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A conquista de Jerusalém pelo rei Davi

10 mai

Por pesquisador Amarildo Salvador

A historiografia busca através de todos os recursos para chegar à veracidade dos fatos ocorridos na sociedade humana, observando as fontes desde que essas estejam mais próximas da realidade. A tradição oral, objetos domésticos, os costumes cotidianos de um povo proporciona a direção ao qual será desenvolvida uma pesquisa, com isso nós hoje podemos retratar a região da Jerusalém do século X a.C. reduto do povo jebuseu[1], conquistada pelo rei hebreu Davi (1040 a.C. a 971 a.C.).

As fontes historiográficas remontam uma ocupação de Jerusalém desde o século XI a.C. registros mencionam a existência do povo cananeu[2], os jebuseus, que utilizavam de uma posição estratégica topográfica da região, para se proteger das investidas dos inimigos. Citados na Bíblia[3] no momento do cerco do rei Davi que observara o valor da região.

 A cidade de Jebus ficava localizada no alto do monte Ofel segundo a autora Karen Armstrong: “Davi não poderia prever tais conseqüências. Quando tomou Jerusalém, por volta do ano 1000 a.C., deve ter sentido duplamente aliviado, pois capturou esse enclave jebuseu situado no centro de seu Reino Unido e encontrou uma capital mais adequada. A união entre Israel e Judá era frágil. O reino do norte ainda se considerava uma entidade distinta, e a submissão a Davi, o antigo traidor, certamente despertava sentimentos confusos na população. Manter a sede do governo em Hebron seria imprudência, pois indicaria de modo inequívoco a ligação do soberano com o reino meridional. Já a velha Jerusalém era um território neutro: não pertencia nem a Israel, nem a Judá, tampouco tinha relação qualquer uma das vetustas tradições tribais“. (ARMSTRONG: 62)

Ao assumir o reinado Saul não mudou a estrutura tribal ao qual o povo hebreu ainda vivia. Davi ao assumir o comando do reino organiza a administração aos moldes dos exemplos do período inclusive utilizando do apoio da elite jebuséia para auxiliá-lo na condução das diretrizes do povo, incluindo também um cargo típico da organização egípcia e da mesopotâmica que era o de vizir[4].

“…vemos na Bíblia que a corte de Davi e Salomão eram idênticas à do faraó. Tinha um grão-vizir, um secretário de Relações Exteriores, um arquivista para assuntos internos e um amigo do rei“. (ARMSTRONG: 63)

Estela em inscrição hebraica - "Casa de Davi"

Além da administração, Davi utiliza-se como instrumento da legitimação do seu poder tropas regulares altamente treinadas subjugando as regiões vizinhas e implantando impostos aos povos conquistados, toma a medida religiosa de trazer para Jerusalém a Arca da Aliança, e assim constrói o Tabernáculo na Eira de Araruna[5], no Monte Moriá, comprovando o caráter diplomático desse rei. O relato bíblico menciona que a efetiva construção do Templo foi liderada pelo terceiro rei de Israel, Salomão filho de Davi.

Podemos assim concluir o efeito estabilizador que Davi proporcionou ao povo hebreu ao capturar Jerusalém, uma capital bem protegida e neutra tanto para o Reino do Norte (Israel) como para o Reino do Sul (Judá) reunindo sobre si um povo que estava se estabilizando diante das grandes potencias do Oriente Próximo, as fontes bíblicas são fortalecidas pelo desenvolvimento da Arqueologia que confirma os relatos históricos acerca do povo hebreu relatado na Bíblia.

[1] Jebuseu povo cananeu que habitava o monte Ofel conquistados por Davi.

[2] Cananeu povos semíticos que viviam na região do atual Israel.

[3] 2 Samuel: 5,8.

[4] Vizir cargo típico utilizado na região da Mesopotâmia e do Nilo um ministro responsável pela organização administrativa do reino.

[5] Eira de Araruna, território pertencente a um dos últimos governantes   jebuseu.

Fontes iconográficas:

Fig.1 Foto da réplica da Bíblia de Martinho Lutero (CCJ)

Fig.2 Mapa topográfico da região de Israel (www.snpcultura.org)/anexo: detalhes da colina Ofel descrito no livro Jerusalém uma cidade, três religiões.

Referências Bibliográficas:

ARMSTRONG, Karen. Jerusalém: uma cidade, três religiões. São Paulo: Ed. Companhia das Letras, 2000.

JOHNSON, Paul. História dos Judeus, Rio de Janeiro: Ed. Imago, 1995.

JOSEFO, Flávio. A História dos Hebreus, 8ªEd. Rio de Janeiro: Ed. CPAD, 2007.

SELTZER, Robert M. Povo Judeu Pensamento Judaico I, Rio de Janeiro: Ed. A. Koogan, 1990.

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Uma resposta para “A conquista de Jerusalém pelo rei Davi

  1. sary

    10/04/2013 at 11:21 AM

    muitissimo boom este texto,, poiss ele justiica sobre a conuista de jerusalemmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm

     

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