RSS

Perfil Histórico – Herodes, O Grande

03 dez

Herodes nasceu por volta de setenta anos antes de Cristo, filho de Antipater, herdou a astúcia política de seu pai, que já tinha sido prefeito da Judéia. E foi no período no qual seu pai era governador da Galiléia que Herodes começou a trilhar seus primeiros passos, inicialmente criminosos, rumo ao poder. Herodes era de uma família de idumeus, convertidos ao judaísmo forçosamente por João Hircano. Desta forma fica evidente sua falta de apego ao judaísmo.

Em 37 a.C. Herodes foi nomeado por Roma para governar a Judéia, reinando por trinta e três anos. Apreciava a cultura helênica, mas sem nunca deixar de ser um cidadão romano. Manteve durante todo o seu reinado, a Judéia presa a Roma. Separou o estado da religião, tarefa difícil para Israel Antigo onde os preceitos religiosos eram inerentes a população.

Herodes tinha uma personalidade contraditória, sem dúvida ele foi um dos mais ousados empreendedores da Judéia, visto seu ímpeto em gigantescas construções, um exemplo é a cidade de Cesaréia que antes não passava de uma simples aldeia de pescadores, e que foi transformada por ele numa vitrine para deleite principalmente de gregos e romanos.

Painel em mosaico com desenho geométrico. Casa de banho em Herodium

Entretanto Herodes demonstrava um comportamento absolutamente destrutivo com seus familiares, ordenou as execuções de sua esposa Mariamne (29 a.C.) e de sua sogra Alexandra (28 a.C.), além de ter mandado afogar seu cunhado Aristóbulo em um banho público, ordenou o estrangulamento de dois de seus filhos com Mariamne em 7 a.C. Pouco antes de morrer em 4 a.C. mandou executar seu filho Antípater. Josefo, historiador contemporâneo ao segundo templo, o identificou como um homem que jamais amou sua família.

O rei privilegiou os judeus da diáspora, e durante todo seu reinado tentou levar a Judéia do conservadorismo à modernidade. E não foi só na Judéia que Herodes obteve notoriedade com suas construções esplendorosas, como o majestoso segundo templo em Jerusalém. Ele também empreendeu com sua generosidade política, grandes contribuições fora de seus domínios, celebradas como a política universalista de Herodes.

“Com seu dinheiro, seus poderes de organização e sua energia, ele sozinho resgatou os jogos olímpicos de sua decadência e garantiu que fossem celebrados regularmente e com toda pompa devida – tornando assim seu nome reverenciado em muitas pequenas ilhas e cidades gregas, que lhe deram o título de presidente vitalício. Para fins cívicos e culturais ele doou grande somas a Atenas, Lícia, Pérgamo e Esparta. Reconstruiu o templo de Apolo em Rodes. Reergueu as muralhas de Biblos, construiu um foro em Tiro e outro em Beirute, edificou teatros em Saida e Damasco, deu ginásios a Ptolomais e Trípoli e providenciou uma fonte e banhos em Ascalom. Em Antióquia, então a maior cidade no Oriente Próximo, ele pavimentou a rua principal, em duas milhas e meia de comprimento, colocando colunatas em toda a extensão para abrigar seus cidadãos da chuva, e acabou essa grande obra com mármore polido.” (Johnson, 1995, p.122).

Depois de um longo período melancólico e enfermo, acometido de dores atordoantes e febre, como revela Josefo “Os pés também estavam inchados e lívidos; o ventre, também; todos os nervos estavam frouxos, as partes do corpo que se ocultam por pudor, estavam corrompidas que eram pasto de vermes e ele respirava com extrema dificuldade …”

Herodes morreu em 4 a.C. na cidade de Jericó, com a idade de setenta anos. Cinco dias após mandar executar seu filho. Seu funeral foi tão suntuoso, quanto suas construções. Foram quinhentos oficiais só para levar o perfume no cortejo fúnebre. Ele foi sepultado no Castelo de Herodiom, localizado ao sul de Jerusalém, no deserto da Judéia. Este castelo único a levar seu nome era usado como residência de veraneio. Ainda hoje é um dos locais mais procurados para visitação, pois lá ficou eternizado Herodes, o Grande.

[1] João Hircano conquistou a Iduméia entre 130 – 140 a.C., obrigando  toda a população a converter-se ao judaísmo.
[2] Josefo. História dos Hebreus. 2007, p. 1082.

 

Referências Bibliográficas:

JOHNSON, Paul. História dos Judeus. 2ª Ed. Rio de Janeiro, Imago,1995.
JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. 11ª Ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2007.
The Israel Museum, Jerusalem. Tesouros da Terra Santa. Israel, 2008.
About these ads
 

Tags: ,

Deixe aqui sua opinião!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 55 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: