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A impureza menstrual e a Mikvá

22 out

De acordo com a Torá, qualquer surgimento de sangue na vagina torna a mulher ritualmente impura. Isso significa que ela não poderia ter relações sexuais com o marido. Por extensão, o marido não poderia nem mesmo tocá-la. Em dias de mikveh, os homens procuravam andar somente em áreas permitidas.

Qualquer mulher em trabalho de parto, ou no parto propriamente dito, e durante os sete dias posteriores ao parto, era considerada perigosamente impura. Sendo permitido até violar o shabat ou outros dias santos em virtude da gravidez, já que a mulher tem desejos por certos tipos de comidas que devem ser atendido por seu marido ou por seus familiares mesmo que viole as leis dietéticas. Algumas leis da “mulher menstruada” diz o seguinte:

 1- No momento em que a mulher nota que algum sangue saiu da vagina, ainda que seja uma mancha nas roupas íntimas, ela se torna ritualmente impura. Por isso muitos judeus não apertam a mão das mulheres, por que acha que todas as mulheres podem estar impuras.

2- Se o fluxo de sangue não é devido a menstruação normal, mas provém de um ferimento, mesmo assim a mulher é considerada ritualmente impura, como se estivesse menstruada. Isso também se aplica ao sangue proveniente da perda da virgindade na noite de núpcias. O casal deve ser abster-se de relações sexuais até 11 dias “puros” nos quais não se perceba vestígios de sangue.

 3- Passados os sete dias puros, a mulher deve fazer uma imersão total num banho de purificação especialmente preparado chamado “mikvá”. Todas as comunidades judaicas de certo porte possuem uma casa de banhos deste tipo, e é considerada tão importante que a lei judaica estabelece que deva ser a primeira construção a ser edificada e depois sim, a sinagoga. A imersão deve ser completa, nada deve ficar fora d’água e a mulher precisa estar acompanhada de outra mulher, de mais de doze anos, para certificar-se que o banho foi completo. O Mergulho na Mikveh (piscina para o banho) deve ser feito sempre quando as estrelas são claramente visíveis.

Um tanque antigo de purificação (MIKVEH)

O Sangue que acompanha o parto, também torna a mulher ritualmente impura. Se o filho que nasce é um menino, a mãe é considerada impura durante sete dias, por causa do parto, após o parto, devem-se contar sete dias e ir a mikvah. Se der a luz a uma menina, o período de impureza é de quatorze dias, e depois começam a serem contados sete dias puros. Esta é a lei (Lv. 12,2-5), mas o costume em muitas comunidades, baseando-se nos mesmos versículos, prescreve um período de quarenta dias para um menino e oitenta dias para a menina.

Se não existir uma mikvá na casa do casal, é permitido que a mulher faça o banho num rio próximo e caso não haja um rio, pode ser feito em um lago ou oceano. Essa tradição para o casal judeu se estende a “Purificação da Família”, sem fazer a mikvá as relações sexuais não podem se realizar.

Em fim, para um Judeu é repugnante ter relações sexuais com uma mulher no seu período menstrual e é difícil eles acreditarem que existam pessoas que não dão respeito a esse fato fisiológico da mulher e não respeitem a natureza humana.

 Referência Bibliográfica:

ASHERI, Michael. O Judaísmo Vivo: Tradições e Leis dos Judeus Praticantes. Rio de Janeiro: Imago, 1995.

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7 Respostas para “A impureza menstrual e a Mikvá

  1. João

    12/06/2013 at 3:46 PM

    Prof. Wallace Anderson, eu ainda não consegui perceber exactamente… É legitimo para os Judeus ter relações sexuais durante a menstruação da mulher? Aguardo a resposta do professor.

    Shalom

     
  2. Ingrid Alves Freire Martins

    13/09/2012 at 6:59 AM

    Ola,
    Gostei muito do artigo que o Prof. Wallace Anderson escreveu, fiquei realmente feliz de encontra pagina que bençao! talvez com seu conhecimento me poderia tirar algumas grandes duvidas, as mulheres deveriam ser isoladas no periodo da menstruaçao? Deveriam sair de casa e dormir em outros lugares? Ou deveriam ficar em quartos separados daqueles dos maridos? Elas poderiam fazer as tarefas do lar tranquilamente( como cozinhar,limpar a casa e cuidar dos filhos)? E hoje nos nossos dias como uma mulher nos dias da sua menstruaçao se deve conduzir, em nossos dias algumas coisas mudaram, pelo fato de existir metodos melhores para a higiene da mulher durante o seu fluxo. Aguardo a resposta um grande abraço!

    Ingrid

     
  3. Maíta Souza

    20/12/2010 at 12:55 AM

    Ótimo estudo, bastante esclarecedor, parabéns!
    só gostaria de tirar uma dúvida: foi este mesmo banho a que se submetia Bate-Seba quando foi vista pelo Rei Davi? Neste caso, a Mikvá de sua casa ficava ao ar livre, em local descoberto, ou ela estaria se banhando num recipiente fundo, como uma tina, algo parecido, como já li em alguns artigos????

     
    • Prof. Wallace Anderson

      20/12/2010 at 2:02 AM

      Olá Maíta Souza,
      Sempre será um prazer para o CPA poder dentro do possivé,l esclarecer algumas dúvidas.
      Mas falando deste fato, alguns estudiosos baseando-se no custume da mulher hebréia acreditam que seria o hitual da Mikvá que
      ela poderia esta fazendo.

      espero ter sido atencioso.
      Shalom.
      Att,
      Prof. Wallace

       
  4. Thiago Cabral

    21/11/2010 at 10:51 PM

    Salhom Adonai aleichem haver Wallace!
    Parabens! Pelo artigo é show de bola! Lehitraot!

     
  5. Kadu Santoro

    24/10/2010 at 1:14 AM

    Parabéns!!!
    Belo artigo amigo, podemos perceber, que isso não representa apenas uma observância religiosa, e sim, hábitos de higiene e saúde, assim como outras regras, como por exemplo, não comer carne de porco, por causa do clima e da alimentação do porco, isso causaria infecção intestinal e desinteria, levando até a morte, e não só por causa da profanação do templo por Antíoco Epifanes.

    Abração e Paz Profunda!

    Kadu Santoro

     
  6. Viviane Souza

    23/10/2010 at 10:11 PM

    Interessante saber deste fato na cultura dos Judeus.
    Eu acho, que se a mestruação da mulher fosse respeitada não do ponto de vista religioso por que, parece ser bem rigido ás mulheres judias. Mas no sentido humano seria legal a todas as mulheres. Só que para isso, a mente dos homens deveria começar a ser mas esclarecida sobre as necessidades da compreençãoa feminina.

    Viviane,
    Médica Ginecologista, Rio de Janeiro.

     

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