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Você Sabia…

Postado em VOCÊ SABIA... com as tags , , , , em 29 29UTC Dezembro 29UTC 2009 por Prof. Elaine Herrera
Bebidas da antiguidade

 A cerveja já era uma bebida muito consumida na antiguidade, os egípcios a produziam em larga escala, obtendo sua fermentação através do pão amassado na água. Ao que tudo indica, eles não foram os primeiros, acredita-se que por volta do ano 8000 a. E.C os sumérios na antiga Mesopotâmia já a produziam.

Os judeus durante o exílio na Babilônia introduziram a cerveja, o lúpulo flor da família das canabidáceas, a mesma da maconha, sem seu efeito entorpecente. Que garantia a cerveja, maior durabilidade. Mas a cerveja só ganhou popularidade no mundo, a partir do século XVI, quando sua validade aumentou consideravelmente.

Outra bebida consumida pelos antigos era o vinho que tem sua origem cercada de lendas, muitas fontes relatam que o vinho teria surgido no Oriente Médio, mais especificamente na região do Irã. Onde na era moderna as bebidas alcoólicas ou mesmo sucos fermentados são proibidos em virtude da lei Islâmica.

Nessa região do Irã, antiga Pérsia entre os anos 5400 e 5000 a. E.C onde o vinho foi provavelmente produzido por acidente. Como reza a lenda, o vinho teria sido um suco esquecido, encontrado e consumido muitos meses depois por uma mulher que desejava a morte, devido a fortes dores de cabeça. O resultado foi que ao beber a mulher adormeceu e acordou curada da dor de cabeça. 

Sendo lenda ou não, o fato é que o vinho foi muito consumido na Antiguidade, se alastrando pela Mesopotâmia, Grécia, Egito. O consumo do vinho cresceu pelo mediterrâneo também através da expansão do Império romano, já que o vinho era a principal bebida consumida pelos romanos.

Com as conquistas islâmicas o vinho foi proibido, logo, ameaçado de desaparecer. Na Idade média em meio a um período de grandes instabilidades, o vinho foi preservado dentro dos monastérios espalhados pela Europa. Onde os monges não apenas o preservaram, mais também aperfeiçoaram a produção do vinho.

Fique por dentro – Profissionalização do Historiador

Postado em Fique por dentro com as tags em 8 08UTC Dezembro 08UTC 2009 por Prof. Elaine Herrera

Conforme veiculado pela ANPUH – Associação Nacional dos Professores Universitários de História, disponibilizamos o Projeto de Lei nº 368, de 2009. Para regulamentação da profissão do historiador.

SENADO FEDERAL

PROJETO DE LEI DO SENADO / Nº 368, DE 2009

Regula o exercício da profissão de Historiador e dá outras providências.

O CONGRESSO NACIONAL decreta:

Art. 1º Esta Lei regulamenta a profissão de Historiador, estabelece os requisitos para o exercício da atividade profissional e determina o registro em órgão competente.

Art. 2º É livre o exercício da atividade profissional de Historiador, desde que atendidas às qualificações e exigências estabelecidas nesta Lei.

Art. 3º O exercício da profissão de Historiador, em todo o território nacional, é privativa dos:

I – portadores de diploma de curso superior em História, expedido por instituições regulares de ensino;

II – portadores de diploma de curso superior em História, expedido por instituições estrangeiras e revalidado no Brasil, de acordo com a legislação;

III – portadores de diploma de mestrado, ou doutorado, em História, expedido por instituições regulares de ensino superior, ou por instituições estrangeiras e revalidado no Brasil, de acordo com a legislação.

Art. 4º São atribuições dos Historiadores:

I – magistério da disciplina de História nos estabelecimentos de ensino fundamental, médio e superior.

II – organização de informações para publicações, exposições e eventos em empresas, museus, editoras, produtoras de vídeo e de CD-ROM, ou emissoras de Televisão, sobre temas de História;

III – planejamento, organização, implantação e direção de serviços de pesquisa histórica;

IV – assessoramento, organização, implantação e direção de serviços de documentação e informação histórica;

V – assessoramento voltado à avaliação e seleção de documentos, para fins de preservação;

VI – elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.

Art. 5º Para o provimento e exercício de cargos, funções ou empregos de Historiador, é obrigatória a apresentação de diploma nos termos do art. 3º desta Lei.

Art. 6º A entidades que prestam serviços em História manterão, em seu quadro de pessoal ou em regime de contrato para prestação de serviços, Historiadores legalmente habilitados.

Art. 7º O exercício da profissão de Historiador requer prévio registro na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do local onde o profissional irá atuar.

Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

JUSTIFICAÇÃO

O campo de atuação do historiador não tem se restringido mais à sala de aula, tradicional reduto desse profissional. Sua presença é cada vez mais requisitada não só por entidades de apoio à cultura, para desenvolver atividades e cooperar, juntamente com profissionais de outras áreas, no resgate e na preservação do nosso patrimônio histórico, mas também por estabelecimentos industriais, comerciais, de serviço e deprodução artística.

No âmbito industrial, o historiador vem trabalhando na área de consultoria sobre produtos que foram lançados no passado, para análise de sua trajetória e avaliação sobre a viabilidade de seu relançamento no mercado consumidor, ou ainda, para o estudo das causas de seu sucesso ou fracasso. Pelas suas qualificações, o historiador é imprescindível para os estabelecimentos do setor de turismo, que contratam seus serviços para desenvolver roteiros turísticos para visitação de locais com apelo histórico e cultural. Entidades públicas e privadas recorrem ao historiador para recolherem e organizarem informações para publicação, produção de vídeo e de CD-ROM, programas em emissoras de televisão, exposições, eventos sobre temas de história.

Não menos valiosa é a sua colaboração nas artes, onde o historiador faz pesquisa de época para os produtores de teatro, cinema e televisão, quer auxiliando na elaboração de roteiros, quer dando consultoria sobre os cenários e outros elementos da produção artística.

Num mundo onde a qualidade e a excelência de bens e serviços vêm se sofisticando cada vez mais, os historiadores devem ter sua profissão regulamentada, pois seu trabalho não mais comporta amadores ou aventureiros de primeira viagem. Assim, julgamos ter chegado o momento de regulamentarmos o exercício daprofissão de historiador que hoje congrega, em todo o país, milhares de profissionais que reivindicam, há muito, o reconhecimento e valorização de seu trabalho. Por essas razões, esperamos contar com o apoio de nossos nobres pares para a aprovação deste projeto de lei.

Sala das Sessões, Senador PAULO PAIM

(À Comissão de Assuntos Sociais.)

Publicado no DSF, 29/08/2009.

Secretaria Especial de Editoração e Publicações do Senado Federal – Brasília-DF
OS: 15781/2009
Mais informações: www.anpuh.org

Perfil Histórico – Herodes, O Grande

Postado em POLÍTICA, Perfil Histórico com as tags , em 3 03UTC Dezembro 03UTC 2009 por Prof. Elaine Herrera

Herodes nasceu por volta de setenta anos antes de Cristo, filho de Antipater, herdou a astúcia política de seu pai, que já tinha sido prefeito da Judéia. E foi no período no qual seu pai era governador da Galiléia que Herodes começou a trilhar seus primeiros passos, inicialmente criminosos, rumo ao poder. Herodes era de uma família de idumeus, convertidos ao judaísmo forçosamente por João Hircano. Desta forma fica evidente sua falta de apego ao judaísmo.

Em 37 a.C. Herodes foi nomeado por Roma para governar a Judéia, reinando por trinta e três anos. Apreciava a cultura helênica, mas sem nunca deixar de ser um cidadão romano. Manteve durante todo o seu reinado, a Judéia presa a Roma. Separou o estado da religião, tarefa difícil para Israel Antigo onde os preceitos religiosos eram inerentes a população.

Herodes tinha uma personalidade contraditória, sem dúvida ele foi um dos mais ousados empreendedores da Judéia, visto seu ímpeto em gigantescas construções, um exemplo é a cidade de Cesaréia que antes não passava de uma simples aldeia de pescadores, e que foi transformada por ele numa vitrine para deleite principalmente de gregos e romanos.

Painel em mosaico com desenho geométrico. Casa de banho em Herodium

Entretanto Herodes demonstrava um comportamento absolutamente destrutivo com seus familiares, ordenou as execuções de sua esposa Mariamne (29 a.C.) e de sua sogra Alexandra (28 a.C.), além de ter mandado afogar seu cunhado Aristóbulo em um banho público, ordenou o estrangulamento de dois de seus filhos com Mariamne em 7 a.C. Pouco antes de morrer em 4 a.C. mandou executar seu filho Antípater. Josefo, historiador contemporâneo ao segundo templo, o identificou como um homem que jamais amou sua família.

O rei privilegiou os judeus da diáspora, e durante todo seu reinado tentou levar a Judéia do conservadorismo à modernidade. E não foi só na Judéia que Herodes obteve notoriedade com suas construções esplendorosas, como o majestoso segundo templo em Jerusalém. Ele também empreendeu com sua generosidade política, grandes contribuições fora de seus domínios, celebradas como a política universalista de Herodes.

“Com seu dinheiro, seus poderes de organização e sua energia, ele sozinho resgatou os jogos olímpicos de sua decadência e garantiu que fossem celebrados regularmente e com toda pompa devida – tornando assim seu nome reverenciado em muitas pequenas ilhas e cidades gregas, que lhe deram o título de presidente vitalício. Para fins cívicos e culturais ele doou grande somas a Atenas, Lícia, Pérgamo e Esparta. Reconstruiu o templo de Apolo em Rodes. Reergueu as muralhas de Biblos, construiu um foro em Tiro e outro em Beirute, edificou teatros em Saida e Damasco, deu ginásios a Ptolomais e Trípoli e providenciou uma fonte e banhos em Ascalom. Em Antióquia, então a maior cidade no Oriente Próximo, ele pavimentou a rua principal, em duas milhas e meia de comprimento, colocando colunatas em toda a extensão para abrigar seus cidadãos da chuva, e acabou essa grande obra com mármore polido.” (Johnson, 1995, p.122).

Depois de um longo período melancólico e enfermo, acometido de dores atordoantes e febre, como revela Josefo “Os pés também estavam inchados e lívidos; o ventre, também; todos os nervos estavam frouxos, as partes do corpo que se ocultam por pudor, estavam corrompidas que eram pasto de vermes e ele respirava com extrema dificuldade …”

Herodes morreu em 4 a.C. na cidade de Jericó, com a idade de setenta anos. Cinco dias após mandar executar seu filho. Seu funeral foi tão suntuoso, quanto suas construções. Foram quinhentos oficiais só para levar o perfume no cortejo fúnebre. Ele foi sepultado no Castelo de Herodiom, localizado ao sul de Jerusalém, no deserto da Judéia. Este castelo único a levar seu nome era usado como residência de veraneio. Ainda hoje é um dos locais mais procurados para visitação, pois lá ficou eternizado Herodes, o Grande.

[1] João Hircano conquistou a Iduméia entre 130 – 140 a.C., obrigando  toda a população a converter-se ao judaísmo.
[2] Josefo. História dos Hebreus. 2007, p. 1082.

 

Referências Bibliográficas:

JOHNSON, Paul. História dos Judeus. 2ª Ed. Rio de Janeiro, Imago,1995.
JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. 11ª Ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2007.
The Israel Museum, Jerusalem. Tesouros da Terra Santa. Israel, 2008.

Fique por dentro

Postado em Fique por dentro com as tags em 30 30UTC Novembro 30UTC 2009 por Prof. Elaine Herrera

Nesta semana acontece dias 02, 03 e 04 na Cidade do Rio de Janeiro o 2º Encontro Nacional da Rede de Educadores em Museus e Centros Culturais e na próxima semana dia 08-12 a palestra Museus Virtuais e o Fortalecimento de Identidades Plurais. Ótimas dicas para os interessados em museologia.

Antiga no Rio – Museu Imperial de Petrópolis

Postado em Antiga no Rio com as tags em 26 26UTC Novembro 26UTC 2009 por Prof. Elaine Herrera

A antiga no Rio traz pra você uma viagem a época do Império. Com uma visita em vídeo e fotos que lhe proporcionará um pouquinho da grandiosidade desde período histórico do Brasil. Os jardins, a arquitetura neoclássica, as obras de arte, e todo o acervo do museu e absolutamente encantador. Visite é dez!

 

O Museu Imperial fica no centro da cidade de Petrópolis, na Rua da Imperatriz, 220 Centro a 70 km da cidade do Rio de Janeiro.

PREÇOS DO MUSEU IMPERIAL: Adultos: R$ 8,00 (oito reais), Estudantes: R$ 4,00 (quatro reais),
Professores: R$ 4,00 (quatro reais), Idosos 60+: R$ 4,00 (quatro reais), Idosos 80+: GRATUITO*
Pacote familiar: R$ 20,00 (vinte reais) = 2 adultos e 2 estudantes.

Mais informações: www.museuimperial.gov.br

O Poder Imperial Romano

Postado em CULTURA E SOCIEDADE, HISTÓRIA ANTIGA, POLÍTICA com as tags em 11 11UTC Novembro 11UTC 2009 por Prof. Elaine Herrera

A primeira característica do poder imperial romano estava inserida na disposição do aspirante em correr riscos. Visto que ele deveria tecer num enredado jogo de interesses, suas aspirações. O candidato deveria ter total eficiência na sua imposição, utilizando-se da imagem e da retórica.

O imperador era um aristocrata com poder absoluto, onde o elemento de seu poder era a soberania. Ele vivia em constante ambivalência, era eleito para ser o mais poderoso dos homens, mais isso lhe custava a permanente vigilância contra armações e assassinatos. Essa constante diligência era a garantia da continuidade de seu governo.

Primeiro Imperador Romano, Augusto.

Primeiro Imperador Romano, Augusto.

A república romana não era propriedade do imperador, cabia a ele sua tutela. Os recursos humanos e naturais não lhe pertenciam. Seu poder consistia em administrar, como num rebanho em movimento. A arte de tosquiar sem arrancar a pele. Assim poderia continuar tosquiando.

Era necessário manter a fachada da república já que ela era a coluna vertebral, o pilar. O paradoxo de uma realidade construída, o despotismo mascarado pelo interesse coletivo, já que o imperador era o mandatário da coletividade com a missão pretensamente concedida pelo povo, senadores graduados e legiões. Na realidade, o que remeteria este consenso era a eficiência de sua imposição.

Os césares e os deuses estavam num degrau acima da humanidade. E eram onipresentes, ocupavam diversos espaços ao mesmo tempo. Isso trazia a conotação teórica que o povo caminhava junto ao imperador. Próximo na verdade estavam seus representantes, e a população devia-lhes obediência. O imperador estava distante, o historiador Paul Veyne[1] retrata o poder imperial romano como tão grandioso quanto remoto.

Essa superioridade dos césares despertava nas relações sociais a prudência em cultuá-los. Aos deuses evidente prestava-se um culto religioso. Aos césares que não eram divinizados, como também não eram representantes de Deus, ainda que exercessem o pontificado. O todo poderoso imperador era absoluto, aí residia o seu culto que não estava nas vias da religião, mas na do poder, um culto institucional, mais precisamente, um culto de adulação.

 


[1] Paul Veyne historiador e arqueólogo francês, professor de história Romana do Collège de France.

 

Referência Bibliográfica:

LE ROUX, Patrick. Império Romano. Porto Alegre: L&PM, 2009.

SUETÔNIO. A vida dos doze Césares. 4ª Ed. São Paulo: Ediouro, 2002.

VEYNE, Paul. O Império Greco-Romano. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.

Você sabia…

Postado em CULTURA E SOCIEDADE, HISTÓRIA ANTIGA, VOCÊ SABIA... com as tags em 9 09UTC Novembro 09UTC 2009 por Prof. Elaine Herrera

Na Grécia Antiga a preocupação com a gravidez já era uma constante na realidade das jovens para isso eram elaborados vários procedimentos que decorriam do mágico ao químico. Eram fabricadas pomadas a base de plantas como arruda, casca de pinho, folhas de salgueiro e frutos como figos e romãs. Além disso, utilizavam azeite de oliva, mel e outros óleos. Eram aplicações locais antes ou depois das relações sexuais.

De acordo com Catherine Salles “Em sua História dos animais, Aristóteles já evoca os métodos anticoncepcionais, aconselhando às mulheres o uso local de óleo de cedro, adicionado ou não com alvaiade ou incenso, antes das relações sexuais”.

A eficácia destes métodos contraceptivos era duvidosa, visto que muitas jovens engravidavam. Geralmente eram utilizados por escravas, por prostitutas mulheres e também por meninas que na mais tenra idade, tinha a responsabilidade de sustentar suas famílias, fazendo uso de seu corpo.

Acervo do Museu Arqueológico Nacional de Atenas

Acervo do Museu Arqueológico Nacional de Atenas

 

Referência Bibliográfica:

SALLES, Catherine. Nos submundos da antiguidade. São Paulo: Brasiliense, 1983.

Monarquia de Israel

Postado em HISTÓRIA ANTIGA, POLÍTICA com as tags , , , em 27 27UTC Outubro 27UTC 2009 por Prof. Elaine Herrera

A monarquia em Israel foi uma imposição política, ela não foi instituída com um caráter religioso natural como no Egito e na Mesopotâmia. A monarquia não era tradição israelita, ela se deu pela vontade do povo segundo os escritos bíblicos: “Constituí-nos, pois, agora, um rei sobre nós, para nos julgar, como em todas as nações[1]”.

Entretanto apesar disso a monarquia em Israel não conseguiu se desvencilhar de trazer um elemento forte da monarquia sagrada. No caso de Israel, a monarquia não traz na sua essência este conceito de monarquia sagrada, mas traz uma carga do conceito sagrado após sua instituição.

O Egito estava vivenciando constantes problemas internos, já a Babilônia mantinha-se preocupada com Assíria. O que colaborou para ascensão do reino de Israel sob o governo do rei Davi. O fato das grandes civilizações estarem num momento conturbado, acabou impulsionando a monarquia de Israel.

Os profetas faziam menções sobre o reino de Israel voltar. Numa referência messiânica ligando a realeza. Ela assume um caráter monárquico sagrado com Davi, não apenas pela monarquia em si, mas também pela aliança de Yahweh[2] com o rei. Essa ligação messiânica a realeza vai servir de base posterior para o Cristo. Numa alusão ao Rei dos Reis, Senhor dos Senhores.

A instituição monárquica em Israel marca a transição de um período onde a sociedade estava organizada em tribos, sem um poder central, para uma organização produtiva que constitui a partir daí, numa mão de obra disciplinada para manter o reinado, regido por um poder central.

O templo funcionava como símbolo nacional anteriormente com Moisés, Deus habitava em tendas na figura da Arca da Aliança, com a instituição monárquica, Salomão o construtor do Templo de Jerusalém deu a Yahweh sua morada. Com isso aproximou ainda mais a monarquia ao sagrado, o templo deu-lhe prestígio religioso.

Assim como a instauração de sacerdotes instituindo uma relação de dependência do povo para com o sacerdócio. Já que o acesso ao íntimo do templo, Santo e Santo dos santos eram restritos aos sacerdotes, além da implantação de regras rígidas de conduta ética, moral e religiosa.

A política, portanto caminhava unida a religiosidade, ainda que não fossem os reis a efetivarem a ritualização da religião, eles eram escolhidos de Yahweh. Essa manifestação de aliança a casa de Davi, corroborou para tornar a monarquia de Israel, sagrada.

 

Túmulo do Rei Davi

Túmulo do Rei Davi


[1] Bíblia Hebraica,1 Samuel 8:5.

[2] Deus dos israelitas.

Referência Bibliográfica:

BARRERA, Julio Trebole. A Bíblia Judaica e A Bíblia Cristã, 2ª ed. Petrópolis: Vozes, 1999.
Bíblia Hebraica. I Samuel. São Paulo: Sêfer, 2006.
GARELLI e NIKIPROWETZKY. O Oriente Próximo – Impérios mesopotâmicos – Israel. São Paulo: Pioneira, 1982.
MIRCEA, Eliade. Imagens e Símbolos – Ensaios sobre o simbolismo mágico-religioso. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

Você sabia…

Postado em HISTÓRIA ANTIGA, VOCÊ SABIA... com as tags , em 22 22UTC Outubro 22UTC 2009 por Prof. Elaine Herrera

Que os romanos utilizavam para punir criminosos das províncias e escravos, o flagelo. Esse instrumento de tortura servia-se de correias de couro e feixes de correntes com bolas ou ainda com ganchos de metal nas extremidades. De maneira mais rudimentar eram utilizadas cordas, em suas pontas eram presos pedaços de ossos pontiagudos.

Imagem chicote

Açoite romano (flagrum ou flagellum)

Açoite romano (flagrum ou flagellum)

Essa prática de castigo muito usado na época de Cristo, provocava nas primeiras fustigadas bolhas na pele. A continuação dos açoites trazia amostra a carne viva. Muitos condenados morriam durante a punição, quando os chicotes chegavam aos ossos. O uso do chicote em suspeitos de crimes, o flagellum (flagelo), exceto para cidadãos romanos, deu origem ao termo que conhecemos hoje como flagelado, pessoa martirizada, castigada. Além de inspirar a muitos escravistas ao longo da história.

Instrumento de tortura sendo usado em escravo

RELAÇÕES DE FORÇA NA ANTIGUIDADE – UMA ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE SUN TZU E TUCÍDIDES

Postado em CULTURA E SOCIEDADE, HISTÓRIA ANTIGA com as tags em 20 20UTC Outubro 20UTC 2009 por Prof. Elaine Herrera

Para uma observação comparativa entre Sun Tzu e Tucídides é necessário analisarmos seus espaços e influências. Sun Tzu aparece num período de mudanças nas estruturas feudais, o militarismo despontava num processo evolutivo, representando uma clara ameaça enquanto potência armada num exército estruturado, fazendo frente aos inimigos. Assim como o Estado procurava uma forma de organização permanente, utilizando seu exército com esta finalidade.

Este período em que o general chinês viveu entre 544 e 496 a.C. equivale a evolução não somente dos equipamentos bélicos, mas também do aparecimento de técnicas militares, ou seja de novas estratégias de guerra, forjada na experiência com intuito da ruína dos exércitos inimigos. Surgindo o compêndio num contexto político-militar, a obra que serviria de modelo “a arte da guerra” de Sun Tzu.

SUN TZU - A Arte da Guerra

A Arte da Guerra

Neste manual de guerra, Sun Tzu agrega um valor utilitário, pois este modelo deveria servir de legado para que os generais sempre fossem vitoriosos através da estratégia de Sun Tzu. Uma maneira pontual, direta e explicativa, ele faz uma análise científica da guerra. Analisando os planos, elaborando uma operação de guerra para o ataque, auferindo posições e táticas num confronto direto ou não, servindo-se de manobras que intensifique os pontos fracos do inimigo, além de antemão o estudo do relevo e de possíveis situações inesperadas.

 “Em uma guerra, devemos ter claro que não são os números que proporcionam a vantagem de um exército sobre outro, portanto, não avance imprudentemente, confiando apenas na quantidade de soldados ao seu lado. Um bom comandante é capaz de avaliar sua própria força, ter visão total da situação do inimigo, conquistar apoio e a lealdade de seus soldados e jamais subestima seu inimigo, caso contrário, seria facilmente capturado por ele”[1].

Nesta citação de Sun Tzu fica claro que seu tratado é basicamente estratégico, atento as relações de força, o que lhe confere algumas semelhanças com Tucídides que também foi um analista da guerra, general grego na guerra do Peloponeso em 431 a.C. Depois de perder uma batalha, foi exilado onde pode analisar e escrever sobre a guerra de um prisma inovador. Sendo o primeiro a registrar no Ocidente a estratégica de guerra. Seu olhar estava voltado para as razões internas e externas da guerra.

Tucídides insere uma unidade em seu relato de batalha, ele não fica preso ao tempo e espaço mais a um raciocínio sobre as formas do relato de batalha que se difere de outros relatos. Pois conta com oposições, são dois lados no confronto, a análise torna-se mais complexa, já que duas estratégias opostas estarão em cena. Dois raciocínios, duas inteligências, dois projetos.

A história de Tucídides é o parâmetro da política, portanto não há outro modo de fazer história para ele. Além de que, o pensamento tucidiano era de quem estuda a guerra do Peloponeso entende qualquer guerra. Neste ponto a teoria tucidiana e de Sun Tzu se afunilam, pois os dois intencionam fazer algo utilitário, que servisse as futuras gerações na composição de novas vitórias, da análise do passado.

 Uma exposição entre o plano e ação que permite descobrir as razões do fracasso. Assim a guerra do Peloponeso era uma escola política, a mais importante guerra. Já que através dela todas as guerras seriam entendidas. “A intenção de Tucídides, ao escrever a sua História, era deixar para a posteridade um “patrimônio sempre útil[2].

Tucídides usa o padrão de verossemelhanças, o fato não era o mais importante, mais sim suas motivações, para saber usar de maneira competitiva. E ele como testemunha ocular dos fatos poderia utilizar de seu caráter racionalista construtivo na atividade da razão, a investigação. Logo ele olha e estabelece as relações de força, sua ascensão ou não, sob o entendimento da vida em sociedade.

Tucídides

Tucídides

Desse olhar sobre as relações de força que se permite compreender a política da guerra. Na exposição das relações lógicas dos fatos o historiador que é o interprete da história, confere uma inteligibilidade já que foram apresentados elementos até então implícitos.

Tanto Tucídides como Suz Tzu eram estrategos, ambos decorrem de relatos baseados nas práticas do combate. Vivenciando um presente, onde a medida que se fala dele, maior importância ele ganha. As relações de força derivam do presente, dos acontecimentos. Um exemplo característico é a intenção e pensamentos que se colocam em meio aos conflitos, que faz parte das relações humanas. Desta forma as civilizações tornam-se mais fáceis de serem analisadas.

A história das relações de força é então historiografia grega, que é determinada pela defesa das convicções políticas, estar apto ao imprevisto, conseguir sustentar a guerra com riquezas acumuladas, sintetizando recursos humanos e estratégia. A plena consciência de seu papel nessas relações de força, através de um diagnóstico do historiador e da capacidade retórica.

Concluindo o cálculo das relações de força na antiguidade, eram revelados através das estruturas econômicas, das instituições políticas, das motivações morais e da capacidade militar. A eficaz execução de uma estratégia aliada aos recursos humanos designava a vitória na guerra, munição de um sensato cálculo das relações de força.


[1] Sun Tzu. A arte da guerra. 2007 p. 90.
[2] Tucídides. História da Guerra do Peloponeso. P. 15.

Bibliografia:

ROMILLY, Jacqueline. História e razão em Tucídides. Brasília: Ed UnB, 1998.
TZU, Sun. A Arte da Guerra. São Paulo: Jardim dos Livros, 2007.
TUCÍDIDES. História da Guerra do Peloponeso. 3ªed. Brasília: ED UnB, 1987.