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O que é ESCRAVIDÃO?

13 abr

Devemos entender que desde os primórdios das relações que o homem estabeleceu com os integrantes do grupo social ao qual pertencia, em certo momento da sua evolução desenvolveu-se a necessidade do fortalecimento desse grupo e a prioridade na manutenção do poder do seu líder.

A partir da Idade Moderna, com a queda de Constantinopla, a relação social entre a classe dominante e o escravo, dentro desses Estados se modifica com o surgimento do mercantilismo na Europa XV-XVIII. Um conjunto de práticas econômicas diversas em concordância com os novos Estados Nacionais, na tendência de fortalecer a sua economia e unificar o seu mercado interno. Cuja relação social do escravo, antes sem fim lucrativo deixa de ser predominante, passando a existir na maioria das vezes a subjugação daqueles que passam fornecer maior rendimento econômico e/ou a manutenção do status social.

Com relação à escravidão, quando abordamos tal assunto, chama-nos a atenção a imagem clássica do negro africano, subjugado no processo colonial mercantil europeu no século XV-XVIII, que dentre todos os países da Europa Ocidental, Portugal foi o que mais se apropriou do processo escravizatório, quantificando etnicamente afro a sua colônia brasileira na América.

A base econômica da colonização brasileira por parte de Portugal foi na produção do açúcar, que os portugueses já realizavam na região dos Açores; arquipélago transcontinental da República Portuguesa situado no Atlântico nordeste, dotado de autonomia política e administrativa.

As plantações de cana-de-açúcar e montagem de engenhos ocorreram principalmente na região nordeste do Brasil – Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Bahia, capitaneado economicamente pelos capitalistas holandeses que, refinavam e distribuíam o produto açucareiro pela Europa, obtendo vultosos lucros.

Como mão de obra foi utilizada primeiramente os índios, em seguida substituídos por negros escravizados da região do litoral africano, colocando decisivamente poderosos interesses mercantilistas lusitano no tráfico negreiro.

Para o Brasil vieram milhões de negros provenientes de Angola, Guiné e outros pontos da costa africana. O drama dessa civilização vivenciado nesse período XV-XVI não tem paralelo e precedente na história da humanidade.

Presos e escravizados na África, eram amontoados nos tumbeiros, onde, privados das mínimas condições de sobrevivência, aterrorizados pelos mais terríveis castigos, pareciam em grande número na prolongada travessia da calunga grande. Aos que sobreviviam lhe reservava uma vida pouco melhor que a morte.

A falta de liberdade, os trabalhos extenuantes, os castigos físicos, as humilhações de toda a espécie, constituíam o cotidiano do negro, que, do século XVI ao XIX foi o principal criador da riqueza nacional do Brasil.

No primeiro momento deste ensaio vamos dar um panorama morfológico sobre o que é escravidão?

Escravidão é a condição social na qual o indivíduo se encontra dentro de uma sociedade, na sujeição ao cativeiro, utilizando a sua força motriz para fins econômicos e políticos ou na determinação de um status social.

Faz-se necessário levar ao nosso entendimento que, a escravidão se trata de um fenômeno histórico bastante extenso e diverso. A escravidão é um tipo de relação social e de trabalho que existe desde os tempos mais remotos da humanidade. Já na antiguidade, podemos observar na Babilônia a existência do Código de Hamurabi, que compunha um conjunto de leis escrita dessa civilização.

Escrava sendo leiloada na Antiguidade, em quadro do pintor francês Jean-Léon Gérôme.

Tais leis, estabeleciam a relação entre os escravos e seus senhores. A escravidão não se restringe aos africanos, registros mostram a sua existência entre os babilônicos, egípcios, assírios, hebreus, gregos e romanos.

Em Atenas na Grécia, boa parte dos escravos provinha de regiões da Ásia Menor e Trácia. Em geral obtidos na realização de guerras nas disputas com os diversos povos estrangeiros.

Na antiguidade de Atenas verificamos a presença de traficantes de escravos, que realizavam a compra destes dos inimigos capturados, que logo tratavam de oferecê-los em algum lucrativo ponto comercial ateniense.

Mercadores de escravos analisando os dentes da escrava, por Jean-Léon Gérôme.

Os escravos em Atenas ocupavam uma posição desprivilegiada na sociedade, podendo ocupar diferentes posições dentro da sociedade. A utilização de alguns escravos se dava na composição das forças policiais da cidade, outros eram usualmente empregados em atividades artesanais por conta das suas habilidades técnicas, que os levava a uma posição de destaque na sociedade.

Na escravidão ateniense não havia distinção quanto ao trabalho que o escravo desempenhava. Possuía uma relativa importância na sociedade, por disponibilizar mais tempo aos homens livres na participação nas assembléias, debates políticos, na arte de filosofar e na produção das obras de arte. No período clássico de Atenas, a classe de escravos chegou a compor cerca de um terço da população ateniense.

Em outros casos, o escravo poderia ter uma fonte de renda própria, podendo em certo momento comprar a sua própria liberdade. De um modo geral, a maioria dos escravos em Atenas trabalhava no campo e nas minas, em condições de vida pior se comparar aos escravos urbanos e domésticos.

Na cidade-estado de Esparta, a escravidão tinha uma organização distinta. Os escravos denominados de hilotas eram conseguidos por meio das vitórias militares empreendidas pelas tropas espartanas.

Esparta não desenvolvia a comercialização do escravo, não sendo visto como mercadoria, propriedade privada do seu dono, justamente por conta da cultura espartana xenófoba. Sendo propriedade do Estado Espartano.

No império romano o uso da mão de obra escrava teve uma importância significativa, trabalhavam nas propriedades dos patrícios, grupo social romano que detinha o controle da maior parte das terras cultiváveis do império.

Como em Atenas, o escravo romano também poderia exercer diferentes funções, podendo até adquirir a sua liberdade, a única restrição que se fazia era jurídica, um escravo não poderia exercer nenhum cargo político.

Uma das obrigações do senhor de escravo romano era dar uma boa alimentação ao seu escravo e mantê-lo bem vestido. Não era permitido o castigo ao escravo até a morte, caso alguém o fizesse, poderia ser julgado por assassinato, podendo também conceder-lhe a liberdade sem recebimento de indenização por isso.

Comércio de escravos romanos

Os Gladiadores profissionais eram normalmente escravos adquiridos para o efeito, sobre os quais recaia um treino intenso, preparando-os para os combates. Existiam várias escolas, que treinavam os seus gladiadores para se encaixarem nos tipos pré-definidos de gladiador.

A relação escravizatória mercantil arregimentada pelos países da Europa a partir do século XV, tem uma característica e finalidade específica que não iremos encontrar registro histórico em nenhum outro momento.

Sendo assim, há diversas ocorrências de escravatura sob diferentes formas ao longo da história, praticada por civilizações distintas. No geral, a forma mais primária de escravatura se dá na medida em que povos com interesses divergentes guerreavam resultando em espólios de guerra.

Apesar de na Idade Antiga ter ocorrido o comércio de escravos, não era necessariamente esse o fim reservado desse episódio de guerra. Algumas culturas com um forte senso patriarcal reservavam à mulher uma hierarquia social semelhante ao do escravo, negando-lhe direitos básicos que constituiriam a noção de cidadão.

A escravidão era uma situação social aceita, e logo se tornou essencial para a economia, para política e sociedade de todas as civilizações antigas. Embora fosse um tipo de organização ainda muito pouco produtiva.

A Mesopotâmia, a Índia, a China, os antigos egípcios, hebreus entre outros, também usufruíram do recurso da escravidão em suas civilizações. Portanto, até chegarmos ao escravismo mercantil africano devemos compreender que tal ambiência não serve de referência para definir escravidão.

Três escravos abissínios encadeados. A Sociedade Anti-Escravagista estima que havia dois milhões de escravos na Etiópia, no início da década de 1930, numa população estimada entre 8 e 16 milhões de pessoas.

 

Bibliografia:

FLORENTINO, Manolo. Ensaios sobre a escravidão. Minas Gerais: UFMG, 2003.

MELTZER, Milton. História ilustrada da escravidão. São Paulo: Ediouro, 2004.

CAMPOS, Raimundo Carlos Bandeira. Estudos de História Moderna e Contemporânea. São Paulo: Atual Editora, 1988.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário da Língua Portuguesa.

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13 Respostas para “O que é ESCRAVIDÃO?

  1. vitória

    02/10/2013 at 12:11 AM

    adorei com esse conteúdo fica mais fácil da gente estudar e aprender bem mas rápido; adoraria muito saber quem foi q público isso… estou muito agradecida por ter me dado essa gratificante oportunidade de fazer minha prova de história do 4º ano , bem melhor e só assim eu tenho mais outra oportunidade de receber outro certificado de BOM DESEMPENHO e provar q a internet não serve só para jogar , assistir vidios, e para entrar nas redes sociais não . mais também para aprender , e estudar … VAMOS SEMPRE SE LEMBRAR DISSO … ESTUDEM MAIS !!! VITÓRINHA FOIII!!!

     
  2. Anne Caroline Quadrelli Vieira

    18/06/2013 at 4:56 PM

    me ajudou muito eu tenho livros e livros sobre o Brasil…

     
  3. sabrina

    13/11/2012 at 10:03 AM

    MUITO OBRIGADO PELA RESPONDA!!!!!!!!!!!

     
  4. *.hayla.*

    04/11/2012 at 9:39 AM

    muito bom agente saber…

     
  5. Cinthia

    24/10/2012 at 8:00 PM

    Adorei é bom saber o que é escravidão

     
  6. luana

    23/10/2012 at 9:29 AM

    obrigada… com esse conteudo a gente aprende mais com mais facilidade…..

     
    • vitória

      02/10/2013 at 12:00 AM

      verdade com esse conteúdo eu melhorei muitoooo!!!!

       
  7. camila herzog de matos

    06/08/2012 at 8:18 PM

    muindo obriga e assim a gente aprende mais e mais o que é escravidão né

     
  8. naiana

    04/06/2012 at 5:33 PM

    eu adorei e me ajudou obrigada agradecida

     
  9. TALITA BEATRIZ DE LIMA

    01/06/2011 at 7:05 PM

    BRIGADOOO PELA RESPOSTAA!

     
  10. pedro

    13/05/2011 at 3:01 PM

    e´ muito importante a gente ver as historias dos escravos.
    hoje dia 13 de março e´ o dia que a princesa Isabel liberto os escravos e ela acabou com a escra vidao graças a ela que os escravos hoje nao estao tabalhando.
    eu queria que todos ouvise esta historia

     
  11. Karina M.B.

    31/05/2010 at 9:43 PM

    Muito Obrigado!! Me ajudou muito, admiro vc ter lido 4 livros sobre escravidão e ter feito um texto assim com seus conhecimentos, tenho preguiça só de pensar nisso kkk

     
    • Prof. Ronaldo Silva

      03/06/2010 at 9:38 PM

      Obrigado a você que encontrou no meu artigo uma serventia para o seu conhecimento, fico feliz e agradecido a Deus por ter me dado tal oportunidade…é gratificante quando conseguimos ler o que as nossas linhas de conhecimento e pensamento tenham proporcionados as pessoas as quais elas encontram. Disponha sempre que quiser e na medida do possível estarei sempre a sua disposição!!! Abção!! Prof. Ronaldo Silva

       

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