Jesus Cristo: Um fato histórico no Principado de Roma

Por pesquisador convidado Juraci Junior da Silva[1]

Durante o Principado de Roma – 30 a.C.–192 E.C, podemos ver uma época onde um império crescia em poder, e muito, tanto quanto a crença e culto de seu povo aos seus diversos deuses, trazidos por gregos, egípcios, sírios, dentre outros povos, devido à grande movimentação causada por comerciantes, escravos e imigrantes.

Os jogos foram transformados em celebração religiosa cujo imperador era o sumo sacerdote da religião do Estado. Suas Vestais, meninas que tinham entre 6 e 10 anos de idades, eram entregues ao templo de Vesta, para servirem-na, durante aproximadamente 30 anos, a fim de beneficiarem o império com sua benção caso permanecessem virgens. Cada qual com seu deus, seu rito, sua magia, feitiçaria, encantamento, ideologia ou filosofia; assim era permitido viver, contanto que sua fidelidade ao imperador e a Roma fosse constante. Até mesmo entre os filósofos, praticantes de astrologia, e ateístas confessos da época, como Nero e Calígula, era possível ver claramente práticas como essas, os quais, apesar de proibirem, eram os primeiros a praticarem. Imperadores, alguns, tinham cada um a sua própria moral e isso era visto também entre o povo, os quais praticavam atos sexuais juntos a altares em templos romanos.

Mas eis que em meio a tanta libertinagem, e em meio a tantos deuses que faziam parte do panteão grego e romano e que se misturavam em um sincretismo ‘sem fim’, em meio também a alguns deuses do sol, como Mitras, surge da Judéia, dos adoradores de YHWH, uns poucos judeus romanos, que veem uma verdadeira Luz, o verdadeiro Verbo [¹], segundo o evangelho de João, não somente para suas almas, como para seus espíritos, Jesus, autodenominado não somente Filho de YWHW, mas também Filho do homem e Messias, dando-lhes, por meio de atos e palavras, um sentido significativo para suas vidas e sua fé, não como imagens adornadas pelas mãos dos artífices, tal e qual os que os cercavam e era motivo de riso por poetas gregos, mas encarnado e ressurreto.

Encarnado e ressurreto por alguns motivos, tais como o fato deles não poderem tirar seu corpo do túmulo, pois sofreriam com isso uma cruel punição por parte do governo romano; pela sua aparição a dezenas de pessoas, que segundo o apóstolo Paulo, ainda estariam vivas quando a epístola aos Coríntios foi escrita; também pelo fato da igreja primitiva não ter sido refutada pelo clero judaico da época e nem por historiadores contemporâneos quanto não somente à sua morte e ressurreição, mas também por não demonstrar que o corpo foi roubado ou que ele não teria morrido, mas sim ter sofrido um desmaio, sendo cuidado em secreto pelos seus seguidores, e quando recuperado seu estado físico, se ausentado a fim de continuar em segredo a propagação de sua mensagem, ou que seria apenas um mito, como D. F. Strauss procurou alegar. Mas ele mesmo via um problema nisso, já que não se tinha mais essa ideia de mito no século I. Essas são na verdade, interpretações desde o ‘iluministas’.

É muito difícil imaginar que, apesar de que em alguns momentos os israelitas se desviaram dos ensinos de YHWH, eles se autoiludirem, com um Cristo imaginário, ressuscitado de entre os mortos, pois sempre existiram os remanescentes, ou seja, aqueles cujo espírito se mantinha firme nas palavras e promessas do seu Deus. Vejamos o que Carlos Augusto diz em seu livro “História da Ciência: da Antiguidade ao Renascimento Científico” a cerca desse povo:

“Os hebreus se diferenciavam dos demais povos por serem monoteísta (YHWH) e arredio a qualquer contato com seus vizinhos, ciosos da preservação de sua identidade. Conquistado pela Grécia e Roma, resistiria o povo hebreu a influências externas e se manteria fiel a suas tradições e costumes e contrários a especulações filosóficas contrárias a sua crença.” [²]

Além dos exemplos citados acima, ainda tem uma explicação crucial, que não tem sido dada de maneira satisfatória pelos críticos da ressurreição de Jesus, que é o surgimento da fé cristã, e que tem, durante esses mais de dois mil anos, permanecido intrinsecamente, ligada a milhões de homens e mulheres de diversas raças, culturas e nível social, podendo nós, não somente com o que foi apresentado, mas com uma busca sincera e honesta, ter boas razões, para crer na vida, morte e ressurreição de Jesus.


[1] Esta publicação é referente ao dia do leitor.

 

Referências bibliográficas:

 

[¹] Rosa, Carlos Augusto de Proença. História da Ciência: da Antiguidade ao Renascimento Científico, Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2010. Volume I, pág. 97.

[²] Evangelho de João, Capítulo 1, versos 1-18.

Durant, Will. História da Civilização, – 3º parte, Tomo II – São Paulo: Cia Editora Nacional. Págs. 33-36.

Craig, William Lane. Apologética Contemporânea: a veracidade da fé cristã, 2 ed. – São Paulo: Vida Nova, 2012.

Bíblia Apologética. Almeida, Corrigida, Fiel – ACF, 2ed. – São Paulo: Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, 2005


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O Cristianismo como o maior desafio à cultura grega

Por pesquisador convidado Jorge Gabriel Rodrigues de Oliveira[1]

A princípio, talvez para leigos, dissertar num mesmo contexto acerca do Paganismo e do Cristianismo pode parecer uma tarefa contraditória, se for levada em conta uma das características mais básicas entre a(s) religião(ões) dos gregos, que possuía base politeísta (VERNANT, 2009) e a religião cristã, que apesar da Trindade, apresenta um Deus único, ou até mesmo por conta da forte aversão ao Paganismo politeísta empreendida pela Igreja Católica durante todo o Medievo, que resultou no movimento da Inquisição (DELUMEAU, 2009). Contudo, por mais estranho que possa parecer, entendemos que boa parte dos pressupostos cristãos se originaram no pensamento filosófico grego, através do Helenismo.

Podemos dizer que o Helenismo, numa análise histórica, foi um processo, essencialmente cultural, baseado na influência da cultura grega sobre Oriente, incluindo-se aí o próprio Cristianismo, inicialmente uma seita judaica isolada na Judeia (CHEVITARESE; CORNELLI, 2003). Entretanto, cabe ressaltar que para a Historiografia, esses contatos culturais que ocorrem entre as civilizações não são unilaterais; ou seja, quando culturas ou determinadas práticas culturais de um povo entram em contato com as de outro povo, o que ocorre é uma espécie de “contaminação cultural” mútua (CHARTIER, 1990). Partindo dessa premissa teórica da História Cultural (BURKE, 1992), podemos afirmar então que, ao passo que o Cristianismo foi um desafio à cultura grega, esta cultura também foi um desafio ao Cristianismo.

Doravante, o primeiro desafio foi justamente o da chegada da cultura grega ao Cristianismo, ou ainda uma seita cristã da Judeia, uma vez que com a difusão do idioma grego koiné pelo Oriente, graças a atuação primeva de Alexandre, os judeus tiveram que passar por um amplo processo de helenização. Ou seja, se deixaram levar pela tendência da época e aprenderam a língua grega, entretanto, ao constatarmos o uso do koiné por judeus-cristãos, cabe considerar que esses palestinos apropriaram-se também de um conjunto de conceitos próprios da linguagem e cultura grega helenística (SANTOS, [?]). Por outro lado, consideramos que esse desafio enfrentado na Judeia, foi relativamente facilitado, uma vez que o Cristianismo, originalmente, foi um movimento judaico e os próprios judeus tinham consciência de sua própria helenização já nos tempos de Paulo, não somente por conta da Diáspora, mas dentro da própria Palestina; tanto é que foi em direção a essa parcela de judeus já helenizados que os missionários cristãos atuaram (JAEGER, 1993).

O segundo desafio é inversamente proporcional ao primeiro, uma vez que movimenta-se do Cristianismo para o Paganismo grego. Jaeger considerou que apesar da identificação da figura de Jesus e mesmo de algumas práticas cristãs com o Oriente, no caso o Judaísmo no Antigo Oriente Próximo, a cultura grega exerceu um profundo impacto na mentalidade cristã. A hipótese do autor é baseada na ideia de que o kérygma ou a transmissão da “boa nova” não se limitou ao isolamento da Judeia e na medida em que o Cristianismo ganhou força, principalmente após a conversão do imperador Constantino, tornou-se necessário fundamentar as bases do movimento em sólidos argumentos filosóficos (JAEGER, 1993).

Contudo, falar de Cristianismo e Paganismo, tomando como fio condutor o processo de helenização do Mediterrâneo e Oriente Próximo, é uma tarefa muito mais profunda e complexa que traçar limites entre esses dois pólos (Cristianismo e filosofia grega). Um exemplo dessa afirmação está contido nas pesquisas desenvolvidas por Cornelli, sobre os chamados Papiros Mágicos Gregos. O conteúdo desses documentos compreende um conjunto de fórmulas e rituais mágicos, que fazem encontrar-se elementos místicos gregos, egípcios, judaicos e cristãos, tornando-se assim uma das maiores expressões do Helenismo (CHEVITARESE; CORNELLI, 2003). Partindo dessas premissas, para ilustrar a simbiose ocorrida entre a tradição grega pagã e a cristã contida nos Papiros Mágicos Gregos, podemos citar um ritual de exorcismo utilizado para a cura de doentes; apesar do ritual indicar a súplica a diversas divindades egípcias, em seu momento crucial, da expulsão do demônio do doente, o que ocorre são invocações feitas a figuras judaico-cristãs como Moisés e Jesus:

“Te suplico em nome do deus dos hebreus, Jesus, (orkizo se kata tou theou ton ebraion Iesou) IABAE IAE Abraoth AIA Thot ELE ELO AEO EOU IIIBAECH ABARMAS IABARAOU ABELBEL LONA ABRA MAROIA BRAKION você que aparece no fogo, que está no meio das roças, na neve e na neblina.

(…)

Te suplico em nome daquele que apareceu em Israel numa coluna de luz [Moisés] e numa nuvem em pleno dia, que libertou seu povo do Faraó…” (CHEVITARESE; CORNELLI, 2003). Grifo nosso.

Ou seja, nesse exemplo podemos ver os gregos utilizando elementos cristãos em rituais mágicos, o que comprova a ideia desenvolvida no início do texto, acerca do processo de trocas culturais entre o Cristianismo e o Paganismo. Ambos os desafios foram superados a sua própria maneira: se por um lado, o Cristianismo carente de uma base filosófica para fundamentar suas ideias se apropriou e deu novos significados aos conceitos gregos (pagãos), por outro lado, os gregos também se apropriaram de elementos cristãos, ou mesmo da própria figura de Jesus, para auxiliá-los em seus rituais mágicos. Esses contatos e inculturações com o Paganismo, acabaram multifacetando o Cristianismo, principalmente através do surgimento de correntes gnósticas, que bastante influenciadas por esses costumes e ideias antigas, deram um caráter não-ortodoxo ao Cristianismo e que, portanto, foram combatidas pelos grandes pensadores dos primeiros momentos do cristianismo. Avançando as fronteiras da Antiguidade Tardia, podemos afirmar inclusive, que é possível detectarmos vestígios desse processo de inculturação do Paganismo no Cristianismo até na Idade Média, com o aparecimento das heresias. Entretanto, a Igreja de um lado com a solidez de seus dogmas e sua ortodoxia e de outro com o uso da violência, mais uma vez conseguiu suprimir esses resultados de séculos de inculturações entre o Paganismo e o Cristianismo na Antiguidade Tardia.

[1] Jorge Gabriel Rodrigues de Oliveira é Graduado em História – UGF, pós-graduando em História Antiga e Medieval – FSB, professor SEEDUC-RJ

Está postagem refere-se ao “Dia do Leitor”

Referências:

BURKE, Peter. A Revolução Francesa da Historiografia: A Escola dos Annales (1929-1989). Tradução Nilo Odália. 2ª ed. São Paulo: UNESP, 1992.

CHARTIER, Roger. A História Cultural: Entre Práticas e Representações. Tradução Maria Manuela Galhardo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1990.

CHEVITARESE, André Leonardo; CORNELLI, Gabrielli. Judaismo, Cristianismo, Helenismo: Ensaios sobre Interações Culturais no Mediterrâneo Antigo. Itu: Ottoni Editora, 2003.

DELUMEAU, Jean. História do Medo no Ocidente 1300-1800: Uma Cidade Sitiada. Tradução Maria Lucia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

JAEGER, Werner. Cristianismo Primitivo y Paideia Griega. 6ª Reimpressão, México: Fondo de Cultura Económica, 1993.

SANTOS, Rita de Cássia Codá dos. A Herança Helenística na Pregação Paulina. [S.l.: s.n], [?].

VERNANT, Jean-Pierre. Mito e Religião na Grécia Antiga. Tradução Joana Angélica D’Ávila Melo. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

Descoberto em Jerusalém Mikveh do período do Segundo Templo

Em uma escavação arqueológica no bairro de Kiryat Menachem, em Jerusalém foi encontrado um local de banho ritual, Mikveh com uso datado do primeiro século, período do Segundo Templo.

Segundo o diretor da escavação Benjamin Stortz’n: “Nos últimos anos muitos banhos rituais muitas foram descobertos em Jerusalém, mas a descoberta deste sistema de alimentação de água nesta escavação é único e incomum. O banho ritual (Mikveh) consiste em uma cavidade subterrânea conduzida por escadas. As águas das chuvas desejavam em três bacias bacias hidrográficas que estavam esculpida no teto no desejado e despejavam a água doce através dos canais no local desejado banhos conhecidos até agora, são frequentemente compostas de um espaço fechado que canalizou a água da chuva em um pequeno lago escavado nas proximidades sistema exposto agora sofisticado e mais complexo esperava envolver visto a partir da liquidação estava no durante o período do Segundo Templo, provável, devido ao regime de chuvas e a seca na região, os moradores procuravam técnicas especiais que permitissem armazenar cada gota de água’.

O Mikveh foi construído de acordo com as leis de kashrut, com as bacias hidrográficas, e para garantir que não vazassem o local foi revestido com um gesso especial.

Segundo o arqueólogo do Distrito de Jerusalém, Amit Ram,  a comunidade local já demonstrou grande interesse na preservação deste lugar histórico. Assim como a Autoridade de Antiguidades de Israel e professores estão empenhados na restauração deste achado que é um verdadeiro tesouro arqueológico para a cultura e a memória da região.

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Fonte: http://www.cafetorah.com/portal/mikveh-do-primeiro-seculo-descoberto-em-jerusalem

Você Sabia? O aborto e os contraceptivos na Grécia antiga

Hipócrates o “pai da medicina” 460-377 a.C.

Hipócrates o “pai da medicina” 460-377 a.C.

Por pesquisadora Thassia Izabel

Na Grécia antiga não existia nenhuma lei contra o aborto, porém Hipócrates o “pai da medicina” era contra essa prática, a não ser que a saúde da mulher estivesse em risco. Hipócrates tinha ainda algumas recomendações de métodos contraceptivos, como afirmar Nikolaos Vrissimtzis:

“… recomendava que, se fosse necessário evitar a gravidez, as relações sexuais deveriam ocorrer nos dias inférteis do ciclo menstrual. Outro recurso era a relação sexual no período da menstruação.”

Utilizavam ainda para impedir a fecundação o coito interrompido, e como técnicas abortivas aplicavam até encantamentos mágicos, veneno e drogas como espermicidas, ferro sulfúreo e carbonato de chumbo. Nikolaos Vrissimtzis também aborda descrições de escritores sobre esse assunto:

“ Segundo Dioscórides (Matéria Médica), se uma mulher grávida pisasse sobre uma raiz de ciclâmen, abortaria. Ainda de acordo com o mesmo escritor, a raiz de aspárago, levada como amuleto, tornaria a pessoa  estéril(ibid.,151). Plínio diz que, se uma mulher grávida comesse ovo de corvo, provocaria o aborto( História Naturalis, X, 32).

Lydie Bodiou relata também algumas receitas abortivas realizadas na Grécia como: “Pegue uma pitada de grão leucoium, cinco ou seis bostas de cabras, misture em vinho de muito bom aroma. Então administre uma boa fumigação preparada com água e óleo e feita sobre um assento. Depois da fumigação dê a mistura para beber. Em seguida, lave a mulher e faça deitar; ela comerá couve e beberá o líquido liberado por seu cozimento.”

Os motivos que levavam as mulheres gregas a praticarem o aborto eram inúmeros, desde a estética, para se preservar o corpo a fatores econômicos, como não se ter muitos descentes para não precisar dividir o patrimônio, além de ser bastante realizado pelas prostitutas afim de não prejudicar o seu trabalho.

É interessante frisar que para Platão (República, 461) o feto não era um ser humano, e somente depois do nascimento que se tornava então um ser vivente, isso legitimava o aborto, e o tornava aceitável, já o infanticídio era condenado por lei e era considerado um ato criminoso.

Assim, as práticas abortivas e os contraceptivos na Grécia antiga, eram utilizados sem restrições apesar de não serem totalmente apoiadas pelos médicos, que normalmente incentivava tais práticas quando era necessário para manter a vida da mulher.

 

Referências Bibliográficas:

VRISSIMTZIS, Nikolaos. Amor, Sexo e Casamento na Grécia Antiga. Um Guia da Vida Privada dos Gregos Antigos. São Paulo:Odysseus, 2002.

BORDIOU, Lydie. O filho indesejado: o aborto na Grécia Antiga. História em Revista, Rio Grande do Sul, V. 8, Dezembro. 2002.

 

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