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Hanukkah

Postado em CULTURA E SOCIEDADE com as tags , em 14 14UTC Dezembro 14UTC 2009 por Prof. Alessandra Dahya

A chamada “Festa das Luzes” comemora o fim do domínio grego, numa revolta liderada por Judas Macabeu e reconhecida historicamente como a Revolta dos Macabeus.

Candelabro

Assim como o Pessach, o Hanukkah é uma comemoração de uma libertação, de um período de opressão cultural e religiosa. Nesta celebração, é utilizada a Menorah, que traz a lembrança que os povos pagãos gregos e sírios não conseguiram transpor a ideologia judaica constituída na Torá. Além de revelar a manifestação do Deus de Israel, tanto na batalha física quanto na espiritual.

Depois da Arca da Aliança, o Menorah era o símbolo mais importante do povo judeu, e junto com a Estrela de Davi, simboliza o Estado de Israel. O menorah do Segundo Templo foi levado pelos invasores romanos em 69 d.C. e alguns historiadores acreditam que o menorah do Segundo Templo, encontra-se no Vaticano até hoje.

Leitura na Antiguidade

Postado em CULTURA E SOCIEDADE com as tags , , , , , , em 28 28UTC Outubro 28UTC 2009 por Prof. Alessandra Dahya

A leitura foi uma estratégia de ensino utilizada em todos os povos da Antiguidade.

As etapas seguiam um curso natural e principalmente necessário, por conta da própria evolução de cada população: a tradição oral, onde informações eram sempre passadas por gerações, a escrita, que era o registro consequente destas informações, e a leitura, não só do que foi o resultado natural da tradição oral, como também de outras obras com intuito educativo.

Cada povo desenvolvia a leitura de modo mais aproximado à sua cultura e valores. Vejamos com mais detalhes:

Judéia - os ensinamentos sagrados consistiam no conteúdo mais lido. São muitas as fontes históricas que confirmam este dado. Por ser a base de conduta deste povo, o exercício de leitura destes registros era fundamental.

“… a escola judaica (…) destinava-se a instruir o discípulo na leitura e no entendimento da Escritura Sagrada, e no conhecimento das tradições da Lei Oral, de modo a prepará-lo para o estudo da Tora e para o Culto Divino.” (Vida e Valores do Povo Judeu. UNESCO, p.150).

Hebraico - Israel

Hebraico - Israel

Grécia - os poemas foram o instrumento marcante deste povo. Primeiramente, eles eram cantados, de modo intencional, para facilitar a memorização e conseqüente transmissão. Após o registro escrito destas obras, as mesmas prosseguiram como fonte freqüente de leitura.

Segundo Funari (p.21), “os gregos, durante muitos séculos, gostaram de poesias, em forma de cânticos, dedicadas a temas míticos. Por serem cantadas, podiam ser memorizadas facilmente e eram transmitidas por muitas gerações”.  (…) “Até que essas histórias foram registradas por escrito por um personagem que hoje se sabe ser lendário, Homero”.

 

Escrita Grega

Escrita Grega

Roma -  uma fonte de leitura freqüente vinha das fábulas e outros escritos que continham lições e ensinamentos morais. Veja este exemplo “reportado por Fedro, contador de história latino nascido em cerca de 30 a.C.:

Casualmente, a raposa viu a máscara.

-Que bonita! Exclamou. Mas não tem cérebro!

Isto foi dito para quem a Sorte

Deu honra e glória, mas tirou o juízo.”  (Funari, p.101)

Latim - Roma

Latim - Roma

Mesopotâmia - a leitura estava diretamente vinculada aos registros de quantidades de produtos ou medidas de construção. A matemática, em todas as suas nuances fazia parte do cotidiano deste povo.

“Cada geração tinha de encontrar formas de passar à outra o conjunto de conhecimentos já adquiridos e codificados. Isso, de certo, ocorria desde a humanização do homem. A novidade aqui é que o saber ia se tornando mais complexo, mais especializado, necessitando, portanto de veículos mais adequado para sua transmissão.” (Pinsky, p.76)

Escrita  Cuneiforme - Sumérios

Escrita Cuneiforme - Sumérios

Egito - são poucos os registros históricos que demonstram um período de leitura desvinculado da escrita. A civilização egípcia é descrita historicamente possuidora de documentação e literatura.

“… o egiptólogo não pode considerar como casual a ausência, numa sociedade como o Egipto faraônico onde o documento escrito inunda toda a esfera comunicativa do indivíduo e do Estado, de uma codificação jurídica do estatuto de escravo”.

 

Escrita Hieroglifica - Egito

Escrita Hieroglifica - Egito

 

Referências Bibliográficas:

Vida e Valores do Povo Judeu. São Paulo, Editora Perspectiva S.A.,1999.
PINSKY, Jaime. As Primeiras Civilizações .São Paulo, Editora Contexto, 2006.
FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo, Editora Contexto, 2009.
HARRIS, J.R. O Legado do Egito. Rio de Janeiro. Editora Imago, 1993.

 

Succoth: A Festa das Tendas

Postado em HISTÓRIA ANTIGA com as tags , em 12 12UTC Outubro 12UTC 2009 por Prof. Alessandra Dahya

No decorrer desta semana, o povo judeu celebrou o succoth, que é a Festa dos Tabernáculos ou A Festa das Tendas.

Festival dos Tabernáculos

Festival dos Tabernáculos

As tendas são realmente montadas nas áreas externas de casas e sinagogas, para lembrar os quarenta anos de peregrinação pelo deserto, sem uma moradia própria e fixa. O intuito é de reflexão sobre uma vida precária e restrita, além da comemoração por ter ultrapassado o deserto, que nada mais foi do que o Êxodo.

Convém neste período que se passe, nem que por alguns instantes, debaixo da tenda, visualizando as estrelas, como foi no deserto, no período de Moisés.

E mais uma vez, vemos na população judaica o cuidado de manter tradições, crenças e valores que contribuem decisivamente para a educação de gerações vindouras.

 

Referência Bibliográfica:

Ouaknin, Marc – Alain. Symbols of Judaism. New York, Assouline Publishing, 2000

O Rabino

Postado em CULTURA E SOCIEDADE, HISTÓRIA ANTIGA com as tags , , , em 5 05UTC Outubro 05UTC 2009 por Prof. Alessandra Dahya

Em hebraico, rabino ou rabi significa professor ou mestre. Seguindo esta interpretação, já podemos verificar a importância do rabino na sociedade judaica como um todo, mas, especialmente, no processo educacional deste povo, ao longo de séculos e através de gerações.

Dentre as principais funções do rabino estão a transmissão e o cumprimento dos ensinos contidos na Torá, ou seja, ele era responsável por estudar e ensinar estes escritos. Sendo assim, tornou-se figura principal num processo de ensino-aprendizagem quase que natural dentro da cultura do povo judeu.

Vale ressaltar que o rabinato como função almejada e cercada de qualquer tipo de ambição era mal vista. O rabino tinha como perfil claro o de uma pessoa interessada unicamente nos registros da Torá: “O rabinato não representava então qualquer posição oficial e não trazia qualquer emolumento.”  (…) “Mesmo o estudo da Torah como pretensão de superioridade era reprovado como sendo uma posição de vaidade oca”. (Ausubel, p.701)

Por conta desta interferência na transmissão de informações tão importantes para a consolidação dos valores judaicos, os rabinos se estabeleceram e ampliaram suas tarefas no que diz respeito à estruturação da educação judaica. Isto se confirma nas citações de S. Safrai: “… em meados do século II, entretanto, os rabis de Uscha preceituaram ‘que um pai deveria sustentar seu filho até os 12 anos’ e somente então é que deveria começar a fazê-lo participar de seu (do pai) trabalho ou estudo de um ofício”. (p.153)

Atualmente, as funções do rabino diferem um pouco da Antigüidade. No entanto, o rabino continua sendo uma figura relevante dentro da comunidade judaica.

Sofer escrevendo a Tora

Sofer escrevendo a Tora

 

Referências Bibliográficas:

AUSUBEL, Nathan. Conhecimento Judaico II. A. Koogan Editor, Rio de Janeiro, 1964.
Vida e Valores do Povo Judeu.  Editora Perspectiva S.A., São Paulo, 1999.

Yom Kippur: O Dia do Perdão

Postado em CULTURA E SOCIEDADE com as tags , em 27 27UTC Setembro 27UTC 2009 por Prof. Alessandra Dahya

O Yom Kippur começa no pôr do sol de hoje, 27 de setembro e termina ao final desta segunda-feira, 28 de setembro de 2009, conforme o calendário judaico.

Trata-se de um período de libertação de erros cometidos ou atos do passado impensados. No Yom Kippur, pede-se perdão por erros e busca-se a purificação espiritual incessantemente. A pessoa que verdadeiramente alcança este patamar espiritual, recebe libertação e perdão.

A origem do Yom Kippur vem do pecado retratado na Bíblia sobre a confecção do bezerro de ouro. Segundo a crença judaica, após as orações de Moisés, no décimo dia do mês judaico de Tishrei, Deus concedeu perdão ao povo.

Judeus reunidos numa sinagoga no Yom Kippur

Judeus reunidos numa sinagoga no Yom Kippur

O Yom Kippur é o ponto máximo dos dez dias de penitência iniciados no Rosh Hashanah. Consiste num período de intensa reflexão sobre vida interior, espiritualidade e abandono completo da vida material e carnal. O período de jejum começa na pela manhã e vai até o pôr do sol do dia seguinte.

Outro aspecto relevante durante esta data é o tzedaka, isto é, a caridade: dinheiro e alimentos são revertidos aos pobres; caixas de coleta destas ofertas são encontradas em diversos locais. Em Israel, podem ser identificadas caixas de coleta de ofertas em troncos de árvores e em muros de casas ou outros locais, semelhante às caixas de correio que conhecemos.

Caixa de coleta ou caixa de "Tzedaka" (caridade): serve para as ofertas dadas no periodo do Yom Kippur, junto com as orações e jejuns

Caixa de coleta ou caixa de "Tzedaka" (caridade): serve para as ofertas dadas no periodo do Yom Kippur, junto com as orações e jejuns

A celebração do Yom Kippur termina com o toque do shofar, que traz o significado de esperança renovada, liberdade e boas novas. Não é em vão que se utiliza, entre a comunidade judaica, a frase: “Abençoado é o povo que entende o som do Shofar!”

 

Referências Bibliográficas:

Symbols of Judaism. Assouline Publishing, 2000

WOOL, Danny e YUDIN, Yefim (Chaim). O Ano Judaico Ilustrado. São Paulo, Sêfer Editora e Livraria, 2006

Você Sabia…

Postado em VOCÊ SABIA... com as tags , , , , em 24 24UTC Setembro 24UTC 2009 por Prof. Alessandra Dahya
Pequena caixa que contém fragmentos da Torá

Pequena caixa que contém fragmentos da Torá

O tefilin ou filactério (=prece, oração), como pode ser chamado em português, é produto da tradição oral que resguardou todo o conjunto de valores, bem como a própria educação judaica durante gerações.

Assim como os principais elementos que norteiam o exercício de fé deste povo, todas as etapas deTefilin confecção dos tefilin foram passadas, inicialmente através da tradição oral. Eles consistem em duas caixas, feitas de animal casher ( e puros), contendo escritos da Torá.

Não há registros de quando a prática de uso do tefilin foi adotada, mas o historiador Flávio Josefo, em seus escritos do Século I, já descrevia o uso do filactério como antigo.

Obra da artista plástica Jordana Klein, com permissão da autora

Obra da artista plástica Jordana Klein, com permissão da autora

O uso do tefilin tem várias simbologias:

Para proteção divina e repreensão de maus espíritos: “Impõe-se a idéia de que os tefilin devem ter sido originariamente um amuleto- um talismã usado para a proteção do portador contra os desígnios de seus inimigos e contra demônios hostis”. (p.877)

Também traz o significado de um contato direto de mente e coração com Deus, já que uma das caixas fica na cabeça e outra no braço esquerdo, próximo ao coração: “A sobrevivência do uso funcional dos tefilin como amuleto protetor também pode ser deduzida da passagem das Escrituras: ‘E todos os povos da terra verão que o nome do Senhor está sobre ti; e ficarão com medo de ti.’ ”  (p.877)

Filactério

Filactério

Referência Bibliográfica:

  • AUSUBEL, Nathan. Conhecimento Judaico II. A. Koogan Editor. Rio de Janeiro, 1964

Grécia: Os Princípios da Pedagogia

Postado em HISTÓRIA ANTIGA com as tags , , em 17 17UTC Setembro 17UTC 2009 por Prof. Alessandra Dahya

Os preceitos da educação grega influenciaram várias nações na Antigüidade. A tradição oral ① também funcionava como ferramenta de ensino.

Enquanto os judeus, por exemplo, se baseavam nos registros sagrados, os gregos utilizavam histórias e, especialmente, poemas, que já eram elaborados em forma de cânticos, facilitando a memorização e, por conseqüência, a transmissão através de gerações. Estes poemas possuíam temas míticos, e, por serem cantados, eram eventualmente acompanhados de instrumentos musicais. Percebe-se, assim, mais um elemento na educação grega: a música fazendo parte da tradição oral, funcionando como parte da estratégia de ensino desta época.

O sistema educacional que foi tomando forma na Grécia teve suas bases entre o período arcaico e o início do domínio romano.

Outro aspecto relevante na educação grega diz respeito ao treinamento militar, em particular dos meninos ②. O conceito grego de Cidade-Estado era aplicado com veemência na cidade de Esparta, com relação à educação dos meninos entre 7 e 14 anos. Eles eram treinados para serem grandes soldados, o que abrangia as noções de civismo, sobrevivência, defesa de território, e valores como persistência e perseverança.

Pintura em cerâmica da Grécia antiga (Fonte: História Net)

Pintura em cerâmica da Grécia antiga (Fonte: História Net)

Era, sem dúvida uma educação eminentemente física e menos intelectual. Entretanto, se tornou uma influência marcante para diversos povos, além das heranças que perduram até hoje, como a atuação de mestres de ensino e pedagogos, bem como a divisão de instruções para meninos ou meninas e faixas etárias.

 

① (Detienne, 2003) Nesta obra, o autor discorre sobre a gradativa passagem da tradição oral presente nas palavras dos poetas para a sistematização do “logos” na palavra dos filósofos.

② (Moura, 2000) O autor José Francisco apresenta o papel da caça e da guerra na formação dos lacedemônios.

 

Referências Bibliográficas:

BURNS, Edward McNall. História da Civilização Ocidental: do homem das cavernas às naves espaciais. São Paulo, Editora Globo, 2005

DETIENNE, Marcel. Os Mestres da Verdade na Grécia Arcaica. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editora, 2003

FINLEY, M.I., organizador. O Legado da Grécia, Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1998.

FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo, Editora Contexto, 2009.

JAEGER, Werner Wilheim. Paidéia: a Formação do Homem Grupo. São Paulo, Martins Fontes, 2001.

MOURA, José Francisco de. Imagens de Esparta: Xenofonte e a Ideologia Oligarca. Rio de Janeiro, Laboratório de História Antiga, 2000 (Helade supl.2)

Os Fariseus

Postado em HISTÓRIA ANTIGA, POLÍTICA com as tags , , , , , em 24 24UTC Agosto 24UTC 2009 por Prof. Alessandra Dahya

A palavra fariseu tem a origem em hebraico “proushim”, que traz dois significados e duas interpretações distintas: a primeira, “lifrosh”, ou seja, os que se separam. Já um segundo significado é “leparesh”, isto é, os que interpretam.

Os fariseus consistiam em um grupo separado, oriundo da classe média da época, que interpretava a Torá. Sua existência, enquanto grupo, data do segundo século a.C.

A grande parte das fontes históricas descreve a atuação dos fariseus como, partido político, seita ou influência na sociedade de sua época. Mas, não se pode deixar de reconhecer a validade da participação dos fariseus dentro do cenário educacional de seu tempo.

Os fariseus eram conhecedores em potencial da Torá, e interpretavam-na, fortalecendo a tradição oral, que era a única forma de transmissão da Lei de Moisés e de todos os valores vigentes naquele período. Junto com os escribas, se tornaram personagens primordiais na leitura e na escrita, respectivamente.

Segundo Gunneweg, “O farisaísmo, com sua doutrina fundamentada na tradição oral, que tinha a mesma importância que a lei escrita, conseguiu abrir-se criticamente a novas respostas possíveis a perguntas que tinham se tornado atuais.” (2005- p.277).

Muitas são as discussões sobre a contribuição dos fariseus: o cumprimento rigoroso das leis e comportamentos, a ênfase nos rituais e na religiosidade, etc. Entretanto, foram eles, junto com os rabinos e escribas, os responsáveis pela estruturação de todos os registros orais e escritos sobre as Escrituras Sagradas do povo judeu, bem como deram início à estrutura de ensino-aprendizagem de gerações, tendo por base normas de conduta ética e espiritual.

Formando assim os primeiros ou principais alicerces da educação de uma das principais nações da Antigüidade.

 

Referências Bibliográficas:

GUNNEWEG, Antonius H.J. História de Israel-  dos primórdios até Bar Kochba e de Theodor Herzl até os nossos dias, São Paulo, Editora Teológica, 2005.

BURNS, Edward McNall. História da Civilização Ocidental: do homem das cavernas às naves espaciais. São Paulo, Editora Globo, 2005

CONNOLLY, Peter. Vivendo nos Tempos de Jesus de Nazaré. Israel, Steimatzky, 2000.

FILLION, Luis Claude. Enciclopédia da Vida de Jesus. Rio de Janeiro, Editora Central, 2004

Educação Elementar: Escrita

Postado em CULTURA E SOCIEDADE, HISTÓRIA ANTIGA com as tags , , em 18 18UTC Agosto 18UTC 2009 por Prof. Alessandra Dahya

Já é sabido que a cultura judaica sempre valorizou a palavra falada, a instrução tendo por base a leitura, a repetição e a memorização. Entretanto, com o passar do tempo, aproximava-se o risco de não se ter nenhum registro de todas as tradições e leis de conduta, transmitidas durante gerações. A memorização já havia se tornado um processo frágil, diante do crescimento da população e da manutenção da cultura. Além disso, Egito e  Mesopotâmia, já passavam pelo processo da escrita. Em se tratando da Grécia, o helenismo já começava a influenciar a educação judaica.

O chamado Período Talmúdico termina entre os séculos IV e V, especificamente na Palestina e na Babilônia. O próprio exílio contribuiu para este caminho, pois os relatos sagrados tinham de estar registrados para que o povo judeu tivesse acesso, independente do local. Com isso, fazia-se necessário ultrapassar as práticas concernentes à Lei Oral. A tradição que sobrevivera durante muito tempo sofreria influências e conseqüentes modificações: era o início da escrita.

Fragmento da Septuaginta do II Século a.C.
Fragmento da Septuaginta do II Século a.C.

Tratava-se de um caminho sem volta: todas as informações, valores, noções de ética e cultura de várias gerações já necessitavam de um registro.

É importante reiterar que toda a estrutura de ensino e instrução passavam pelas Sagradas Escrituras. Não havia outra forma de se desenvolver a escrita ou ensiná-la. Acompanhe a narrativa da Profa. Jane Bichmacher de Glasman:“…Nenhum deles se ocupou com Geografia, Astronomia ou Gramática com o interesse que estes assuntos despertavam entre os súditos do Califa; o estudo era restringido aos temas judaicos. Surgiram notáveis eruditos nestas comunidades européias, compensando em profundidade o que lhes faltava em extensão.”

Assim como na tradição oral percebemos a atuação determinante dos rabinos, com o início da escrita, aumenta a participação dos escribas. O historiador Nathan Ausubel descreve este momento: “… passaram a compreender melhor o que significaria recolher e salvaguardar todos os registros judaicos históricos, literários e legais, atividade intelectual” (1964, p. 269) 

Portanto, a escrita dentro da educação judaica se baseia fundamentalmente no registro de toda a lei, ética e valores culturais, contidos nos escritos sagrados, e de domínio exclusivo de rabinos e escribas, até então.

O helenismo, por conta do próprio processo de dominação, também se tornou uma influência decisiva na escrita. Desde então, a educação grega passou a interferir e a influenciar na educação judaica.

 

Referências Bibliográficas:

AUSUBEL, Nathan. Conhecimento Judaico I. Rio de Janeiro, A. Koogan Editor, 1964

Vida e Valores do Povo Judeu. São Paulo, Editora Perspectiva S.A.,1999.

MILLER, Stephen M. e HUBER, Robert V. A Bíblia e sua História – o surgimento e o impacto da Bíblia. Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.

Você sabia

Postado em CULTURA E SOCIEDADE, VOCÊ SABIA... com as tags , , , , em 12 12UTC Agosto 12UTC 2009 por Prof. Alessandra Dahya

Havia uma referência no Talmud Palestino sobre a freqüência à escola. Seriam os primeiros sinais de uma educação elementar e do ensino como obrigatoriedade.

Já o Talmud Babilônico menciona e esclarece outra tradição: a de que os pais seriam os responsáveis pelo ensino de seus filhos. No caso do filho não ter pai, não teria acesso ao ensino. Por conta disso, posteriormente, foi decretada a nomeação de professores, em Jerusalém, o que traria a educação formal aos filhos sem pai. Mesmo assim, havia a necessidade de ir até Jerusalém para ser educado.

Passou-se, portanto, a nomear professores nas diferentes províncias, e permitir que os meninos ingressassem para a escola aos 16 ou 17 anos. Entretanto, quando os meninos eram punidos por quaisquer motivos, acabavam se rebelando e abandonando a escola. Sendo assim, foi decretado que os professores de meninos seriam nomeados em cada distrito e em cada cidade. Além disso, os meninos ingressariam na escola à partir dos seis ou sete anos de idade.

É interessante perceber a formação de uma organização de ensino; uma estrutura bastante similar a do ensino público dos dias atuais, guardadas as devidas proporções.

 

Referência Bibliográfica:

 Vida e Valores do Povo Judeu. São Paulo, Editora Perspectiva S.A.,1999.