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A substância para Aristóteles

19 set

Por pesquisador convidado Yuri Araújo

Aristóteles foi um dos maiores filósofos de sua época, influenciando grande parte do pensamento filosófico da eras posteriores, como na idade média por exemplo, graças a livros como “Metafísica” onde podemos encontrar o conceito de Aristóteles sobre a substância. A substância, que vem do grego “ousia” e que significa “ser” e que alguns chamam de essência, seria basicamente aquilo que fundamenta as coisas e que teve sua teoria criada basicamente para explicar a mudança. Para Aristóteles a substância possui quatro características, que seriam: seria tudo aquilo que não pode ser predicado, aquilo que existe independente de todo o resto, aquilo que permanece através da mudança e sendo também aquilo que é a união da matéria e da forma essencial.

Para entendermos melhor a primeira característica devemos conhecer antes o conceito das categorias de Aristóteles, onde ele tenta mostrar algumas categorias, sendo a primeira a substância e considerada por ele o único sujeito e todas as outras categorias sendo predicados, ou seja, a substância não pode ser dita de um sujeito e nem em um sujeito. A substância então seria um recebedor de predicados, mas nunca seria um predicado propriamente.

O significado da segunda característica seria a de que a substância existe e pode ser pensada independente da matéria e da propriedade. Ela então seria a base de tudo e sem ela nada poderia existir. Nessa característica podemos ver uma relação entre os números e a substância, mas apesar dos números poderem ser pensados independentes de todo o resto sua existência possui dependências.

Na terceira característica vemos que a substância só sofre mudança nela mesma, há outras coisas que podem ser assim, porém essa mudança seria extrínseca a ela enquanto na substância a mudança seria na forma de geração e corrupção, ou seja, nela mesma.  Uma boa forma de se entender esse fato é que ao colocarmos um pedaço de cera de abelha (tendo ela características como aroma, forma e textura) no fogo, ela sofreria mudanças em suas características, porém continuaria sendo cera, pois a substância (essência) que a define não mudaria.

Na última característica vemos a substância como a união entre dois conceitos: a matéria e a forma. A matéria seria aquilo de que um ser é constituído ou é feito. Aquele indeterminado que poderia receber determinações. A forma seria aquilo que se mostra de algo, ou seja, seu aspecto.

Assim podemos concluir que, para Aristóteles a substância seria o fundamento de tudo, seria aquilo do qual podemos falar algo, que poderíamos pensar sem interligarmos a nada diretamente, que se mantêm quando todo o resto muda e que seria a base para a união daquilo que se mostra com aquilo de que algo é feito.

Yuri Flores Araujo é nosso pesquisador convidado dentro do Dia do Leitor.

Referência Bibliográfica:

ARISTÓTELES. Metafísica – tradução e comentário de Giovanni Reale. São Paulo:Edipro, 2006.

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Publicado por em 19/09/2011 em FILOSOFIA, HISTÓRIA ANTIGA

 

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