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A cerimônia de casamento no Egito antigo

Sennedjem e sua esposa Iyneferti. Detalhe de pintura localizada na tumba de Sennedjem, Deir el-Medina, Egito.

Sennedjem e sua esposa Iyneferti. Detalhe de pintura localizada na tumba de Sennedjem, Deir el-Medina, Egito.

No Egito antigo, o casamento era uma simples anuência pessoal entre os dois interessados. Diferente do que muitos imaginam, não havia uma benção nupcial no templo. Existiam contratos de casamento e para casar-se, as duas pessoas deveriam ser livres.  Há um caso na literatura egípcia em que um escravo, prisioneiro de guerra, precisou ser alforriado para casar-se com a filha de um barbeiro do faraó.

A egiptóloga Christiane Desroches Noblecourt reconstitui um casamento de nobres egípcios da seguinte forma:

“No dia acordado, ao cair da noite, o pai da noiva fazia-a conduzir publicamente à casa do futuro genro, acompanhada de presentes. O rapaz por sua vez dava uma grande festa para o qual eram chamados inúmeros convivas, igualmente carregados de presentes. Depois dessas festividades, os cônjuges iniciavam a vida em comum”.

Nesse momento, em que a noiva era levada à casa do futuro esposo, todo o enxoval preparado para ela também era exibido publicamente, para comprovar a qualidade dos objetos que seriam utilizados pelos noivos em seu novo lar, era um verdadeiro desfile de móveis, tecidos, objetos de uso diário, entre outras peças.

Cada um dos dois membros do casal proferia as seguintes palavras: “eu te faço minha mulher” e “fizeste-me tua mulher”. Os novos esposos realizavam então uma súplica a um parente masculino, o mais recentemente falecido, pedindo o nascimento de um filho. Após essa prática iniciava-se a festa, que devia ser memorável para marcar data tão especial ligada à perpetuação da espécie. Eram servidas iguarias da culinária em um banquete com música e danças.

A própria noiva, Ahuri, descreve as festividades do seu casamento em um texto da época:

“O Faraó diz ao chefe da casa real: ‘Que conduza Ahuri à casa de Nenoferkaptah esta  noite mesmo. E que com ela seja levada toda a sorte de belos presentes’. Eles me conduziram como esposa à casa de Nenoferkaptah e o Faraó ordenou que me fosse fornecido um grande dote em ouro e prata, o qual me apresentaram todas as pessoas da casa real. Nenoferkaptah passou comigo um dia feliz; recebeu toda a gente da casa real e dormiu comigo nessa mesma noite. Encontrou-me virgem e me conheceu uma vez, e outra ainda, pois cada um de nós amava o outro”.

Uma vez casada, a mulher não mudava de nome e nem juntava o seu ao do marido. Ela continuava a ser identificada pela sua própria genealogia: “nascida de fulana” e “feita por fulano” (nomes dos pais). Em alguns casos, podia ser designada como “esposa de fulano”.

 

Referência bibliográfica:

  • NOBLECOURT, Christiane Desroches. A mulher no tempo dos faraós. Campinas: Papirus, 1994.
 

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Grandes mulheres do Egito antigo – Sobekneferu

Merytre Sat-sekhem-nebettawy Djed-et-kha Sobekkare Sobeknefru “Amada de Rá” ”Filha do deus gracioso” “De aparência estável” “Sobek é o espírito de Rá” “A beleza de Sobek”

Merytre Sat-sekhem-nebettawy Djed-et-kha Sobekkare Sobeknefru
“Amada de Rá” ”Filha do deus gracioso” “De aparência estável” “Sobek é o espírito de Rá” “A beleza de Sobek”

Um papiro descoberto nas ruínas da antiga capital egípcia de Tebas (atual Luxor) no século XIX corrobora com a existência de uma mulher que reinou no Egito muitos anos antes de Hatshepsut, a rainha faraó mais conhecida pelos estudiosos daquela civilização. Este papiro, conhecido como “Lista de Reis de Turim”, data da XIX dinastia egípcia (c. 1293 a 1185 a.C.) e coloca entre reis como  Menés, Djoser, Pepi II e Amenemhat III o nome da rainha Sobekneferu.

De acordo com a lista real, Sobekneferu teria reinado durante três anos, dez meses e 24 dias no final do século XIX a.C. Ela sucedeu o faraó Amenemhat IV que possivelmente era seu meio-irmão e esposo que morreu sem deixar herdeiros. Porém, como forma de legitimar-se no poder ela procurou associar-se ao seu pai, o poderoso Amenemhat III, que aumentou a riqueza do Egito anos antes através da exploração de pedreiras e minas na região do Sinai e construiu obras de drenagem e contenção das águas da cheia na região do Faiyum, próximo ao lago Moeris, onde fundou a cidade de Shedyet (para os gregos Crocodilópolis) principal centro de culto do deus crocodilo Sobek.

Sobekneferu teria sido a primeira a cultuar seu falecido pai como divindade naquela região, o que politicamente falando faria sentido, visto que a filha de um deus seria aceita sem grandes questionamentos no trono egípcio como faraó. Não existem registros até o momento que demonstrem que Sobekneferu foi apenas uma regente temporária, pelo contrário, os únicos títulos usados pela rainha, encontrados nas poucas inscrições sobre ela que chegaram aos nossos dias foram somente “filha do rei” e “rei”.

Já nas estátuas, a rainha era representada com uma mistura de atributos femininos e masculinos. Existem três bustos sem cabeça de Sobekneferu encontrados nas ruínas da cidade de Avaris sendo que o mais significativo é uma peça de sílex, que se encontra hoje exposta no Museu do Louvre, onde a rainha aparece trajando um vestido sobreposto por um saiote típico daqueles que eram utilizados pelos faraós. Sobre os ombros é possível ver o nemes, toucado usado pelos reis do Egito. O nome da soberana aparece envolto pelo cartucho que o protegia, de acordo com a tradição religiosa dos egípcios.

Busto de Sobekneferu exposto no Museu do Louvre: representação que mistura atributos masculinos e femininos.

Busto de Sobekneferu exposto no Museu do Louvre: representação que mistura atributos masculinos e femininos.

Parece uma tentativa dos artesãos daquela época em adaptar séculos de tradição onde os reis do Egito como forma de divulgar seu poder e associá-lo as divindades, independente de sua verdadeira forma física, eram representados sempre com os mesmos atributos idealizados (altos, magros, fortes, capazes de destroçar os inimigos e extremamente viris) a uma nova realidade onde o rei era agora uma mulher. E com esta idealização de sua imagem, Sobekneferu seria beneficiada para legitimar-se como rei.

Inscrições encontradas na fortaleza núbia de Kumma confirmam que Sobekneferu governou todo o Egito, porém o final de seu curto reinado é um período ainda obscuro na história egípcia. A tumba da rainha não foi encontrada até os dias de hoje e sua morte encerrou a próspera XII dinastia. Uma série de lutas desencadeada entre os pretendentes ao trono levou ao enfraquecimento político nas duas dinastias seguintes que culminou com a invasão do Baixo Egito pelos hicsos.

 

Referências Bibliográficas:

  • MELLA, Federico A. Arborio. O Egito dos faraós: história, civilização, cultura. São Paulo: Hemus, 1998.

  • TYLDESLEY, Joyce. Chronicle of the queens of Egypt. Londres: Thames & Hudson, 2006.

 

 

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Sapatos antigos encontrados escondidos em Templo egípcio

Sapatos encontrados em templo egípcio

Sapatos encontrados em templo egípcio

Há mais de 2.000 anos, no templo de Luxor localizado no sul do Egito, um grupo de pessoas esconderam alguns dos bens mais valiosos que tinham – sapatos.

Sete sapatos foram encontrados, dentre eles dois pares utilizados por crianças, medindo 18 centímetros de comprimento. Os sapatos infantis foram amarrados a um sapato maior (destinado a um adulto) e foi colocado dentro de um pote. O outro par de adulto media 24 centímetros e foi colocado no mesmo local.

Os sapatos foram descobertos pela equipe de expedição arqueológica italiana em 2004. Com acesso as fotos da descoberta, o arqueólogo André deu Veldmeijer, especialista em calçados egípcios, publicou a análise do material.

O achado é extraordinário como os sapatos estavam em bom estado e ainda flexíveis após a descoberta“, escreve Veldmeijer na edição mais recente da Revista Memnonia.

A análise sugere que a fabricação dos sapatos é estrangeira, além de serem caros. O comum era os egípcios utilizarem sandálias. “Esses sapatos de estilo diferente e maior qualidade chamavam atenção e conferiam status”, disse Veldmeijer, diretor assistente de Egiptologia do Instituto Holandês-Flamengo, no Cairo em entrevista ao LiveScience.

Os sapatos eram feitos de couro, provavelmente bovino.  E apresentavam uma tira de couro chamada “rand”, que foi pensada para ser usada pela primeira vez na Europa medieval.  O “rand” é uma tira dobrada entre a sola do sapato e a parte superior, reforçando a costura, desse modo os sapatos eram mais resistentes à água.

Além, dessas características, os sapatos foram pensados para melhorar a saúde.  No sapato isolado encontrado dentro do frasco, observou-se uma “área semicircular saliente”, que poderia ser utilizado em caso da pessoa ter joanete. O sapato isolado também apresentou um menor desgaste que pode sugerir que o usuário era provavelmente manco.

No clima seco do antigo Egito, esses sapatos eram uma inovação surpreendente, e reforçam a tese que foram fabricados em algum lugar no exterior.

A data dos calçados de 2.000 anos é baseada estratigrafia do pote, ou formação de camadas de sedimentos na área. No futuro, estudos sobre a datação por carbono podem confirmar a idade dos sapatos.

Para Veldmeijer, o fato de esses artefatos terem sido deixados no templo não é um mistério. “Não há nenhuma razão para armazená-los sem ter a intenção de fazê-los voltar para algum ponto“, revela o arqueólogo.

Veldmeijer espera ter a oportunidade de examinar os sapatos, agora sob os cuidados do Ministério de Estado para Antiguidades, em primeira mão.

Fonte: http://www.jornalciencia.com/sociedade/diversos/2490-sapatos-antigos-foram-encontrados-escondidos-em-um-templo-egipcio

 
 

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A historiadora do CCJ entrevista os historiadores da minissérie José do Egito

Dia 30 de janeiro vai ao ar a nova minissérie da Rede Record de televisão e a historiadora Elaine Herrera, do Centro Cultural Jerusalém aproveitou este período de coletivas, para entrevistar os Professores Maurício Santos e Marcio Sant’Anna, historiadores que deram consultoria para este novo empreendimento, que coloca no foco a História Antiga.

Elaine: De que forma a História é passada para a equipe de TV?

Maurício e/ou Marcio: Primeiramente devemos mostrar que a produção teledramarturgica é uma produção industrial, ou seja, vários saberes associados criam uma linguagem que resignificam o mundo.

Desta forma a pesquisa histórica começa a ser apresentada ao autor e sua equipe de roteiristas um pouco antes da construção do roteiro definitivo.

Depois que o roteiro esta pronto uma série de workshop são realizados com a equipe de produção para que todos estejam imersos no período histórico no qual a obra está situada.

Elaine: A consultoria é restrita aos autores, ou o cenário, o figurino, fazem parte do trabalho?

Maurício e/ou Marcio: Normalmente todos os envolvidos na produção assistem alguns workshops, desde os atores até a equipe técnica operacional. Já foi feito workshop para figurantes e na palestra principal até seguranças e copeiros participam.

Elaine: A consultoria acontece somente antes das gravações, ou ela permanece até a estreia?

Maurício e/ou Marcio: Na verdade permanece até o fim da exibição. Após a estreia as gravações continuam, são feitos cortes, modificações, legendas. Durante todo o processo de pós-produção pode solicitar consultoria.

Elaine: Como é o contato com os artistas? Há uma boa receptividade?

Maurício e/ou Marcio: Os atores são maravilhosos, a grande maioria é muito interessada e já vem para as aulas com uma boa bagagem de leitura. Ser um bom ator significa estudar, estudar e estudar.

Sempre recebemos e-mails com duvidas, perguntas e pedidos de indicação de leitura para eles.

Além disso, os profissionais da produção também se mostram muito interessados, visto que a consultoria histórica dará origem a gravações, construção de cenários, elaboração de figurinos e elementos de arte.

Elaine: Já que participam das filmagens, como é ver sua pesquisa tomando forma, sendo interpretada?

Maurício e/ou Marcio: É fantástico ver tomar forma uma reconstrução inteira de uma civilização antiga feita com base em nossas pesquisas. Antes só poderíamos contar com fragmentos, muitas vezes pequenos, que estão em museus ou com sítios arqueológicos.

É gratificante ver um ator usando as informações pesquisadas na composição das personagens, um gesto, um olhar que expressa muito do que sabemos sobre os povos antigos.

Elaine: Para terminar, qual é a sensação de fazer parte de uma equipe de TV, que vai levar ao ar e entrar em milhões de lares a História Antiga?

Maurício e/ou Marcio: Um sonho realizado. Há alguns anos, nós e outros historiadores sonhávamos em popularizar a história antiga no Brasil, fazer com que ela não fosse restrita apenas aos bancos da academia, mas que todos pudessem ter acesso. Então fazer parte de uma produção da dramaturgia que aborda assuntos ligados à antiguidade e adentra os lares brasileiros e desperta o interesses dos jovens pela historia é o realizar deste sonho.

Elaine: Deixem um recado para os telespectadores.

Maurício e/ou Marcio: Preparem-se para muitas emoções com esta obra. A história de José e sua família é permeada de fé, amor, inveja, perdão, ambição, sensualidade, retidão e estes sentimentos estarão presentes em cada capítulo da minissérie. Além de uma elaborada pesquisa histórica para tentarmos chegar muito próximo do funcionamento das sociedades hebraica e egípcia daquele período. Estejam conosco a partir de 30 de janeiro para acompanhar as aventuras de “José do Egito”, pela Rede Record.

Nas pontas, Professor Maurício a esquerda e Professor Marcio a direita, ao centro a autora Vivian de Oliveira e colaboradores.

Nas pontas, Professor Maurício a esquerda e Professor Marcio a direita, ao centro a autora Vivian de Oliveira e colaboradores.

 
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Publicado por em 29/01/2013 em CULTURA E SOCIEDADE, ENTREVISTA

 

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Assentamento egípcio na antiga cidade de Jaffa

Arqueólogos da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz (JGU) e da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) descobriram em recentes escavações em Jope, (Tel Aviv) evidências que apontam para a presença de uma população egípcia na cidade milenar.

No antigo sítio arqueológico de Jaffa, em Israel, foram encontrados os restos de um portal que possivelmente fazia parte de uma fortificação egípcia do período da dinastia de Ramsés II (1279-1213 AC), outras descobertas sem divulgação, já haviam sido realizadas durante escavações lideradas pelo ex-arqueólogo municipal Y. Kaplan em 1950.

Porém agora com parceria das Universidades de Mainz e Los Angeles, da Autoridade de Antiguidades de Israel e da Companhia de Desenvolvimento da Antiga Jaffa, o Projeto do Patrimônio Cultural de Jaffa pode dar prosseguimento a novas escavações, como também, a publicação dos resultados das escavações mais antigas, e das futuras.

Buscando compreender a história da colonização do segundo milênio AC, as camadas destruídas da antiga cidade e o propósito da presença egípcia. Segundo o diretor Dr. Martin Peilstöcker de JGU o portal foi destruído e reconstruído pelo menos quatro vezes.  E além da tradição egípcia da arquitetura da lama e barro, foi encontrado também um amuleto com a inscrição do faraó egípcio Amenhotep III (1390-1353 AC), que comprova a presença egípcia na cidade antiga de Jaffa.

Existe ainda a intenção dos achados arqueológicos serem expostos ao público no próximo ano (2013) na Alemanha.

 
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Publicado por em 05/11/2012 em ARQUEOLOGIA, HISTÓRIA ANTIGA

 

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Arqueólogos encontram barca funerária da 1ª dinastia faraônica no Egito

 

Uma equipe de arqueólogos encontrou no Egito uma barca funerária de madeira que possivelmente teria sido usada durante a era do rei Den, na primeira dinastia faraônica, em torno do ano 3.000 a.C., informou nesta quarta-feira (25) o Ministério egípcio de Antiguidades.

Em comunicado, o ministro Mohammed Ibrahim destacou que a barca se encontra em bom estado e foi achada na zona arqueológica de Abu Rauash, situada na província de Guiza, ao oeste da capital Cairo.

Ibrahim precisou que uma delegação do Instituto Cientista francês de Antiguidades Orientais estava escavando o lugar no momento em que descobriu alguns vestígios da barca, concretamente 11 tábuas de madeira, cada uma com 6 metros de comprimento e 1,5 de largura.

Estas peças arqueológicas foram transferidas ao centro de reabilitação do Grande Museu egípcio, onde serão tratadas para garantir sua conservação. Posteriormente, elas deverão ser expostas no Museu Nacional da Civilização Egípcia, na sala dedicada ao Rio Nilo.

Um responsável deste Museu, Hussein Abdel Basir, assegurou que a embarcação achada era do tipo funerário, que eram colocadas ao lado dos túmulos das pessoas para que estas pudessem utilizá-la em outro mundo.

Este mesmo tipo de embarcação já foi encontrada próxima às tumbas dos faraós, que também acreditavam que as mesmas poderiam ser usadas em uma nova vida.

Em fevereiro, arqueólogos iniciaram os trabalhos para extrair centenas de peças de madeira da segunda barca solar do mais poderoso dos faraós egípcios, Keops (2609-2584 a.C.), pertencente à IV dinastia faraônica.

 Fonte: UOL

http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/afp/2012/07/25/arqueologos-encontram-barca-funeraria-da-1-dinastia-faraonica-no-egito.htm

 

 

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