A leitura foi uma estratégia de ensino utilizada em todos os povos da Antiguidade.
As etapas seguiam um curso natural e principalmente necessário, por conta da própria evolução de cada população: a tradição oral, onde informações eram sempre passadas por gerações, a escrita, que era o registro consequente destas informações, e a leitura, não só do que foi o resultado natural da tradição oral, como também de outras obras com intuito educativo.
Cada povo desenvolvia a leitura de modo mais aproximado à sua cultura e valores. Vejamos com mais detalhes:
Judéia - os ensinamentos sagrados consistiam no conteúdo mais lido. São muitas as fontes históricas que confirmam este dado. Por ser a base de conduta deste povo, o exercício de leitura destes registros era fundamental.
“… a escola judaica (…) destinava-se a instruir o discípulo na leitura e no entendimento da Escritura Sagrada, e no conhecimento das tradições da Lei Oral, de modo a prepará-lo para o estudo da Tora e para o Culto Divino.” (Vida e Valores do Povo Judeu. UNESCO, p.150).

Hebraico - Israel
Grécia - os poemas foram o instrumento marcante deste povo. Primeiramente, eles eram cantados, de modo intencional, para facilitar a memorização e conseqüente transmissão. Após o registro escrito destas obras, as mesmas prosseguiram como fonte freqüente de leitura.
Segundo Funari (p.21), “os gregos, durante muitos séculos, gostaram de poesias, em forma de cânticos, dedicadas a temas míticos. Por serem cantadas, podiam ser memorizadas facilmente e eram transmitidas por muitas gerações”. (…) “Até que essas histórias foram registradas por escrito por um personagem que hoje se sabe ser lendário, Homero”.

Escrita Grega
Roma - uma fonte de leitura freqüente vinha das fábulas e outros escritos que continham lições e ensinamentos morais. Veja este exemplo “reportado por Fedro, contador de história latino nascido em cerca de 30 a.C.:
Casualmente, a raposa viu a máscara.
-Que bonita! Exclamou. Mas não tem cérebro!
Isto foi dito para quem a Sorte
Deu honra e glória, mas tirou o juízo.” (Funari, p.101)

Latim - Roma
Mesopotâmia - a leitura estava diretamente vinculada aos registros de quantidades de produtos ou medidas de construção. A matemática, em todas as suas nuances fazia parte do cotidiano deste povo.
“Cada geração tinha de encontrar formas de passar à outra o conjunto de conhecimentos já adquiridos e codificados. Isso, de certo, ocorria desde a humanização do homem. A novidade aqui é que o saber ia se tornando mais complexo, mais especializado, necessitando, portanto de veículos mais adequado para sua transmissão.” (Pinsky, p.76)

Escrita Cuneiforme - Sumérios
Egito - são poucos os registros históricos que demonstram um período de leitura desvinculado da escrita. A civilização egípcia é descrita historicamente possuidora de documentação e literatura.
“… o egiptólogo não pode considerar como casual a ausência, numa sociedade como o Egipto faraônico onde o documento escrito inunda toda a esfera comunicativa do indivíduo e do Estado, de uma codificação jurídica do estatuto de escravo”.

Escrita Hieroglifica - Egito
Referências Bibliográficas:
Vida e Valores do Povo Judeu. São Paulo, Editora Perspectiva S.A.,1999.
PINSKY, Jaime. As Primeiras Civilizações .São Paulo, Editora Contexto, 2006.
FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo, Editora Contexto, 2009.
HARRIS, J.R. O Legado do Egito. Rio de Janeiro. Editora Imago, 1993.