RSS

Pesquisadora Elaine Bordalo, do CPA/RJ, lança livro

Acaba de ser publicado, pelo Grupo Editorial Scortecci, um livro que trata de um assunto ainda pouco pesquisado, mas muito instigante e que envolve História Antiga e Direito.

Delitos Contra A Divindade No Mundo Antigo é um livro que propõe uma viagem ao período Pré-Clássico na Babilônia de Hammurabi e ao período bíblico do Antigo Testamento com o profeta Moisés. Uma análise comparativa dos códigos de Hammurabi e de Moisés com intuito de trazer à discussão questões que envolviam o roubo ao “Sagrado”.

A autora Elaine Bordalo, historiadora, especialista em História Antiga e Medieval pela Faculdade São Bento/RJ e Pós-Graduanda em Arqueologia, História e Sociedade pela Universidade de Santo Amaro, pesquisadora da História do Antigo Israel e membro do Centro de Pesquisas da Antiguidade (CPA/RJ) tratou o tema com seriedade buscando na historiografia e em fontes históricas a argumentação necessária para fundamentar a pesquisa. Esta poderá abrir novos questionamentos sobre a política e a religião no Antigo Oriente Próximo.

Com prefácio do Professor Doutor em Filosofia Victor Sales Pinheiro, Delitos Contra A Divindade No Mundo Antigo é um livro que vale a pena conferir!

O livro já se encontra disponível no site da Livraria Virtual Asabeça:

http://www.asabeca.com.br/detalhes.php?prod=6654&friurl=_-DELITOS-CONTRA-A-DIVINDADE-NO-MUNDO-ANTIGO–Elaine-Bordalo-_&kb=884#.UrI5HOl3vIU

Livro Elaine

 

Tags: , , , , , ,

Boas Festas!

275894

Nós, membros do CPA/RJ, gostaríamos de agradecer de coração a cada um de vocês que acessou o nosso blog durante o ano de 2013. Faremos uma pequena pausa para as festas de final de ano, mas em janeiro de 2014 nos encontraremos novamente aqui, neste mesmo endereço, com novas postagens e novidades sobre a Antiguidade. Até lá!

“São nos pequenos gestos e atitudes do nosso dia a dia que devemos proporcionar o mínimo de alegria e compreensão a todos que nos cercam. Que o espírito natalino encha os seus corações o ano inteiro. Boas Festas e Feliz Ano Novo!”

 

 
Deixe um comentário

Publicado por em 18/12/2013 em FIQUE POR DENTRO

 

Tags:

A fala dos antigos

“Se eu dissesse à água ´jorra do monte!´ ela sairia imediatamente a meu mando.”

Ramsés II – faraó egípcio (c. 1303-1213 a.C.)

 
Deixe um comentário

Publicado por em 12/12/2013 em A FALA DOS ANTIGOS

 

Tags:

O CPA/RJ te leva: Museu Histórico da Fazenda das Posses

Réplica da Fazenda das Posses 1904 Fonte: Acervo pessoal

Réplica da Fazenda das Posses 1904
Fonte: Acervo pessoal

Repleto de objetos, como: louças, bomba de gasolina, máquina de lavar, trajes de vestuário, moedas, etc., de várias décadas do século XX. O acervo do Museu é bem diversificado, com ambientes montados que demonstram uma casa de colono, do começo do século passado.

O Museu Histórico da Fazenda das Posses é um Patrimônio Material que retrata bem a colonização holandesa na região. Um ponto turístico, cultural e histórico que vale a visita.

Diversas peças do acervo. Fonte: Acervo pessoal

Diversas peças do acervo.
Fonte: Acervo pessoal

Máquina de lavar de 1962. Fonte: Acervo pessoal

Máquina de lavar de 1962.
Fonte: Acervo pessoal

O Museu está localizado ao lado do Ginásio de Esportes, da Cooperativa de Campos de Holambra, no estado de São Paulo. A visita é gratuita, mas ela deve ser agendada pelo telefone (014) 9787-4760, com o Sr. Antônius Eltink.

Bomba de gasolina (datada de metade do século XX). Fonte: Acervo pessoal

Bomba de gasolina (datada de metade do século XX).
Fonte: Acervo pessoal

 

 

Tags: , , , , ,

Um monarca brasileiro à solta no Egito

* Uma homenagem a S.M.I. D. Pedro II, na semana de seu aniversário.

D. Pedro II por volta dos 22 anos de idade, c. 1848.

D. Pedro II por volta dos 22 anos de idade, c. 1848.

O estudo do antigo Egito foi objeto de fascínio dos dois imperadores brasileiros. Motivado pelo interesse pessoal e pelos objetos deixados pelo pai, D. Pedro I, que até adquiriu uma múmia rara da região de Tebas, D.Pedro II, um poliglota e estudioso, foi o primeiro governante brasileiro a viajar ao Egito.

No acervo do imperador constavam três múmias e uma delas, a sacerdotisa Sha-Amon-em-su, (uma cantora do templo de Amon) era uma das oito do mundo que se encontrava com os braços enrolados separados do corpo e seu sarcófago ainda está fechado nos dias de hoje. Graças a um exame de tomografia foi constatado que a múmia possui todos os amuletos de ouro, incluindo um escaravelho.

A imperatriz Teresa Cristina, esposa de D. Pedro II, trouxe da Sicília, como dote de casamento, mais de 700 itens distribuídos entre vasos de cerâmica, lamparinas e estatuetas de terracota, objetos de bronze, esculturas em pedra e frascos de vidro. Outros elementos da coleção, como os vasos etruscos, foram encontrados durante as escavações arqueológicas promovidas pela própria imperatriz em suas terras.  As peças datam de um período histórico que se estende dos séculos VII a.C ao III d.C. Foi por intermédio de Teresa Cristina que, em 1853, Fernando II – Rei das Duas Sicílias e irmão da imperatriz – mandou para o Brasil peças de vários sítios arqueológicos da Itália, a maioria de Herculano e Pompéia.

D. Pedro II contribuiu com diversas peças de arte egípcia e também com fósseis e exemplares botânicos obtidos por ele em suas viagens. Todo este acervo contribuiu para a fundação do Museu Nacional, que se tornou o centro mais importante da América do Sul em História Natural e Ciências Humanas.

A presença ativa do Imperador estava em todos os assuntos relacionados com a ciência, a tecnologia e a educação. Fazendo o papel de mecenas, o interesse de Dom Pedro II pelas ciências o levou a buscar a companhia de cientistas, tanto no Brasil como no exterior, e a participar de todos os acontecimentos culturais e científicos mais importantes do país. Para se ter uma idéia, o colégio D. Pedro II – a única Instituição a realizar os exames que possibilitavam o ingresso nos cursos superiores – era mantido pelo imperador e ele mesmo escolhia os professores, assistia às provas e conferia as médias. Ajudou, de várias formas, o trabalho de vários cientistas. Financiou ainda vários profissionais como arquitetos, engenheiros, farmacêuticos, médicos e pintores.

Apreciador da literatura e das artes, o monarca incentivou a criação das Escolas Normais, dos Liceus de Artes e Ofícios, dos Conservatórios Dramático Brasileiro e Imperial de Música. Criou e coordenou o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e apoiou os estudos de artes plásticas com doações de bolsas e prêmios, financiados por ele próprio.

Em 1871, após conseguir autorização da Câmara para viajar à Europa em função do falecimento de sua filha caçula, D. Leopoldina Teresa, o imperador aproveitou a oportunidade para realizar uma excursão de quinze dias ao Egito. Possuindo um grande conhecimento sobre diversos assuntos, D. Pedro II ansiava por poder visualizar tudo aquilo que aprendera nos livros e com seus preceptores e também encontrar os homens sábios do Velho Mundo para discutir com eles suas idéias.

Os apontamentos realizados pelo imperador em sua primeira viagem ainda revelam uma Egiptologia que estava em um grau de desenvolvimento inicial – apesar desta viagem já ter ocorrido na segunda metade do século XIX, as informações ao qual o monarca tivera acesso no Brasil ainda correspondiam a fase da Egiptologia do início do século XIX. O roteiro da visita se restringiu apenas à região do Baixo Egito, foram visitadas as cidades de Alexandria e do Cairo e de lá o monarca seguiu com sua comitiva também até os sítios arqueológicos de Mênfis, onde haviam sido feitas descobertas recentes. Mesmo com o tempo escasso, D. Pedro II participou de sessões no Instituto Egípcio de Alexandria e foi eleito membro honorário do Institut National d´Egypte.

Ao retornar ao Brasil, novamente o monarca mergulhou nos livros, estudando a fundo o que vinha se produzindo sobre a civilização egípcia e tomando ciência daquilo que os egiptólogos que conhecera na primeira viagem estavam descobrindo, e previamente organizou uma nova viagem ao Egito. Passando primeiramente pelos Estados Unidos e depois pela Europa, no final de novembro de 1876 D. Pedro II retornou às terras egípcias. Esta segunda viagem era uma verdadeira expedição de reconhecimento, durou vinte e sete dias, nos quais o imperador pôde participar de reuniões no Institut National d´Egypt, fotografar, consultar obras com estudos sobre o Egito e debater com os principais egiptólogos daquela época.

D. Pedro II pôde vivenciar in loco o processo de legitimação colonial pelo qual o Egito estava passando. A busca pela criação de uma nova memória, como evidenciado no capítulo anterior, que permitisse uma ligação direta entre o antigo Egito faraônico e o atual dominado pelos ocidentais, desconsiderando o período da dominação muçulmana serviu como ferramenta para inferiorizar os egípcios muçulmanos modernos. Na concepção dos europeus, os habitantes do Egito eram incapazes de produzir conhecimentos sobre si próprios e desta forma as grandes potências da Europa é que deveriam guiá-los, pois já estavam mais adiantadas dentro de um processo de evolução, o que as tornavam capacitadas para tal missão.

Dentro desta concepção, o imperador em suas anotações procurou relacionar os egípcios muçulmanos aos indígenas e negros brasileiros, pois estariam todos no mesmo patamar evolutivo – entre a selvageria e a barbárie – de acordo com a ideologia evolucionista. Também as dádivas naturais do Egito mereceram a atenção de D. Pedro II, pois permitiram o desenvolvimento de uma grande civilização que se tornou um poderoso Estado na antiguidade. Diante de tais condições não estaria o Brasil, com suas riquezas naturais, predisposto a se tornar também uma grande potência no futuro como o Egito fora no passado?

D. Pedro II e sua comitiva junto à esfinge de Gizé. O. Schoeff, 1872. Biblioteca Nacional

D. Pedro II e sua comitiva junto à esfinge de Gizé. O. Schoeff, 1872. Biblioteca Nacional

Referências Bibliográficas:

CAMARA, Giselle Marques; RODRIGUES, Antonio Edmilson Martins. PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO Departamento de História. “Então esse é que é o Imperador? Ele não se parece nada com reis”: algumas considerações sobre o intelectual brasileiro Pedro de Alcântara e suas viagens pelas terras do Nilo. 2005. Dissertação (Mestrado em História) – Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, 2005, cap. 4.

LEFEBVRE, Georges. O nascimento da moderna historiografia. Lisboa: Sá da Costa, 1981.

SAID, Edward W. Orientalismo – o Oriente como invenção do ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

SCHARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

VERCOUTTER, Jean. Em busca do Egito esquecido. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

 

Tags: , , , , ,

A fala dos antigos

“Temo mais os nossos erros que os planos dos nossos inimigos”.

Péricles – estadista, estratego e orador grego (c. 495-429 a.C.)

 
Deixe um comentário

Publicado por em 04/12/2013 em A FALA DOS ANTIGOS

 

Tags:

Indiana Jones… Que nada, arqueólogo brasileiro

“O esforço do arqueólogo traz consigo, além do suor, a possibilidade de apoderar-se da história real indo em busca do cansaço e da exploração”

Pedro P. A. Funari[1]

No imaginário humano de muitas pessoas, habitam seres capazes de decifrar mistérios e enigmas. Essas criaturas possuem sua indumentária própria, e acredita-se que observem muito, que falem pouco e tenham hábitos excêntricos. E prefiram estar em lugares inóspitos, cercados por todos os tipos de perigos; desde insetos venenosos até os mais sinistros monstros criados pelo medo, claro que esses seletos seres são vistos ao final, como numa visão hollywoodiana; em meio a muita fumaça, saindo de uma caverna subterrânea, eis que surge a figura corajosa do desbravador, carregada de descobertas valiosas do passado. Mas será essa a vida do arqueólogo?

As áreas escolhidas pelos arqueólogos brasileiros em geral são na arqueologia histórica e na pré-histórica, e seus campos de atuação podem ser o acadêmico, trabalhando diretamente na produção do conhecimento, em museus e instituições culturais na educação patrimonial, o arqueólogo pode ainda trabalhar também em consultoria, como na arqueologia de contrato. (FUNARI, 2012, p. 112).

O trabalho do arqueólogo é sem dúvida complexo, pois as metodologias devem ser utilizadas conforme as diversas características, que variam também de acordo com a cultura local e contemporânea. Por exemplo, dependendo do lugar, os desenterramentos de corpos, ou mesmo transitar em cemitérios passa, a ser uma atividade impossível.

As etapas do trabalho arqueológico, que consiste em antes do campo com todo o planejamento, no campo com a escavação e levantamento de todo o contexto arqueológico e pós-campo com a identificação, armazenamento e publicação de informações, deve ser sistemático e de acordo com as condições apresentadas. Visto que quando o arqueólogo é contratado por uma empresa, dentro de uma arqueologia de contrato, tempo é um fator determinante. Além do cuidado, para não acabar vinculado aos interesses do seu contratante.

Quanto à educação patrimonial há ainda um vasto campo de atuação a ser preenchido por arqueólogos, nas instituições que regularizam o patrimônio e mesmo em museus. Há um grande número de museus brasileiros, mas que trate da temática arqueológica esse número ainda é bastante reduzido. Espera-se que haja fomento nestas áreas, pois há no Brasil um grande potencial de material arqueológico a ser exposto, pesquisado e publicado. Ou seja, há sem dúvida, muito trabalho para os futuros arqueólogos.

Essa profissão não regulamentada, com poucos cursos de mestrado, doutorado e especialização, oferecidos em nosso país, faz do arqueólogo um profissional desbravador. Com empresas de arqueologia, ou prestando serviços nelas, o arqueólogo é um profissional que viaja e trabalha conforme as condições apresentadas.

Mesmo que o arqueólogo decida a permanecer nas universidades, o número reduzido de cursos limitam suas possibilidades de ministrar aulas. E a aproximação com a cultura material também tem seus obstáculos, pois dependem de uma infinidade de avaliações deste profissional.

Concluindo, diante de tantas dificuldades, que passam pelo imprescindível diálogo com outras ciências, pela necessária regulamentação que fixem as condições não apenas do arqueólogo, mas do trabalho em si.  Isto é, o auxilio de uma legislação voltada para arqueologia. Com tudo isto, percebemos que o arqueólogo é sim, um profissional aventureiro, pois mesmo em meio a todo tipo de circunstância, ele emerge das areias do tempo, coberto muitas vezes de lama, mas gratificado sempre pelo seu achado arqueológico.

Imagem 1- Museu Navio Franco de Godoy - Mogi-Guaçu/SP. Imagem 2 – Sítio Escola (Arqueologia) Franco de Godoy – Mogi-Guaçu/SP. Dois lugares reservados para o aprendizado da Arqueologia. Fonte: Acervo pessoal

Imagem 1- Museu Navio Franco de Godoy – Mogi-Guaçu/SP.
Imagem 2 – Sítio Escola (Arqueologia) Franco de Godoy – Mogi-Guaçu/SP.
Dois lugares reservados para o aprendizado da Arqueologia.
Fonte: Acervo pessoal

Referências Bibliográficas

CHILDE, G. V. Para uma recuperação do passado: a interpretação dos dados arqueológicos. São Paulo: DIFEL, Difusão Editorial, 1969.

DREWETT, P. Field Archaeology. An Introduction. London: UCL Press, 1999.

FLORENZANO, T. G. Imagens de Satélite Para Estudos Ambientais. São Paulo: Oficina de Textos, 2002.

FUNARI, Pedro Paulo. A Arqueologia. 3.Ed.  São Paulo: Contexto, 2012.

MCINTOSH, J. Guía práctica de arqueología. Madrid: Hermann Blume, 1987.

MOBERG, C-A. Introdução à Arqueologia. Lisboa: Edições 70, 1981.

TRIGGER, B. G. História do Pensamento Arqueológico. Trad. Ordep Trindade Serra. São Paulo: Odysseus Editora, 2004.


[1] FUNARI, Pedro Paulo. 2012, p. 56.

 

Tags: , , , ,

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 234 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: