.:O CPARJ é uma iniciativa do Centro Cultural Jerusalém:.

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Arqueologia agonizando no Rio

Retornaríamos com novas postagens, somente no mês de fevereiro, porém na última quinta-feira, estive na casa do Capão do Bispo, onde funciona o Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB), e não posso deixar de compartilhar com vocês o que encontrei por lá.

Um casarão histórico, com uma arquitetura colonial rural do século XVIII, uma das poucas no Rio. O sobrado ainda oferece biblioteca, salas de estudo, sala para cursos, e um rico acervo arqueológico do estado, durante a década de 90 o Capão do Bispo era um ponto turístico muito visitado.

O casarão encontra-se em péssimas condições de conservação, a Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro ao invés de recuperar o espaço em prol da arqueologia brasileira, deu um mês para que o IAB saia do casarão, especula-se que após a reforma o casarão será entregue a ONGs.

Uma grande perda para a arqueologia brasileira, um espaço para pesquisa simplesmente jogado fora. Acompanhe nas imagens o abandono do Estado, para com o patrimônio cultural, a história, e a memória de nossa gente.

 

Você vai ficar parado?

http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N12164

Editorial de Fim de Ano!


Um dia desses de dezembro em que o céu é tão azul e tão bonito que não desfrutá-lo parecia um pecado, depois de um longo dia de trabalho, ao invés de pegar o caminho de casa, acelerei rumo ao oceano.

Chegando lá, meu propósito era ver o mar, a beleza de suas ondas absolutamente inconstantes. Mas uma cena roubou minha atenção, um grupo de garotos ainda na pré-adolescência, praticavam um estranho esporte, na beira do mar, naquela parte onde a água vem só para lamber a areia. Eles em cima de um pedaço de madeira deslizavam até perder o equilíbrio e terminavam o êxtase num mergulho na fria água de quase verão.

Repetiam o deslize infinitas vezes, e parecia até que Deus estava gostando de ver aquela brincadeira, pois o sol que insistia em não se por, apenas sobre eles debruçava seus raios dourados que ao refletir na água fazia da paisagem um espetáculo digno de contemplação, tudo ali era somente a obra de um artífice único.

Pensei em fotografar, desisti, os homens estão muito presos apenas ao que se pode ver, e o que eu via ali, era mais do que uma imagem. Não resisti, do alto de minha ignorância, me aproximei pra saber o nome daquele esporte, e já próxima a um deles, perguntei: o que é isso? Um sorriso metálico se abriu e veio a resposta: “skimboard”, mas a tradução poderia ser felicidade.

 Afastei-me para não atrapalhar e me veio à mente, como é simples ser feliz. Na minha juventude, já senti a incrível sensação de liberdade que se tem ao deslizar sobre as ondas com o vento batendo no rosto.

Em que momento, esquecemos das coisas simples? A vida adulta, os compromissos, consome todo nosso tempo. E até a liberdade de alma que o cristianismo nos trouxe fica engessada pelas ambições. Onde anda nossa liberdade de pensar, de refletir?

E quando mais um mito de destruição e de criação se revela com o fim de um ano e o começo de outro, nós do CPA desejamos pra você muita paz, saúde, prosperidade e amor. Mas também liberdade, essa de ver nos detalhes a grandiosidade da vida, e a tão esperada felicidade, que só se tem quando se é livre. Feliz 2012!

Pesquisador do CPA visita exposição no CCBB

No último dia 29 de novembro, o professor Marcio Sant´Anna dos Santos, pesquisador do CPA-RJ, visitou a exposição temática “Índia”, no Centro Cultural Banco do Brasil, no centro do Rio. São ao todo 18 salas e aproximadamente 380 peças oriundas de vários períodos da história da civilização indiana.

 

A mostra começa pelo andar térreo, onde uma escultura do deus Ganesha sobre um altar recebe os visitantes ao lado de um tuk-tuk, veículo tipicamente indiano. No primeiro andar, encontram-se as salas que contemplam a parte histórica da exposição, denominada “Homem, Reis e Deuses”. Cabe destacar os objetos trazidos para a mostra, como esculturas dos séculos II e III d.C., peças relacionadas às diversas religiões indianas como o hinduísmo, budismo, islamismo e cristianismo além de materiais do período medieval e também imagens e fotos contemporâneas, muitas relacionadas ao período da dominação inglesa sobre a região.

Além disso, a exposição nos traz referencias do dia-a-dia dos indianos, como roupas, pinturas, joias, tecidos e mídia. No segundo andar, há um espaço destinado a exposição de peças de arte moderna de artistas de grande relevância na cena indiana.

Índia

De 12 de Outubro de 2011 a 29 de Janeiro de 2012

Local: Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro

Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – Rio de Janeiro (RJ)

Contato: (21) 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br

Funcionamento: de terça a domingo, das 9h às 21h.

Agenda Cultural

Revista de cultura da USP abre chamada de artigos

A Universidade de São Paulo (USP) informa aos interessados que está aberta até o dia 26 de fevereiro de2012 achamada de artigos para a edição de número 14 da Revista CPC – maio a outubro de 2012.

A Revista CPC é um periódico de caráter acadêmico e científico do Centro de Preservação Cultural da USP, voltado para a discussão e reflexão de questões afeitas ao patrimônio cultural.

A publicação, que é arbitrada e tem periodicidade semestral, é editada em formato eletrônico e está organizada em duas seções: uma de artigos, nos eixos de patrimônio cultural, coleções e acervos, e conservação e restauração; e uma outra de resenhas, notícias e depoimentos.

Os textos devem ser enviados para o e-mail revistacpc@usp.br. Para mais detalhes, acesse www.usp.br/cpc.

A Marquesa de Santos, Uma Mulher, Um Tempo, Um Lugar

A Marquesa de Santos, Uma Mulher, Um Tempo, Um Lugar é uma exposição promovida pela Prefeitura de São Paulo, com curadoria de Heloísa Barbuy.

Serão expostas sete peças do acervo do Museu Histórico Nacional – um retrato e utensílios que pertenceram à marquesa – integram a mostra.
A exposição vai de 19 de novembro a 22 de março de 2012. No Solar da Marquesa de Santos, localizado à Rua Roberto Simonsen, 136, Sé – São Paulo-SP.
Mais Informações: (11) 3241-1081

Fonte: Boletim eletrônico Nº 380 – Ano 24 de novembro a 1º de dezembro

O USO DA PALAVRA ESCRITA EM ATENAS CLÁSSICA


(SÉC. V E IV A. C)

 

Por pesquisador convidado José Lúcio nascimento Júnior¹

A escrita foi uma das técnicas inventadas pelo ser humano que pôde transformar o modo de viver do próprio ser humano. Das primeiras formas de escrita, como a escrita Cuneiforme registrada na Mesopotâmia, até as novas modalidades de escrita em ambientes virtuais, está técnica de comunicação têm possibilitado novas possibilidades de integração e mudança social. Então, ao olharmos para algumas transformações ocorridas na antiguidade, podemos observar como as novas modalidades de escrita têm transformado a vida das pessoas na atualidade. Para tanto, olharemos para o caso ateniense, pois tanto a palavra oral como a palavra escrita tinha grande importância para este povo no seu período clássico.

De acordo com Neyde Theml, um dos fatores que possibilitaram o surgimento da Pólis no VIIIº século a. C. foi o aparecimento do alfabeto e da escrita fonética. Tal surgimento possibilitou que muitos eventos e fatos que existiam na cultura oral fossem escritos e fixados em diferentes lugares até mesmo para que todos pudessem ver. A palavra escrita “era para ser vista, lida em voz alta e ouvida, portanto pública” (THEML: 1998, p. 28). Mesmo em uma sociedade com poucos leitores, a palavra escrita passava a ser vista com um marco ou um monumento a ser apresentado.

Dentre os valores difundidos na Pólis ateniense era a que a pessoa deveria ter time (honra/prestigio). A publicação das leis, neste sentido, possibilitou a ampliação da díke (direito e/ou justiça) e as possibilidades das pessoas serem mais honrosas uma vez que conheciam as leis. Ao serem fixadas em locais públicos, como a Agorá, as leis possibilitavam a difusão da ideia de que todos eram iguais no contexto da políade, uma vez que todos seguiriam as mesmas leis e estas eram vistas por todos. Cabe ressaltar que o direito em Atenas ligava-se a normas, princípios e valores e não a leis estritas como ocorre na atualidade.

Não foi apenas no campo do direito que a palavra escrita modificou a vida dos atenienses. Foi também graças a palavras escrita que surgiram as epopeias, assim como foram elaborados vários documentos que nos permitem conhecer como era a vida deste povo. Como, por exemplo, foi graças a Platão (428-347 a. C.) que escreveu sobre as ideias de Sócrates que podemos ter contato com as suas ideias e sua forma de observar a vida social.

A escrita, no contexto de Atenas no período clássico, passou a ser algo muito valorizado entre os homens. Isso pode ser percebido no fato de que esta habilidade auxiliou os homens a registrar e divulgar o que faziam em diferentes espaços, tais como em tempos, santuários e na praça do mercado. De acordo com Maria Regina Candido, temos que “a grafia tornara-se um recurso da Polis utilizado para dar publicidade as leis, efetivar à cidadania através da identificação do cidadão no registro do dêmos e para servir de testemunho em diferentes transações comerciais” (CANDIDO: 2004, p. 58).

Contudo, o uso da grafia não ficou registra a esfera pública ou a aos registros de produção na esfera privada. Maria Regina Candido nos apresenta que uma das formas de uso da escrita era na prática mágica dos Katadesmoi. Nesta prática mágica, o uso da escrita fez com que o outro não tenha chance de defesa, pois como a escrita tem durabilidade maior que a para falada e outro por não saber da realização da prática não podia recorrer aos deuses ou mesmo questionar a ação. Os atenienses recorriam a estas práticas quando não tinha certeza de um resultado positivo em situações que eram julgadas publicamente, por exemplo.

Em suma, o uso da palavra escrita foi algo que se difundiu entre os homens, em especial na ástye (espaço urbano). Seus usos não se limitam aos apresentados acima, mas neles percebemos que a escrita teve um papel fundamental nas transformações que ocorrem em Atenas, em seu período clássico. Assim como no passado, a palavra escrita também provoca mudanças, em especial quando utilizadas no espaço virtual, espaço novo que junto com o ambiente urbano e rural compõem os “mundos” a serem vividos na atualidade.

Bibliografia:

CANDIDO, M. R. A Feitiçaria na Atenas Clássica. RJ: Letra Capital / Faperj, 2004.

THEML, N. O Público e o privado na Grécia do VIII ao IV século a. C. – o modelo ateniense. RJ: Sette Letras, 1988.


¹ José Lúcio N. Júnior é professor de História da rede pública e privada de ensino, graduado pela UNISUAM, especialista em História Contemporânea (UFF) e em Gestão Escolar e Coordenação Pedagógica (UGF), cursando atualmente Mestrado em Educação pela Universidade de Jaen (Espanha). Atualmente dedica-se a pesquisa sobre Metodologia de Ensino da História.

 

Fique por dentro!

Nos dias 30/11, 01/12 e 02/12 o Laboratório de Estudos Sobre o Império Romano e Mediterrâneo Antigo (LEIR-MA/USP) realiza seu IV Encontro

As inscrições deverão ser feitas através do email leir.ma.usp@gmail.com

Investimento: R$ 10,00 e deverá ser pago no dia do encontro.

O evento acontecerá no auditório de História do prédio de História e Geografia da USP.

Programação: http://leir.vitis.uspnet.usp.br/index.php?option=com_content&view=article&id=22%3Aiv-encontro-do-laboratorio-de-estudos-sobre-o-imperio-romano-e-mediterraneo-antigo-leir-mausp&catid=5&Itemid=4

Fonte: ANPUH – Edição 17 – Ano 3.

 

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