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A Filosofia Grega no Período Clássico

08 abr

Introdução

Este artigo procurará discorrer sobre uma época que vai do século V, ao início do século IV a.C. conhecido como “Período Clássico”. Recorte temporal que retrata o apogeu do mundo grego, conhecido também como “século de ouro”. Pois foi uma época de grande esplendor e de grandes expressões culturais e favorecendo o desenvolvimento do intelecto, tendo como maior expressão à filosofia grega, expressão esta, que também se fez presente na política, nas ciências, nas artes, na escultura, na poesia, na arquitetura e no teatro. Entre estas expressões culturais o nosso texto elegeu como objeto especifico: a filosofia.

Abordará primeiramente os sofistas e em seguida os filósofos chamados de socráticos, falará mais densamente sobre: Sócrates, Platão e Aristóteles. Este último, por ter nascido na Macedônia e ser considerado pelos atenienses como estrangeiro, embora considerado o pensador grego do período clássico de maior influência no mundo medieval, achamos oportuna à contextualização no desenvolver deste tópico

 

A Filosofia Grega

Povo de característica comercial, onde o contato com outros povos se faz necessário para o desenvolvimento das suas atividades; venda ou troca de suas mercadorias, os gregos estavam conseqüentemente em convívio com outros mitos que não os seus, e possivelmente a variabilidade de mitos para explicar às vezes os mesmos fatos ou situações comuns, fez desenvolver o pensamento racional lógico e conseqüentemente surgir a “Filosofia”. O Pensamento filosófico surgiu primeiramente na parte mais comercial da Grécia: a “Jônia na Ásia Menor” e na florescente “Magna Grécia”, no sul da Itália.

No século V a.C a Grécia atingia o seu apogeu cultural, durante esse período surgiram vultos extraordinários nas artes, nas ciências, e na filosofia propriamente dita. A filosofia chega da periferia para o centro, concentrando-se em Atenas com os remanescentes da filosofia naturalista dos “físicos” de Mileto e de uma certa forma de seus seguidores como; Pitágoras de Samos, Heráclito de Éfeso, Parmênides de Eléia, Zerrão de Eléia, Empédocles de Agrigento, Demócrito de Abdera. Como não havia na Grécia uma unidade nacional, suas polis se desenvolviam de forma independente, com leis própria e características próprias e vivendo basicamente das disputas entre eles. O Pensamento filosófico surgiu primeiramente na parte mais comercial da Grécia: a “Jônia na Ásia Menor” e na florescente “Magna Grécia”, no sul da Itália.

Os filósofos gregos também eram conhecidos por suas cidades de origens, apesar de visitarem quase todo o mundo grego debatendo as suas idéias nas ágoras principalmente em Atenas, cidade de maior efervescência cultural. Uma das maiores características da filosofia no período clássico da Grécia, onde esta traz o “mistério” para ocupar a praça (a ágora). Não mais será ele o motivo de uma visão inefável, transcende-o em objeto de investigação em pleno dia. Através do livre dialogo, do debate argumentado, transmutado em um saber cuja vocação será universalmente compartilhado. Esses debates argumentativos representavam as concepções desses filósofos pré-socráticos remanescentes dos pensadores de Mileto, dominados em grande parte pela investigação da natureza, que tinha um sentido cosmológico: a busca de um de um principio primordial para todas as coisas existentes. Seguiu-se a esse período uma nova fase da filosofia, caracterizada pelo interesse no próprio homem e nas relações deste com a sociedade. Esta nova fase filosófica foi dominada pelos “sofistas”.

 

1- Os Sofistas

 Sofista era aquele que conquistava o saber (do grego: Sophia = sabedoria, os sábios) Etimologicamente, o termo significa “sábio” no entanto no decorrer do tempo ganhou conotação pejorativa, principalmente devido as criticas de Platão. Os sofistas surgiram na Grécia como um movimento filosófico bastante peculiar, preocupados em dignificar e valorizar o homem, gradativamente através do estudo e da reflexão. Saiam pelas ruas a ensinar e a esclarecer a todos aqueles que estivessem interessados em ouvi-los. Situado entre os primeiros e considerado um dos maiores sofistas, Protágoras, por muitos anos ensinou em Atenas: “O homem é a medida de todas as coisas”. Defendia que o certo e o errado não existiam como valores absolutos. O homem era a medida e o juiz dos acontecimentos.

Os padrões humanos de avaliação da realidade não são estáticos e eternos, pois evoluem e se modificam ao longo da história. Todavia não era prudente estabelecer a crença numa verdade eterna e absoluta, pois a verdade nada mais é que um problema de tempo e espaço variando o seu conteúdo na medida em que os horizontes intelectuais se alargam ou se estreitam.

 O homem era o centro do seu universo e a educação como tudo deveria se adequar as suas necessidades. O bom método de ensino era aquele que conseguia satisfazer a natureza humana através do respeito e da valorização da personalidade de cada um. A meta era o aprimoramento do homem, liberar todas as suas potencialidades. A escultura grega mostra bem esta exaltação do homem mostrando-o nu, o homem não se envergonha do seu corpo, sua nudez não o envergonha, pois a sua beleza o dignifica.

 O movimento sofista com o tempo se descaracterizou, fazendo uma leitura diferente daquela estabelecida por Protágoras. Agora estes defendia uma idéia onde o mais importante era vencer, desenvolveram uma capacidade de argumentação invejável, um raciocínio hábil, uma oratória eloqüente onde a força do argumento e a capacidade de convencer eram a tônica, para isto tudo era valido. A única norma lógica e intelectual era o êxito. Ensinavam com gosto, desde que para isto recebessem. As idéias de Protágoras foi levado as ultimas conseqüência havendo quem afirmasse que o mundo não existia (tese defendida pelo sofista, Gorgias de Leontini), defensor do ceticismo absoluto segundo ele nada existia e se existisse não poderia ser conhecido, e mesmo se fosse conhecido não poderia ser comunicado a ninguém. O mundo não passava de um sonho, produto da criação humana, já que o homen era a medida de todas as coisas, tudo era possível. Qualquer teoria podia ser encarada como falsa ou verdadeira, porque tudo se justificava através dos diferentes pontos de vista. Neste cenário surgiu aquele que é considerado como divisor de águas na filosofia grega, Sócrates.

 

2- Sócrates e a sua conceituação filosófica (470-399 a.C)

Sem duvida a maior expressão do pensamento filosófico grego (natural de Atenas). Homem de natureza simples e de inteligência brilhante, seus dotes intelectuais contrastavam com a sua aparência, obeso e sem nenhum atrativo físico, o seu método não se baseava em criar teorias e sim em fazer perguntas e analisar as respostas de maneiras sucessiva até chegar a verdade ou a contradição do enunciado.

 Ao seu método chamado de maiêutica (no grego = parto das idéias ou técnica de dar a luz), era essencial: “conhece-te a ti mesmo” esta frase inscrita no templo de Apolo, era a recomendação básica de Sócrates a seus discípulos fazendo uma alusão à necessidade do autoconhecimento, a importância de não estagnar na periferia das coisas, mas ser audaz perscrutando o seu interior, pois ai reside à essência de tudo.

 A primeira virtude de um sábio é adquirir a consciência de sua própria ignorância. “Sei que nada sei”. A função da ironia socrática tinha um caráter purificador na medida em que levava seus discípulos a confessarem suas próprias contradições e ignorâncias, onde antes só julgavam possuir certezas e clarividências.

O segundo momento da sua metodologia filosófica é ajudar seus discípulos a trazerem luz as suas próprias idéias. Daí o termo maiêutica: dar a luz.

 Desenvolvia o saber filosófico em praça pública, propunha como ideal a conquista da virtude, para ele sinônimo de sabedoria. Para alcançar a virtude era necessária a disciplina, e esta começava com o próprio individuo, daí ao lema conhece-te a ti mesmo. Quando não estava meditando, dedicava-se aos diálogos com seus alunos. Tinha inúmeros discípulos, o melhor da juventude ateniense do seu tempo numa época de crise como a sua não levou os jovens para o culto dos deuses nos bosques sagrados, antes os encaminhava para a discussão do melhor caminho para o futuro individual e coletivo. Foi por isso, acusado de corromper a juventude e de ateísmo, sendo condenado a beber cicuta. Não tendo deixado nada escrito; os seus discípulos nos presentearam com tudo aquilo que conhecemos dele. Principalmente: Xenofanes, Platão e Aristóteles, estes últimos, dois baluartes da filosofia grega pilares, sem duvida da cultura no mundo ocidental.   

 

3- Platão (427-347 a.C)

Ateniense, discípulo de Sócrates. Sem duvida alguma um dos grandes fenômenos da filosofia grega de suma importância para a estruturação dos fundamentos da civilização ocidental juntamente com Aristóteles no entanto, Platão foi predominante, uma vez que o cristianismo nascente recebeu grande influência do pensamento platônica. Dedicou grande parte das suas idéias ao pensamento político. Não era democrata, presenciou a derrota de Atenas pela despótica Esparta e atribui o fato à democracia na sua terra natal. As suas idéias políticas são vistas sobre tudo na “república”. Um quartel: uma hierarquia ascendente havia os operários, os soldados e os guardiões, encarregados do governo isto era a sua república. Para ser um bom político o homen tinha que ser preparado, só a classe dos sábios podia governar. A política demanda sobre tudo o bem público, geral. Nos conflitos de interesses de grupos cabe ao bom governo achar o meio termo, que será o bem comum médio apenas. Acredita na imoralidade da alma e na metempsicose. Politeísta é verdade mais anexa a este conceito religioso uma hierarquia que culmina numa divindade perfeita e infinita cuja contemplação é o bem maior.

Magnífica a sua “teoria das idéias”, segundo ele o mundo não é o que vemos, percebemos apenas a aparência, temos que usar a razão para dizer o que é o mundo realmente, pois os sentidos são incapazes de percebe-lo plenamente. Sua obras de grande importância : Críton; A apologia de  Sócrates; Fédon; Timeu; Fedro; Górgias; A Republica; As leis etc. 

 

4- Aristóteles  (348 a.C- 322a.C)

Nascido em Estagira, na Macedônia. Foi um dos mais importantes filósofos gregos da antiguidade, influenciando decisivamente, a história do pensamento ocidental. Convém destacarmos que o momento vivido na Grécia no período do seu nascimento era o momento de crises nas polis gregas, correspondendo ao século IV a C. Aristóteles com 18 anos foi para Atenas, ingressou na academia de Platão onde permaneceu cerca de 20 anos. Este período corresponde ao final da hegemonia tebana e todo o período de decadência do mundo grego.

Ele teve uma atuação expressiva ao lado se seu mestre. Com a morte de Platão e a sua destacada competência, Aristóteles qualificava-se para assumir a direção da academia. Seu nome, entretanto foi preterido por ser considerado pelos atenienses como estrangeiro. Decepcionado com o episódio deixou a academia e partiu para Assos, Misia na Ásia Menor, onde permaneceu um ano até 345 a.C. Pouco tempo depois foi convidado por Felipe II, rei da Macedônia, para ser professor de seu filho Alexandre. Relacionamento interrompido quando este assumiu a direção do Império Macedônico, em 340, a.C. No entanto, por volta de 335 a.C. que correspondia ao domínio Macedônio sobre a Grécia.

Aristóteles regressa a Atenas, funda a sua própria escola filosófica, conhecida como Liceu, em honra ao deus “Apolo Lício”. Nesse local permaneceu ensinando por aproximadamente doze anos. Em 323 a.C, após a morte de Alexandre, os sentimentos antimacedônicos ganharam grande intensidade em Atenas, devido a sua notória ligação com a corte macedônica passou a ser perseguido, então resolveu abandonar Atenas, afirmando que desse modo evitava que os atenienses pecassem duas vezes contra a filosofia; a primeira possivelmente com Sócrates, a segunda com ele mesmo quando não o permitiram assumir a direção da academia de Platão.

Aristóteles divergia fundamentalmente das teorias de Platão com relação a sua teoria do mundo das idéias. Negava-se a atribuir a matéria esta concepção de que ela não passava de uma copia imperfeita da verdadeira realidade. Para ele o mundo das idéias não existia separado das coisas que vemos, mas constituía sua essência; admitia erros no sentido, mas defendia que estes erros poderiam ser corrigidos através do emprego adequado da razão.

Não deveríamos criar um mundo aparte, repleto de seres ideais. Deveríamos estudar os fenômenos existentes e procurar as causas desses fenômenos. Portanto, para Aristóteles não bastava ter só o conhecimento do mundo, era preciso também agir sobre o mundo, logo, procurou sempre elaborar uma visão mais cientifica da realidade e desenvolveu a lógica para servir de ferramenta básica para o raciocínio. Segundo ele, a finalidade primordial das ciências seria desvendar a constituição essencial dos seres procurando defini-la em termos reais.  

Para ele, a observação da realidade leva-nos a constatação da existência de inúmeros seres, individuais, concretos, mutáveis captados por nossos sentidos. Partindo desta realidade sensorial e empírica, buscar as estruturas essenciais de cada ser. A indução representava, para Aristóteles, o processo intelectual básico que possibilita o ser humano atingir conclusões cientificas de âmbito universal, a partir do trabalho metódico.

Aristóteles definia o homem como um ser racional e considerava a atividade racional, o ato de pensar, como a essência da natureza humana. Para ser feliz, o homem deveria viver de acordo com a sua essência, isto é, de acordo com a sua razão, a sua consciência reflexiva. A razão humana deveria comandar os atos de nossa conduta ética, orientando-nos na prática da virtude.

 

Conclusão

A característica deste período histórico Grego, que corresponde ao século V a.C. foi à efervescência das idéias, numa perspectiva racional onde se buscou dissecar o homem e as suas relações com o seu meio e sobre tudo consigo mesmo. Sem sombra de duvida, estes foram momentos gloriosos da filosofia grega, outrossim, ainda mais grandiosa a exaltação de Atenas, como cidade mãe, das artes, da inteligência, da cultura, da democracia e de tudo aquilo que tão belamente enobreceu o gênero humano no seu desenvolvimento sócio-político-cultural. .

 

Bibliografia:

ARISTOTELES. São Paulo. Nova Cultural. 2004. Col. Os Pensadores.

ABRÃO, Bernadete Siqueira. História da Filosofia. São Paulo. Nova Cultural. 2004. Col. Os Pensadores.

VITA, Luis Washington. Pequena História da filosofia. São Paulo. Saraiva, 1968

AYMARD, André, AUBOYER, Jeannine. A civilização da Grécia Clássica. In.  O Oriente e a Grécia. Col.História Geral das Civilizações. São Paulo. DIFEL, 1962

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7 Respostas para “A Filosofia Grega no Período Clássico

  1. maria joiciane

    10/09/2013 at 10:37 AM

    ajudou um pouco

     
  2. Renata

    02/07/2013 at 6:45 PM

    È muito bom estudar sobre a Filosofia no período clássico.Adoro.

     
  3. Renata

    02/07/2013 at 6:43 PM

    valeuuuu

     
  4. julia

    31/08/2011 at 3:13 PM

    amei isso me ajudou e eu tirei nota maxima no trabalho de historia

     
  5. http://www.metodista.br/filosofia

    21/12/2010 at 10:42 PM

    A cada dia aumenta a necessidade das instituições cuidarem de sua imagem e natureza, mostrando-se éticas e capazes de responderem aos desafios de nossos tempos.
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  6. fernanda

    28/06/2010 at 10:35 AM

    completo valeu

     

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