigração judaica vinda  do Leste Europeu (Polônia) e  Rússia. Em 1739, Antonio José,  o Judeu escreveu a primeira peça de teatro. A primeira impressora foi introduzida também por um judeu, Antonio Isidoro da Fonseca,  em 1847. Em  Londres, em  1808, Hipólito da Costa começou a publicar  o primeiro jornal mensal, Correio Brasiliense. Vários militares de alta patente, como o tenente-coronel Francisco Leão Cohen,  que lutou na guerra do Paraguai, general Valdemar Levy Cardoso e outros eram judeus.  Judeus também se destacaram na matemática, como Leopoldo Nachbin,  na física, como Marcelo Gleiser,  nas artes plásticas, como Lasar Segal, Faiga Ostrower e outros, nas artes gráficas, como Adolfo Bloch, na literatura, como Clarice Lispector, Moacyr Scliar, Samuel Rawet. A contribuição dos judeus no desenvolvimento do Brasil foi importante e se deu em quase todas as áreas do conhecimento científico, social  e cultural.

 

Qual a diferença entre o judeu ortodoxo e o judeu liberal?

O judeu ortodoxo não admite nenhuma modificação nas leis que normatizam a vida judaica (Halachá). Não há a menor possibilidade de mudar ou acrescentar nada. Já o judeu liberal procura afinar-se com a modernidade.

 

E as diferenças nas vestimentas?

O capote e o  chapéu preto eram  vestimentas típicas dos judeus ortodoxos da Europa Central e Leste Europeu. Com o iluminismo que levava a integração com a sociedade, muitos judeus religiosos aboliram essa roupagem.

 

Considerações sobre o conflito judeu, palestino.

Muito do que se passa entre palestinos e israelenses é por causa de governos da região que buscam seus próprios interesses. Grupos como Hamas, são financiados por governos que não tem interesse na paz e há também a problemática da interferência constante de outros países. O caminho passa pela solidariedade e tolerância.

 

Entrevista concedida a Prof. Elaine Herrera – CPA/RJ

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